“Sou o moscardo que nunca deixará de vos acordar, de vos admoestar” Sócrates, filósofo Grego e Universal, inspiração deste blog de ÉTICA, CIDADANIA e POLÍTICA e que resumiu assim toda a Filosofia: "Só sei que nada sei"
2011-02-26
O fim do regime internacional?
Este elemento (Al Qaeda) reforça a preocupação com o futuro do Magreb e, de modo mais lato, com o mundo islâmico. Obviamente nem todos os países têm a estrutura tribal da Líbia, mas não podemos esquecer que a maior parte das lideranças da Al Qaeda provém... da Arábia Saudita, ou seja, do Estado que detém 15% das reservas mundiais de petróleo e talvez o único capaz de aumentar a produção diária de modo substancial (a sua spare capacity actual é elevada). Aliás, foi ela que, mesmo antes da reunião da OPEP, que lidera, aumentou a produção de modo a que preços descessem aos níveis de quarta feira (descendo $10 num só dia, em Londres). Mas a questão permanece:
- até quando pode a Arábia Saudita permanecer controlada, internamente,
- até quando pode a Arábia Saudita absorver choques nos outros Estados?
- que ondas de choque pdoerá causar na economia mundial e, sobretudo, na Europeia?
O mundo é cada vez mais um local incerto...
PS: entretanto Espanha diminui a velocidade limite nas auto-estradas, a Itália pede ajuda à UE para fazer face à onda de refugiados, enquanto Portugal é "atingido" pelo Wikileaks...
2011-02-25
Khadafi culpa Bin Laden pela revolta popular na Líbia
- levanta uma questão pertinente: no país mais tribal do Magreb, a hipótese da Al Qaeda ter uma base é algo que é verdadeiramente assustador para a Europa e… não é impossível…
- aponta como inimigo o maior inimigo do Ocidente
- pode bem ter alguma razão… o que se segue?
2011-02-23
A partir daqui tudo é possível…
Pois bem, hoje chegaram as notícias que tanto se esperavam/temiam…
- Os barcos Iranianos passeiam-se no canal do Suez com permissão do “novo” (será novo?!?) poder Egipcio, e sendo considerado uma provocação por Israel…
- As revoltas prometem chegar à Arábia Saudita, o mais importante produtor mundial de petróleo e o garante, ao longo das últimas 7 décadas, de algum equilíbrio no mercado da energia mundial (via OPEP)…. A família real saudita é o baluarte dessa estabilidade, mas está agora a prometer reformas e apoios sociais… Talvez demasiado tarde! Mais uma vez o facebook revela-se como a escolha dos jovens árabes, continuando a dar razão à Time (ver post anterior no Socrático). E, claro, além dos jovens, é também a revolução das mulheres…
- Costa do Marfim mantém boicote de exportações de cacau. O trigo já subiu 62% no último ano! A crise alimentar junta-se à energética!
Na Líbia, onde os mortos são às centenas e onde Khadafi se recusa a abandonar o poder, mesmo contra alguns dos seus ministros e o descontrole de partes do país, incluindo a fronteira com o Egipto… No Iemen, onde o Presidente iemenita avisa que a “anarquia” não o derrubará . No Bahrein, onde até o Circo da fórmula 1 foi cancelado.
Tudo isto perante uma ONU impotente… E um mundo que olha com preocupação para todas estas convulsões. A crise financeira de 2008 pode gerar uma crise de segurança internacional de proporções inimagináveis até há pouco…
PS: por cá, duas mexidas signiicativas nas televisões, na SIC e na TVI… e ainda no mundo das imagens, o caso da violência de Estado nas prisões…
2011-02-15
O dia de raiva em Teerão e não só...
Hoje pedem-se até a cabeça dos opositores: claramente o rumo dos acontecimentos é bem diverso do que ocorreu no Egipto...
E no Iemen também há efeito dominó...Tal como na Palestina, na Siria, e até no Bahrain.
E novos desenvolvimentos no Egipto : onde se prometem mudança constitucionais em 10 dias! E onde se recupera parte do espólio desaparecido!
Mas podemos estar iludidos sobre
2011-02-11
Afinal Mubarak s(c)aiu…
Numa leitura rápida, parece que a tensão gerada pela recusa em sair por parte de Hosni Mubarak deverá ter os militares a ponderarem. As imagens da Praça Tahrir terão tido efeito: sentindo o risco de uma imprevisível guerra civil, terão visto na saída de Mubarak a única solução para diminuir a tensão, esvaziar a rua e a ideia de martirio e assim preservar os privilégios, controlando o processo de transição democrática... Por ora, e com o anúncio de que os militares, parece que as previsões de Fareed Zakaria se realizam - relembramos o post anterior, sobre o assunto.
2011-02-09
Egipto: ainda dura...
Neste ambiente, e perante as palavras do actual Vice-Presidente, sobre o fim da "tolerância" com as manifestações, um "dia negro" que force o final dos protestos pode marcar um fim dramático deste levantamento popular, até às eleições de Setembro. A menos que as pressões norte-americanas se revelem mais fortes... e a saída de Mubarak seja inevitável em função das pressões internacionais e de notícias que o descredibilizam cada vez mais, nomeadamente sobre a sua fortuna!
2011-02-07
Fareed Zakaria GPS
No seu programa na CNN, GPS, Fareed Zakaria, tal como no seu artigo na Time dá-nos uma visão mais profunda do que se passa no Egipto: o risco dos Ocidentais é pactuarem com orquestração militar. Se isso for visto desse modo, então o risco de o Egipto se tornar num novo Irão é real. Caso contrário isso não acontecerá.
O Argumento:
Os militares estão no poder há décadas, antes de Mubarak. Têm largos privilégios. Dominam grande parte das indústrias do país. Dominam o seu comércio internacional. Vivem em estado de excepção À décadas. Não vão ceder os seus privilégios facilmente.
Ora, nos últimos dias temos visto reforçar o poder das Forças Armadas:
- dominam a rua
- conquistam apoio entre a população ao não agir, aparentemente
- sairam agora os ministros civis, e mais de 50% do gabinete é agora ocupado por militares;
- estão dispostos a deixar cair Mubarak, se isso permitir permanecerem no controlo, sob uma fachada democrática;
- 80% dos Governadores de Província são agora militares.
No fundo, sob a fachada de "amigos" de uma transição democrática, estão a reforçar o seu poder e privilégios, criando condições para a sua perpetuação no poder. Mas a rua está agora descontrolável. Mais cedo ou mais tarde, talvez após saída de Mubarak, revoltar-se-á contra manutenção do status quo, compreendendo que o regime não é o de Mubarak, mas o dos militares.
A Irmandade Muçulmana, criada em 1928 mas que há muito renunciou à violência, apesar de ter sido a grande força de oposição nas últimas décadas, é estimada valer 25% dos votos. Não chegará ao poder sozinha. MAS...
Para Zakaria, se os Ocidentais, sobretudo os EUA, forem vistos como estando associados a esta tentativa de manutenção de poder, então o risco de revolta, de extremismo, é potecialmente maior, aumentando as hipóteses de se repetir o que aconteceu em 1979, com a deposição do Xá e a instalação do regime dos Ayatolas, no Irão...