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2011-03-26

Ética, Liderança e Exemplo (2)

Após a análise do comportamento de Sócrates nas últimas semanas, e dos porquês de pensar que, em qualquer uma das interpretações plausíveis ele não ser de boa liderança e muito menos servir de exemplo, afirmamos que os comportamentos e decisões de Passos Coelho e de Cavaco Silva também não beneficiaram o país.
Os três dias que passaram apenas reforçaram e confirmaram esta ideia. Por isso este post que aqui deixamos é válido no dia 24, no 25, 26 e nos seguintes… A ética está para além da espuma dos dias.
Compreende-se, na base da posição de Passos Coelho:
  • Irritação com Sócrates, porque não foi incluído, não foi informado de negociações e na véspera foi posto perante facto consumado.
  • Pressão interna, “ou tens eleições legislativas ou internas”, teria dito Marco Costa, segundo a Visão
  • PSD defende mais impostos (afinal não era corte despesa?) e não corte pensões
Mas… se são compreensíveis as razões pessoais e partidárias… e para o país?
  • PPC sabia que cenário era já de si periclitante e provavelmente Sócrates já lhe teria pintado cenário ainda mais negro, antes de ir para Bruxelas. PPC sabe que pedir ajuda após a revisão das regras do Fundo Europeu será bem menos penalizador. Sabe que se ajuda for pedida em Junho será provavelmente bem diferente de Março…
  • PPC sabia também que, ao não apoiar o PEC IV, era provável que Governo caisse, e sabe que instabilidade é o pior inimigo dos mercados… (sabia que o corte no rating era mais previsível… e pode ser ainda mais profundo, aumentando taxas e juro e, assim, custos futuros para o país…)
  • Sabia que ao não apoiar PEC IV é provável que Bruxelas perca paciência e force pedido de ajuda, de acordo com regras atuais (tanto sabe isso que se apressou a escrever cartas e a garantir que… PSD também quer comprometer-se com objectivos e por isso… está com PS!)
  • Ao negar-se a acordo pré-eleitoral com CDS-PP, porque assim pode lutar pela oportunidade de PSD ganhar com maioria (é compreensível), diminui muito a oportunidade de haver uma maioria absoluta na AR, criando assim menor espaço para que as eleições nos tragam estabilidade, algo que era crítico… para o país! (menos mal: abriu a porta a PS e a CDS-PP, no pós-eleitoral, o que em princípio asseguraria estabilidade… Mas ao impor que seja o PS pós-Sócrates, e como este acaba de ser reeleito Secretário Geral do PS e, logo, significando isto que pode demorar vários meses após as eleições legislativas até Sócrates ter substituto no PS… e, logo, mais uma espera para o país: será que país pode esperar?)
  • PPC sabe que um processo eleitoral, além dos custos diretos, tem forte custo em meses de “paralisação” de decisões, de contratos, de pagamentos, numa economia em que cerca de 50% é Estado, e cerca de 80% dos agentes têm relações diretas com Estado…
Em suma… talvez Passos Coelho, como Sócrates, fossem demasiado jovens e tivesse pouco atentos ao que foi o período 84-85 em que, apesar de termos um governo feito de homens resolutos de grande sentido de responsabilidade e capacidade, como Ernâni Lopes, muitos portugueses sofreram como poucas vezes… Ou talvez devessem ter lido este irónico mas realista artigo, que nos traz um conselho Irlandês…
Pensamos que a entrevista a António Barreto diz, de uma forma superior, muito que quisemos exprimir… É incontornável!

PS: não sei se devíamos chegar a tanto… mas é curioso e dá pelo menos que refletir, este outro artigo… sobre revolução popular e auto-gestão, na Islândia, que já voltou a crescer… E assume uma forma de revolução popular que temos vindo a associar ao mundo islâmico, actualmente…

2009-08-06

PSD, as listas e a liderança... (act. 6.Ago)

Manuela Ferreira Leite cometeu nos últimos dias alguns erros graves, prejudicando o PSD e... o país... Creio que deles se virá a arrepender.

Desde há uns dias, o PS entrou "em Férias". O PSD tem o protagonismo mediático que tanto exigiu e solicitou.
Aproveitamento? Negativo.
Porquê?

1. Ao apostar na "VERDADE" e na "RENOVAÇÃO" comos traves mestras da sua campanha (dos motes dos cartazes ao "Portugal de Verdade"...), MFL chama a si o tipo de conduta política que os Portugueses mais sentem precisar - dada a alargada descrença no Estado e na classe política e no sistema judicial - MAS, a partir do momento em que o anuncia, impõe a si mesma e ao PSD a necessidade de ser... exemplar...

2. Ora, para quem se diz representar a renovação e a verdade, as politiquices não são admissíveis... O show de politiquice interna na elaboração de listas e as fracturas internas, que se contrapõem à falta de um programa digno desse nome, dão do PSD uma imagem de um partido com ainda mais politiquice do que o PS... Se a grande crítica ao PS é a "tomada do Estado" pelo partido, a imagem que fica é que será ainda pior se for o PSD a formar o próximo governo...
Pior ainda: este processo passou para a opinião pública a ideia de um partido em que RENOVAÇÃO é o que não há (maioria das escolhas "novas" são ex-líderes PSD do período Cavaquista... e "filhos de") e em que critérios éticos defendidos (como a questão dos candidatos não serem arguidos) caem por terra na primeira lista a elaborar... Ou seja: em que VERDADE é um "mote" mas não mais do que isso, numa espécie de invocação vã de algo tão caro aos Portugueses, que dela sentem andar tão carenciados, e num tiro que mina a sua credibilidade!

3. Outra dimensão importante para os Portugueses é a confiança. Para tal, entre outros eixos importantes, está o da governabilidade. Logo, de PS e/ou de PSD, os eleitores exigem que demonstrem coesão e abrangência. Ora os últimos dias, os tais em que o PSD teve o protagonismo mediático mostram bem as clivagens internas, de um partido com demasiadas vozes, em que cada um tem a sua própria agenda (qual a necessidade de Marques Mendes falar nesta altura, levantando mais uma polémica, com a exclusão de arguidos de todas as listas?), e com uma chefia autoritária e não democrática... Ou seja, o PSD mostrou que tem menos condições de ser governo do que o PS, por ser menos coeso e conviver menos bem com diferenças internas (apesar de tudo PS alia-se a Roseta e Sá Fernandes, convida e elogia Alegre, que mantém o seu peso e mantém-e no partido...).

4. As conclusões mais importante a retirar destas exclusões são, porém, ainda mais devastadoras:
i) Ao afastar Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas, MFL está a afirmar que 31,5% dos votantes das últimas eleições internas não merecem ter representação parlamentar... Significa que parte do seu partido não tem qualidade?
ii) ao afastar os representantes maiores dessa parte significativa do seu partido, MFL está a demonstrar mais uma vez a sua veia "não democrática", e de não respeito pelas minorias... e MFL "só" teve 37%, imagine-se que tinha tido mais de 50%...
iii) ela torna público que não perdoa, e que prefere manter um clima de guerra interna a unir o partido... o que fará ao país?
iv) com este passo, e a animosidade criada, ela garante que, se perder, a sua cabeça rolará de imediato, pois nada lhe será perdoado... Ao optar por retirar-se a si mesma qualquer margem de erro, ela demonstra ou desinteresse pelo PSD ou alguma falta de compreensão dos mecanismos de poder (e, se assim for, denota eventual falta de inteligência...)
v) garante ainda que, se ela for afastada da liderança, e dado que o grupo parlamentar corresponderá apenas a uma ala do partido, haverá provelmente uma "guerra" entre Partido e Grupo Parlamenttar... que responderá contra a liderança do partido...
Marcelo, Ribeiro e Castro no CDS-PP, Menezes ou a própria MFL, encontraram esta situação ao ganhar o respectivo partido... foi algo que lhe dificultou e dificulta a vida, mas parece que ela não quis mostrar ter aprendido a lição, antes preferindo a "vendetta" e prejudicando o PSD (se MFL sair, seria do interesse do PSD ter um futuro líder no Parlamento)...
vi) De quem defendeu "a suspensão da democracia por 6 meses" pode sempre levantar-se a questão sobre a sua capacidade de dialogar (e de ouvir os Portugueses, algo que aparece nos cartazes!)... Ao tomar esta opção, MFL reforça a ideia de que, aparentemente, não é mulher de estabelecer pontes e, muito menos, estar aberta a opiniões divergentes, mesmo dentro do seu próprio partido... imagine-se no país!
vii) Todos os estudos e o próprio bom senso mostram que as boas lideranças são as que fogem de um sistema em que líder apenas ouve os "Yes Man" e excluí opositores e todos aqueles que têm ideias diferentes ou que dão sugestões "não alinhadas"... A coesão é importante MAS este método de liderança conduz não só a um certo autismo como a uma limitação muito grande das opções e da própria qualidade da análise, enviesada e cada vez mais distante da realidade... Ora sem boa análise e diagnóstico, é improvável chegar a boas soluções e, sobretudo, chegar às pessoas...

A conclusão parece óbvia: MFL, em nome da coesão do grupo parlamentar (no caso de obter uma vitória) cometeu um erro que irá fazer perder votos ao PSD, baixando as suas hipóteses de ser governo, deu uma imagem de um partido fracturado, e reforça ideia de que não aprende com as lições da história, de que nem sempre é coerente e que tem falta de capacidade de diálogo e de abrangência...

PS: tal como previa acima, há cerca de 24 horas atrás, MFL deu, provavelmente, um tiro no pé, pois não só esmagou a sua margem de erro como lançou uma guerra interna, a curta distância das eleições, que impedirá, provavelmente, uma vaga de fundo laranja, ou sequer uma motivação da "máquina laranja" que era uma das "cartadas fortes" do PSD para tentar a vitória nas legislativas... isto além das consequências que também terá, nas autárquicas!
As notícias sucedem-se, com contestações, trapalhadas, discordâncias mitigadas (dada consciência de risco de impacto eleitoral desastroso que este processo implicará), divisões, confissões, inconfidências e acusações fracturantes... E a única esperança, para o PSD, de a cerca de 50 dias das eleições este cenário não ter impacto significativo e catastrófico nos resultados do partido é... ser entretanto esquecido, dado que maioria dos Portugueses está... "a banhos"...

2009-08-03

Princípios não aplicados?

Se o PSD está tão de acordo com o princípio que o defende há anos, e que propôs e diz que voltará a propor que ele seja LEI (e portanto aplicável a todos os partidos/coligações), não se entende que não o aplique... a 100% nas suas candidaturas...
Valia a pena saber se algum candidato do PSD é arguido em algum processo...
PS: a ser verdadeira esta notícia... e esta também não ajuda...