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2010-02-27

Preocupações...

Um exercício do i, junto de 50 personalidades a quem é colocada a questão: "Confia no Primeiro Ministro?", espelha divisão dos portugueses sobre José socrates e mostra bem o quão estes escândalos e as acusações sobre o Primeiro Ministro - que será o primeiro PM a ter de ir à AR para enfrentar uma Comissão de Inquérito! - fazem o Governo perder tempo e discernimento, energia e, sobretudo, criam divisão no país, quando devíamos estar unidos... É pena... É grave... Que isto aconteça apenas menos de meio ano após eleições e quando a líder do PSD continua a prejudicar seriamente o país, fazendo publicidade negativa junto de empresários (não apenas com declarações públicas, comparando Portugal à Grécia e anunciando as piores desgraças, mas também reforçando tais afirmações em eventos, como o de ontem - um almoço com empresários e investidores actuais e potenciais, em Portugal!)... É realmente grave! É muito elevado o preço que o país paga pela incompetência,má preparação e até falta de bom senso da nossa classe política actual... A questão é saber se como povo o merecemos... Pois em última instância a responsabilidade de cada um e de todos nós... Esperemos que eleições no PSD e vinda do Papa possam acalmar a sociedade Portuguesa, e possamos concentrar-nos no desenvolvimento do país...

PS: Quanto a notícias não menos preocupantes... mas em termos de clima e ambiente, ver aqui (Choque de Icebergs pode alterar correntes oceânicas) e aqui (país em estado de alerta vermelho... ).

2009-07-20

Credibilidade e Política...

O problema da credibilidade da classe política, ou da falta dela, continua a ser uma das peças que explica o afastamento crescente da coisa pública dos Portugueses, contribui para a falta de confiança no Estado e, até, no próprio país e, em alguns casos, justifica o não exercício de direitos de cidadania e até serve para "justificar" condutas eticamente impróprias e pouco desejáveis: "se eles podem, eu também posso"....

Vem isto a propósito do actual estatuto de arguidos de Arlindo Cunha e Dias Loureiro, mas também das acusações mútuas - provavelmente, para mais todas justificadas - de todos os principais partidos: PS, PSD, BE, PP, e o PCP.

Todos têm razão porque, é correcto dizer, como José Sócrates: "O dever de um líder político é fazer propostas e apresentar o seu programa" - e é verdade é que os líderes de todos os partidos da oposição passam bastante mais tempo a criticar do que a propor - excepção, talvez, para o PP, que se tem desdobrado em propostas (mas aí levanta-se, muitas vezes, questões de exequibilidade e de coerência...). O caso mais gritante é o do PSD - como brilhantemente ilustra Ricardo Costa, numa carta que se recomenda... - - o PSD havia prometido apresentar o seu programa no início de Julho mas não o fez, e isso é mais grave quando é um partido que aspira a liderar o próximo Governo e nem esclarece uma questão de âmbito Constitucional e de Regime - levantada por um seu destacado líder... Mas não é menos verdade que após uma legislatura, também está em causa "julgar" a acção dos diferentes partidos e, em especial, daquele que apoiou o Governo. É, e será sempre, este duplo sentido o do voto, em democracia: o de avaliar o passado e de trilhar um caminho para o futuro, na prática, o voto é simultaneamente um julgamento da acção passada - o voto sustenta a continuação do mesmo rumo ou suporta a sua mudança - e uma avaliação das propostas para a próxima legislatura...

Para aumentar a percepção pública de uma classe política sem escrúpulos, e de "faz de conta", vem a questão dos "tachos" (a constituição das famosas listas não é bonita em nenhum partido) o aproveitamento mediático das amizades entre pessoas, políticos, que aparentemente não se suportam - o caso de Jorge Coelho e Dias Loureiro é o mais famoso, mas há outros, eventualmente não menos surpreendentes. Compreende-se bem que amizade e debate político sejam coisas que não devam ser misturadas, mas misturam-se quando esses mesmos políticos tornam debates - que seriam edificantes - de ideias, em discussões sobre personalidade e sobre carácter, e usam linguagem que não é própria entre adversários, quanto mais entre amigos...

A questão de fundo é clara: a falta de mobilidade das elites, que se protegem e perpetuam, barrando acesso a novos grupos, e limitando a sua renovação, ou o refrescar das ideias... E isso é sobretudo visível no PS e no PSD, e até no PP, os partidos do arco da governação (mas acontece também no PCP, de modo diverso). No fundo, é o problema de uma "Aristocacia" que gera uma quase "oligarquia", com problemas de "consanguinidade", como se demonstra agora ter sido um dos maiores problemas das famílias reais Europeias...