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2009-10-29

Estado da Nação...

O PR voltou ao apoio e cooperação estratégica (num discurso proferido antes de saber que José Junqueira ia a Secretário de Estado...)
O
PS re-arruma-se... enquanto se desenha a dança de cadeiras, que teve um novo episódio público com a definição dos Secretários de Estado de 37 pastas (a 38ª, a da Estado da Presidência do Conselho de Ministros já tinha sido tratada) ... Enquanto vai pensando nos cenários face a propostas dos "activos" CDS e BE (incluindo casamentos gay e alterações aos apoios sociais), e os assessores, novos e velhos, vão desenhando o Programa de Governo...
O PSD está em reflexão
interna... e vai fazendo "oposição séria e responsável".
CDS e BE estão muito activos, querendo o protagonismo na AR, com iniciativas que obriguem PS a decidir-se, e marquem agenda, empurrando PSD e PS (no caso do CDS-PP) e PS e CDU (no caso do BE) para posições defensivas e de re-acção.
Descidas de impostos, casamentos gay, avaliação de professores e outros temas "quentes"
CDU segue seu rumo normal. PCP pretende ter papel visível na aprovação de apoios sociais para capitalizar politicamente. Os Verdes também lançam
importantes temas.

São por isso precisos uns casos para animar o fluxo noticioso :-) "Felizmente" surgiram as buscas de hoje, envolvendo
Armando Vara como arguido (num caso que promete arrastar-se por alguns anos...e que no fim absolverá a maior parte daqueles que vierem a ser levados a tribunal?)... Haja esperança para media... Falta saber se haverá para o país...

2009-10-14

Governabilidade: o papel central do PSD

A posição do PSD é a chave da Governabilidade.
Concordo (e aliás até já coloquei dois posts sobre o assunto) que MFL e Pacheco Pereira estão a disparatar ainda mais ao defenderem uma oposição sistemática...
Mas a verdade MATEMÁTICA é que o PS e a Governabilidade, precisa:
1. do VOTO a favor do CDS-PP.
2. do VOTO a FAVOR de pelo menos um de BE ou CDU e Abstenção do OUTRO
3. Da ABSTENÇÃO do PSD... (sim, basta que se abstenha pois PS é maior do que todos os outros juntos, tal como aliás o "derrotado" PSD...)
Por ser necessária a sua mera ABSTENÇAO e ser, não por acaso, o partido mais próximo do PS (se considerarmos o PS de Sócrates então, são partidos ideologicamente sobrepostos - como também já explicado neste blog - o que, aliás, justifica em parte o desnorte do PSD, pois a sua ala social-democrata está sem espaço no quadro político actual... e a sua ala mais liberalizante está a pedir para definitivamente assumir o PSD como Partido Liberal, mais PPD, menos PSD...), a solução mais simples, matemática e politicamente, é por aqui.

Acresce ainda que se PSD mandar um Governo abaixo (votando ou propondo uma moção de censura, ou nem permitindo o Programa de Governo), será fortemente penalizado nas eleições subsequentes... E o partido sabe disso, e por muito que MFL e PP, cujas carreiras não dependem disso (porque estão a acabar...), o partido não deixará que o façam... Um partido como o PSD, um partido do arco do poder, não deixará uma líder "moribunda" e "a prazo curto", abrir as portas de uma hpotética maioria absoluta do PS novamente! Ela sabe-o. Por isso as declarações de MFL são bluff interno.

Ou seja: a verdadeira solução de Governabilidade (orçamento, moções de censura, etc.) passa pela Abstenção do PSD, mais do que qualquer outra coisa! A solução em termos de outras medidas será "caso-a-caso" mas, mais uma vez, com um PSD colaborante, como defende Marcelo, e não só, o país pode avançar sem sobressaltos até 2011, algo que nunca será possível com CDS-PP, BE e CDU...

A a outra solução de Governabilidade que se poderia defender estável é o CDS-PP. Ou seja: PP, Paulo Portas... MAS:
1. Portas já tirou o tapete a Marcelo...
2. Portas está tão bem com 21 deputados é duvidoso que queira eleições em breve... MAS é sempre imprevisível...
3. Portas sabe que pode entrar no governo pela mão do PSD, e se sentir num dado momento que PSD pode ganhar umas eleições.... não hesitará em mandar Governo do PS abaixo... não o apoiando (ao CDS basta não votar a favor e Governo caí, se PSD não o "segurar")... Sobretudo se for em 2011 ou mais à frente...
4. Para Portas, a questão chave é.... pois... a força do PSD e da sua liderança... Ou seja: da situação interna do PSD depende se Portas e o CDS-PP tem ou não interesse em deixar cair o Governo...

Por isso defendo que a chave do que se passará nos próximos 16 meses (período até termos novo Presidente) passa mais pelo debate interno do PSD do que por qualquer outra coisa...
E acredito, ainda, que pode ser esta uma oportunidade de clarificação do sistema político português - ainda que não acredite que venha a ser aproveitada, pois muitos membros do PSD sabem que uma transformação em partido liberal de direita pode quase perpetuar o PS no poder, pois ficar-lhe-ia nas mãos todo o "centro" político...

PS: Um
ponto de situação do jornal i... O Moscardo acredita que as coisas, porém, estão mais decididas do que aqui se diz (não haverá qualquer coligação e a maioria, senão a totalidade, dos Ministros está já escolhida e convidada informalmente...). Veremos.

[Actualização 23h30: como se previa, o PP será oposição MAS não está disponível para votar moções que causem queda do governo pois para Paulo Portas só há duas soluções melhores que um grupo parlamentar de 21 deputados... ou o CDS-PP no Governo ou o cumprimento de uma vida: a fusão dos partidos... para que ele mesmo, Paulo Portas, possa ser líder do PSD um dia...]

2009-09-24

Uma curiosidade...

Ao fim de 179 votos na sondagem deste blog, há uma clara sobre-representação dos votos brancos, MEP e outros pequenos partidos, que atingem 15,5%. Corrigindo este "grupo" para 5,16% (+/- 5% em eleições anteriores), obtêm-se para o "quinteto" resultados curiosos:

  • PS: 38,71%
  • PSD: 30,97%
  • BE: 10,32%
  • CDS-PP: 8,39%
  • CDU: 6,45%

Ou seja: este blog parece ter leitores quase-tão-representativos como as amostras das sondagens :-) , pois seus resultados são com eles coincidentes, apesar amostra muito mais reduzida!

Já agora uma nota: a sondagem da CESOP-UCP, de acordo com a ficha técnica disponibilizada pelo Pedro Magalhães, no blog de verdadeiro serviço público que é o Margens de Erro, indica mais 4367 inquéritos validados! É uma sondagem com uma amostra extraordinária para a proporção do país. Os seus resultados são validados pelas outras 3 sondagens publicadas nas últimas 24 horas. Se os resultados diferirem destas sondagens... a única conclusão é a de que os Portugueses decidem mesmo no último minuto (o que não seria novidade, dada quantidade de coisas que deixamos para o último minuto :-) ), mas creio que seria mesmo injusto acusar as empresas de sondagens de não tomarem todas as precauções necessárias ou de usarem metodologias inadequadas!

Mais ... últimas... sondagens

CESOP-UCP (RTP/Antena 1) e Intercampus (TVI IOL, Público) indicam resultados muito próximos (aqui indicados já com distribuição de indecisos):

  • PS 38% contra 30% do PSD.
  • Bloco de Esquerda em terceiro (11 e 9%, respectivamente);
  • CDS-PP e CDU "empatados", com vantagem CDS-PP na sondagem da Católica (8% contra 7%), com vantagem da CDU sobre CDS-PP na Intercampus (8,4% contra 7,7%).

As notas mais importantes:

  • clara subida do PS, sobretudo à custa dos indecisos e do BE, como antecipado pelo Moscardo, há quase duas semanas (ver posts com referências aos "papões") - e não graças ao PSD, que se mantém e até aumenta, em algumas das sondagens
  • ainda muitos são os indecisos, que dão como resposta NS/NR, mas mesmo assim são menos do que há uns dias, tal como baixam dados dos brancos e nulos

Mas, sobretudo, as sondagens manifestam preferências e simpatias... As eleições reflectirão decisões e acções, implicam que a essa motivação leva pessoa até ao local de voto, e não apenas simpatias (em que questão vem até à pessoa)... Como dizem, sondagens não ganham eleições...

Faltam Aximagem e Eurosondagem (se repetirem amostra em torno das 2000 pessoas, deverão ser a mais próxima dos resultados finais...)

PS: saiu entretanto Aximagem, com PS nos 36,6% (vitória, mas menor votação), PSD nos 27,5%, BE: 9,2% (menor, mas mantendo 3º lugar) , CDS-PP: 8,1%, CDU: 8%. De notar, porém, que resultados da Aximagem parecem ser apresentados sem distriubição de indecisos pois a soma destes partidos se fica pelos 89%, contra os 95% das demais sondagens. Considerando que os restantes 5% são brancos e nulos e partidos menores, teríamos, para poder comparar:

  • PS: 38,85% (superando ainda as estimativas anteriores, de novo na casa 38%)
  • PSD: 29,19% (de novo na casa dos 29 a 30%)
  • BE: 9,77% (de novo como terceira força, em redor dos 10%, mas perdendo face momento anterior)
  • CDS-PP: 8,60% (superando, aqui, a CDU... E ficando já muito próximo do BE)
  • CDU: 8,49% (será que ficarão realmente como 5ª força)

As últimas... sondagens

A sondagem da Marktest publicada na TSF e no Económico, que dá uma vantagem de mais de 8% ao PS, já detecta o fenómeno que o Moscardo tinha previsto há mais de uma semana: a transferência do BE para o PS como o maior fenómeno numérico a decorrer nas últimas duas semanas e, sobretudo nos últimos dias - e mais será se campanha do PS apontar ao "perigo" de MFL ser Primeira Ministro e sondagens apontarem para esse "risco"... Nesse sentido, as sondagens qe dão maior "margem" ao PS, favorecem... o PSD(!) ao retirarem a ideia de "empate" "do ar"... (e, ao que se sabe, todas as que irão sair nos dois próximos dias darão entre 4 e 9% ao PS).
Este o conjunto de transferências de voto que já era previsível (excelente campanha do CDS e - já esta semana - o episódio das Escutas a
bloquear a campanha do PSD, a impedirem que captação de votos do PSD ao centro se faça notar; BE e até voto "indeciso" a perder face ao "papão" MFL lançado pelo PS, para mais contando agora com Alegre e Roseta... e com vários dos seus mais próximos apoiantes envolvidos na campanha, e a "roubar" votos a indecisos entre BE e PS) MAS... o Moscardo acredita que está "empolado" face ao que serão os resultados finais!
Curiosa esta outra forma de sentir o pulso do país...

As campanhas... previsíveis...

Parece que as máquinas partidárias compreenderam onde poderão ainda estar os últimos indecisos por si "convertíveis" e, por isso, apostam naquilo que há já mais de uma semana se diria ter de ser o caminho natural, mas sem debater ideias de fundo, como até o El Pais reconhece...:
  • PS: o "papão" de ter uma "primeira ministro retrógrada" (para os "moderados", indecisos entre abstenção, nulo, branco, PSD, MEP, MMS ou... PS), somando ao perigo de ser "de direita", o que justifica "voto útil" (para os que para além as opções abstenção ou branco/nulo, ponderassem PS ou BE ou CDU... incluindo todos os milhares de Alegristas/ala esquerda do PS e dissidentes de partidos de esquerda), e usando ainda a questão da "governabilidade" para reforçar pedido de algo como "vantagem confortável"
  • PSD: papão "BE ou esquerdas ainda piores no governo", e perigo de "governamentalização do Estado" se tivermos mais PS (para os "moderados" citados acima), e "voto útil" para os que, estando no centro-direita, poderiam ponderar votar CDS ou até MEP e MMS, os novos partidos do centro e centro direita...
  • CDS-PP: votar "útil" à direita é votar CDS, para dar força a um governo PSD/CDS-PP, que obrigue PSD a deixar de ser hesitante e seguir em frente em matérias como segurança, agricultura, idosos, ex-combatentes, baixa de impostos e de custos de contratação (liberalização económica, genericamente), não esquecendo os valores e as IPSS, e outros temas apelativos a nichos muito bem identificados por aquela que parece ser, juntamente com a do BE, a campanha com melhor estratégia com vista aos fins a que se propõe (claramente são duas forças que optaram por alguns nichos, e focam em pontos chave, compreendendo que têm também oportunidade de captar votos fora desses nichos, tal o descontentamento com esta ou aquela área de governação, e a sensação de "déja vu" que PS e até PSD trazem...)
  • BE: o "papão" do PS sozinho gerar mais do mesmo, com tendências "direitistas" e que, portanto, a necessidade de reforçar BE para serem a força responsável por empurrar o PS, obrigando-o a mais políticas sociais (com base no Estado), maior controle de negócios "obscuros" e menos "negociatas", e não deixando o PS hesitar em termos de políticas de "costumes" (ainda que sendo "tolerantes" em termos de ter consciência que não estamos em época de nacionalizações, gratuitidade imediata do ensino e da saúde, e muito menos de sair da UE e... da NATO...)
  • CDU: os mesmos "papões" do BE, mas com ênfase menos "urbano" e menor "peso" da questão dos costumes, antes apostando nos políticos "genuínos" e verdadeiramente "trabalhadores"... E em ser um partido construtivo...

2009-09-23

Como previsto...

Como previsto em post anterior...BE, PS, PSD, CDS-PP, nos últimos dias de campanha, terão de jogar o jogo do "centra" e des-centra", do voto útil e do voto de "pressão"... no caso do PS e do PSD, jogar com "papões" para conseguir a "centragem"... E PS e PSD terão de combater esses "papões" ("Primeira Ministro retrógrada?" contra "BE no Governo?"), negando...
Já o
BE oscila, mas ao negar Pacto, sabe que assusta menos eleitores do centro e evita assim afastá-los do PS, o que aumenta hipóteses de PS ser mais votado do que PSD, algo que interessa ao BE que assegurará assim mais importância no período pós-eleitoral...

Também como
previsto, o caso das escutas não se fechou, e seja Cavaco seja o PSD estão numa posição de desconforto e sob pressão, de diversos lados, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui. Não parece, porém, que história tão misteriosa tenha impacto eleitoral: a maioria dos eleitores nem compreende bem a história nem lhe dá grande importância...

Já agora: e quanto aos
pecados em campanha?

2009-09-21

Concentrar ou "Des-centrar"? Eis a questão...

Como explicado em diversos posts anteriores, para PS e PSD não está tanto em causa, neste momento (para a semana a questão já será diferente :-) ), se ganha a esquerda (por simplificação PS+BE+CDU) ou se ganha a direita (PSD+CDS), mas sim qual deles elege mais deputados (ainda que se, sendo inédito, se PS tiver mais votos e PSD mais deputados, a questão da legitimidade possa ser colocada - nota: PSD ter mais votos e PS mais deputados é quase impossível, dada distribuição geográfica dos partidos pelo país). Assim, para estes partidos, a questão da concentração dos votos, e das implicações que ela tem em mandatos, é vital para PSD e PS.

Para o PSD ganhar votos só pode atacar o CDS para ganhar à direita (algo que
Marcelo parece ter sido o primeiro a compreender) ou ganhar moderados ao centro, acenando com o "papão: BE no governo" (como Paulo Rangel compreendeu, mostrando de novo o seu potencial), com a falta de "humanização" e com a "Governamentalização do Estado" .
Quanto ao PS, só pode ganhar votos à esquerda e junto dos moderados assustando esse "povo" com o "papão: primeira ministro retrógrada".
O PSD, para combater o "papão" do PS, e não perder votos ao centro, só pode mostrar-se como partido
moderno, dinâmico, progressista, unido e aberto em questões como a imigração. Nada ganha com esta história da asfixia democrática (os potenciais indecisos que podem votar PSD não estão com dúvidas baseadas em questões de regime, algo descabidas nesta altura). O PSD deverá ainda ser moderado no ataque ao CDS mas mostrar que votar Portas é arriscar ter um governo de esquerda.
O PS, para combater o "papão" do PSD (para não perder votos moderados) e para ganhar o voto dos que estão entre BE e PS, terá de vincando a sua forte dimensão social mas, ainda mais, ser contra extremismos ou radicalismos - nacionalizações e outros,
atacando o BE frontalmente, ... E deverá ainda mostrar uma face humana, respeito pelas minorias e abertura e união interna.
Já o BE, a CDU e o CDS-PP só ganham em dizer que precisam de muitos votos para poder "empurrar e pressionar" o próximo governo para as políticas que defendem, e fazem bem em nunca lembrar a potenciais votantes que o facto de dispersarem votos (à esquerda, no caso BE e CDU, ou à direita, no
caso do CDS-PP) aumenta as hipóteses de governo ser mais "do outro lado"... Ou seja: BE, CDU e CDS-PP sabem que, ao crescerem em votos, aumentam as hipóteses de o próximo governo lhes ser mais distante... curioso paradoxo!
Juntamente com BE, CDU, CDS-PP, também os demais partidos deveriam tentar captar votos entre indecisos entre votar e não votar, afinal o grupo mais numeroso...
Pois bem... veja quem compreende ou não estas dinâmicas eleitorais, as mais importantes em termos de resultados eleitorais finais:
aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui.

2009-09-20

Professor Marcelo: entrada pela direita?

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa tenta alargar o PSD à direita, fazendo apelo ao voto útil de direita. A razão é simples: o Professor Marcelo, um dos mais astutos políticos portugueses, sabe que, quase seguramente, a esquerda (para este fim referimos-nos a PS+BE+CDU), ganhará as eleições (mais de 50% dos votos e mais de 115 deputados), mas sabe que, em princípio, Cavaco chamará para Primeiro Ministro o líder do partido com mais deputados.
Por isso, para se chegar a um Governo PSD ou PSD+CDS, interessará apenas saber se o PSD tem mais um deputado do que o PS... E, sabendo o Professor que atacando o CDS e mostrando a urgência do voto útil à direita não perde votos ao centro (pelo contrário, pode ganhar, diminuindo o "bolo da esquerda"), e poderá aumentar a fatia PSD dentro do "bolo da direita", sobretudo quando Portas e o CDS estão com uma forte dinâmica ...

Esta concentração de votos no PSD contribuiria também para menos votos Inúteis (votos não convertidos em mandatos - ver posts sobre método de Hondt e suas consequências - aqui quadro resumo ou aqui). Ou seja, o mesmo número de votos PSD+CDS traduzir-se-ia em mais deputados se votos fossem concentrados no PSD (ou se partidos já fossem coligados, como também dito em post anterior).
O paradoxo: o CDS-PP tem mais hipóteses de ser Governo, ou influenciar um governo, se os votantes de direita votarem no PSD do que se votarem no CDS-PP!!! Consequências do nosso sistema eleitoral, que o Prof. Marcelo conhece como poucos :-)
Como sempre, e do ponto de vista da análise política e eleitoral, Marcelo mostra ser um Professor (nenhum líder do PSD tinha, ainda, compreendido esta necessidade de atacar pela direita!). Pelo meio, ainda ataca um dos seus inimigos... que lhe tirou o tapete e o fez perder o sonho de ser PM, há uns anos atrás... Intelectualmente brilhante?
Portas que, por sua vez, também é um homem de superior inteligência, compreende os perigos desta "concentração" (o virtual desaparecimento do CDS-PP e a sua "falência" pessoal), mas também o seu potencial: resultados em que PSD seja o maior partido, mas sendo o CDS-PP imprescindível... É uma difícil gestão mas PP tem talento para estas gestões... Não tivesse sido ele a desfazer, na televisão, a aliança com o PSD de Marcelo... e a entrar pouco depois no Governo... com Durão :-)

2009-09-11

Coligações... PSD/ CDS-PP

Como dizia há meses, o PSD e o PS andam mal aconselhados... em muitas matérias. Mas pelo menos numa é surpreendente: a matemática eleitoral!
Exactamente pelas razões explicadas em detalhe num artigo neste blog, e resumido numa tabela/ quadro nele incluído, foi um puro erro de cálculo do PS preferir eleições legislativas e autárquicas não simultâneas mas, pior, o PSD não apresentar ao CDS-PP uma proposta de coligação.

Se isto faria sentido agora, fazia muito mais há uns meses. Na altura, o PSD seguia muito atrás do PS nas sondagens. A única forma de surgir a par, ou à frente, seria a coligação com o CDS-PP. Teria duas vantagens:
1. mesmo que o número de votos fosse similar, ou mesmo menor do que a soma dos dois partidos, aumentaria o número de deputados, em virtude da concentração de votos e diminuição de votos desperdiçados, sobretudo do CDS-PP, mas também do PSD em distritos como Portalegre, e outros
2. Teria muito mais chances de surgir à frente do PS, e em Portugal quem é chamado a formar governo é o líder do partido/coligação mais votado.

Logo: PSD teria muito mais hipóteses de chegar a ser Governo.
Isto continua a ser verdade hoje, mas era ainda mais verdade há uns meses, quando surgia bastante atrás nas sondagens (ou melhor, o PS surgia bastante à frente, dado que PSD surge entre 27 e 35% durante quase toda a legislatura).

Porque é que, em devido tempo, o PSD não procurou a coligação que agora diz ser possível, é um mistério. Pior: MFL disse-o num debate que maioria dos jornais dá como tendo sido vencido por Portas... Até porque ao ir a eleições separado, perde as vantagens MATEMÁTICAS que tinha (explicadas acima) e perdeu, assim, muitas das hipótese de ser chamado a ser governo. Será que ninguém percebe de números na Lapa?

PS: em devido tempo faremos post explicando porque é que no Rato a situação em termos de aprendizagem de matemática eleitoral não é melhor...