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2010-04-28

O valor da oposição construtiva...

Algumas pessoas perguntam-me porque andava satisfeito com a mudança de líder no PSD. Alguns até me trataram por "Passista". Não é verdade :-). *

Por outro lado, e como é óbvio, considero fundamental que o principal partido da oposição - PSD ou PS, conforme momento histórico - tenha um rumo, apresente capacidade de proposta e de oposição construtiva, com capacidade de trazer alternativas para cima da mesa, sem temer a negociação e o diálogo em algumas áreas chave, compreendendo que com isso não vai perder a identidade ou a diferenciação aos olhos dos eleitores.

Infelizmente, durante muito tempo, o PSD andou perdido em si mesmo, sem um rumo claro (qual o modelo de Marques Mendes, LF Menezes ou MFL para o país, verdadeiramente? quais as suas prioridades concretas?), e com uma oposição destrutiva, que se afirmou sempre mais pela negativa do que pela positiva - sobretudo com MFL.
Por este motivo, fiquei contente com a eleição de Pedro Passos Coelho para a eleição como Presidente do PSD. Teria ficado também satisfeito com a eleição de José Pedro Aguiar Branco - que se mostrou surpreendemente bem preparado para liderar o país! - e até de Paulo Rangel - que desiludiu um pouco, exactamente porque o seu discurso era mais "área a área, medida a medida", sem mostrar uma linha de rumo concreta, que obedecesse a um padrão compreensível ou a um fio lógico e coerente no seu todo - mas a menor preocupação com a coerência teórica é, porém, algo comum aos Conservadores, por definição, pois a sua coerência advém da própria realidade (partem do "que existe") e não tanto da abstracção das ideias ou das utopias do "dever ser".

PPC traz-nos, porém, duas coisas, em maior dose do que JPAG ou PRangel:
1. uma diferenciação, uma alternativa de caminho ao governo actual (em breve teremos um post sobre o assunto e sobre as diferenças de ponto de vista PPC / JS)
2. como tem essa diferenciação, e não tem nenhuma querela pessoal com José Sócrates, ao contrário de MFL, pode negociar e dialogar, quando precisamos, sem medo de ser "absorvido" pelo PS, ao contrário de líderes mais "ao centro", como MFL... (nota: este temor é algo que faz sentido, historicamente, no PSD, pois PS ocupou, desde 1995, muito do espaço político que foi o do PSD, o que lhe tem permitido vencer sucessivamente eleições...).

Sinal concreto de que tal eleição de PPC foi positiva para o país surgiu, infelizmente, pelas piores razões - a do ataque dos especuladores - mas, pelo menos, estamos menos mal preparados, como país, agora do que estaríamos se MFL ainda fosse Presidente do PSD.... Pois agora PS e PSD podem dar a face em conjunto perante o exterior, e essa conjunção de esforços é fundamental para credibilizar externamente a nossa política económica, ao contário de uma situação em que dá ideia que à primeira ocasião, PSD mudaria de política... o que minaria qualquer confiança no cumprimento de medidas de austeridade... que infelizmente serão mesmo necessárias...

* Uma nota sobre a orientação política pessoal:
Em primeiro lugar: não pertenço a nenhum partido. Nem me sinto tentado a pertencer, no momento actual. Orgulho-me de ter um vida cívica activa, e de votar em partidos diferentes consoante me pareça mais adequado, em função do momento, do local onde voto (ex: votaria diferente em numerosas eleições conforme o distrito onde votasse), do sistema eleitoral (maioritária para as Presidências de câmaras - a uma volta - e nas presidenciais - a duas voltas -, método de Hondt nas legislativas, mas com distritos, o mesmo método para as Europeias, mas com círculo nacional único...), da finalidade das eleições, do potencial impacto do voto individual no resultado global, da "competitividade" eleitoral, etc.

Já votei, directa e/ou indirectamente, considerando eleições legislativas, autárquicas e europeias, em todos os partidos parlamentares, e nalguns outros.


Não escondo ser Europeísta convicto e defensor da UE - ainda que com as suas falhas, como tudo - e, por isso, por exemplo, em eleições europeias, pondero apenas votar PS ou PSD, os dois únicos que defenderam sempre a UE como caminho para Portugal (e, ainda aqui, mais o PS do que o PSD), ou branco.
Não escondo que voto em branco, em geral, na freguesia (dado que nela não resido habitualmente).

Defensor da diversidade como algo que enriquece a vida democrática, não escondo que do mesmo voto que votei PSR para eleger Louçã - sem sucesso - há mais de uma dezena de anos, que teria votado MEP ou PCTP-MRPP no caso de estar a votar em Lisboa, nas últimas eleições, para eleger um deputado que trouxesse uma voz diferente ao parlamento. Mais: sendo Republicano, não hesitaria em votar no PPM caso este estivesse com hipóteses de eleger um deputado. Já, por exemplo, se estivesse em círculos com 3 ou 5 mandatos apenas, em que historicamente se sabe que apenas PS e PSD podem eleger deputados, ponderaria voto de modo substancialmente diferente, sendo a primeira questão um simples: vale a pena votar? (sou frontalmente contra o sistema de voto por distrito que temos, e que gera eleitores de primeira e de segunda, pois uns têm escolhas que os outros, na prática, não têm!).
Do mesmo modo, e porque defendo que a política não se esgota com partidos, desejo contribuir para que o Dr. Fernando Nobre chegue a ser, de facto, candidato à Presidência da República, por considerar importante que a sociedade civil não partidarizada mostre vitalidade e sinta ela própria a sua força e a sua capacidade de intervenção. Dito isto: defendo a sua candidatura como positiva para o país mesmo que depois, na altura das eleições, possa eu próprio votar ou não nele, consoante as propostas concretas que nos trouxer.
Ou seja: considero que o voto serve também para expressar preferências indirectas, como a defesa da pluralidade de opiniões, mesmo quando elas não são coincidentes com a nossa!

PS: O PSD passa, pela primeira vez desde 2003, para a frente das sondagens. Tal era previsto há meses pelo Moscardo: mal mudasse a liderança do PSD, mudaria o sentido das sondagens, efeito ampliado caso fossem PPC ou Paulo Rangel, por serem rostos mais jovens...

2010-02-26

Aguarda-se pelo dia 26 de Março...

Ansiosamente se espera pelo dia 26.
Pede-se aos militantes do PSD: DESPACHEM ESTA SENHORA! Uma coisa é saber e ter consciência das dificuldades do país, outra é agravá-las, anunciando cataclismos perante investidores... precisamente aqueles que podem ajudar-nos a melhorar a nossa situação! É a prova provada da sua total falta de mundividência!
Sem dúvida que qualquer uma das três soluções possíveis é melhor que esta senhora... Aliás, difícil era não ser!

2010-02-25

Portugal: o PSD continua a ser fundamental...

...no sistema partidário e, por isso, para o país poder traçar o seu caminho é importante que o PSD se clarifique... PEC e outras questões de fundo dependem do PSD, e a alternativa de governo tem, por ora, de passar sempre pelo PSD... Pelo que se espera pelo desfecho desta disputa de liderança - ler aqui interessante artigo "os três ases" de António Gome Mota (ISCTE Business School) enquanto Manuela Ferreira Leite prejudica o país, com declarações que nos comparam com a Grécia e minam a sua já debilitada auto-confiança e a credibildade externa, não se percebendo quem com elas ganha... Isto enquanto há economistas ilustres a pedir o apoio do FMI e outros que se preocupam com o desenvolvimento do país - que tem de passar pela inovação como forma de subir a sua capacidade competitiva...

É positivo que, sobretudo
graças a Paulo Rangel e a Passos Coelho, haja debate em torno de ideias e prioridades, e não apenas fúteis críticas entre si. Já aqui disso falamos. Aguiar Branco, agora apoiado por Rui Rio é que informado menos o país sobre o que pensa...

E por falar em temas sérios, se não mesmo "
revolucionário": o pagamento de juros de mora pelo Estado, que pode de facto alterar muito da economia nacional... Pois forçará entidades públicas a reduzir prazos de pagamento e, atendendo a que maioria das empresas dependem desses pagamentos para depois cumprirem os seus, pode ter um fantástico efeito "cascata"... Falta saber se chegará a ser aplicada a lei..

Na AR, e numa presença
na Comissão de Inquérito que foi exemplar, pela clareza, pela seriedade, pela postura e frontalidade, bem como pelo que revelou e nos permitiu saber sobre o nosso próprio país, o Director do Expresso explicou como, do BES ao Primeiro Ministro, há tentativas de influenciar a comunicação social - e mencionou Cavaco, Guterres, Durão Barroso, os grandes grupos económicos, e não apenas Sócrates... Sempre com clareza e precisão, e de modo a não deixar dúvidas: era difícil ser de outra forma...

2010-02-13

A importância do sistema de avaliação...

Já há data, e o que resultou de verdadeiramente importante desta reunião, as regras das directa permanecem: a eleição do líder do PSD será numa só volta... PPC saí claramente a ganhar com esta decisão...

Não menos relevante: o PSD deveria ser (também) o partido da iniciativa privada. A iniciativa privada implica que se avalie o que se faz. Com rigor. E que daí saiam alterações de rumo, melhorias, inovações.

Ora, Manuela Ferreira Leite deixa o PSD sem rumo (que alternativas propôs? Apenas foi capaz de produzir crítica, mas sem a tornar em propostas alternativas... O PSD é hoje um partido liberal, social democrata, populista, conservador, católico-progressista ou... outra coisa qualquer..?), com um número aproximado de deputados, incapaz de capitalizar o descontentamento com o PS e o Governo Sócrates, muito longe de ser governo ou de ser percepcionada como alternativa, com menos quase 20 Presidências de câmaras, e diz... "cumpri todos os objectivos"?!?
E, se cumpriu todos os objectivos, porque é que nem sequer se recandidata a líder do PSD?!? Deveria pelo menos explicá-lo...

PS: Um dos maiores problemas do Estado e da Administração em Portugal é, precisamente, a dificuldade em ter mecanismos de avaliação individual e sistémica, incluindo a total ausência de mecanismos de avaliação das iniciativas legais... Ora com líderes assim, o PSD não parece ser capaz de aplicar a si mesmo critérios minimamente válidos de auto-avaliação... É grave!

2009-10-23

Governo novo... e não só...

Governo já conhecido, toma posse segunda-feira... sem grandes surpresas nas principais pastas... Apesar das reacções (aqui, aqui, aqui, aqui)...
Entradas - várias caras novas (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, na educação - talvez a mais importante e arriscada das novidades), sobretudo mulheres -, e saídas, como é normal...

Entretanto, só haverá directas no PSD após o Debate Orçamental, anunciou MFL, no que foi apoiada pelo Partido, de um modo geral: significa isso abster-se/votar a favor ou gerar crise institucional (e eventuais novas eleições)?

Assunto mais sério: GF Esmiúça os Sufrágios termina... hoje, com 3 jornalistas como convidados! Dada gravidade da situação, é URGENTE a assinatura da petição a favor da continuidade, regresso rápido ou outra fórmula que permita assegurar este serviço público bem disposto!

2009-09-22

Perdendo...

MFL diz que não abandona liderança se não ganhar (NB: MFL já coloca, em público, essa hipótese...)...
A previsão do Moscardo é outra: o o líder do partido perdedor destas eleições (para PS e PSD não ser chamado a formar governo é perder) não se aguentará muito tempo na liderança (mesmo que não se demita), pois dentro do PS e do PSD há muito se movem os potenciais sucessores... E aguardam a sua oportunidade, sabendo para mais que o Governo a sair destas eleições não deverá ter as condições para durar uma legislatura, estando todo o "teatro" montado para novas eleições em 2011... Ou seja: mesmo a liderança da oposição não deverá ser uma "travessia do deserto" e haverá, por isso, candidatos disponíveis...

2009-09-20

Líderes potenciais...

No Público, o breve comparativo entre Manuela Ferreira Leite e José Sócrates está interessante, tal como a entrevista a Elisa Ferreira sobre a CMPorto e a gestão de Rui Rio, sendo ela muito precisa e construtiva no modo como marca a diferença: aqui e aqui.
Para compensar, escolhem-se também alguns destaques do DN :-): uma
entrevista de fundo a José Sócrates (numerosas partes: aqui) e um artigo sobre o homem de quem se fala: Fernando Lima, Assessor de Cavaco Silva e a ele ligado há mais de duas décadas...

2009-09-18

Sondagens vs. Análise Política...

Como previsto, o Margens de Erro deixa-nos mais informação sobre sondagem UCP-CESOP, e disponibiliza ainda a sondagem Aximagem. Tal como a anterior (UCP-CESOP), ela apresenta uma subida do PS, uma ligeira descida do PSD e um BE num sólido 3º lugar.
Como descrito em detalhe em post anterior, a previsão do Moscardo é a de que o PS não ganhará tão "folgadamente", nem o BE será a 3ª força no Parlamento Português... Tal ideia baseia-se na convicção de que:
- os últimos dias representarão transferências de votos importantes (e, portanto, ainda não reflectidas nestas sondagens realizadas a duas semanas das mesmas) e
- os fait-divers TVI, votos comprados, escutas suspeitas na Presidência da República, bocas de Ministros espanhóis, leituras de mails alheios, e outros, não terão tanto impacto na escolha FINAL (a de dia 27, que dia 26 ainda é dia de reflexão!) como a guerra dos "bichos papões" (Papão "A ultra-conservadora e retrógrada MFL como Primeira-Ministra?" contra o Papão "Louçã no governo com Sócrates?" - e parece que Ana Gomes decidiu reforçar este último :-).

Nova previsão do Moscardo

Nos próximos dois dias - sexta e sábado - sairão diversas sondagens. A previsão do Moscardo é: darão um aumento da vantagem do PS... que nalguns casos sairá da "margem de erro"... e passará a ser "simpática", com aproximação aos 40%. De onde vêm estes votantes? Na Interpreteação do Moscardo: do BE e dos indecisos. esta eleição decide-se à esquerda, ao contrário do normal (votantes entre PS e PSD, ou seja, ao centro). A eleição decide-se na capacidade que o PS tenha de convencer eleitores que estão entre a abstenção, o branco, o voto na CDU e, sobretudo, muitos que estão inclinados a votar BE, de que mais vale a pena votar PS e em Sócrates do que arriscar a que a dispersão de votos à esquerda (que continua claramente próximo ou acima da fasquia dos 60% de votos no seu total) leve a que o PSD e, sobretudo, a "conservadora" e "cinzenta" Manuela Ferreira Leite, possa chegar ao poder.
Este "papão" só pode funcionar a favor do PS, porque é MFL a actual líder do PSD. Com um outro líder a quem fosse mais difícil colar uma imagem tão conservadora, o PS teria bem mais problemas. Curiosamente, a entrevista dos Gato Fedorento não ajudou o PS: MFL surgiu muito mais jovial do que era expectável...
Mas as sondagens a publicar são anteriores a tal programa...
Vamos ver se o Moscardo acerta novamente...

2009-09-16

O Moscardo acerta na sua 1ª previsão

A expectativa era a de que o maior número de espectadores do "Esmiúca os Sufrágios" dos Gato Fedorento iriam ser atingidas na segunda feira, 14.Set.09, no programa em que participava José Sócrates que, tal como aconteceu no caso dos Debates e das Entrevistas, asseguraria maiores audiências...
O Moscardo, pelo contrário, previu que a audiência dos Gato iria ser crescente, pelo valor e popularidade dos Gato, pela
originalidade da abordagem em Portugal (entrevistas "malandras" com os líderes políticos) e pela qualidade do primeiro programa.
Os números dão razão ao Moscardo, que acerta assim na sua previsão... Após os 1,35 milhões de espectadores do 1º programa, ontem foram quase 2 milhões os espectadores:
MFL bateu JS por 600.000 espectadores, mesmo havendo futebol em canal aberto(!), numa entrevista em que Manuela Ferreira Leite superou expectativas, mostrou ser "uma senhora" divertida e na qual não se desmanchou a rir, como temia...

ACT. 17.Set: a confirmação do vencedor destas eleições, a SIC, (que sobe audiências e inova em formatos em Portugal, enquanto a TVI entrou em convulsão interna, a RTP fica com a imagem de televisão do Governo...), prevista pelo Moscardo há uns dias, surge após o programa com Paulo Portas ter mantido os níveis de audiência próximos dos 2 milhões, número bem superior aos votantes de... qualquer partido! Os Gato ganhariam as eleições :-)

2009-09-10

As questões de fundo... (família; inovação; obras públicas)

Há questões que são importantes. Algumas marcam mesmo o "campo" de cada partido, pois definem a sua visão da sociedade. A questão da família é uma delas: para o PSD, e para MFL, como já afirmou recentemente, a familia "clássica" (a que, sendo constituída por pessoas de sexos opostos e que têm capacidade e desejos reprodutivos - dado que, no seu próprio dizer, MFL distingue a família que tem como projecto "ter filhos" - como disse, claramente, no debate com Francisco Louçã), deve ser a célula basilar da sociedade. Esta, aliás, uma questão que mantém em aberta a questão das eleições Presidenciais de 2011, pois Cavaco, que acaba de vetar uma lei sobre Uniões de Facto, tem grande afinidade com MFL, também nestas matérias. A visão de partidos como PS ou BE é bem diferente. Para partidos como o PCP, o Estado deveria ser o esteio fundamental da organização social. Nada há de novo por aqui. As sociedades nórdicas têm no Estado a sua célula base em termos organizativos...

Mas, por isso, são curiosos alguns artigos que têm vindo a sair. Recomendamos alguns artigos do i e do Público:

  • um artigo e inquérito/sondagem muito interessante que, de algum modo, reflecte o Portugal em mundança em que vivemos, e realça bem as diferenças sociológicas entre o PS de Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira Leite - que não é necessariamente uma clivagem real entre os dois partidos, antes entre as duas lideranças actuais); e um outro sobre educação sexual
  • um artigo sobre a relação entre a vida privada e pública dos políticos, nomeadamente no caso de Sócrates
  • um outro sobre o facto de termos pela primeira vez uma candidata a Primeira Ministro (ou seria Primeiro Ministro, atendendo a que é nome de um cargo? :-) ) e se isso trará vantagens eleitorais a Manuela Ferreira Leite
  • por fim, no Público, dois artigos em que se fala de descida de impostos (só não se percebe se á algo urgente, ou não...), aqui e aqui. E há ainda a questão das Obras Públicas, em especial do TGV, sobre a qual MFL, que há uns anos assinou, e que agora re-afirma ser "contra "gastar-se dinheiro em grandes investimentos, cuja contribuição para o emprego é nula" e que prefere investimento público "de proximidade". Mas, no mesmo debate, afirmou que "suspensão" indica ser algo que tem de ser reavaliado e que não há condições conjunturais (nível de endividamento) que permita tal aposta. Confesso que achei... Claríssimo...

Por outro lado recomenda-se ainda um curto mas incisivo texto de Jaime Quesado sobre a urgência da Inovação e de um novo paradigma de desenvolvimento. Provavelmente este deveria ser o tema central desta campanha... Infelizmente não está a ser... Os jornalistas, e a classe política, consideram que a TVI e Manuela Moura Guedes é mais importante...

2009-09-07

Um exemplo...

"Era o que faltava eu, agora, não poder convidar para o MEU carro quem me apetecesse", Alberto João Jardim, citado pelo JN, após colocar o carro ao serviço do Presidente do Governo Regional da Madeira ao serviço de Manuela Ferreira Leite, em campanha no Arquipélago...
Conclusão: o automóvel não pertence ao Estado, e portanto a todos nós, sendo por isso afecto ao serviço PÚBLICO, de interesse GERAL: pertence ao Sr. AJJ e, portanto, ele determina qual o seu uso... como se o tivesse pago do seu bolso, e não do dos contribuintes...
Aguardam-se os comentários de MFL, segundo a qual a Madeira é um exemplo de bom governo... do PSD!

2009-08-07

PSD: um partido em busca da sua identidade confunde seus eleitores...

Tenho vários amigos do PSD que andam desnorteados. (nota: também os há, os desnorteados, e também os tenho, os amigos desnorteados, no BE e no PS... E, claro, todos os CDS puros andam há anos órfãos... a esses vejo-os mesmo perdidos desde que Guterres saiu do país... Voltaremos a este tema).

O desnorte e até indecisão dos votantes, e até de filiados, do PSD tem diversas facetas:

- Acham Socrates um bom líder, firme e resoluto, como acham que um líder deve ser (vide Cavaco...)
- Acham que Sócrates tem a energia e a dinâmica que o país precisa de um líder, para mais em altura de crise
- Acham que as prioridades de Sócrates, no essencial, fazem sentido, tal como fazem muitas das suas opções - como energia, internacionalização, plano tecnológico, qualificação, etc. Também acham que Teixeira dos Santos foi um dos mais sérios e mais competentes ministros das finanças em Portugal, controlando o deficit; que Pinho apesar de ser algo "weird", deu tudo por tudo pelas PME, e contou com IAPMEI e AICEP a melhorarem muito no apoio efectivo às empresas; acham que é verdade que pela primeira vez Estado perdeu 50.000 funcionários e que para mais, há pela primeira vez mecanismos de avaliação a funcionar que levam funcionários públicos a dizer "temos objectivos", que permitiram simplificação de processos (o SIMPLEX terá as suas falhas, mas apesar de tudo é um passo, e mostra uma vontade, uma dinâmica...) e o começo de uma orientação-cliente (cidadão); acham que para mais não temeu afrontar as classes "mais PS", como professores, magistrados e juízes, e até médicos... dando mostras de que com outro mandato poderia alterar profundamente o rosto do país...
- Acham, sobretudo os ligados a empresas, que MFL é incapaz de um rasgo, de motivar, de liderar... e por isso não a querem como Primeiro Ministro
- acham que MFL, mesmo que tivesse um perfil de liderança, não tem ideias modernas que permitam esperar um país melhor, antes pensando como "contabilista", usando esquemas mentais ultrapassados (um pouco Salazarista na sua visão das contas públicas), e não sendo nada arrojada ou aberta à frescura de novas ideias ou de novos conceitos, nem sequer de novas tecnologias... Não deixa de ser uma avó...
- Ficam perdidos ao olhar para um partido sempre fracturado e sem rumo, muitas vezes sendo pouco sério, com mudanças constantes de opinião, atacando investimentos por si definidos e atacando o próprio funcionamento do mercado (o cerne da crença PSD... mesmo da ala esquerda do PSD!), ameaçando "tudo rasgar", sem quae nada propor...

Em suma... estão sem saber se podem, ou devem, "trair" o partido, e
1. não votar PSD (a maioria, de facto, irá fazê-lo... ao contrário do que fez nas Europeias, em que votar PSD era o mais natural... e Paulo Rangel podia ser filho de MFL...)
2. Votar Socrates... (maioria não o irá fazer)... A traição seria maior... E a consciência poderia pesar... Mas esperam, sinceramente, que vença, a bem do país...

Mas a verdade é que a indecisão destes eleitores, tem uma razão de ser profunda. A mesma que explica que o PSD não chegue ao poder desde Cavaco, de modo consistente: o problema de identidade do partido...

Senão vejamos: afastar PPC das listas e assim hostilizar parte do partido é solução?

Lê-se: «É um erro táctico. Primeiro, ninguém percebe que, em nos de três semanas, Maria José Nogueira Pinto esteja numa candidatura ao PSD e depois esteja contra, nomeadamente em relação a Lisboa. Segundo, os resultados eleitorais legislativos não perspectivam que o PSD ganhe com maioria absoluta. Nenhum partido terá maioria absoluta. (¿) Ora, o nosso aliado natural seria o CDS-PP. E não é com este tipo de programas que se cria um ambiente positivo para que isso venha a acontecer. Terceiro, se o PSD quer ganhar as eleições tem de se mexer à esquerda, não é por dar orientações mais à direita que vai conseguir mais votos».

Erro táctico? Nem por isso... O problema do PSD é um problema de IDENTIDADE, de um ADN que não corresponde aos sues quadros, nem estes ao seu tecido social... Mas não está só... O PS também já andou perdido e nos últimos 4 anos afastou-se um pouco da sua matriz social, o PP pouco ou nada tem de comum como CDS, o BE não tem, hoje por hoje, identidade. O PCP (via CDU) é hoje o único partido em que teoria e prática, quadros e votantes, são no essencial coincidentes...

O PSD é um partido que se posiciona num arco de centro que vai da esquerda moderada - centro (social democracia europeia sempre se posicionou aí, e o Programa de Sá Carneiro é aí que se situa, com os toques de liberalismo económico de um programa "burguês" e "empresarial" a colocá-lo de facto praticamente no centro do espectro político) até ao centro-direita (conservadorismo moderado, em que Mota Amaral representaria o ponto mais à direita do PSD), passando pelo centro direita e direita das alas liberais do PSD (de que Balsemão foi o primeiro rosto... mas em que Santana ou Passos Coelho representam hoje outras variantes)

E se tem como aliado natural, no dizer da maioria dos seus quadros... o PP de Paulo Portas (em termos idológicos é óbvio que o aliado natural do PSD é o PS, com o qual tem largas áreas de sobre-psoição seja em termos ideológicos seja em termos programáticos e de votantes...), e se faz dessa "aliança natural" uma declaração pública (MFL também a fez, ao dizer "bloco central jamais" e ao afirmar-se contra diversas bandeiras da esquerda de hoje (direitos dos homossexuais, eutanásia, etc.)... então o PSD de hoje indica ao eleitorado pender para a direita (deixando então ao PS um espaço grande ao centro)...

Potenciais candidatos futuros: Pedro Passos, Rui Rio, Morais Sarmento. Menos prováveis mas a considerar: Paulo Rangel e Aguiar Branco. Mais dificilmente: Marcelo, Alberto João, Santana Lopes ou Marques Mendes.

2009-08-06

PSD, as listas e a liderança... (act. 6.Ago)

Manuela Ferreira Leite cometeu nos últimos dias alguns erros graves, prejudicando o PSD e... o país... Creio que deles se virá a arrepender.

Desde há uns dias, o PS entrou "em Férias". O PSD tem o protagonismo mediático que tanto exigiu e solicitou.
Aproveitamento? Negativo.
Porquê?

1. Ao apostar na "VERDADE" e na "RENOVAÇÃO" comos traves mestras da sua campanha (dos motes dos cartazes ao "Portugal de Verdade"...), MFL chama a si o tipo de conduta política que os Portugueses mais sentem precisar - dada a alargada descrença no Estado e na classe política e no sistema judicial - MAS, a partir do momento em que o anuncia, impõe a si mesma e ao PSD a necessidade de ser... exemplar...

2. Ora, para quem se diz representar a renovação e a verdade, as politiquices não são admissíveis... O show de politiquice interna na elaboração de listas e as fracturas internas, que se contrapõem à falta de um programa digno desse nome, dão do PSD uma imagem de um partido com ainda mais politiquice do que o PS... Se a grande crítica ao PS é a "tomada do Estado" pelo partido, a imagem que fica é que será ainda pior se for o PSD a formar o próximo governo...
Pior ainda: este processo passou para a opinião pública a ideia de um partido em que RENOVAÇÃO é o que não há (maioria das escolhas "novas" são ex-líderes PSD do período Cavaquista... e "filhos de") e em que critérios éticos defendidos (como a questão dos candidatos não serem arguidos) caem por terra na primeira lista a elaborar... Ou seja: em que VERDADE é um "mote" mas não mais do que isso, numa espécie de invocação vã de algo tão caro aos Portugueses, que dela sentem andar tão carenciados, e num tiro que mina a sua credibilidade!

3. Outra dimensão importante para os Portugueses é a confiança. Para tal, entre outros eixos importantes, está o da governabilidade. Logo, de PS e/ou de PSD, os eleitores exigem que demonstrem coesão e abrangência. Ora os últimos dias, os tais em que o PSD teve o protagonismo mediático mostram bem as clivagens internas, de um partido com demasiadas vozes, em que cada um tem a sua própria agenda (qual a necessidade de Marques Mendes falar nesta altura, levantando mais uma polémica, com a exclusão de arguidos de todas as listas?), e com uma chefia autoritária e não democrática... Ou seja, o PSD mostrou que tem menos condições de ser governo do que o PS, por ser menos coeso e conviver menos bem com diferenças internas (apesar de tudo PS alia-se a Roseta e Sá Fernandes, convida e elogia Alegre, que mantém o seu peso e mantém-e no partido...).

4. As conclusões mais importante a retirar destas exclusões são, porém, ainda mais devastadoras:
i) Ao afastar Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas, MFL está a afirmar que 31,5% dos votantes das últimas eleições internas não merecem ter representação parlamentar... Significa que parte do seu partido não tem qualidade?
ii) ao afastar os representantes maiores dessa parte significativa do seu partido, MFL está a demonstrar mais uma vez a sua veia "não democrática", e de não respeito pelas minorias... e MFL "só" teve 37%, imagine-se que tinha tido mais de 50%...
iii) ela torna público que não perdoa, e que prefere manter um clima de guerra interna a unir o partido... o que fará ao país?
iv) com este passo, e a animosidade criada, ela garante que, se perder, a sua cabeça rolará de imediato, pois nada lhe será perdoado... Ao optar por retirar-se a si mesma qualquer margem de erro, ela demonstra ou desinteresse pelo PSD ou alguma falta de compreensão dos mecanismos de poder (e, se assim for, denota eventual falta de inteligência...)
v) garante ainda que, se ela for afastada da liderança, e dado que o grupo parlamentar corresponderá apenas a uma ala do partido, haverá provelmente uma "guerra" entre Partido e Grupo Parlamenttar... que responderá contra a liderança do partido...
Marcelo, Ribeiro e Castro no CDS-PP, Menezes ou a própria MFL, encontraram esta situação ao ganhar o respectivo partido... foi algo que lhe dificultou e dificulta a vida, mas parece que ela não quis mostrar ter aprendido a lição, antes preferindo a "vendetta" e prejudicando o PSD (se MFL sair, seria do interesse do PSD ter um futuro líder no Parlamento)...
vi) De quem defendeu "a suspensão da democracia por 6 meses" pode sempre levantar-se a questão sobre a sua capacidade de dialogar (e de ouvir os Portugueses, algo que aparece nos cartazes!)... Ao tomar esta opção, MFL reforça a ideia de que, aparentemente, não é mulher de estabelecer pontes e, muito menos, estar aberta a opiniões divergentes, mesmo dentro do seu próprio partido... imagine-se no país!
vii) Todos os estudos e o próprio bom senso mostram que as boas lideranças são as que fogem de um sistema em que líder apenas ouve os "Yes Man" e excluí opositores e todos aqueles que têm ideias diferentes ou que dão sugestões "não alinhadas"... A coesão é importante MAS este método de liderança conduz não só a um certo autismo como a uma limitação muito grande das opções e da própria qualidade da análise, enviesada e cada vez mais distante da realidade... Ora sem boa análise e diagnóstico, é improvável chegar a boas soluções e, sobretudo, chegar às pessoas...

A conclusão parece óbvia: MFL, em nome da coesão do grupo parlamentar (no caso de obter uma vitória) cometeu um erro que irá fazer perder votos ao PSD, baixando as suas hipóteses de ser governo, deu uma imagem de um partido fracturado, e reforça ideia de que não aprende com as lições da história, de que nem sempre é coerente e que tem falta de capacidade de diálogo e de abrangência...

PS: tal como previa acima, há cerca de 24 horas atrás, MFL deu, provavelmente, um tiro no pé, pois não só esmagou a sua margem de erro como lançou uma guerra interna, a curta distância das eleições, que impedirá, provavelmente, uma vaga de fundo laranja, ou sequer uma motivação da "máquina laranja" que era uma das "cartadas fortes" do PSD para tentar a vitória nas legislativas... isto além das consequências que também terá, nas autárquicas!
As notícias sucedem-se, com contestações, trapalhadas, discordâncias mitigadas (dada consciência de risco de impacto eleitoral desastroso que este processo implicará), divisões, confissões, inconfidências e acusações fracturantes... E a única esperança, para o PSD, de a cerca de 50 dias das eleições este cenário não ter impacto significativo e catastrófico nos resultados do partido é... ser entretanto esquecido, dado que maioria dos Portugueses está... "a banhos"...