“Sou o moscardo que nunca deixará de vos acordar, de vos admoestar” Sócrates, filósofo Grego e Universal, inspiração deste blog de ÉTICA, CIDADANIA e POLÍTICA e que resumiu assim toda a Filosofia: "Só sei que nada sei"
2012-02-18
Que Europa amanhã?
2011-12-18
O convite à emigração
É verdade que, só nos últimos três meses, e só para o Brasil, partiram quase 50 mil portugueses. É verdade que muitos portugueses, qualificados e não qualificados, perante as expectativas negras em termos de emprego e de negócios, estão a emigrar.
Mas que o Governo, já não apenas através de Ministros mas até pela voz do Primeiro Ministro, proponha aos seus cidadãos que vivem no país que Governa -- porque se candidatou a assumir essa responsabilidade - que emigrem, é algo que merece séria reflexão.
Este "convite" marca o fim da política. Esta sugestão, na voz de um líder do Governo, significa que Passos Coelho e o Governo que dirige assumem publicamente a sua incapacidade de propor soluções, e a sua descrença no país. Se Passos ‘convida’ professores desempregados a emigrar, então deveria demitir-se...
Nenhum país, nenhuma nação, nenhuma população aceita sacrifícios sem horizonte de esperança. E é isso que Passos Coelho assume não existir... apagou de vez a "luz ao fim do tunel", mesmo quando, um pouco "à Sócrates" já vaticina crescimento em 2013 e já promete queda de impostos em 2015
Ora:um Primeiro Ministro que, há dias, admitia que nenhum esforço adiantaria se situação Europeia não evoluir favoravelmente - algo em que tem razão - sabe também que estas profecias positivas são mera demagogia... Pior: os Portugueses já o compreenderam, e não se "animam" perantes estas declrações, pois ouvem promessas de "fim da crise" de governantes há 3 anos de modo contínuo... E no dia seguinte novos pedidos de austeridade e manifestações de dúvida..
Falta em definitivo um caminho...
PS: até Marcelo afirma "Portugueses não querem primeiro-ministro que lhe diga "emigrem para o estrangeiro"
2011-08-30
Não temos de desistir de Portugal... por preço nenhum!
Em Junho de 2010, numa última grande entrevista, no “Plano Inclinado”, poucos meses antes do trágico agravamento do seu estado de saúde, o Professor Ernâni Rodrigues Lopes apresentou uma reflexão que, como ele próprio diz, resulta de anos e anos de pesquisa, estudo e reflexão. Ela mantém, e manterá, toda a sua atualidade. Ela é, e deveria ser, obrigatória. Para todos, sobretudo para os que são, foram ou pretendam ser governantes, como diz João Duque, ao minuto 45 deste video.
Recomenda-se um visionamento completo, mas sobretudo do minuto 25 até ao 35 e do minuto 42:30 até ao final...
Ao minuto 29: “O conjunto de Valores, Atitudes e Padrões de Comportamento é que marcam uma dada sociedade ou uma determinada pessoa. Tudo sai desta camada. (..) Se os Valores, Atitudes e Padrões de Comportamento forem de laxismo, desonestidade, preguiça, não há taxa de juro que chegue. É uma mentira! A economia não se faz apenas com medidas superficiais. A economia faz-se com seres humanos e organizações humanas. O que gostaria de pedir a todos os Portugueses é atenção para isto. É o verdadeiramente decisivo. E isto tem aplicação prática imediata: o que é que nós ensinamos aos nossos filhos? (…) Ninguém nasce ensinado. Com os pais, com a escola, com o dia-a-dia da vida, aprendemos quais os valores que nos moldam. A pergunta que temos de nos pôr é quais são os valores que moldam as nossas crianças. São os da golpada permanente ou são os do trabalho sério. Esta escolha, que é feita por milhões de Portugueses sem votar, actuando em casa, é a que condiciona a economia portuguesa. Não é exagero dizer que condiciona o PIB (a criação de riqueza, o “Produto Interno Bruto”). O PIB é o resultado de milhões de decisões, e estas estão na base de tudo“.
Quando Mário Crespo lhw diz que se trata de uma "revolução", Ernâni Lopes responde: “isto é apenas educar bem!” e, já ao minuto 46:30: : “Fazer isto, aplicar o quadro, substituir o “onde está…” pelo que está na coluna “pôr” é assegurar que Portugal tenha um futuro digno, porque um futuro sem qualificar, todos temos (…) e há muita gente boa! (…) Nós não temos de desistir de Portugal por preço nenhum! Insisto nisto! Portugal é os Portugueses que já morreram, os Portugueses que estamos vivos e os Portugueses que ainda não nasceram. E por isso o fundo da questão é o longo prazo, não é o trivial do dia a dia. (…) O essencial está nas nossas cabeças. O futuro de Portugal está na cabeça dos Portugueses!”.
Obrigado, Professor.
PS: o outro video, o do 1º programa, está em
2011-08-17
2011-04-13
Obrigatório ouvir...
2011-03-26
Ética, Liderança e Exemplo (2)
Os três dias que passaram apenas reforçaram e confirmaram esta ideia. Por isso este post que aqui deixamos é válido no dia 24, no 25, 26 e nos seguintes… A ética está para além da espuma dos dias.
Compreende-se, na base da posição de Passos Coelho:
- Irritação com Sócrates, porque não foi incluído, não foi informado de negociações e na véspera foi posto perante facto consumado.
- Pressão interna, “ou tens eleições legislativas ou internas”, teria dito Marco Costa, segundo a Visão
- PSD defende mais impostos (afinal não era corte despesa?) e não corte pensões
- PPC sabia que cenário era já de si periclitante e provavelmente Sócrates já lhe teria pintado cenário ainda mais negro, antes de ir para Bruxelas. PPC sabe que pedir ajuda após a revisão das regras do Fundo Europeu será bem menos penalizador. Sabe que se ajuda for pedida em Junho será provavelmente bem diferente de Março…
- PPC sabia também que, ao não apoiar o PEC IV, era provável que Governo caisse, e sabe que instabilidade é o pior inimigo dos mercados… (sabia que o corte no rating era mais previsível… e pode ser ainda mais profundo, aumentando taxas e juro e, assim, custos futuros para o país…)
- Sabia que ao não apoiar PEC IV é provável que Bruxelas perca paciência e force pedido de ajuda, de acordo com regras atuais (tanto sabe isso que se apressou a escrever cartas e a garantir que… PSD também quer comprometer-se com objectivos e por isso… está com PS!)
- Ao negar-se a acordo pré-eleitoral com CDS-PP, porque assim pode lutar pela oportunidade de PSD ganhar com maioria (é compreensível), diminui muito a oportunidade de haver uma maioria absoluta na AR, criando assim menor espaço para que as eleições nos tragam estabilidade, algo que era crítico… para o país! (menos mal: abriu a porta a PS e a CDS-PP, no pós-eleitoral, o que em princípio asseguraria estabilidade… Mas ao impor que seja o PS pós-Sócrates, e como este acaba de ser reeleito Secretário Geral do PS e, logo, significando isto que pode demorar vários meses após as eleições legislativas até Sócrates ter substituto no PS… e, logo, mais uma espera para o país: será que país pode esperar?)
- PPC sabe que um processo eleitoral, além dos custos diretos, tem forte custo em meses de “paralisação” de decisões, de contratos, de pagamentos, numa economia em que cerca de 50% é Estado, e cerca de 80% dos agentes têm relações diretas com Estado…
Pensamos que a entrevista a António Barreto diz, de uma forma superior, muito que quisemos exprimir… É incontornável!
PS: não sei se devíamos chegar a tanto… mas é curioso e dá pelo menos que refletir, este outro artigo… sobre revolução popular e auto-gestão, na Islândia, que já voltou a crescer… E assume uma forma de revolução popular que temos vindo a associar ao mundo islâmico, actualmente…
2011-03-08
Mediática revolta…
- Jel: um homem que luta – um artigo de opinião do Director da SIC Radical que merece, sem dúvida, ser lido e que fala mais de nós, Portugueses, e da atitude pró-activa e empreendedora que temos de aprender e apreender e praticar, do que de qualquer outra coisa…
- Jel: acho que é muito simbólico sermos nós a ir à Alemanha nesta altura
- Homens da Luta. Guerra de petições quer impedi-los de ir à Alemanha
- Nuno Santos divide a Administração da RTP
- Um fenómeno antitudo
PS (dia 9): Será que os Portugueses estão mesmo a sublimar, por ora pela música, a sua revolta? Dia 12 veremos o que se passa...
Hoje ficamos pelas declarações da tomada de posse do Presidente, Anibal Cavaco Silva,que não foram apaziguadoras, nem consensuais, com apelos aos jovens ... Para todos os efeitos é um Presidente eleito com a maioria clara do voto dos mesmo Portugueses que andam na luta...
2011-03-02
Nas vésperas do Conselho...
Reunião deve resultar apenas em manifestação de apoio
Este processo pode bem acabar com Portugal a ser forçado a pedir a ajuda externa. Dado que o Governo indicou, há uns meses, que era seu objectivo central evitar esse pedido, as consequências destas negociações poderão não ser apenas económico-financeiras, mas também políticas… (por ora temos facturas obrigatórias :-)
2011-03-01
Obrigado!
A Fundação, e o Instituto Gulbenkian de Ciência honram o nome que ostentam fazendo um magnífico trabalho, com mais um reconhecimento internacional do maior relevo, numa área crítica para o nosso desenvolvimento.
Com as suas deficiências, como é natural, com alguns cortes (a mais visível foi a que afectou a Companhia de Bailado), a verdade é que continua a ser extraordinário o que a maior fundação Portuguesa, e uma das 10 maiores da Europa, tem feito pelo país! Parabéns, e obrigado!
Ainda na área do reconhecimento internacional, de mencionar que Portugal tem 3 museus nomeados para Museu Europeu do Ano, são eles:
- o Museu do Douro
- a Casa das Histórias Paula Rego e
- o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha.
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2011-02-27
Irlanda: será Portugal "a proxima vítima"?
De relembrar que a situação Irlandesa é diversa mas também similar à Portuguesa em alguns aspectos
- a última década de Portugal foi de estagnação, a Irlandesa de um fortíssimo crescimento (chegou a ser de 6 a 8% anos consecutivos), tirando a Irlanda, que aderiu à CEE (UE) em 1973, da cauda da União Europeia a 15 para o segundo país com maior PIB per capita, só atrás do Luxemburgo!
- Ao contrário de Portugal, onde a nota foi a estabilidade ou a lenta subida, a Irlanda sofreu uma forte valorização imobiliária com os preços a subirem praticamente 100% na última década, até à crise financeira! Essa especulação explica parcialmente o porquê do colapso do sistema financeiro Irlandês (os “activos tóxicos”)
- Já quanto a uma das explicações da crise Irlandesa, algo similar à Portuguesa, prende-se com um dos motores do crescimento: baseado em investimento estrangeiro, no caso Irlandês muitas vezes decidido pela diáspora, sobretudo por gestores de multinacionais norte-americanas, faz com que haja alguma crise económica quando esse investimento cessa, ou se retira, levando a uma falta de liquidez dramática num sistema de financeiro que, no caso Irlandês se havia “dopado” com esse afluxo de capitais pouco sustentável no longo prazo
- As razões para o crescimento rápido são também parte das causas profundas do colapso financeiro Irlandês: além das razões culturais e emocionais, as razões mais fortes para o investimento estrangeiro eram a mão de obra qualificada (a aposta da Irlanda nos anos 70 e 80 para os fundos Europeus foi a formação… ), a língua inglesa e uma política fiscal altamente atractiva para o investimento… Ora isso implica que se o investimento parasse de aumentar, as receitas fiscais iriam cair dramaticamente, tornando deficitário um Estado que teve anos consecutivos de superavits… (algo diferente do Português…)
Por razões e com percursos diferentes, a verdade é que ambos os países tiveram, a partir de 2008, um problema grave de insolvabilidade… A Irlanda teve de recorrer à ajuda externa antes de Portugal, mesmo após ter cortado salários da função pública na casa dos 20%. O Estado foi forçado, em 2008, a ir em socorro da banca e em Novembro, teve de recorrer ao fundo de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI)- uma ajuda a 5% de juros anuais. Para muitos, esta perda de soberania financeira e as duras medidas de austeridade impostas ao país explicam os resultados eleitorais históricos.
A questão é então saber se em Portugal estaremos perante cenário idêntico – necessidade de ajuda externa – e se tal é positivo ou negativo, ou se é solução –, e se estamos também nós perante uma crise e uma mudança política. Com juros acima de 7%, e perante um crescimento nulo ou negativo, as perspectivas para Portugal para a próxima década são mais do que negras, apesar do louvável esforço na área das exportações e de indústrias inovadoras. Sócrates vai reunir-se com Merkel, a convite desta, antes da cimeira decisiva… E a instabilidade política é negativa, não ajuda nem irá ajudar, mas a verdade é que se as sondagens aguçam o apetite do PSD e as pressões internas sobre Passos Coelho aumentam. Este, porém, mantém-se calmo, não mostrando pressa de chegar a um poder que sabe que será duro, muito duro. E sabe também que é difícil ter sucesso sem o apoio de certas figuras, incluindo do mais influente Português da actualidade – Ricardo Espírito Santo, que claramente entende que eleições agora seriam negativas para o país.
PS: falamos da República da Irlanda “do Sul”, a independente, “a católica”, por contraste com a “do norte”, parte do Reino Unido e protestante na sua maioria)
PS: entretanto, dois artigos importantes para melhor compreender as nossas relações com o Magreb e as implicações da crise nesta região sobre o mercado petrolífero, de que representa ao todo mais de 35% do mercado mundial, e que explicam a atenção do mundo sobre os acontecimentos recentes na Líbia e nos demais países.
PS: E curiosos os links sugeridos por Pedro Magalhães no seu margens de erro, incluindo o link para a tese de Doutoramento na London School of Economics por Saif Al-Islam Alqadhafi, filho de Khadafi sobre… "The Role of Civil Society in the Democratisation of Global Governance Institutions: From ‘Soft Power’ to Collective Decision-Making?"!! E por falar em sociedade civil: interessante artigo sobre o futuro político de Fernando Nobre e da nossa cidadania…
2011-02-20
Porque temos um país em crise?
Lideranças fracas, muito fracas, a todos os níveis, sobretudo éticas, culturais, técnicas e intelectuais, e nós, que temos permitido que tal aconteça…
E temos também permitido um endividamento cavalgante, não só do Estado, mas do país – que somos nós! O nosso deficit externo é uma “verdade estrutural” e atinge hoje níveis incomportáveis: o Estado apenas reflecte o nosso próprio comportamento colectivo e, como para muitos de nós, muitas suas receitas servem apenas para pagar juros…
Cabe.-nos a todos tentar inverter o rumo decadente da nação…
- Armando Vara passou à frente de utentes de centro de saúde
- Berardo defende mudança de sistema político e admite "um novo género de ditadura"
- Pacheco Pereira diz que Portugal esteve à beira da bancarrota na quarta-feira - Política
- Ministério da Justiça não paga a ex-secretário de Estado - Sociedade
2011-01-27
Nós por cá… gente pequena???
Cavaco parece ser um homem capaz de gerar empatia com uma boa parte dos Portugueses, por ser um “homem do povo”, sem sofisticação aparente… O facto de ser pouco culto ou de ser muito “terra a terra”, acaba por ser uma vantagem eleitoral clara!
Mas, na campanha eleitoral, não esteve sozinho… nos momentos baixos…
Manuel Alegre, com um discurso desfazado do tempo, com o “nós ou eles” (o momento não é para dividir o país, muito menos para falar em em “combate de morte” para mais… “pela democracia”!!!!!)
Fernando Nobre, aqui e ali, com demagogia que não precisava.
Defensor Moura, que nem felicitar o vencedor foi capaz….
E os discursos de Cavaco… tristes, pobres e lamentáveis. Tal como muitas das suas explicações para algums ligações “perigosas” que terá mantido e que lhe terão, para mais, sido proveitosas…
E a primeira grande falha num dia eleitoral, desde a Revolução?? Num processo que só contríbuiu para uma abstenção enorme, mas que ninguém sabe qual é…
E a “fome de poder” de Portas, pouco importado sobre os custos que esse apetite público e voraz pode ter nos mercados e, logo, nos bolsos de todos os portugueses?
E a felicidade dos governantes porque conseguimos financiar-nos a 7% (para um país que cresce entre –1 e + 1%… significa que ficaremos 7% mais pobres!!) ou porque este ano – mesmo com todos os PECs – a despesa cresceu menos?!? (sim, não baixou, apenas cresceu menos!). O que ninguém diz: desde 1985 que a despesa pública portuguesa nunca desceu, em nenhum ano!! Somos o único, repete-se, o ÚNICO país da UE com tal registo! É óbvio que um dia…
Três décadas de boycracia. Em Portugal nunca faltaram jobs (I online)
Governo: Não há razões para demitir gestores públicos | Económico
Será este o país que merecemos, em que é difícil dizer se a crise de valores, de referências, de espíritos, de liderança, é ainda maior que a crise financeira e económica…. ?
- Porque fez Cavaco um discurso vingativo? - Política - PUBLICO.PT
- Cavaco disse à PIDE que estava “integrado” no salazarismo
- As polémicas sobre a casa de férias de Cavaco Silva continuam
- Casa de férias de Cavaco afinal valia mais 81 mil euros do que a antiga
- Director da Administração Eleitoral propôs aviso aos eleitores mas processo ficou a meio - Política - PUBLICO.PT
- PSD critica ambições de Portas- Política - Jornal de negócios online
- Público - Portas defende nova AD, PSD fica em silêncio
- (In)comparavelmente melhor- A Escolha do Editor - Jornal de negócios online (excelente “Aula” do Secretário de Estado. Excepto numa coisa: o tom de “contentamento”…)
- IOL - Presidenciais: derrota de Alegre custa-lhe também meio milhão de euros
- Televisões apostam em projecções e comentadores na noite eleitoral - Notícias SAPO - Especial Eleições Presidenciais 2011
- Público - O que nos falta experimentar? Políticos e eleitores exigentes
- Crise/Euro Rating da Grécia cortado para junk Fitch - Visao.pt
2010-10-05
Patriotisimo...
Uma lição de José Mourinho sobre patriotismo ou... porque é que o futebol é muito mais do que onze contra onze ou apenas vinte e dois "gajos" a correr atrás da bola... e a selecção bem mais que um conjunto de onze gajos com uma camisola com umas quinas... Parece adequado no dia do Centenário da República... incluindo as noções de trabalho em equipa, solidadariedade ("estamos todos no mesmo barco, rememos para o mesmo lado), dignidade (na vitória, na derrota, sobretudo na atitude)...
2010-09-28
O Estado social em causa..
Quando até António Barreto coloca em causa a capacidade de Portugal manter vivo um sistema de direitos sociais, distinguindo-os claramente dos direitos políticos... no mínimo temos de reflectir...
2010-09-27
2010-06-01
Os políticos que temos...
PS: mas se seguirmos a sabedoria de quem compreende a que a importância da nossa vida material é relativa, diminuindo o consumo e, assim, o endividamento, os efeitos económicos poderão ser positivos... Lê-se no artigo: "quem passa por experiências de quase-morte vê a sua vida transformada "para sempre" (...) torna-se mais feliz, mais altruísta, menos receoso em relação à morte e menos materialista."
2010-04-25
25 de Abril de 1974: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver
A revolta e a Revolução fizeram-se, num primeiro momento, em nome da liberdade mas, ao mesmo tempo, e para muitos dos que estiveram na linha da frente, não só nesse dia (no MFA - Movimento das Forças Armadas e não só), como durante o período anterior (resistência ao Estado Novo e à ditadura militar) e no ano e meio que se seguiu (PREC) até ao 25 de Novembro de 1975, em nome de um outro ideal não democrático no sentido que lhe damos hoje, de democracia liberal, mas sim de uma ditadura do proletariado (ex: PCP – e todos os outros movimentos Marxistas-Leninistas), de uma democracia popular (ex: UDP – União Democrática Popular), ou de uma revolução proletária (ex: PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses / Movimento Revolucionário do Proletariado Português e, mais tarde, o PSR – Partido Socialista Revolucionário). O próprio MFA tinha no seu seio pessoas com anseios e mundividências distintas, mas alguns deles partilhavam ideias que não correspondem ao que apelidamos de democracia liberal (uma democracia não meramente eleitoral e processual, mas uma democracia substantiva, com total respeito pela regra “um cidadão, um voto”, baseada no pluralismo partidário, em que há liberdade de opinião, de expressão e de associação, bem como há respeito pelos direitos individuais e de propriedade e em que há protecção das minorias contra a tirania da maioria).
A revolta foi, em si, a de alguns militares insatisfeitos (dentro da classe dos militares havia muitos insatisfeitos com as suas condições e com o modo como eram tratados os oficiais de menor ranking). Por isso se designa este por movimento dos capitães e assim se explica que tivessem que ir buscar, para liderar o país, e até para depor Marcelo Caetano, um oficial de topo, o General António de Spínola, que seria ideologicamente adversário de muitos dos seus ideais, um homem que podia ser considerado de direita, mas que se tinha demarcado do regime meses antes, ao publicar Portugal e o Futuro, em que defende uma outra solução para o problema colonial que não a da guerra, que diz não ter saída, e em que expõe uma visão para o futuro de um Portugal sem a dimensão colonial que tinha desde o século XV...
Mas, logo no dia 25 de Abril de 1974, a revolta militar torna-se em revolução de cariz popular, com milhares de pessoas a sairem à rua numa onda de apoio ao fim do regime não democrático anterior... (uma nota provocadora: à luz de hoje, e apenas no plano material, este apoio popular é algo quase incompreensível, num país que tinha taxas de crescimento económico a rondar os 8% - sim, quase 8%)!!! Mas a realidade é que a pressão política interna e externa era enorme, tal como o desejo de uma larga franja da população em conseguir liberdade de expressão e uma sociedade mais igualitária - pois face a um período de mais de duas décadas de crescimento e da mais do que duplicação do PIB, um terço da população continuava com condições abaixo do limiar de pobreza por isso, e por serem as estruturas políticas de esquerda que se encontravam organizadas na resistência ao Estado Novo, ela rapidamente se tornou numa Revolução vista como de esquerda.
Isto explica um sistema partidário amputado, que se reflecte ainda na democracia que temos hoje, e de modo inequívoco nos 25 de Abris de 1975 e de 1976, dias das eleições para a Assembleia Constituinte (1975) e das eleições legislativas democráticas para a Assembleia da República (1976), os maiores partidos fossem:
- PS - Partido Socialista (então um partido de esquerda, assumidamente)
- PSD - Partido Social Democrata (em termos Europeus tal nome designa e designava partidos de centro esquerda)
- PCP - Partido Comunista Português (Marxista Leninista)
- CDS - Centro Democrático Social (que se designa, no próprio nome, como de Centro, apesar de ser o partido mais à direita do espectro democrático português)
- MDP-CDE Movimento Democrático Português - Comissão Democrática Eleitoral
- UDP - União Democrática Popular (esquerda maoísta e simpatizante do marxismo-leninismo Albanês, e de que fizeram parte figuras hoje noutros quadrantes, como João Carlos Espada, director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica, ou José Manuel Fernandes, ex-director do Público... Que mais tarde se virá a juntar com o PSR, trotskista - para gerar o actual BE - Bloco de Esquerda)
- o PCTP/MRPP (esquerda revolucionária Maoísta, de que fizeram parte José Manuel Durão Barroso – sim, esse mesmo que todos conhecemos ou Fernando Rosas, do BE, e que nem comemora o 25 de Abril, por considerá-la apenas mais uma revolução capitalista...)
- FSP – Frente Socialista Popular
- MES - Movimento Esquerda Socialista.
Ou seja: não havia partidos que se definissem como de direita, quando muito o PPM poderia ser considerado como tal... e o PDC - Partido da Demoncracia Cristã, que obteve 0,6% em 1976...
Será que somos um país de esquerda, com uma direita que tem ainda hoje problemas em afirmar-se e aos seus ideais? Será que este “esquerdarização” é apenas fruto do processo de resposta ao Estado Novo, em que direita foi associada a "não democrático"? E, 36 anos volvidos, qual nosso rumo? Criatividade e Inspiração precisa-se! Será que passamos mesmo de Democratizar, Descolonizar e Desenvolver para Dívida, Defice e Desemprego?
