Jamie Olivier escreve sobre... o Porto... e os portuenses :-)
“Sou o moscardo que nunca deixará de vos acordar, de vos admoestar” Sócrates, filósofo Grego e Universal, inspiração deste blog de ÉTICA, CIDADANIA e POLÍTICA e que resumiu assim toda a Filosofia: "Só sei que nada sei"
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2011-08-30
2011-08-27
Saúde, Autarquias, Justiça e… a Gestão Pública
Uma notícia/anúncio de Março que, a realmente acontecer, poderia realmente marcar uma diferença para as empresas? Sim, pelo menos para as exportadoras: a devolução imediata dos seus créditos de IVA que foi anunciada, em Março, como tendo início a 1 de Setembro… A notícia carece de confirmação… dentro de dias!
Uma outra notícia, mais recente, é uma entrevista importante, e sobre a qual é importante refletir (sobretudo para os lados do Rato creio que deve ser mesmo lida com atenção)… que pode ser reveladora… Correia de Campos elogia Paulo Macedo, dizendo que poderá ser um excelente Ministro, e aponta o dedo a Manuel Alegre e, pasme-se (!), a António Arnaut (o “pai” do SNS – Serviço Nacional de Saúde) como responsáveis no caso de este ter de ser desmantelado…
Falando ainda de Paulo Macedo, Ministro da Saúde: deverá estar contente com a indicação de um tribunal para que se implementem as receitas por princípio ativo e não por marca… Alguns médicos, as farmacêuticas que fazem investigação e alguns cientistas da área da medicina explicam que isso pode não ser nada bom em termos de saúde pública, sobretudo em algumas doenças e alguns pacientes, mas para os farmacêuticos e para os cofres do Estado pode ser benéfico… O mesmo contentamento de Paulo Macedo e Victor Gaspar com os limites nas deduções de despesas de saúde em sede de IRS e com o anúncio do Ministro da Economia de “cortes históricos”… (já a Ministra da Agricultura, ainda em fase de aprendizagem sobre o que é o sector, segundo a própria, já pede redução de impostos… Contradições?).
A questão da margem de manobra do líder do PSD e deste Governo, e as suas implicações para os resultados da sua acção, é reforçada pela notícia fala do lançamento de obras públicas pelo Governo Regional de Alberto João Jardim logo após declarar-se perto da insolvência… a impunidade garantida pelas vitórias sucessivas na Região Autónoma implica manter sempre as lideranças do PSD reféns… Este sistema tem uma réplica, ainda que mais fraca, ao nível do poder autárquico. Por isso há dúvidas sobre o alcance do “choque administrativo” que Governo promete (suspeita-se do que no final isto irá dar, pois o PSD vive muito do seu poder autárquico pelo que margem de manobra de Passos Coelho é reduzida! E aguardam-se também os cortes ou limitações nos feriados e pontes… que também terão resistência forte, previsível, até da Igreja…).
As autarquias, apesar de cortes no pessoal, parecem incapazes de diminuir despesa e colocar pagamentos em dia - só às Águas de Portugal, Holding pública, as Autarquias devem, alegadamente, 300 milhões de euros!! Saúde e Autarquias parecem, pois, ser os sectores mais críticos para as contas do Estado: 86% das dívidas em atraso do Estado vem dos Hospitais ou das Autarquias
Mas a preocupação com a qualidade da gestão pública em Portugal (mas não só entre nós) é mais lata: notícias como as que explicam como, ainda antes da saída do PS do Governo, fundos de pensões públicos (CGD, …) “salvam” o “campus de justiça” numa medida com pouca racionalidade económica…
Paulo Macedo está ainda na berlinda pois a divulgação de rendimentos do Governo permite concluir que é quem mais dinheiro perdeu ao ir para o Governo, pois era quem mais ganhava entre todos os Ministros… Paulo Portas está no outro extremo, com o menor rendimento em 2010…
Ao nível ainda mais profundo, várias questões mostram como o país é por vezes gerido com falta de visão e inteligência, ou pelo menos parecem levantar sérias dúvidas, legítimas, sobre se não precisamos de líderes novos, com visão mais estratégica e menos tática… Sobre isso escreveremos muito em breve…
Uma outra notícia, mais recente, é uma entrevista importante, e sobre a qual é importante refletir (sobretudo para os lados do Rato creio que deve ser mesmo lida com atenção)… que pode ser reveladora… Correia de Campos elogia Paulo Macedo, dizendo que poderá ser um excelente Ministro, e aponta o dedo a Manuel Alegre e, pasme-se (!), a António Arnaut (o “pai” do SNS – Serviço Nacional de Saúde) como responsáveis no caso de este ter de ser desmantelado…
Falando ainda de Paulo Macedo, Ministro da Saúde: deverá estar contente com a indicação de um tribunal para que se implementem as receitas por princípio ativo e não por marca… Alguns médicos, as farmacêuticas que fazem investigação e alguns cientistas da área da medicina explicam que isso pode não ser nada bom em termos de saúde pública, sobretudo em algumas doenças e alguns pacientes, mas para os farmacêuticos e para os cofres do Estado pode ser benéfico… O mesmo contentamento de Paulo Macedo e Victor Gaspar com os limites nas deduções de despesas de saúde em sede de IRS e com o anúncio do Ministro da Economia de “cortes históricos”… (já a Ministra da Agricultura, ainda em fase de aprendizagem sobre o que é o sector, segundo a própria, já pede redução de impostos… Contradições?).
A questão da margem de manobra do líder do PSD e deste Governo, e as suas implicações para os resultados da sua acção, é reforçada pela notícia fala do lançamento de obras públicas pelo Governo Regional de Alberto João Jardim logo após declarar-se perto da insolvência… a impunidade garantida pelas vitórias sucessivas na Região Autónoma implica manter sempre as lideranças do PSD reféns… Este sistema tem uma réplica, ainda que mais fraca, ao nível do poder autárquico. Por isso há dúvidas sobre o alcance do “choque administrativo” que Governo promete (suspeita-se do que no final isto irá dar, pois o PSD vive muito do seu poder autárquico pelo que margem de manobra de Passos Coelho é reduzida! E aguardam-se também os cortes ou limitações nos feriados e pontes… que também terão resistência forte, previsível, até da Igreja…).
As autarquias, apesar de cortes no pessoal, parecem incapazes de diminuir despesa e colocar pagamentos em dia - só às Águas de Portugal, Holding pública, as Autarquias devem, alegadamente, 300 milhões de euros!! Saúde e Autarquias parecem, pois, ser os sectores mais críticos para as contas do Estado: 86% das dívidas em atraso do Estado vem dos Hospitais ou das Autarquias
Mas a preocupação com a qualidade da gestão pública em Portugal (mas não só entre nós) é mais lata: notícias como as que explicam como, ainda antes da saída do PS do Governo, fundos de pensões públicos (CGD, …) “salvam” o “campus de justiça” numa medida com pouca racionalidade económica…
Paulo Macedo está ainda na berlinda pois a divulgação de rendimentos do Governo permite concluir que é quem mais dinheiro perdeu ao ir para o Governo, pois era quem mais ganhava entre todos os Ministros… Paulo Portas está no outro extremo, com o menor rendimento em 2010…
Ao nível ainda mais profundo, várias questões mostram como o país é por vezes gerido com falta de visão e inteligência, ou pelo menos parecem levantar sérias dúvidas, legítimas, sobre se não precisamos de líderes novos, com visão mais estratégica e menos tática… Sobre isso escreveremos muito em breve…
2011-06-21
Finanças, Economia e Saúde…
Um Ministro é o responsável pela implementação do programa de Governo, na sua área de atuação. Logo, para ter condições de sucesso (o sucesso é o grau de implementação da política definida, votada na AR que por sua vez eleita pelo Soberano, o Povo e, logo, a política de cada área tem uma certa dose de legitimidade), são fatores importantes;
Um CV que promete, o do primo do Francisco Louçã… Aliás, até Vitor Bento e outros, como Medina Carreira, apostam em e elogiam Vitor Gaspar, o novo Ministro das Finanças… que para já tem na área dos medicamentos uma frente de combate séria (40% de fraude), além de empresas públicas falidas mas salários de gestores públicos aumentaram 35% nos últimos 3 anos... Serão oportunidades para quem lia Marx aos 18 mas é intitulado de “falcão liberal” aos 50?
Na saúde teremos alguém que já deu provas de eficácia em cortes de fugas e captação de receitas… no Ministério das Finanças… Paulo Macedo. Num sector que presta bons serviços, genericamente, mas cujos desperdícios são comuns, este perfil de gestor duro e conhecedor (Administrador da Medis…) parece indicado, apesar do risco de vir do maior player privado do sector…
Já na Economia não parece que possamos ser tão optimistas… Não pela competência, inteligência ou simpatia do Ministro… Mas por uma questão de desalinhamento. Há apenas um mês, o novo Ministro mostrou não estar alinhado com programa do Governo. O PSD defende baixar a TSU até 4%, e gradualmente (Portas nem sequer 4% defende, achando exagerado), já a ideia do novo ministro é radicalmente diferente: descida de 10 a 15% da Taxa Social Única, como política de choque e animação imediata, com foco no emprego, mesmo que isso prejudique ainda mais as contas públicas… Este simples desalinhamento já torna esta escolha de enorme risco: ela marca uma completa diferença na abordagem ao crescimento económico e aos instrumentos de animação da atividade e do emprego. Logo, temos divergências de fundo, não apenas de forma. Ora a nova pasta da Economia é responsável: por animar economia e o tecido empresarial, pelo emprego, pelos sub-sectores Indústria, Comércio, Turismo, Serviços, Transportes, Energia e Telecomunicaçöes, além da gestão do QREN e outros incentivos públicos e pelas obras públicas... Seria uma tarefa hercúlea, senão descabida, para um político experiente. Agora imagine-se para alguém que está fora há vários anos, não conhece o nosso tecido empresarial de modo direto (conhece-o, e bem do ponto de vista académico mas não parece conhecê-lo “no terreno”), vive no Canadá, é académico e não conhece meandros da política (agora, fundamental para ter apoio na AR, mas também para negociar com autarquias os incentivos; mas também desconhece “máquina” do funcionalismo e mecanismos dos incentivos… e também desconhece, penso, empresários, sindicalistas, associações empresariais… Tinha tudo para ser um grande consultor, não se lhe conhecem as competências políticas (e este é um cargo político, ou seja, de decisões que devem ser fundamentadas, mas são políticas) nem as de gestão, para ser Ministro, pelo menos nesta fase da sua vida… Espero enganar-me...
- alinhamento com programa global do Governo
- alinhamento com programa sectorial do Governo que lhe cabe
- conhecimento da sua área de atuação
- capacidade de mobilizar agentes e parceiros do sector para as suas políticas
- capacidade de negociação política, dentro e fora dos partidos que apoiam na AR o Governo de que faz parte o dito Ministro
- capacidade de liderança da equipa próxima (Secretário de Estado, assessores e consultores, etc.) mas também de equipa mais lata (colaboradores e funcionários do Ministério respectivo), bem como dos agentes do sector e dos cidadãos co-envolvidos direta ou indiretamente
- capacidade de comunicação para transmitir aos cidadãos e aos stakeholders diretos e indiretos as suas ideias e explicar as suas medidas, de modo a ter o seu aval renovado
- Experiência profissional relevante, de preferência na área, pelo menos em parte (critério que não parece ser obrigatório).
Um CV que promete, o do primo do Francisco Louçã… Aliás, até Vitor Bento e outros, como Medina Carreira, apostam em e elogiam Vitor Gaspar, o novo Ministro das Finanças… que para já tem na área dos medicamentos uma frente de combate séria (40% de fraude), além de empresas públicas falidas mas salários de gestores públicos aumentaram 35% nos últimos 3 anos... Serão oportunidades para quem lia Marx aos 18 mas é intitulado de “falcão liberal” aos 50?
Na saúde teremos alguém que já deu provas de eficácia em cortes de fugas e captação de receitas… no Ministério das Finanças… Paulo Macedo. Num sector que presta bons serviços, genericamente, mas cujos desperdícios são comuns, este perfil de gestor duro e conhecedor (Administrador da Medis…) parece indicado, apesar do risco de vir do maior player privado do sector…
Já na Economia não parece que possamos ser tão optimistas… Não pela competência, inteligência ou simpatia do Ministro… Mas por uma questão de desalinhamento. Há apenas um mês, o novo Ministro mostrou não estar alinhado com programa do Governo. O PSD defende baixar a TSU até 4%, e gradualmente (Portas nem sequer 4% defende, achando exagerado), já a ideia do novo ministro é radicalmente diferente: descida de 10 a 15% da Taxa Social Única, como política de choque e animação imediata, com foco no emprego, mesmo que isso prejudique ainda mais as contas públicas… Este simples desalinhamento já torna esta escolha de enorme risco: ela marca uma completa diferença na abordagem ao crescimento económico e aos instrumentos de animação da atividade e do emprego. Logo, temos divergências de fundo, não apenas de forma. Ora a nova pasta da Economia é responsável: por animar economia e o tecido empresarial, pelo emprego, pelos sub-sectores Indústria, Comércio, Turismo, Serviços, Transportes, Energia e Telecomunicaçöes, além da gestão do QREN e outros incentivos públicos e pelas obras públicas... Seria uma tarefa hercúlea, senão descabida, para um político experiente. Agora imagine-se para alguém que está fora há vários anos, não conhece o nosso tecido empresarial de modo direto (conhece-o, e bem do ponto de vista académico mas não parece conhecê-lo “no terreno”), vive no Canadá, é académico e não conhece meandros da política (agora, fundamental para ter apoio na AR, mas também para negociar com autarquias os incentivos; mas também desconhece “máquina” do funcionalismo e mecanismos dos incentivos… e também desconhece, penso, empresários, sindicalistas, associações empresariais… Tinha tudo para ser um grande consultor, não se lhe conhecem as competências políticas (e este é um cargo político, ou seja, de decisões que devem ser fundamentadas, mas são políticas) nem as de gestão, para ser Ministro, pelo menos nesta fase da sua vida… Espero enganar-me...
2011-02-19
Ele há cada novidade :-)
Etiquetas:
lifestyle,
saúde,
sexual,
Tecnologia,
TED
2011-02-09
nós por cá....
Cavaco Silva cumpriu e implenta já, mesmo ainda durante o primeiro mandato, a sua magistratura activa... Vetou um diploma do Governo pela primeira vez, proibindo farmácias de mudar receita médica, vendendo pela substância activa e não pelo nome do medicamento.
Analisemos a posição dos "participantes":
- Os médicos perderiam o poder de prescrição (ou, numa tradução livre, perder o controle sob escolha do cliente final, o paciente). Com isso seriam conselheiros mas não seriam os verdadeiros decisores. Ou seja: deixariam de ser decisivos na escolha. Por um lado perdiam controle sobre cura, mas também perdiam boa parte da sua atractividade perante farmacêuticas... diminuindo provavelmente as suas benesses que daí derivam (menos viagens ou congressos, menos atenção, menos "formação"...)
- as farmácias ganhariam, por seu lado, o poder de "ir vendendo" o que têm em stock, ganhando flexibilidade de gestão, mas sobretudo passariam a ser decisivos na escolha final do produto, quando agora são meros executores... ganhariam não só nova atenção dos laboratórios como... capacidade negocial junto dos laboratórios e distribuidores!
- os laboratórios/as farmacêuticas têm muito a perder... não só porque peso dos genéricos aumentaria, como teriam de ceder nas margens às farmácias, teriam de ter promoção de ponto de venda (!), como o elo que têm com os médicos teriam menos impacto - a prescrição deixaria de significar a compra! - e obrigá-los-ia a dispersar os orçamentos que hoje dedicam à "informação médica" já não só pelos médicos como também pelos directores técnicos e mesmo outros técnicos das farmácias!
- o Estado tem muito a ganhar, pois genéricos subiriam, e com isso o deficit da saúde... Aliás as medidas que o governo tem tomado vão todas no sentido da redução da despesa do SNS, sobretudo via comparticipação medicamentosa
Não estranhamente: os médicos e os laboratórios são muito contra, as farmácias a favor... Por ora Cavaco vetou, tendo sido mais sensível aos argumentos dos médicos...
PS: Já a Igreja parece aprovar o smart-confessionário móvel... enquanto parece que nada de essencial muda... nem na JS nem nos municípios! Um miúdo de 26 anos com salário acima de professor universitário doutorado ou de um juiz...
Analisemos a posição dos "participantes":
- Os médicos perderiam o poder de prescrição (ou, numa tradução livre, perder o controle sob escolha do cliente final, o paciente). Com isso seriam conselheiros mas não seriam os verdadeiros decisores. Ou seja: deixariam de ser decisivos na escolha. Por um lado perdiam controle sobre cura, mas também perdiam boa parte da sua atractividade perante farmacêuticas... diminuindo provavelmente as suas benesses que daí derivam (menos viagens ou congressos, menos atenção, menos "formação"...)
- as farmácias ganhariam, por seu lado, o poder de "ir vendendo" o que têm em stock, ganhando flexibilidade de gestão, mas sobretudo passariam a ser decisivos na escolha final do produto, quando agora são meros executores... ganhariam não só nova atenção dos laboratórios como... capacidade negocial junto dos laboratórios e distribuidores!
- os laboratórios/as farmacêuticas têm muito a perder... não só porque peso dos genéricos aumentaria, como teriam de ceder nas margens às farmácias, teriam de ter promoção de ponto de venda (!), como o elo que têm com os médicos teriam menos impacto - a prescrição deixaria de significar a compra! - e obrigá-los-ia a dispersar os orçamentos que hoje dedicam à "informação médica" já não só pelos médicos como também pelos directores técnicos e mesmo outros técnicos das farmácias!
- o Estado tem muito a ganhar, pois genéricos subiriam, e com isso o deficit da saúde... Aliás as medidas que o governo tem tomado vão todas no sentido da redução da despesa do SNS, sobretudo via comparticipação medicamentosa
Não estranhamente: os médicos e os laboratórios são muito contra, as farmácias a favor... Por ora Cavaco vetou, tendo sido mais sensível aos argumentos dos médicos...
PS: Já a Igreja parece aprovar o smart-confessionário móvel... enquanto parece que nada de essencial muda... nem na JS nem nos municípios! Um miúdo de 26 anos com salário acima de professor universitário doutorado ou de um juiz...
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