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2010-05-08

Entrevista MRS e... outros artigos

Uma entrevista a Marcelo Rebelo de Sousa... é sempre uma entrevista a ler..

A seguir atentamente é a evolução quase bizarra da saga das "grandes obras públicas"... Pois, por um lado, assina-se hoje o primeiro contrato do TGV, o troço Poceirão-Caia (pergunta: a quem serve este troço só por si??? Relembra-se: da fronteira até uma região mais ou menos inabitada... havendo até quem diga que é "um deserto"...), e afirma-se a continuidade de várias outras... Mas, por outro lado, finalmente, Sócrates e o seu Ministro das Obras Públicas admitiram reponderar investimentos - também com pressão vinda da Comissão Europeia (liderada por um vice-presidente do PSD), da Presidência (ocupada por um ex-líder do PSD) e... pelo PSD, a quem se pede ajuda para apoiar "um aperto do cinto"...
Por outro lado ainda as famosas SCUT do norte podem ir parar ao tribunal... pela mão de autarcas variados, alguns deles do ... PS :-)
E por falar em PS... o caso de Ascenso Simões deve ser seguido com atenção, porque infelizmente é simbólico de uma partidarização do aparelho de Estado que mina o sistema democrático e é dos processos que mais prejudica o nosso desenvolvimento...

2009-12-21

PSD: uma clarificação fundamental!

A clarificação da situação interna do PSD é uma das vertentes mais importantes para o nosso futuro próximo - e mesmo mais distante, em função da sua posição central no nosso sistema político e em qualquer solução presente ou futura de governabilidade, bem assim como na orientação geral do país.

O PSD, juntamente com o PS, ergueram-se à condição de partidos de poder em Portugal e, parecem demonstrá-lo a aventura do PRD e os fracassos de alguns projectos que vão desde o MEP ao MMS, do MPT à aparente incapacidade de crescer para se tornar num verdadeiro partido de poder do BE.
PS e PSD em conjunto tiveram nos últimos 30 anos sempre mais de dois terços dos parlamentares e sempre lhes foi póssível, por isso, aprovar todos os documentos que entenderem, incluindo alterações à Constituição e as nomeações mais importantes, que passam pela AR. Em 2009 perderam alguns deputados, mas mantém-se acima dos 2/3 e qualquer um deles é maior do que todos os outros partidos juntos (mesmo tendo esses sido os vencedores, supostamente...).

Assim, o que se passa no PS e no PSD é decisivo para o futuro do país. As alternativas dos Portugueses passarão sempre, em termos de linhas decisivas e de decisões fundamentais e estratégicas, por estes dois partidos.
A configuração da sua relação de forças pode e tem variado,
bem como as suas orientações políticas têm sofrido cambiantes, muito em função das respectivas lideranças, mas esta realidade da sua força e poder conjuntos serem quase absolutos, não. Até os Presidentes civis tinham sido todos ex-líderes de um dos 2 partidos (Soares, Sampaio e Cavaco).

Numa fase tão crítica - não só económica, social e financeira mas, talvez sobretudo, em termos de crise de instituições e de CONFIANÇA - e em que decisões fundamentais precisam de um país focado nessas decisoes e não em casos judiciais e fait-divers dos mais variados - a clarificação da liderança e, sobretudo, da linha ideológica e das opções em questões importantes em que parece que PSD há muito não se entende internamente.

Nesse sentido, a incapacidade de alguém, para além de Pedro Passos Coelho (e incluindo nesta lista a própria Manuela Ferreira Leite) se assumir como candidato à liderança e dizer claramente o que pretende para o país e para o partido, mostra que qualquer que venha a ser solução, ela não será encabeçada por alguém de convicções, que não se tenha escondido quando deveria dar a cara...

Nesse sentido, um Congresso pré-escolha-de-liderança, que assegura uma forte presença e interesse (ao contrário dos Congressos pós-eleições-directas que ficam esvaziados de conteúdo, parcialmente), corre o risco de se tornar num debate de nomes, mas pode também ser uma oportunidade única para debater ideias, para debater o país, como pediu Marcelo. Nesse sentido, a palavra cabe aos militantes do PSD e aos delegados a eventual congresso debater e definir o futuro do PSD, mas também do país... e escolher entre dar um passo importante para a "decência" pedida por Miguel Veiga ou insistir na mera politiquice, indigna de quem pretende fazer da sua acção política um verdadeiro serviço à comunidade e ao país.

2009-10-30

PSD e Marcelo... Capítulo: n+2

No PSD, e como previsto, a ala anti-liberal ou, mais precisamente, anti-Pedro Passos Coelho, compreende que se se desunir, e num sistema de eleição a uma só volta, com o vencedor a ser escolhido por maioria simples, pode arriscar-se a que PPC chegue à liderança do PSD...
E compreendeu mais do que isso: que Paulo Rangel, Morais Sarmento, Aguiar Branco não são nomes com força suficiente para que se anulem uns aos outros... ou seja, não garantem que haja uma só candidatura "contra" PPC, e muito menos é garantia de impedir uma eventual chegada de PPC à liderança, dado o trabalho desenvolvido por este.
Assim, esta ala, que na realidade é em si o resultado de uma convergência de diversas sensibilidades dentro do PSD-PPD, chegou à conclusão que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa pode não garantir a derrota de PPC, mas pelo menos é a que dá mais garantias de isso poder acontecer. Várias razões há para isso, desde a notoriedade do Professor à sua exímia gestão táctica (para alguns até excessiva), à sua capacidade oratória e ao seu prestígio como académico, jurista e como homem tremendamente culto.
Há ainda um certo "ajuste" com a história, pois esses "apoiantes" sabem que não permitiram que MRS chegasse a votos, em 1999...
MRS, porém, quer mais... Como escrito neste blog há uns dias, quer ter o maior grau de convicção possível de que Cavaco irá mesmo re-candidatar-se. E quer... que pelo menos Aguiar Branco e Morais Sarmento venham a terreiro fazer o que ontem Paulo Rangel, Alexandre Relvas e José Luís Arnaut fizeram: manifestar o seu apoio. Mesmo dirigentes que noutras condições poderiam apoiar PPC, como Menezes, reconhecem MRS como um ´potencial líder
Já o escrevemos há mais de uma semana: Marcelo tem três condições prévias... E se a primeira é sobre Cavaco e a Presidência, a segunda é sobre o grau de "certeza" numa vitória interna. E para isso não lhe basta que os demais não se candidatem contra ele, mas sim que declarem o seu apoio, chamando assim "as suas hostes"... E dando aparentes garantias que não lhe será "tirado o tapete" antes das próximas legisltativas.. a terceira condição de Marcelo...
E, por fim, Marcelo precisará ainda de estar certo de mais um apoio antes de avançar: Alberto João Jardim! Como também foi aqui dito, a Madeira tem quase 25% dos militantes do PSD, e é o bloco que votará mais "em uníssino", se houver apoio declarado de Alberto João a um candidato... E AJJ, consciente do seu poder, tem andado estranhamente silencioso... Quer ver alguma clarificação e depois - se considerar que eventuais candidatos têm iguais hipóteses de chegar a Primeiro Ministro - não deixará de negociar com os candidatos os maiores benefícios para a Madeira e para si próprio, após a saída do governo Regional, que segundo o próprio será no fim deste mandato...

2009-10-26

PSD... capítulo... (perdemos a contagem :-)

No PSD, as movimentações continuam.

Como o Moscardo já escreveu por diversas vezes, o debate interno do PSD é importante para o país. E como também já dissemos, Marcelo condiciona todos os demais potenciais candidatos. Marcelo tem hoje o peso e a influência que tinha Vitorino, há uns anos, sobre as "directas" no PS - condicionar todos os demais potenciais candidatos das alas maioritárias dos respectivos partidos -... E é curioso como ambos estão na RTP, ora em conjunto, ora separadamente com o seu programa de comentário político...

2009-10-22

Unidade de lista era requisito de Marcelo?

Se não era... Era algo parecido...
Como aqui escrevemos, Marcelo tinha 3 condições para ser candidato à liderança do PSD:
- saber que CS é re-candidato
- saber que ganha as directas
- ter convicção que irá a votos em 2011, 2012 ou 2013

Uma delas, a segunda, era ter a certeza de vitória. Ora: Ser unico candidato seria o melhor modo de assegurar vitória!

Pedir para ser candidato único, sob pretexto de unidade interna é “contornar realidade”: MRS sabe que teria pelo menos um opositor. Um candidato declarado, que correu o risco do desgaste, mas ganhou a credibilidade dada pela frontalidade... Pedro Passos Coelho.

E Marcelo sabe, e já sabia bem que...
1- PPC teve mais de 31% nas ultimas directas
2- PPC fez grande trabalho, online (
www.construirideias.pt mas não só) e em pessoa – esteve em todo as delegações partidárias.... É por isso natural que tenha ganho grande parte dos 29% que votaram Santana, e alguns dos 37% de MFL.. alem dos 2 a 3% que votaram noutros candidatos. E que consiga manter a maior parte dos seus 31%.
3- Ou seja: num sistema eleitoral tipo winner takes all a uma só volta... só uma total união da frente anti-Liberal (leia-se anti-PPC) pode ganhar-lhe! E terá ainda assim de conquistar o voto de militantes que em 2008 não votaram...
4- Marcelo é fortíssimo como candidato, mas tem também muitos anti-corpos, irrita muita gente, e mesmo o próprio aparelho... Ainda assim, ele sabe que poderia receber os votos do aparelho (veja-se Menezes... a dizer que era bom candidato) e dos militantes, porque todos sabem que em termos eleitorais é alguém que pode ganhar debates a Sócrates ou a qualquer outro futuro líder do PS e tem uma notoriedade ímpar (algo que PPC não tem).
5- Rangel e Morais Sarmento – e provavelmente outros – deram a entender que nunca iriam a votos para defrontar Marcelo, mas não o garantiram. Aguiar Branco ainda menos... nem sequer Manuela Ferreira Leite o disse... Marcelo precisa da CERTEZA - que não deve ter obtido – de que não só não se candidatam contra ele como necessita, para ter convicção numa vitória, que demonstrem empenho na sua eleição... e isso não obteve!
6- Mesmo que ganhando a PPC, MRS sabe que o futuro líder terá oposição da “ala liberal”. Ora Marcelo quando foi líder andou sempre a exigir 2/3... Porque entende que para fazer oposição é preciso tranquilidade interna “união de propósitos, união de estratégia”. Mas mais do que isso, é em face da 3ª condição de Marcelo que este ponto é importante: MRS queria “certezas” de que se manteria como líder até às próximas legislativas...
7- Ou seja: a condição TER CERTEZA DE VENCER... não se reúne, no momento... e muito menos a de que chegaria a eleições!
8- MRS retira-se? Por ora... aparentemente
9- Voltar à corrida? Sim, em vários cenários... Exemplo: se houver “vaga de fundo” - que inclua Rangel, Morais Sarmento, e outros potenciais candidatos, que assim abdiquem e mostrem empenho em “derrotar” PPC -, ele poderá avançar... tal como fará se PPC fizer algo de tão errado que demonstre incapacidade ou que comprometa sua imagem de líder com potencial para primeiro-ministro, que conseguiu criar em boa parte do PSD...
10- O mais provável? MRS recuar mesmo e Paulo Rangel candidatar-se. Porquê? Já aqui deixamos um post sobre o potencial mediático e político de Rangel -
. Anula uma importante vantagem de PPC: uma nova geração. Mas tem sobre este uma vantagem: tem trabalho político, e não apenas partidário, com sucesso e qualidade, e GANHOU eleições... E ainda se sobrepõe ideologicamente a PPC, pois mesmo os mais liberais membros do PSD não se importarão de o ter como líder...
11- Fica depois a dúvida: e será que candidatos potenciais que recuariam se Marcelo avançasse, farão o mesmo se candidato for Paulo Rangel? Duvido... Mas até poderá ser (tudo depende das negociações a decorrer...).
12- Se algum outro, sobretudo Morais Sarmento, avançar, PPC deverá vencer...
13- Se Rangel for o único opositor relevante a PPC... o resultado é imprevisível... PPC tem mais de 30 anos de fidelidade ao Partido, Rangel tem 8 anos de PSD, é um “cristão-novo” e no aparelho isso pesa... mas também pesa o facto de ter apoio de diversas linhas do partido, e de ter ganho eleições...
14- Quem é fundamental? Acredito que será Alberto João Jardim! Os líderes de distritais do Porto, e outros, conseguem canalizar alguns votos, mas não têm o poder dos tempos dos congressos, em que representavam todo um número de votos... Agora apenas alguns militantes Mas AJJ tem um poder enorme: mais de 10.000 votantes! E todos disponíveis para votar com AJJ...


Conclusões
1. Marcelo ainda não se retirou. E dele depende a possibilidade de quem quer que seja avançar contra PPC. Ao fazer as declarações de ontem, ONTEM, antes de HOJe (Conselho Nacional), e sabendo que Rangel virá a Lisboa à reunião, MRS pode mesmo estar a dar sinal a Rangel para avançar... Será?
2. Se a corrida for Rangel contra PPC, teremos curiosamente o partido a apresentar uma síntese interessante, pois ambos são ideologicamente próximos, com PPC a assumir-se mais como potencial “liberal”, enquanto Rangel representa uma visão mais ampla do “arco” das ideias políticas que estão integradas no PSD
3. Qualquer uma destas potenciais lideranças dará muito mais “dores de cabeça” a Sócrates do que MFL (e isso é bom para o país)... Mas nenhum deles está no Parlamento (e isso é mau para eles, para o PSD e para o país).

MRS sabe e tem consciência de todas estas variáveis e é um Mestre na Ponderação das mesmas. A sua ponderação e hesitação só mostra a força e a implantação da candidatura de PPC... E que provavelmente não consideraria a sua vitória como um dado adquirido...

2009-10-19

Ainda Marcelo...

Continua a novela Marcelo ataca ou não a liderança do PSD, anunciada aqui ainda antes das eleições, e confirmada em directo na RTP pelo próprio, como foi de imediato "traduzido" neste blog.

Acredito, porém, que MRS será candidato SE e SÓ SE:
1. Cavaco for candidato a um segundo mandato como PR (caso contrário Marcelo pode realizar o seu maior objectivo, que acredito seja ser PR). Por isso prefere que MFL fique até Maio de 2010, dando tempo para se compreender se Cavaco se re-candidata ou não;
2. Tiver grande convicção de que vencerá as directas no PSD - o que implica ter a certeza de muitos apoios e outras tantas ausências, sobretudo de Rio, Rangel e Morais Sarmento;
3. Tiver a convicção de que será líder do PSD até eleições legislativas, pois em 1999 Portas "tirou-lhe o tapete", e não chegou às legislativas contra o seu amigo Guterres, após ter vencido dois referendos e as autárquicas...

É óbvio que Paulo Rangel e Morais Sarmento (e não só), esperam pela posição de Marcelo, mas não significa que não avancem. Todos sabem que boa parte dos líderes o foram depois de ter perdido eleições... e Rangel sabe que tem o tempo a seu favor, como
aqui escrito há já algum tempo... Mas também sabem que Marcelo tem uma notoriedade ímpar...

Certo é que esta novela e incerteza prejudica o país, dado
papel chave do PSD para assegurar a governabilidade.

2009-10-04

MFL não descansa...

MFL não descansa e promete continuar... a dar tiros nos pés! Uma moção de rejeição lançada contra um Governo que ainda não tomou posse, mas que acaba de ter 36,6% dos votos... e mais de 40% dos mandatos... é meio caminho andado para sair bem "machucada" (o potencial de crescimento do PSD para chegar ao poder passa por conquistar eleitores ao centro, que são MODERADOS e olharão para a questão da razoabilidade, e só votarão PSD se nele virem soluções de governo... e não um partido "bota-abaixo"...). É por estas e por outras que o PSD é bem capaz de ter directas internas antes de Maio.2010... E, se permanecesse com MFL ao leme, estaria seguramente muitos anos afastado do poder...
E, como previsto no próprio dia das eleições pelo Moscardo, e depois pelo Sol, Marcelo está tentado a avançar... Já Rui Rio garante que não

2009-10-02

Caixas jornalísticas surpreendentes...

O SOL trará uma manchete sobre as mudanças no PSD, e anuncia que Marcelo será o candidato mais forte... Engraçada esta caixa impressionante: o blog d`O Moscardo (este mesmo blog, O Socrático :-), já o anunciou na noite eleitoral com base... no que o próprio Marcelo disse na RTP! Afinal, não o deixaram ir a votos, quando saiu da Presidência do Partido a uns meses das eleições - sim, Portas tirou-lhe o tapete mas o PSD também não queria ir a votos coligado com o CDS... e chamou Barroso para... se coligar um pouco mais tarde... com o CDS-PP!... Agora "sente" que tem oportunidade de ir a eleições já em 2013... E de se vingar de Portas...Reduzindo os 21 deputados a pouco mais que um ou dois taxis, ou obrigando-o a coligar-se ao PSD... Impossível? Demasiado Maquiavélico?

PS: já agora... ninguém fala dos 3 ou 4 concelhos "grandes" onde as coisas ainda podem trazer surpresas?
Matosinhos, Faro, Braga, Oeiras, Almada, Aveiro, Setúbal,

2009-09-28

PSD e Marcelo: uma longa história...

A grande revelação da noite: Marcelo prepara candidatura à liderança do PSD, se directas forem em Maio de 2010, como estatutariamente definido. E não depois das autárquicas como paira...
SIM: é uma inferência do que disse Marcelo, pelas 21h, da exclusiva responsabilidade do Moscardo. Consequências? Rui Rio, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes, Marco António e... Rangel(!?) poderão apressar-se a convocar eleições internas... Nenhum deles está no Parlamento (o PSD já nos vem habituando a esta "lacuna" de um líder que não está na AR).
Mas PSD tem outra opção de fundo, como bem disse... LF Menezes! O que é que PSD quer ser? Um partido abrangente, conciliando sociais-democratas,liberais e conservadores, apenas uma destas "linhas", englobar outras, fundir-se com CDS-PP?

2009-09-20

Professor Marcelo: entrada pela direita?

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa tenta alargar o PSD à direita, fazendo apelo ao voto útil de direita. A razão é simples: o Professor Marcelo, um dos mais astutos políticos portugueses, sabe que, quase seguramente, a esquerda (para este fim referimos-nos a PS+BE+CDU), ganhará as eleições (mais de 50% dos votos e mais de 115 deputados), mas sabe que, em princípio, Cavaco chamará para Primeiro Ministro o líder do partido com mais deputados.
Por isso, para se chegar a um Governo PSD ou PSD+CDS, interessará apenas saber se o PSD tem mais um deputado do que o PS... E, sabendo o Professor que atacando o CDS e mostrando a urgência do voto útil à direita não perde votos ao centro (pelo contrário, pode ganhar, diminuindo o "bolo da esquerda"), e poderá aumentar a fatia PSD dentro do "bolo da direita", sobretudo quando Portas e o CDS estão com uma forte dinâmica ...

Esta concentração de votos no PSD contribuiria também para menos votos Inúteis (votos não convertidos em mandatos - ver posts sobre método de Hondt e suas consequências - aqui quadro resumo ou aqui). Ou seja, o mesmo número de votos PSD+CDS traduzir-se-ia em mais deputados se votos fossem concentrados no PSD (ou se partidos já fossem coligados, como também dito em post anterior).
O paradoxo: o CDS-PP tem mais hipóteses de ser Governo, ou influenciar um governo, se os votantes de direita votarem no PSD do que se votarem no CDS-PP!!! Consequências do nosso sistema eleitoral, que o Prof. Marcelo conhece como poucos :-)
Como sempre, e do ponto de vista da análise política e eleitoral, Marcelo mostra ser um Professor (nenhum líder do PSD tinha, ainda, compreendido esta necessidade de atacar pela direita!). Pelo meio, ainda ataca um dos seus inimigos... que lhe tirou o tapete e o fez perder o sonho de ser PM, há uns anos atrás... Intelectualmente brilhante?
Portas que, por sua vez, também é um homem de superior inteligência, compreende os perigos desta "concentração" (o virtual desaparecimento do CDS-PP e a sua "falência" pessoal), mas também o seu potencial: resultados em que PSD seja o maior partido, mas sendo o CDS-PP imprescindível... É uma difícil gestão mas PP tem talento para estas gestões... Não tivesse sido ele a desfazer, na televisão, a aliança com o PSD de Marcelo... e a entrar pouco depois no Governo... com Durão :-)

2009-08-07

PSD: um partido em busca da sua identidade confunde seus eleitores...

Tenho vários amigos do PSD que andam desnorteados. (nota: também os há, os desnorteados, e também os tenho, os amigos desnorteados, no BE e no PS... E, claro, todos os CDS puros andam há anos órfãos... a esses vejo-os mesmo perdidos desde que Guterres saiu do país... Voltaremos a este tema).

O desnorte e até indecisão dos votantes, e até de filiados, do PSD tem diversas facetas:

- Acham Socrates um bom líder, firme e resoluto, como acham que um líder deve ser (vide Cavaco...)
- Acham que Sócrates tem a energia e a dinâmica que o país precisa de um líder, para mais em altura de crise
- Acham que as prioridades de Sócrates, no essencial, fazem sentido, tal como fazem muitas das suas opções - como energia, internacionalização, plano tecnológico, qualificação, etc. Também acham que Teixeira dos Santos foi um dos mais sérios e mais competentes ministros das finanças em Portugal, controlando o deficit; que Pinho apesar de ser algo "weird", deu tudo por tudo pelas PME, e contou com IAPMEI e AICEP a melhorarem muito no apoio efectivo às empresas; acham que é verdade que pela primeira vez Estado perdeu 50.000 funcionários e que para mais, há pela primeira vez mecanismos de avaliação a funcionar que levam funcionários públicos a dizer "temos objectivos", que permitiram simplificação de processos (o SIMPLEX terá as suas falhas, mas apesar de tudo é um passo, e mostra uma vontade, uma dinâmica...) e o começo de uma orientação-cliente (cidadão); acham que para mais não temeu afrontar as classes "mais PS", como professores, magistrados e juízes, e até médicos... dando mostras de que com outro mandato poderia alterar profundamente o rosto do país...
- Acham, sobretudo os ligados a empresas, que MFL é incapaz de um rasgo, de motivar, de liderar... e por isso não a querem como Primeiro Ministro
- acham que MFL, mesmo que tivesse um perfil de liderança, não tem ideias modernas que permitam esperar um país melhor, antes pensando como "contabilista", usando esquemas mentais ultrapassados (um pouco Salazarista na sua visão das contas públicas), e não sendo nada arrojada ou aberta à frescura de novas ideias ou de novos conceitos, nem sequer de novas tecnologias... Não deixa de ser uma avó...
- Ficam perdidos ao olhar para um partido sempre fracturado e sem rumo, muitas vezes sendo pouco sério, com mudanças constantes de opinião, atacando investimentos por si definidos e atacando o próprio funcionamento do mercado (o cerne da crença PSD... mesmo da ala esquerda do PSD!), ameaçando "tudo rasgar", sem quae nada propor...

Em suma... estão sem saber se podem, ou devem, "trair" o partido, e
1. não votar PSD (a maioria, de facto, irá fazê-lo... ao contrário do que fez nas Europeias, em que votar PSD era o mais natural... e Paulo Rangel podia ser filho de MFL...)
2. Votar Socrates... (maioria não o irá fazer)... A traição seria maior... E a consciência poderia pesar... Mas esperam, sinceramente, que vença, a bem do país...

Mas a verdade é que a indecisão destes eleitores, tem uma razão de ser profunda. A mesma que explica que o PSD não chegue ao poder desde Cavaco, de modo consistente: o problema de identidade do partido...

Senão vejamos: afastar PPC das listas e assim hostilizar parte do partido é solução?

Lê-se: «É um erro táctico. Primeiro, ninguém percebe que, em nos de três semanas, Maria José Nogueira Pinto esteja numa candidatura ao PSD e depois esteja contra, nomeadamente em relação a Lisboa. Segundo, os resultados eleitorais legislativos não perspectivam que o PSD ganhe com maioria absoluta. Nenhum partido terá maioria absoluta. (¿) Ora, o nosso aliado natural seria o CDS-PP. E não é com este tipo de programas que se cria um ambiente positivo para que isso venha a acontecer. Terceiro, se o PSD quer ganhar as eleições tem de se mexer à esquerda, não é por dar orientações mais à direita que vai conseguir mais votos».

Erro táctico? Nem por isso... O problema do PSD é um problema de IDENTIDADE, de um ADN que não corresponde aos sues quadros, nem estes ao seu tecido social... Mas não está só... O PS também já andou perdido e nos últimos 4 anos afastou-se um pouco da sua matriz social, o PP pouco ou nada tem de comum como CDS, o BE não tem, hoje por hoje, identidade. O PCP (via CDU) é hoje o único partido em que teoria e prática, quadros e votantes, são no essencial coincidentes...

O PSD é um partido que se posiciona num arco de centro que vai da esquerda moderada - centro (social democracia europeia sempre se posicionou aí, e o Programa de Sá Carneiro é aí que se situa, com os toques de liberalismo económico de um programa "burguês" e "empresarial" a colocá-lo de facto praticamente no centro do espectro político) até ao centro-direita (conservadorismo moderado, em que Mota Amaral representaria o ponto mais à direita do PSD), passando pelo centro direita e direita das alas liberais do PSD (de que Balsemão foi o primeiro rosto... mas em que Santana ou Passos Coelho representam hoje outras variantes)

E se tem como aliado natural, no dizer da maioria dos seus quadros... o PP de Paulo Portas (em termos idológicos é óbvio que o aliado natural do PSD é o PS, com o qual tem largas áreas de sobre-psoição seja em termos ideológicos seja em termos programáticos e de votantes...), e se faz dessa "aliança natural" uma declaração pública (MFL também a fez, ao dizer "bloco central jamais" e ao afirmar-se contra diversas bandeiras da esquerda de hoje (direitos dos homossexuais, eutanásia, etc.)... então o PSD de hoje indica ao eleitorado pender para a direita (deixando então ao PS um espaço grande ao centro)...

Potenciais candidatos futuros: Pedro Passos, Rui Rio, Morais Sarmento. Menos prováveis mas a considerar: Paulo Rangel e Aguiar Branco. Mais dificilmente: Marcelo, Alberto João, Santana Lopes ou Marques Mendes.