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2011-12-18

O convite à emigração

É verdade que Portugal foi maior quando "partiu". É verdade que, só no último século, por duas vezes resolvemos as nossas dificuldades internas com emigração (nos anos 20, com destino sobretudo ao Brasil; nos anos 60 e 70, com destinos variados, sobretudo Europeus, com França, Alemanha, Luxemburgo e Suiça à cabeça). 


É verdade que, só nos últimos três meses, e só para o Brasil, partiram quase 50 mil portugueses. É verdade que muitos portugueses, qualificados e não qualificados, perante as expectativas negras em termos de emprego e de negócios, estão a emigrar. 


Mas que o Governo, já não apenas através de Ministros mas até pela voz do Primeiro Ministro, proponha aos seus cidadãos que vivem no país que Governa -- porque se candidatou a assumir essa responsabilidade - que emigrem, é algo que merece séria reflexão. 


Este "convite" marca o fim da política. Esta sugestão, na voz de um líder do Governo, significa que Passos Coelho e o Governo que dirige assumem publicamente a sua incapacidade de propor soluções, e a sua descrença no país. Se Passos ‘convida’ professores desempregados a emigrar, então deveria demitir-se... 


Nenhum país, nenhuma nação, nenhuma população aceita sacrifícios sem horizonte de esperança. E é isso que Passos Coelho assume não existir... apagou de vez a "luz ao fim do tunel", mesmo quando, um pouco "à Sócrates" já vaticina crescimento em 2013 e já promete queda de impostos em 2015 


Ora:um Primeiro Ministro que, há dias, admitia que nenhum esforço adiantaria se situação Europeia não evoluir favoravelmente - algo em que tem razão - sabe também que estas profecias positivas são mera demagogia... Pior: os Portugueses já o compreenderam, e não se "animam" perantes estas declrações, pois ouvem promessas de "fim da crise" de governantes há 3 anos de modo contínuo... E no dia seguinte novos pedidos de austeridade e manifestações de dúvida..


Falta em definitivo um caminho...


PS: até Marcelo afirma "Portugueses não querem primeiro-ministro que lhe diga "emigrem para o estrangeiro"

2011-03-26

Ética, Liderança e Exemplo (2)

Após a análise do comportamento de Sócrates nas últimas semanas, e dos porquês de pensar que, em qualquer uma das interpretações plausíveis ele não ser de boa liderança e muito menos servir de exemplo, afirmamos que os comportamentos e decisões de Passos Coelho e de Cavaco Silva também não beneficiaram o país.
Os três dias que passaram apenas reforçaram e confirmaram esta ideia. Por isso este post que aqui deixamos é válido no dia 24, no 25, 26 e nos seguintes… A ética está para além da espuma dos dias.
Compreende-se, na base da posição de Passos Coelho:
  • Irritação com Sócrates, porque não foi incluído, não foi informado de negociações e na véspera foi posto perante facto consumado.
  • Pressão interna, “ou tens eleições legislativas ou internas”, teria dito Marco Costa, segundo a Visão
  • PSD defende mais impostos (afinal não era corte despesa?) e não corte pensões
Mas… se são compreensíveis as razões pessoais e partidárias… e para o país?
  • PPC sabia que cenário era já de si periclitante e provavelmente Sócrates já lhe teria pintado cenário ainda mais negro, antes de ir para Bruxelas. PPC sabe que pedir ajuda após a revisão das regras do Fundo Europeu será bem menos penalizador. Sabe que se ajuda for pedida em Junho será provavelmente bem diferente de Março…
  • PPC sabia também que, ao não apoiar o PEC IV, era provável que Governo caisse, e sabe que instabilidade é o pior inimigo dos mercados… (sabia que o corte no rating era mais previsível… e pode ser ainda mais profundo, aumentando taxas e juro e, assim, custos futuros para o país…)
  • Sabia que ao não apoiar PEC IV é provável que Bruxelas perca paciência e force pedido de ajuda, de acordo com regras atuais (tanto sabe isso que se apressou a escrever cartas e a garantir que… PSD também quer comprometer-se com objectivos e por isso… está com PS!)
  • Ao negar-se a acordo pré-eleitoral com CDS-PP, porque assim pode lutar pela oportunidade de PSD ganhar com maioria (é compreensível), diminui muito a oportunidade de haver uma maioria absoluta na AR, criando assim menor espaço para que as eleições nos tragam estabilidade, algo que era crítico… para o país! (menos mal: abriu a porta a PS e a CDS-PP, no pós-eleitoral, o que em princípio asseguraria estabilidade… Mas ao impor que seja o PS pós-Sócrates, e como este acaba de ser reeleito Secretário Geral do PS e, logo, significando isto que pode demorar vários meses após as eleições legislativas até Sócrates ter substituto no PS… e, logo, mais uma espera para o país: será que país pode esperar?)
  • PPC sabe que um processo eleitoral, além dos custos diretos, tem forte custo em meses de “paralisação” de decisões, de contratos, de pagamentos, numa economia em que cerca de 50% é Estado, e cerca de 80% dos agentes têm relações diretas com Estado…
Em suma… talvez Passos Coelho, como Sócrates, fossem demasiado jovens e tivesse pouco atentos ao que foi o período 84-85 em que, apesar de termos um governo feito de homens resolutos de grande sentido de responsabilidade e capacidade, como Ernâni Lopes, muitos portugueses sofreram como poucas vezes… Ou talvez devessem ter lido este irónico mas realista artigo, que nos traz um conselho Irlandês…
Pensamos que a entrevista a António Barreto diz, de uma forma superior, muito que quisemos exprimir… É incontornável!

PS: não sei se devíamos chegar a tanto… mas é curioso e dá pelo menos que refletir, este outro artigo… sobre revolução popular e auto-gestão, na Islândia, que já voltou a crescer… E assume uma forma de revolução popular que temos vindo a associar ao mundo islâmico, actualmente…

2011-03-16

Estamos em condições para começar um caminho novo?

Será que vamos mesmo ter eleições? Passos defende que PSD está em condições para começar um caminho novo. O país, tal como  governo e José Sócrates, está cansado, mas a verdadeira batalha ainda nem começou... a salvação não está ao virar da esquina..,
Será que vamos seguir a crise pelo facebook? No que respeita a Cavaco Silva, se calhar será esse o caso...

2011-02-06

Passos Coelho imita Guterres?


Numa altura em que Marco António relembra Guterres, também Passos Coelho (será o ano dele?) toma iniciativas que relembram o actual Alto Comissário dos Refugiados... PSD prepara governação em debates com personalidades. A seguir com muito interesse...

(ainda a nível da política interna... uma notícia que também pode revelar "procedimentos preparatórios": António Costa muda-se para o Intendente de forma a combater o estigma que afecta aquela zona...)

2010-04-28

O valor da oposição construtiva...

Algumas pessoas perguntam-me porque andava satisfeito com a mudança de líder no PSD. Alguns até me trataram por "Passista". Não é verdade :-). *

Por outro lado, e como é óbvio, considero fundamental que o principal partido da oposição - PSD ou PS, conforme momento histórico - tenha um rumo, apresente capacidade de proposta e de oposição construtiva, com capacidade de trazer alternativas para cima da mesa, sem temer a negociação e o diálogo em algumas áreas chave, compreendendo que com isso não vai perder a identidade ou a diferenciação aos olhos dos eleitores.

Infelizmente, durante muito tempo, o PSD andou perdido em si mesmo, sem um rumo claro (qual o modelo de Marques Mendes, LF Menezes ou MFL para o país, verdadeiramente? quais as suas prioridades concretas?), e com uma oposição destrutiva, que se afirmou sempre mais pela negativa do que pela positiva - sobretudo com MFL.
Por este motivo, fiquei contente com a eleição de Pedro Passos Coelho para a eleição como Presidente do PSD. Teria ficado também satisfeito com a eleição de José Pedro Aguiar Branco - que se mostrou surpreendemente bem preparado para liderar o país! - e até de Paulo Rangel - que desiludiu um pouco, exactamente porque o seu discurso era mais "área a área, medida a medida", sem mostrar uma linha de rumo concreta, que obedecesse a um padrão compreensível ou a um fio lógico e coerente no seu todo - mas a menor preocupação com a coerência teórica é, porém, algo comum aos Conservadores, por definição, pois a sua coerência advém da própria realidade (partem do "que existe") e não tanto da abstracção das ideias ou das utopias do "dever ser".

PPC traz-nos, porém, duas coisas, em maior dose do que JPAG ou PRangel:
1. uma diferenciação, uma alternativa de caminho ao governo actual (em breve teremos um post sobre o assunto e sobre as diferenças de ponto de vista PPC / JS)
2. como tem essa diferenciação, e não tem nenhuma querela pessoal com José Sócrates, ao contrário de MFL, pode negociar e dialogar, quando precisamos, sem medo de ser "absorvido" pelo PS, ao contrário de líderes mais "ao centro", como MFL... (nota: este temor é algo que faz sentido, historicamente, no PSD, pois PS ocupou, desde 1995, muito do espaço político que foi o do PSD, o que lhe tem permitido vencer sucessivamente eleições...).

Sinal concreto de que tal eleição de PPC foi positiva para o país surgiu, infelizmente, pelas piores razões - a do ataque dos especuladores - mas, pelo menos, estamos menos mal preparados, como país, agora do que estaríamos se MFL ainda fosse Presidente do PSD.... Pois agora PS e PSD podem dar a face em conjunto perante o exterior, e essa conjunção de esforços é fundamental para credibilizar externamente a nossa política económica, ao contário de uma situação em que dá ideia que à primeira ocasião, PSD mudaria de política... o que minaria qualquer confiança no cumprimento de medidas de austeridade... que infelizmente serão mesmo necessárias...

* Uma nota sobre a orientação política pessoal:
Em primeiro lugar: não pertenço a nenhum partido. Nem me sinto tentado a pertencer, no momento actual. Orgulho-me de ter um vida cívica activa, e de votar em partidos diferentes consoante me pareça mais adequado, em função do momento, do local onde voto (ex: votaria diferente em numerosas eleições conforme o distrito onde votasse), do sistema eleitoral (maioritária para as Presidências de câmaras - a uma volta - e nas presidenciais - a duas voltas -, método de Hondt nas legislativas, mas com distritos, o mesmo método para as Europeias, mas com círculo nacional único...), da finalidade das eleições, do potencial impacto do voto individual no resultado global, da "competitividade" eleitoral, etc.

Já votei, directa e/ou indirectamente, considerando eleições legislativas, autárquicas e europeias, em todos os partidos parlamentares, e nalguns outros.


Não escondo ser Europeísta convicto e defensor da UE - ainda que com as suas falhas, como tudo - e, por isso, por exemplo, em eleições europeias, pondero apenas votar PS ou PSD, os dois únicos que defenderam sempre a UE como caminho para Portugal (e, ainda aqui, mais o PS do que o PSD), ou branco.
Não escondo que voto em branco, em geral, na freguesia (dado que nela não resido habitualmente).

Defensor da diversidade como algo que enriquece a vida democrática, não escondo que do mesmo voto que votei PSR para eleger Louçã - sem sucesso - há mais de uma dezena de anos, que teria votado MEP ou PCTP-MRPP no caso de estar a votar em Lisboa, nas últimas eleições, para eleger um deputado que trouxesse uma voz diferente ao parlamento. Mais: sendo Republicano, não hesitaria em votar no PPM caso este estivesse com hipóteses de eleger um deputado. Já, por exemplo, se estivesse em círculos com 3 ou 5 mandatos apenas, em que historicamente se sabe que apenas PS e PSD podem eleger deputados, ponderaria voto de modo substancialmente diferente, sendo a primeira questão um simples: vale a pena votar? (sou frontalmente contra o sistema de voto por distrito que temos, e que gera eleitores de primeira e de segunda, pois uns têm escolhas que os outros, na prática, não têm!).
Do mesmo modo, e porque defendo que a política não se esgota com partidos, desejo contribuir para que o Dr. Fernando Nobre chegue a ser, de facto, candidato à Presidência da República, por considerar importante que a sociedade civil não partidarizada mostre vitalidade e sinta ela própria a sua força e a sua capacidade de intervenção. Dito isto: defendo a sua candidatura como positiva para o país mesmo que depois, na altura das eleições, possa eu próprio votar ou não nele, consoante as propostas concretas que nos trouxer.
Ou seja: considero que o voto serve também para expressar preferências indirectas, como a defesa da pluralidade de opiniões, mesmo quando elas não são coincidentes com a nossa!

PS: O PSD passa, pela primeira vez desde 2003, para a frente das sondagens. Tal era previsto há meses pelo Moscardo: mal mudasse a liderança do PSD, mudaria o sentido das sondagens, efeito ampliado caso fossem PPC ou Paulo Rangel, por serem rostos mais jovens...

2010-04-07

PPC... (ACT: dia 7)

Já aqui colocamos diversos posts sobre o PSD e sobre o que poderá ocorrer - ou temos esperança que ocorra - a partir da mudança de líder... Daí recomendarmos a leitura deste artigo sobre Pedro Passos Coelho, que complementa o CV para o qual aqui já deixamos link.

ACTualização: há já assessores e adjuntos, diz-se, tal como se diz que PPC tenta retomar rapidamente o PSD tradicional, com ida ao Pontal e assegurando a representação das diferentes facções nos órgãos nacionais...

2010-03-31

A esperança: vamos começar a discutir política ?

O dia começa bem...

Na passada sexta-feira, 26 de Março, dando eco a posts anteriores, perguntava-se aqui se o PSD-PPD perderia mais uma oportunidade de clarificar os caminhos alternativos que são propostos aos Portugueses em termos politico, de modelo de desenvolvimento e de concepção de sociedade... Ou seja, se seria desta que íamos começar a discutir política?

Em face dos resultados, logo demos nota, num post intitulado Novo Rumo, de que havia esperança de que Pedro Passos Coelho, trouxesse uma clarificação e seguisse uma linha de rumo que permitisse disutir política e políticas...

Hoje, o dia começa bem... Num artigo rico de significados, Martim Avilez propõe-nos o editorial NOVA ENERGIA... que, a propósito do tema da energia - talvez o mais essencial da política moderna, além da educação (o tema mais essencial de todos os tempos)  e justiça (no caso Português... pelo bloqueio ao funcionamento da economia e, sobretudo, ao próprio Estado democrático e de direito) - termina do seguinte modo: "Este comunicado inclui uma boa notícia: vai começar a discutir-se política em Portugal. "

Não sabemos se será assim tão linear, mas há pelo menos esperança de que assim venha a ser! E isso já é em si uma boa notícia! E mostra bem o valor acrescido de se ter uma oposição forte, clara e construtiva, em detrimento de uma oposição fraccionada, negativista, "bota abaixo" e à deriva. A questão mantém-se: será que o dia 26 de Março foi uma oportunidade perdida ou será o início de uma nova fase...

PS: pelo caminho, a Guiné Equatorial tenta entrar na CPLP... curioso...

2010-03-30

Novo rumo...

A vitória de Pedro Passos Coelho (ver CV) para a Presidência do PSD, para mais pelos números obtidos, com mais de 60% (se retirarmos a Madeira poderíamos provavelmente falar de mais de 70%!) , significa uma vontade indómita dos filiados do PSD em mudar de rumo.


Pedro Santana Lopes e Luís Filipe Menezes, de algum modo, poderiam também ser considerados provenientes da ala mais "populista" e "liberal" do PSD, mas de modo algum tinham a mesma clareza programática por detrás de PPC, nem os apoios - até financeiros - de PPC.


PPC, se for coerente, trará para a primeira linha do combate político personalidades como António Nogueira Leite ou Vasco Rato, fortes defensores de uma sociedade menos protectora, mais próxima do modelo americano, mais liberalizada e liberalizante.
António Nogueira Leite, apontado como ministeriável para economia e/ou para finanças, é administrador no grupo Mello e é um dos mentores do Compromisso Portugal, a que estão ligadas grandes figuras do mundo empresarial, como António Carrapatoso (ex.Presidente Vodafone); Joaquim Goes (Administrador, grupos BES e PT), José Maria Ricciardi (BES), António Horta e Costa; António Mexia, Diogo Vaz Guedes (Somague), Jorge Armindo (Grupo Amorim), e do mundo da advocacia e das consultoras, com Sofia Galvão (sócia - Sérvulo Correia), Luís Cortes Martins, etc... O Compromisso Portugal é um movimento de cidadania, com intervenções construtivas e com o peso derivado de ter este círculo de promotores, e com uma agenda assumida e claramente liberal.


Se Passos Coelho estiver em linha com o seu pensamento nos últimos anos, então poderemos assistir, finalmente, a uma clarificação politíco-partidária em Portugal, com o PSD a assumir cada vez mais ser PPD e também um partido com tendências liberais - algo que com Marques Mendes ou Manuela Ferreira Leite não assumia.


Por outro lado, muito importante, não podemos esquecer a Fomento Invest, grupo liderado por Ângelo Correia...
PEDRO PASSOS COELHO, nascido em Coimbra, em 1964, casado, 3 rebentos, licenciado em Economia pela Universidade Lusíada, desenvolveu até hoje a sua actividade profissional em três áreas:

- docência, no ensino superior e no secundário
- actividade política (passando pela presidência da JSD e deputado de 91 a 99)

- consultor e Administrador de empresas...
Nesta última categoria veremos no seu CV: "Administrador Executivo da Fomentinvest SGPS SA, da Fomentinvest – Consultoria e Gestão de Projectos, SA e da Fomentinvest Ambiente, SGPS, SA. É, também, Presidente da HLC Tejo,SA e da Ribtejo, SA e Administrador-delegado da Tejo Ambiente, SA.
Curiosamente, todas elas são do grupo Fomento Invest, se não erramos. Curiosamente o grupo é presidido por um conhecido político do PSD, comentador televisivo, Ângelo Correia... um dos homens mais argutos, bem informados e influentes em Portugal, com ligação a grandes negócios nacionais e internacionais...


Aliás, a Fomento Invest, um dos maiores grupos nacionais em áreas como o Ambiente (tratamento de águas e resíduos, aterros, etc.) não tem sequer uma página web. Ora, para disponibilizar informação aos cidadãos dos conselhos onde actua (e são muitos), era algo importante, para mais numa área tão sensível como a do ambiente... E há também algumas questões e ligações perigosas, como as que a revista Sábado levantou, já em Fevereiro... Curiosamente, até pontos comuns com o percurso e contactos de José Sócrates encontramos...


Inteligentemente, pelo menos por ora, Ângelo Correia não aparecerá. Mas será a eminência parda do regime... Não menos inteligentemente, e atacando o que tem sido o maior calcanhar de Aquiles do PSD - a luta fractricida entre facções e a divisão interna espelhada na comunicação externa - Pedro Passos Coelho tenta trazer para os órgãos nacionais e para posições de destaque os seus adversários, tentando assim pacificar o partido, diminuindo a margem de manobra dos seus detractores...

Mas, em compensação, o aparente desprezo de Cavaco Silva por PPC - nunca o convidou para qualquer cargo, apenas o aceitou como deputado pois como Presidente da JSD teria de sê-lo - e manteve sempre claro distanciamento desde que deixou a Presidência do PSD, pois não se revê na ala populista e liberal do partido, sobretudo na sua versão mais  urbana e cosmopolita... Não era por isso de estranhar que José Pedro Aguiar-Branco e Paulo Rangel tenham tentado "entalar" PPC no processo eleitoral interno, com a questão do apoio à recandidatura de Cavaco Silva...

Em virtude de todos estes elementos não partilhamos a visão de que PPC será obrigatoriamente um líder a prazo, e que não teria hipóteses face a Sócrates... Pelo contrário... A não ser que Cavaco Silva tenha ainda alguma carta a jogar... Ajudando uma vez mais José Sócrates a sobreviver politicamente para além de 2011...

PS: e Sócrates agradece o arigo de Pacheco Pereira comparando-o a Obama...

2010-03-08

Nós por cá...

Os dois inquéritos que aqui deixamos há alguns dias mantêm-se equilibrados. No PSD, enquanto Menezes desafia Marcelo (!), os apoiantes de Paulo Rangel e de Aguiar Branco afirmam que a eleição de delegados nada indica em termos de eleição "um militante-um voto", e que Passos Coelho ainda não é Presidente do PSD... E, portanto, poderá não ser ele a confrontar o PS nas próximas eleições que, segundo muitos, serão mais cedo do que se pensaria...

Espera-se que estes fait-divers levem a uma clarificação no PSD, que permita aos Portugueses terem alternativa e uma verdadeira oposição construiva, e nos permita todos focar no essencial... que se debate em torno de temas como o PEC, a educação, a justiça, o modelo de desenvolvimento, as privatizações e os serviços e investimentos públicos, a aposta na internacionalização da economia, ou a organização do Estado, a ética e os valores...

2010-03-03

Contra o cansaço... os novos rostos e o doce cheiro do Poder...

Com a descrebilização da classe política, é natural que novos rostos, menos familiares aos Portugueses, possam ocupar cargos de liderança e tenham grande probabilidade de obter o voto de cidadãos que, na sua maioria, estão descrentes dos rostos de sempre, pelos escândalos, pela desconfiança generalizada, pelos incumprimentos de promessas e contratos, pelo crescimento nulo (ou quase) de uma década inteira, pela crise, pelo desemprego, pelos salários em atraso... Por isso, no PSD, onde cheira a poder, se aprontam em animada disputa Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar Branco (o que tem menos hipóteses... por ter mais currículo, precisamente!), conscientes do desgaste do Governo, do seu líder, e da hipótese de eleições antecipadas, e...

2010-02-25

Portugal: o PSD continua a ser fundamental...

...no sistema partidário e, por isso, para o país poder traçar o seu caminho é importante que o PSD se clarifique... PEC e outras questões de fundo dependem do PSD, e a alternativa de governo tem, por ora, de passar sempre pelo PSD... Pelo que se espera pelo desfecho desta disputa de liderança - ler aqui interessante artigo "os três ases" de António Gome Mota (ISCTE Business School) enquanto Manuela Ferreira Leite prejudica o país, com declarações que nos comparam com a Grécia e minam a sua já debilitada auto-confiança e a credibildade externa, não se percebendo quem com elas ganha... Isto enquanto há economistas ilustres a pedir o apoio do FMI e outros que se preocupam com o desenvolvimento do país - que tem de passar pela inovação como forma de subir a sua capacidade competitiva...

É positivo que, sobretudo
graças a Paulo Rangel e a Passos Coelho, haja debate em torno de ideias e prioridades, e não apenas fúteis críticas entre si. Já aqui disso falamos. Aguiar Branco, agora apoiado por Rui Rio é que informado menos o país sobre o que pensa...

E por falar em temas sérios, se não mesmo "
revolucionário": o pagamento de juros de mora pelo Estado, que pode de facto alterar muito da economia nacional... Pois forçará entidades públicas a reduzir prazos de pagamento e, atendendo a que maioria das empresas dependem desses pagamentos para depois cumprirem os seus, pode ter um fantástico efeito "cascata"... Falta saber se chegará a ser aplicada a lei..

Na AR, e numa presença
na Comissão de Inquérito que foi exemplar, pela clareza, pela seriedade, pela postura e frontalidade, bem como pelo que revelou e nos permitiu saber sobre o nosso próprio país, o Director do Expresso explicou como, do BES ao Primeiro Ministro, há tentativas de influenciar a comunicação social - e mencionou Cavaco, Guterres, Durão Barroso, os grandes grupos económicos, e não apenas Sócrates... Sempre com clareza e precisão, e de modo a não deixar dúvidas: era difícil ser de outra forma...

2010-02-22

Temas e debates que valem a pena...

Uma série de artigos e posts interessantes nas últimas 24 horas...

- No PSD, a disputa pela liderança promete mais uma "guerra" fratricida" mas, felizmente, desta vez, e graças às propostas de Paulo Rangel e Pedro Passos Coelhos em torno de temas substantivos: depois da educação, regulação e golden shares, protecção de família ou casamento gay estão já a ser abordados na disputa eleitoral contribuindo assim para o debate político e para uma maior clarificação no PSD e, por conseguinte, na política nacional!

- Entre comentadores e blogs de direita parece haver mais sensatez e conhecimento de matemática, sistemas eleitorais e sociologia política, bem como mais conhecimento da nossa história recente, havendo quem compreenda porque é que a candidatura de Fernando Nobre pode complicar e não simplificar, a re-eleição de Cavaco Silva, tal como O Moscardo dizia já na semana passada, neste mesmo blog... Se Alegre,e o PS, não compreenderem isto e que nunca um Presidente será eleito usando sistematicamente o termo "esquerda" (ou "direita"), pois será sempre o "Centro" a decidir eleições com duas candidaturas, e que o eleitor não se sentir "incluído" num dado discurso, não se pode sentir "representado" e como as Presidenciais elegem quem nos "representa", estes eleitores optarão pelo candidato que não os exclua e não "sectarize" e não divida o espectro de modo tão "simplista"...

- Provando mais uma vez que Fernando Nobre pretende ser o Obama Português, e usando a sua experiência na AMI, lançou já a campanha para voluntários

- Carlos Zorrinho, para além das suas funções governativas, mantém, felizmente, as suas actividades "online" e deixou-nos um post "Mística" que creio merecer leitura...

2010-02-11

Previsível... (ACT)

A guiar em Branco... Range mas vai caçar Coelho... Como previsto:

- Aguiar Branco vai candidatar-se (apesar de muito boa agente ir tentar demovê-lo nas próximas 24 horas), confirmando que a ala anti-PPC não se entende... e se divide...

- Pedro Passos Coelho será o mais provável próximo líder do PSD... Era bom ver o Land brokers...

Actualização: as mais mirabolantes soluções, dignas do partido que mais surpresas nos tem dado em democracia...

2010-02-10

PSD: mais uma novidade na corrida à liderança...

Confirma-se: Paulo Rangel será candidato a líder do PSD... Como já aqui expressamos, acreditamos que Pedro Passos Coelho sairá vencedor destas eleições... Mas talvez ainda antes das próximas eleições legislativas, já não seja líder do PSD... podendo ainda cumprir-se a previsão do Moscardo, feita ainda antes das eleições legislativas, de que Paulo Rangel ainda será primeiro ministro de Portugal na próxima década...

PS: e será que Aguiar Branco se irá também candidatar?

2009-12-21

PSD: uma clarificação fundamental!

A clarificação da situação interna do PSD é uma das vertentes mais importantes para o nosso futuro próximo - e mesmo mais distante, em função da sua posição central no nosso sistema político e em qualquer solução presente ou futura de governabilidade, bem assim como na orientação geral do país.

O PSD, juntamente com o PS, ergueram-se à condição de partidos de poder em Portugal e, parecem demonstrá-lo a aventura do PRD e os fracassos de alguns projectos que vão desde o MEP ao MMS, do MPT à aparente incapacidade de crescer para se tornar num verdadeiro partido de poder do BE.
PS e PSD em conjunto tiveram nos últimos 30 anos sempre mais de dois terços dos parlamentares e sempre lhes foi póssível, por isso, aprovar todos os documentos que entenderem, incluindo alterações à Constituição e as nomeações mais importantes, que passam pela AR. Em 2009 perderam alguns deputados, mas mantém-se acima dos 2/3 e qualquer um deles é maior do que todos os outros partidos juntos (mesmo tendo esses sido os vencedores, supostamente...).

Assim, o que se passa no PS e no PSD é decisivo para o futuro do país. As alternativas dos Portugueses passarão sempre, em termos de linhas decisivas e de decisões fundamentais e estratégicas, por estes dois partidos.
A configuração da sua relação de forças pode e tem variado,
bem como as suas orientações políticas têm sofrido cambiantes, muito em função das respectivas lideranças, mas esta realidade da sua força e poder conjuntos serem quase absolutos, não. Até os Presidentes civis tinham sido todos ex-líderes de um dos 2 partidos (Soares, Sampaio e Cavaco).

Numa fase tão crítica - não só económica, social e financeira mas, talvez sobretudo, em termos de crise de instituições e de CONFIANÇA - e em que decisões fundamentais precisam de um país focado nessas decisoes e não em casos judiciais e fait-divers dos mais variados - a clarificação da liderança e, sobretudo, da linha ideológica e das opções em questões importantes em que parece que PSD há muito não se entende internamente.

Nesse sentido, a incapacidade de alguém, para além de Pedro Passos Coelho (e incluindo nesta lista a própria Manuela Ferreira Leite) se assumir como candidato à liderança e dizer claramente o que pretende para o país e para o partido, mostra que qualquer que venha a ser solução, ela não será encabeçada por alguém de convicções, que não se tenha escondido quando deveria dar a cara...

Nesse sentido, um Congresso pré-escolha-de-liderança, que assegura uma forte presença e interesse (ao contrário dos Congressos pós-eleições-directas que ficam esvaziados de conteúdo, parcialmente), corre o risco de se tornar num debate de nomes, mas pode também ser uma oportunidade única para debater ideias, para debater o país, como pediu Marcelo. Nesse sentido, a palavra cabe aos militantes do PSD e aos delegados a eventual congresso debater e definir o futuro do PSD, mas também do país... e escolher entre dar um passo importante para a "decência" pedida por Miguel Veiga ou insistir na mera politiquice, indigna de quem pretende fazer da sua acção política um verdadeiro serviço à comunidade e ao país.

2009-10-30

PSD e Marcelo... Capítulo: n+2

No PSD, e como previsto, a ala anti-liberal ou, mais precisamente, anti-Pedro Passos Coelho, compreende que se se desunir, e num sistema de eleição a uma só volta, com o vencedor a ser escolhido por maioria simples, pode arriscar-se a que PPC chegue à liderança do PSD...
E compreendeu mais do que isso: que Paulo Rangel, Morais Sarmento, Aguiar Branco não são nomes com força suficiente para que se anulem uns aos outros... ou seja, não garantem que haja uma só candidatura "contra" PPC, e muito menos é garantia de impedir uma eventual chegada de PPC à liderança, dado o trabalho desenvolvido por este.
Assim, esta ala, que na realidade é em si o resultado de uma convergência de diversas sensibilidades dentro do PSD-PPD, chegou à conclusão que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa pode não garantir a derrota de PPC, mas pelo menos é a que dá mais garantias de isso poder acontecer. Várias razões há para isso, desde a notoriedade do Professor à sua exímia gestão táctica (para alguns até excessiva), à sua capacidade oratória e ao seu prestígio como académico, jurista e como homem tremendamente culto.
Há ainda um certo "ajuste" com a história, pois esses "apoiantes" sabem que não permitiram que MRS chegasse a votos, em 1999...
MRS, porém, quer mais... Como escrito neste blog há uns dias, quer ter o maior grau de convicção possível de que Cavaco irá mesmo re-candidatar-se. E quer... que pelo menos Aguiar Branco e Morais Sarmento venham a terreiro fazer o que ontem Paulo Rangel, Alexandre Relvas e José Luís Arnaut fizeram: manifestar o seu apoio. Mesmo dirigentes que noutras condições poderiam apoiar PPC, como Menezes, reconhecem MRS como um ´potencial líder
Já o escrevemos há mais de uma semana: Marcelo tem três condições prévias... E se a primeira é sobre Cavaco e a Presidência, a segunda é sobre o grau de "certeza" numa vitória interna. E para isso não lhe basta que os demais não se candidatem contra ele, mas sim que declarem o seu apoio, chamando assim "as suas hostes"... E dando aparentes garantias que não lhe será "tirado o tapete" antes das próximas legisltativas.. a terceira condição de Marcelo...
E, por fim, Marcelo precisará ainda de estar certo de mais um apoio antes de avançar: Alberto João Jardim! Como também foi aqui dito, a Madeira tem quase 25% dos militantes do PSD, e é o bloco que votará mais "em uníssino", se houver apoio declarado de Alberto João a um candidato... E AJJ, consciente do seu poder, tem andado estranhamente silencioso... Quer ver alguma clarificação e depois - se considerar que eventuais candidatos têm iguais hipóteses de chegar a Primeiro Ministro - não deixará de negociar com os candidatos os maiores benefícios para a Madeira e para si próprio, após a saída do governo Regional, que segundo o próprio será no fim deste mandato...

2009-10-26

PSD... capítulo... (perdemos a contagem :-)

No PSD, as movimentações continuam.

Como o Moscardo já escreveu por diversas vezes, o debate interno do PSD é importante para o país. E como também já dissemos, Marcelo condiciona todos os demais potenciais candidatos. Marcelo tem hoje o peso e a influência que tinha Vitorino, há uns anos, sobre as "directas" no PS - condicionar todos os demais potenciais candidatos das alas maioritárias dos respectivos partidos -... E é curioso como ambos estão na RTP, ora em conjunto, ora separadamente com o seu programa de comentário político...

2009-10-22

Unidade de lista era requisito de Marcelo?

Se não era... Era algo parecido...
Como aqui escrevemos, Marcelo tinha 3 condições para ser candidato à liderança do PSD:
- saber que CS é re-candidato
- saber que ganha as directas
- ter convicção que irá a votos em 2011, 2012 ou 2013

Uma delas, a segunda, era ter a certeza de vitória. Ora: Ser unico candidato seria o melhor modo de assegurar vitória!

Pedir para ser candidato único, sob pretexto de unidade interna é “contornar realidade”: MRS sabe que teria pelo menos um opositor. Um candidato declarado, que correu o risco do desgaste, mas ganhou a credibilidade dada pela frontalidade... Pedro Passos Coelho.

E Marcelo sabe, e já sabia bem que...
1- PPC teve mais de 31% nas ultimas directas
2- PPC fez grande trabalho, online (
www.construirideias.pt mas não só) e em pessoa – esteve em todo as delegações partidárias.... É por isso natural que tenha ganho grande parte dos 29% que votaram Santana, e alguns dos 37% de MFL.. alem dos 2 a 3% que votaram noutros candidatos. E que consiga manter a maior parte dos seus 31%.
3- Ou seja: num sistema eleitoral tipo winner takes all a uma só volta... só uma total união da frente anti-Liberal (leia-se anti-PPC) pode ganhar-lhe! E terá ainda assim de conquistar o voto de militantes que em 2008 não votaram...
4- Marcelo é fortíssimo como candidato, mas tem também muitos anti-corpos, irrita muita gente, e mesmo o próprio aparelho... Ainda assim, ele sabe que poderia receber os votos do aparelho (veja-se Menezes... a dizer que era bom candidato) e dos militantes, porque todos sabem que em termos eleitorais é alguém que pode ganhar debates a Sócrates ou a qualquer outro futuro líder do PS e tem uma notoriedade ímpar (algo que PPC não tem).
5- Rangel e Morais Sarmento – e provavelmente outros – deram a entender que nunca iriam a votos para defrontar Marcelo, mas não o garantiram. Aguiar Branco ainda menos... nem sequer Manuela Ferreira Leite o disse... Marcelo precisa da CERTEZA - que não deve ter obtido – de que não só não se candidatam contra ele como necessita, para ter convicção numa vitória, que demonstrem empenho na sua eleição... e isso não obteve!
6- Mesmo que ganhando a PPC, MRS sabe que o futuro líder terá oposição da “ala liberal”. Ora Marcelo quando foi líder andou sempre a exigir 2/3... Porque entende que para fazer oposição é preciso tranquilidade interna “união de propósitos, união de estratégia”. Mas mais do que isso, é em face da 3ª condição de Marcelo que este ponto é importante: MRS queria “certezas” de que se manteria como líder até às próximas legislativas...
7- Ou seja: a condição TER CERTEZA DE VENCER... não se reúne, no momento... e muito menos a de que chegaria a eleições!
8- MRS retira-se? Por ora... aparentemente
9- Voltar à corrida? Sim, em vários cenários... Exemplo: se houver “vaga de fundo” - que inclua Rangel, Morais Sarmento, e outros potenciais candidatos, que assim abdiquem e mostrem empenho em “derrotar” PPC -, ele poderá avançar... tal como fará se PPC fizer algo de tão errado que demonstre incapacidade ou que comprometa sua imagem de líder com potencial para primeiro-ministro, que conseguiu criar em boa parte do PSD...
10- O mais provável? MRS recuar mesmo e Paulo Rangel candidatar-se. Porquê? Já aqui deixamos um post sobre o potencial mediático e político de Rangel -
. Anula uma importante vantagem de PPC: uma nova geração. Mas tem sobre este uma vantagem: tem trabalho político, e não apenas partidário, com sucesso e qualidade, e GANHOU eleições... E ainda se sobrepõe ideologicamente a PPC, pois mesmo os mais liberais membros do PSD não se importarão de o ter como líder...
11- Fica depois a dúvida: e será que candidatos potenciais que recuariam se Marcelo avançasse, farão o mesmo se candidato for Paulo Rangel? Duvido... Mas até poderá ser (tudo depende das negociações a decorrer...).
12- Se algum outro, sobretudo Morais Sarmento, avançar, PPC deverá vencer...
13- Se Rangel for o único opositor relevante a PPC... o resultado é imprevisível... PPC tem mais de 30 anos de fidelidade ao Partido, Rangel tem 8 anos de PSD, é um “cristão-novo” e no aparelho isso pesa... mas também pesa o facto de ter apoio de diversas linhas do partido, e de ter ganho eleições...
14- Quem é fundamental? Acredito que será Alberto João Jardim! Os líderes de distritais do Porto, e outros, conseguem canalizar alguns votos, mas não têm o poder dos tempos dos congressos, em que representavam todo um número de votos... Agora apenas alguns militantes Mas AJJ tem um poder enorme: mais de 10.000 votantes! E todos disponíveis para votar com AJJ...


Conclusões
1. Marcelo ainda não se retirou. E dele depende a possibilidade de quem quer que seja avançar contra PPC. Ao fazer as declarações de ontem, ONTEM, antes de HOJe (Conselho Nacional), e sabendo que Rangel virá a Lisboa à reunião, MRS pode mesmo estar a dar sinal a Rangel para avançar... Será?
2. Se a corrida for Rangel contra PPC, teremos curiosamente o partido a apresentar uma síntese interessante, pois ambos são ideologicamente próximos, com PPC a assumir-se mais como potencial “liberal”, enquanto Rangel representa uma visão mais ampla do “arco” das ideias políticas que estão integradas no PSD
3. Qualquer uma destas potenciais lideranças dará muito mais “dores de cabeça” a Sócrates do que MFL (e isso é bom para o país)... Mas nenhum deles está no Parlamento (e isso é mau para eles, para o PSD e para o país).

MRS sabe e tem consciência de todas estas variáveis e é um Mestre na Ponderação das mesmas. A sua ponderação e hesitação só mostra a força e a implantação da candidatura de PPC... E que provavelmente não consideraria a sua vitória como um dado adquirido...

2009-08-07

PSD: um partido em busca da sua identidade confunde seus eleitores...

Tenho vários amigos do PSD que andam desnorteados. (nota: também os há, os desnorteados, e também os tenho, os amigos desnorteados, no BE e no PS... E, claro, todos os CDS puros andam há anos órfãos... a esses vejo-os mesmo perdidos desde que Guterres saiu do país... Voltaremos a este tema).

O desnorte e até indecisão dos votantes, e até de filiados, do PSD tem diversas facetas:

- Acham Socrates um bom líder, firme e resoluto, como acham que um líder deve ser (vide Cavaco...)
- Acham que Sócrates tem a energia e a dinâmica que o país precisa de um líder, para mais em altura de crise
- Acham que as prioridades de Sócrates, no essencial, fazem sentido, tal como fazem muitas das suas opções - como energia, internacionalização, plano tecnológico, qualificação, etc. Também acham que Teixeira dos Santos foi um dos mais sérios e mais competentes ministros das finanças em Portugal, controlando o deficit; que Pinho apesar de ser algo "weird", deu tudo por tudo pelas PME, e contou com IAPMEI e AICEP a melhorarem muito no apoio efectivo às empresas; acham que é verdade que pela primeira vez Estado perdeu 50.000 funcionários e que para mais, há pela primeira vez mecanismos de avaliação a funcionar que levam funcionários públicos a dizer "temos objectivos", que permitiram simplificação de processos (o SIMPLEX terá as suas falhas, mas apesar de tudo é um passo, e mostra uma vontade, uma dinâmica...) e o começo de uma orientação-cliente (cidadão); acham que para mais não temeu afrontar as classes "mais PS", como professores, magistrados e juízes, e até médicos... dando mostras de que com outro mandato poderia alterar profundamente o rosto do país...
- Acham, sobretudo os ligados a empresas, que MFL é incapaz de um rasgo, de motivar, de liderar... e por isso não a querem como Primeiro Ministro
- acham que MFL, mesmo que tivesse um perfil de liderança, não tem ideias modernas que permitam esperar um país melhor, antes pensando como "contabilista", usando esquemas mentais ultrapassados (um pouco Salazarista na sua visão das contas públicas), e não sendo nada arrojada ou aberta à frescura de novas ideias ou de novos conceitos, nem sequer de novas tecnologias... Não deixa de ser uma avó...
- Ficam perdidos ao olhar para um partido sempre fracturado e sem rumo, muitas vezes sendo pouco sério, com mudanças constantes de opinião, atacando investimentos por si definidos e atacando o próprio funcionamento do mercado (o cerne da crença PSD... mesmo da ala esquerda do PSD!), ameaçando "tudo rasgar", sem quae nada propor...

Em suma... estão sem saber se podem, ou devem, "trair" o partido, e
1. não votar PSD (a maioria, de facto, irá fazê-lo... ao contrário do que fez nas Europeias, em que votar PSD era o mais natural... e Paulo Rangel podia ser filho de MFL...)
2. Votar Socrates... (maioria não o irá fazer)... A traição seria maior... E a consciência poderia pesar... Mas esperam, sinceramente, que vença, a bem do país...

Mas a verdade é que a indecisão destes eleitores, tem uma razão de ser profunda. A mesma que explica que o PSD não chegue ao poder desde Cavaco, de modo consistente: o problema de identidade do partido...

Senão vejamos: afastar PPC das listas e assim hostilizar parte do partido é solução?

Lê-se: «É um erro táctico. Primeiro, ninguém percebe que, em nos de três semanas, Maria José Nogueira Pinto esteja numa candidatura ao PSD e depois esteja contra, nomeadamente em relação a Lisboa. Segundo, os resultados eleitorais legislativos não perspectivam que o PSD ganhe com maioria absoluta. Nenhum partido terá maioria absoluta. (¿) Ora, o nosso aliado natural seria o CDS-PP. E não é com este tipo de programas que se cria um ambiente positivo para que isso venha a acontecer. Terceiro, se o PSD quer ganhar as eleições tem de se mexer à esquerda, não é por dar orientações mais à direita que vai conseguir mais votos».

Erro táctico? Nem por isso... O problema do PSD é um problema de IDENTIDADE, de um ADN que não corresponde aos sues quadros, nem estes ao seu tecido social... Mas não está só... O PS também já andou perdido e nos últimos 4 anos afastou-se um pouco da sua matriz social, o PP pouco ou nada tem de comum como CDS, o BE não tem, hoje por hoje, identidade. O PCP (via CDU) é hoje o único partido em que teoria e prática, quadros e votantes, são no essencial coincidentes...

O PSD é um partido que se posiciona num arco de centro que vai da esquerda moderada - centro (social democracia europeia sempre se posicionou aí, e o Programa de Sá Carneiro é aí que se situa, com os toques de liberalismo económico de um programa "burguês" e "empresarial" a colocá-lo de facto praticamente no centro do espectro político) até ao centro-direita (conservadorismo moderado, em que Mota Amaral representaria o ponto mais à direita do PSD), passando pelo centro direita e direita das alas liberais do PSD (de que Balsemão foi o primeiro rosto... mas em que Santana ou Passos Coelho representam hoje outras variantes)

E se tem como aliado natural, no dizer da maioria dos seus quadros... o PP de Paulo Portas (em termos idológicos é óbvio que o aliado natural do PSD é o PS, com o qual tem largas áreas de sobre-psoição seja em termos ideológicos seja em termos programáticos e de votantes...), e se faz dessa "aliança natural" uma declaração pública (MFL também a fez, ao dizer "bloco central jamais" e ao afirmar-se contra diversas bandeiras da esquerda de hoje (direitos dos homossexuais, eutanásia, etc.)... então o PSD de hoje indica ao eleitorado pender para a direita (deixando então ao PS um espaço grande ao centro)...

Potenciais candidatos futuros: Pedro Passos, Rui Rio, Morais Sarmento. Menos prováveis mas a considerar: Paulo Rangel e Aguiar Branco. Mais dificilmente: Marcelo, Alberto João, Santana Lopes ou Marques Mendes.