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2011-07-31

Eppur si muove… (Galileo Galilei, 1616)

A famosa “crise” é apenas o reflexo de um mundo que muda… Fizemos (nós, os “ocidentais”  investimentos continuados numa região do mundo, deslocalizando a criação de riqueza, essa região entretanto absorveu esses investimentos, tornou-se mais capaz a produzir e foi criando mercado interno. Dada sua dimensão interna e a sua eficiência que lhe permite exportar para Ocidente, vive ainda no mesmo sistema que a Europa no Século XIX: toda a oferta cria a sua procura (Lei de Say) o que está longe de se aplicar às economias Ocidentais desde 1929… Isso permite que se sustentem crescimentos médios em redor dos 10% durante mais de 30 anos… e que se prometam outros tantos anos similares (a menos que factores políticos alterem radicalmente os dados, algo não impossível ou sequer improvável). Isso significa uma alteração da fonte de acumulação de riqueza e, logo, do equilíbrio de poder do mundo. O que estamos agora a ver é é o reflexo visível de um processo que durará décadas mas já está em curso há mais de duas décadas.. O resultado desta transferência de poder e de riqueza terá de ser, dada a escassez de recursos chave (água, energia, alimentos, ...) o abaixamento dos padrões de vida ocidentais e a elevação dos Asiáticos  Sul-Americanos (mais duvidoso se o mesmo se passará em África), além de um aumento de conflitualidade e potencial de guerra..
Numa segunda fase, que se está a iniciar, o equilíbrio de poder ditará uma alteração nos termos de troca (por ora os Americanos ainda têm esse poder, como nós na Europa bem sentimos na pele…).  Nessa altura, as empresas ocidentais que iniciaram este processo serão elas próprias penalizadas.
Numa terceira fase, já iniciada mas que tardará provavelmente uma geração mais, o poder de criação e inovação real estará já incluído na estrutura produtiva desses países. Aí, todo o sistema estará invertido e o nivelamento será ainda mais duro…
Há livros muito interessantes sobre a ascensão e Queda do Império de ROMA … é uma altura para lhes dedicar algum tempo e uma leitura atenta…

World Map - taken in China

2009-11-19

Leitura Obrigatória...

EDP torna-se na segunda maior empresa de energias renováveis... nos Estados Unidos! Através de um investimento de 4 mil milhões (a notícia noutros jornais fica-se pelos 2,7 mil milhões...)
O lado positivo:
- o alcance da política de internacionalização da EDP, no mercado mais competitivo do mundo... que não seria possível se a EDP fosse uma empresa pública...
- o significado desta aposta em termos ambientais, até por serem os Estados Unidos os "meninos feios" do "ocidente" nestas matérias (pelo menos aparentemente...).

Mas... : será que por cá não havia ainda espaço para mais investimentos? Num mercado "interno", em que 85% da energia consumida é importada, o mercado interno promete absorver qualquer aumento de produção "in Portugal"... Ou será que por razões burocráticas o investimento demoraria muito mais? Ou que as condições de rentabilização seriam menores? Ou será que é apenas o impacto mediático que tem um investimento nos EUA face a um equivalente em Portugal, e o que ele promete em termos de potencial futuro, nos EUA e na abordagem a outros mercados?
Era interessante compreender o porquê desta decisão de gestão estratégica da EDP...