“Sou o moscardo que nunca deixará de vos acordar, de vos admoestar” Sócrates, filósofo Grego e Universal, inspiração deste blog de ÉTICA, CIDADANIA e POLÍTICA e que resumiu assim toda a Filosofia: "Só sei que nada sei"
2011-12-18
O convite à emigração
É verdade que, só nos últimos três meses, e só para o Brasil, partiram quase 50 mil portugueses. É verdade que muitos portugueses, qualificados e não qualificados, perante as expectativas negras em termos de emprego e de negócios, estão a emigrar.
Mas que o Governo, já não apenas através de Ministros mas até pela voz do Primeiro Ministro, proponha aos seus cidadãos que vivem no país que Governa -- porque se candidatou a assumir essa responsabilidade - que emigrem, é algo que merece séria reflexão.
Este "convite" marca o fim da política. Esta sugestão, na voz de um líder do Governo, significa que Passos Coelho e o Governo que dirige assumem publicamente a sua incapacidade de propor soluções, e a sua descrença no país. Se Passos ‘convida’ professores desempregados a emigrar, então deveria demitir-se...
Nenhum país, nenhuma nação, nenhuma população aceita sacrifícios sem horizonte de esperança. E é isso que Passos Coelho assume não existir... apagou de vez a "luz ao fim do tunel", mesmo quando, um pouco "à Sócrates" já vaticina crescimento em 2013 e já promete queda de impostos em 2015
Ora:um Primeiro Ministro que, há dias, admitia que nenhum esforço adiantaria se situação Europeia não evoluir favoravelmente - algo em que tem razão - sabe também que estas profecias positivas são mera demagogia... Pior: os Portugueses já o compreenderam, e não se "animam" perantes estas declrações, pois ouvem promessas de "fim da crise" de governantes há 3 anos de modo contínuo... E no dia seguinte novos pedidos de austeridade e manifestações de dúvida..
Falta em definitivo um caminho...
PS: até Marcelo afirma "Portugueses não querem primeiro-ministro que lhe diga "emigrem para o estrangeiro"
2011-07-09
O novo governo: Miguel Morgado sobre Cidadania
Miguel Morgado, que conheço bem, é um indivíduo de uma craveira intelectual e cultural invulgar. É sensato e generoso. Idealista mas também fortemente ligado à realidade. Penso ser uma óptima escolha para assessor político de Pedro Passos Coelho.
Já este senhor… não parece tão boa ideia... pelo simples de não ser propriamente "alinhado" (não se defendem "yes man", mas ....há limites)
Quanto ao Ministro de Educação, aqui fica mais um artigo sobre um homem que poderá, se implementar o seu pensamento sobre educação, revolucionar o sector, um dos mais críticos para o país...
2011-06-22
Nuno Crato dixit… sobre Educação!
“O Ministério da Educação não deve fazer programas…”
“…desencadeou-se uma guerra com que ninguém lucra. [o que é preciso não é vergar os professores"], o que é preciso fazer é corrigir os erros que durante décadas foram cometidos pelo Ministério da Educação, pelo Ministério dirigista que temos tido”… (9:20)
“Governo teve coragem de afrontar os professores. Mas não teve coragem de implementar um exame de admissão na profissão, que prometeu. Espero que o faça. Um exame de entrada na profissão para os professores é uma medida simples e decisiva” (12:45)
“Acabar com o Ministério da Educação e constituir um Ministério pela Educação” (13:30) “Acabar com o ME que tenha a Educação como a sua pertença. E deve haver ME que tenha a Educação como seu objectivo, mais ligeiro, com mais liberdade para as Escolas e não aborreça os professores com coisas secundárias que faça apenas o que um ME em Portugal há muito não tem coragem de fazer: traçar metas e avaliar os Resultados. É só isso que nós precisamos…” (15:00)
Pois bem... Sr Ministro... e agora?
Temos 4 anos para medir a sua capacidade de concretização e de manter a coerência... Pelos critérios de sucesso apontados no post anterior (implementar e executar as políticas apresentadas no Programa do Governo)...
Promete….
2011-06-21
Finanças, Economia e Saúde…
- alinhamento com programa global do Governo
- alinhamento com programa sectorial do Governo que lhe cabe
- conhecimento da sua área de atuação
- capacidade de mobilizar agentes e parceiros do sector para as suas políticas
- capacidade de negociação política, dentro e fora dos partidos que apoiam na AR o Governo de que faz parte o dito Ministro
- capacidade de liderança da equipa próxima (Secretário de Estado, assessores e consultores, etc.) mas também de equipa mais lata (colaboradores e funcionários do Ministério respectivo), bem como dos agentes do sector e dos cidadãos co-envolvidos direta ou indiretamente
- capacidade de comunicação para transmitir aos cidadãos e aos stakeholders diretos e indiretos as suas ideias e explicar as suas medidas, de modo a ter o seu aval renovado
- Experiência profissional relevante, de preferência na área, pelo menos em parte (critério que não parece ser obrigatório).
Um CV que promete, o do primo do Francisco Louçã… Aliás, até Vitor Bento e outros, como Medina Carreira, apostam em e elogiam Vitor Gaspar, o novo Ministro das Finanças… que para já tem na área dos medicamentos uma frente de combate séria (40% de fraude), além de empresas públicas falidas mas salários de gestores públicos aumentaram 35% nos últimos 3 anos... Serão oportunidades para quem lia Marx aos 18 mas é intitulado de “falcão liberal” aos 50?
Na saúde teremos alguém que já deu provas de eficácia em cortes de fugas e captação de receitas… no Ministério das Finanças… Paulo Macedo. Num sector que presta bons serviços, genericamente, mas cujos desperdícios são comuns, este perfil de gestor duro e conhecedor (Administrador da Medis…) parece indicado, apesar do risco de vir do maior player privado do sector…
Já na Economia não parece que possamos ser tão optimistas… Não pela competência, inteligência ou simpatia do Ministro… Mas por uma questão de desalinhamento. Há apenas um mês, o novo Ministro mostrou não estar alinhado com programa do Governo. O PSD defende baixar a TSU até 4%, e gradualmente (Portas nem sequer 4% defende, achando exagerado), já a ideia do novo ministro é radicalmente diferente: descida de 10 a 15% da Taxa Social Única, como política de choque e animação imediata, com foco no emprego, mesmo que isso prejudique ainda mais as contas públicas… Este simples desalinhamento já torna esta escolha de enorme risco: ela marca uma completa diferença na abordagem ao crescimento económico e aos instrumentos de animação da atividade e do emprego. Logo, temos divergências de fundo, não apenas de forma. Ora a nova pasta da Economia é responsável: por animar economia e o tecido empresarial, pelo emprego, pelos sub-sectores Indústria, Comércio, Turismo, Serviços, Transportes, Energia e Telecomunicaçöes, além da gestão do QREN e outros incentivos públicos e pelas obras públicas... Seria uma tarefa hercúlea, senão descabida, para um político experiente. Agora imagine-se para alguém que está fora há vários anos, não conhece o nosso tecido empresarial de modo direto (conhece-o, e bem do ponto de vista académico mas não parece conhecê-lo “no terreno”), vive no Canadá, é académico e não conhece meandros da política (agora, fundamental para ter apoio na AR, mas também para negociar com autarquias os incentivos; mas também desconhece “máquina” do funcionalismo e mecanismos dos incentivos… e também desconhece, penso, empresários, sindicalistas, associações empresariais… Tinha tudo para ser um grande consultor, não se lhe conhecem as competências políticas (e este é um cargo político, ou seja, de decisões que devem ser fundamentadas, mas são políticas) nem as de gestão, para ser Ministro, pelo menos nesta fase da sua vida… Espero enganar-me...
2011-02-14
Há ou não uma reforma do Estado em curso?
As questões:
- será que falamos dos cargos de nomeação?
- será que são cortes para permanecer?
- será que não inviabilizam o funcionamento das unidades onde vão ocorrer?
- há um plano geral ou estamos perante medidas avulso? Parece…
2011-02-10
Recuos: afinal não há OPAs... Nem OPArt ... Nem Censura...
Também o BE recuou na sua vontade de derrubar o governo... ou pelo menos criou as condições para que tal não aconteça...
2011-02-09
nós por cá....
Analisemos a posição dos "participantes":
- Os médicos perderiam o poder de prescrição (ou, numa tradução livre, perder o controle sob escolha do cliente final, o paciente). Com isso seriam conselheiros mas não seriam os verdadeiros decisores. Ou seja: deixariam de ser decisivos na escolha. Por um lado perdiam controle sobre cura, mas também perdiam boa parte da sua atractividade perante farmacêuticas... diminuindo provavelmente as suas benesses que daí derivam (menos viagens ou congressos, menos atenção, menos "formação"...)
- as farmácias ganhariam, por seu lado, o poder de "ir vendendo" o que têm em stock, ganhando flexibilidade de gestão, mas sobretudo passariam a ser decisivos na escolha final do produto, quando agora são meros executores... ganhariam não só nova atenção dos laboratórios como... capacidade negocial junto dos laboratórios e distribuidores!
- os laboratórios/as farmacêuticas têm muito a perder... não só porque peso dos genéricos aumentaria, como teriam de ceder nas margens às farmácias, teriam de ter promoção de ponto de venda (!), como o elo que têm com os médicos teriam menos impacto - a prescrição deixaria de significar a compra! - e obrigá-los-ia a dispersar os orçamentos que hoje dedicam à "informação médica" já não só pelos médicos como também pelos directores técnicos e mesmo outros técnicos das farmácias!
- o Estado tem muito a ganhar, pois genéricos subiriam, e com isso o deficit da saúde... Aliás as medidas que o governo tem tomado vão todas no sentido da redução da despesa do SNS, sobretudo via comparticipação medicamentosa
Não estranhamente: os médicos e os laboratórios são muito contra, as farmácias a favor... Por ora Cavaco vetou, tendo sido mais sensível aos argumentos dos médicos...
PS: Já a Igreja parece aprovar o smart-confessionário móvel... enquanto parece que nada de essencial muda... nem na JS nem nos municípios! Um miúdo de 26 anos com salário acima de professor universitário doutorado ou de um juiz...
2011-02-06
Passos Coelho imita Guterres?
Numa altura em que Marco António relembra Guterres, também Passos Coelho (será o ano dele?) toma iniciativas que relembram o actual Alto Comissário dos Refugiados... PSD prepara governação em debates com personalidades. A seguir com muito interesse...
(ainda a nível da política interna... uma notícia que também pode revelar "procedimentos preparatórios": António Costa muda-se para o Intendente de forma a combater o estigma que afecta aquela zona...)
2011-01-27
Nós por cá… gente pequena???
Cavaco parece ser um homem capaz de gerar empatia com uma boa parte dos Portugueses, por ser um “homem do povo”, sem sofisticação aparente… O facto de ser pouco culto ou de ser muito “terra a terra”, acaba por ser uma vantagem eleitoral clara!
Mas, na campanha eleitoral, não esteve sozinho… nos momentos baixos…
Manuel Alegre, com um discurso desfazado do tempo, com o “nós ou eles” (o momento não é para dividir o país, muito menos para falar em em “combate de morte” para mais… “pela democracia”!!!!!)
Fernando Nobre, aqui e ali, com demagogia que não precisava.
Defensor Moura, que nem felicitar o vencedor foi capaz….
E os discursos de Cavaco… tristes, pobres e lamentáveis. Tal como muitas das suas explicações para algums ligações “perigosas” que terá mantido e que lhe terão, para mais, sido proveitosas…
E a primeira grande falha num dia eleitoral, desde a Revolução?? Num processo que só contríbuiu para uma abstenção enorme, mas que ninguém sabe qual é…
E a “fome de poder” de Portas, pouco importado sobre os custos que esse apetite público e voraz pode ter nos mercados e, logo, nos bolsos de todos os portugueses?
E a felicidade dos governantes porque conseguimos financiar-nos a 7% (para um país que cresce entre –1 e + 1%… significa que ficaremos 7% mais pobres!!) ou porque este ano – mesmo com todos os PECs – a despesa cresceu menos?!? (sim, não baixou, apenas cresceu menos!). O que ninguém diz: desde 1985 que a despesa pública portuguesa nunca desceu, em nenhum ano!! Somos o único, repete-se, o ÚNICO país da UE com tal registo! É óbvio que um dia…
Três décadas de boycracia. Em Portugal nunca faltaram jobs (I online)
Governo: Não há razões para demitir gestores públicos | Económico
Será este o país que merecemos, em que é difícil dizer se a crise de valores, de referências, de espíritos, de liderança, é ainda maior que a crise financeira e económica…. ?
- Porque fez Cavaco um discurso vingativo? - Política - PUBLICO.PT
- Cavaco disse à PIDE que estava “integrado” no salazarismo
- As polémicas sobre a casa de férias de Cavaco Silva continuam
- Casa de férias de Cavaco afinal valia mais 81 mil euros do que a antiga
- Director da Administração Eleitoral propôs aviso aos eleitores mas processo ficou a meio - Política - PUBLICO.PT
- PSD critica ambições de Portas- Política - Jornal de negócios online
- Público - Portas defende nova AD, PSD fica em silêncio
- (In)comparavelmente melhor- A Escolha do Editor - Jornal de negócios online (excelente “Aula” do Secretário de Estado. Excepto numa coisa: o tom de “contentamento”…)
- IOL - Presidenciais: derrota de Alegre custa-lhe também meio milhão de euros
- Televisões apostam em projecções e comentadores na noite eleitoral - Notícias SAPO - Especial Eleições Presidenciais 2011
- Público - O que nos falta experimentar? Políticos e eleitores exigentes
- Crise/Euro Rating da Grécia cortado para junk Fitch - Visao.pt
2009-10-26
Uma nova fase de... Continuidade
Hoje tomam posse os Ministros, no Sábado os Secretários de Estado.
Energias renováveis e internacionalização são as prioridades que continuam e, nesta, e mais uma vez, Espanha.
A este propósito cabe destacar também o 1º Congresso do Noroeste Peninsular. Centrado nas questões das fusões, aquisições e parcerias entre empresas da Galiza e do Norte de Portugal para abordagens a mercados externos (Africa, America de Sul, sobretudo). Alberto Nunez Feijo - Presidente do Governo Regional da Galiza, Carlos Lage - presidente da CCDR-N, António Nogueira Leite, Daniel Bessa, Mira Amaral, Ângelo Correia, e diversos empresários, espanhois e portugueses fazem parte do leque de oradores).
No site do Congresso podem obter-se todas as informações, e há inscrições também aqui.
Parece séria a questão sobre os mecanismos que permitem desorçamentação de despesas e obras públicas, através de PPP (Parcerias Público-Privadas) e do uso das empresas públicas como a Refer ou a Estradas de Portugal, que podem minar sustentabilidade do Estado no futuro: "As agências de 'rating', que influenciam de forma decisiva o custo do crédito para Portugal, conhecem estes valores e já reviram em baixa a classificação do país como devedor." .
Estranhamente parece que uma das questões mais importantes e prioritárias será... o casamento gay, que promete dividir algumas bancadas...
2009-10-23
Governo novo... e não só...
Entradas - várias caras novas (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, na educação - talvez a mais importante e arriscada das novidades), sobretudo mulheres -, e saídas, como é normal...
Entretanto, só haverá directas no PSD após o Debate Orçamental, anunciou MFL, no que foi apoiada pelo Partido, de um modo geral: significa isso abster-se/votar a favor ou gerar crise institucional (e eventuais novas eleições)?
Assunto mais sério: GF Esmiúça os Sufrágios termina... hoje, com 3 jornalistas como convidados! Dada gravidade da situação, é URGENTE a assinatura da petição a favor da continuidade, regresso rápido ou outra fórmula que permita assegurar este serviço público bem disposto!
2009-10-20
Presidência e Governo
Isto enquanto os nomes do novo Governo , que não deverá ter uma moção de confiança, devem ser do conhecimento público muito em breve...