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2011-02-26

O fim do regime internacional?

A Al Qaeda parece querer ajudar Khadafi, informando que apoia o fim do regime. Interna e externamente a pressão sobre a liderança é cada vez mais forte, o que leva a uma abertura à negociação (em declarações, falta saber se em acção, dadas as notícias de chacinas de opositores, inclusivamente entre os feridos nos hospitais! Enquanto a fuga continua - veja algumas imagens).

Este elemento (Al Qaeda) reforça a preocupação com o futuro do Magreb e, de modo mais lato, com o mundo islâmico. Obviamente nem todos os países têm a estrutura tribal da Líbia, mas não podemos esquecer que a maior parte das lideranças da Al Qaeda provém... da Arábia Saudita, ou seja, do Estado que detém 15% das reservas mundiais de petróleo e talvez o único capaz de aumentar a produção diária de modo substancial (a sua spare capacity actual é elevada). Aliás, foi ela que, mesmo antes da reunião da OPEP, que lidera, aumentou a produção de modo a que preços descessem aos níveis de quarta feira (descendo $10 num só dia, em Londres). Mas a questão permanece:
- até quando pode a Arábia Saudita permanecer controlada, internamente,
- até quando pode a Arábia Saudita absorver choques nos outros Estados?
- que ondas de choque pdoerá causar na economia mundial e, sobretudo, na Europeia?

O mundo é cada vez mais um local incerto...

PS: entretanto Espanha diminui a velocidade limite nas auto-estradas, a Itália pede ajuda à UE para fazer face à onda de refugiados, enquanto Portugal é "atingido" pelo Wikileaks...

2011-02-25

Khadafi culpa Bin Laden pela revolta popular na Líbia

Em discurso na TV, Khadafi culpa Bin Laden pela revolta popular na Líbia. O problema é que com este argumento, o ainda lider da Líbia:
  • levanta uma questão pertinente: no país mais tribal do Magreb, a hipótese da Al Qaeda ter uma base é algo que é verdadeiramente assustador para a Europa e… não é impossível…
  • aponta como inimigo o maior inimigo do Ocidente
  • pode bem ter alguma razão… o que se segue?
A questão Líbia e as dúvidas sobre a Arábia Saudita, o canal de Suez, e em todo o Islão, levam a que o petróleo suba 10% num só dia, quando a Líbia fornece menos de 2% do petróleo mundial…

2011-02-23

A partir daqui tudo é possível…

Adriano Moreira fala, há mais de uma década, da “Anarquia Madura” como o mote que melhor descreve o sistema de relações internacionais desde o fim da guerra fria.
Pois bem, hoje chegaram as notícias que tanto se esperavam/temiam…
- Os barcos Iranianos passeiam-se no canal do Suez com permissão do “novo” (será novo?!?) poder Egipcio, e sendo considerado uma provocação por Israel…
- As revoltas prometem chegar à Arábia Saudita, o mais importante produtor mundial de petróleo e o garante, ao longo das últimas 7 décadas, de algum equilíbrio no mercado da energia mundial (via OPEP)…. A família real saudita é o baluarte dessa estabilidade, mas está agora a prometer reformas e apoios sociais… Talvez demasiado tarde! Mais uma vez o facebook revela-se como a escolha dos jovens árabes, continuando a dar razão à Time (ver post anterior no Socrático). E, claro, além dos jovens, é também a revolução das mulheres
- Costa do Marfim mantém boicote de exportações de cacau. O trigo já subiu 62% no último ano! A crise alimentar junta-se à energética!
Na Líbia, onde os mortos são às centenas e onde Khadafi se recusa a abandonar o poder, mesmo contra alguns dos seus ministros e o descontrole de partes do país, incluindo a fronteira com o Egipto… No Iemen, onde o Presidente iemenita avisa que a “anarquia” não o derrubará . No Bahrein, onde até o Circo da fórmula 1 foi cancelado.
Tudo isto perante uma ONU impotente… E um mundo que olha com preocupação para todas estas convulsões. A crise financeira de 2008 pode gerar uma crise de segurança internacional de proporções inimagináveis até há pouco…

PS: por cá, duas mexidas signiicativas nas televisões, na SIC e na TVI… e ainda no mundo das imagens, o caso da violência de Estado nas prisões…

2011-02-15

O dia de raiva em Teerão e não só...

 Autoridades iranianas responderam com violência ao "dia de raiva" em Teerão...
Hoje pedem-se até a cabeça dos opositores: claramente o rumo dos acontecimentos é bem diverso do que ocorreu no Egipto...

E no Iemen também há efeito dominó...Tal como na Palestina, na Siria, e até no Bahrain.

E novos desenvolvimentos no Egipto : onde se prometem mudança constitucionais em 10 dias! E onde se recupera parte do espólio desaparecido!

Mas podemos estar iludidos sobre

2011-02-11

Afinal Mubarak s(c)aiu…

Após Mubarak ter anunciado, ontem, que não sairia… Algumas horas depois, hoje, o Vice-Presidente anunciou que Mubarak resignou… não deverá ter sido pelo seu próprio pé… Mas o fundamental não é isso.. é compreender o que pode acontecer no Egipto e em termos de equilíbrios regionais e globais… É algo que pode ter impacto na vida de todos nós… Por isso a demissão de Mubarakfoi assinalada em todo o mundo. Veja aqui algumas das reacções.

Numa leitura rápida, parece que a tensão gerada pela recusa em sair por parte de Hosni Mubarak deverá ter os militares a ponderarem. As imagens da Praça Tahrir terão tido efeito: sentindo o risco de uma imprevisível guerra civil, terão visto na saída de Mubarak a única solução para diminuir a tensão, esvaziar a rua e a ideia de martirio e assim preservar os privilégios, controlando o processo de transição democrática... Por ora, e com o anúncio de que os militares, parece que as previsões de Fareed Zakaria se realizam - relembramos o post anterior, sobre o assunto.

2011-02-09

Egipto: ainda dura...

A tensão sobe de tom e os riscos aumentam... o cenário de guerra civil não está fora de questão, mas não é, felizmente, o mais provável - pelo facto de os militares terem o controle da situação e apesar de tudo não parecer haver fracturas internas significativas no seu seio. Para os militares, além da defesa dos seus próprios privilégios, estarão do lado da defesa das instituições, da estabilidade, da preservação da ordem e da dignidade do Estado, compreendendo porém os anseios de maior liberdade... e de maior desenvolvimento...

Neste ambiente, e perante as palavras do actual Vice-Presidente, sobre o fim da "tolerância" com as manifestações, um "dia negro" que force o final dos protestos pode marcar um fim dramático deste levantamento popular, até às eleições de Setembro. A menos que as pressões norte-americanas se revelem mais fortes... e a saída de Mubarak seja inevitável em função das pressões internacionais e de notícias que o descredibilizam cada vez mais, nomeadamente sobre a sua fortuna!

2011-02-07

Fareed Zakaria GPS

No seu programa na CNN, GPS, Fareed Zakaria, tal como no seu artigo na Time dá-nos uma visão mais profunda do que se passa no Egipto: o risco dos Ocidentais é pactuarem com orquestração militar. Se isso for visto desse modo, então o risco de o Egipto se tornar num novo Irão é real. Caso contrário isso não acontecerá. O Argumento:Os militares estão no poder há décadas, antes de Mubarak. Têm largos privilégios. Dominam grande parte das indústrias do país. Dominam o seu comércio internacional. Vivem em estado de excepção À décadas. Não vão ceder os seus privilégios facilmente.
Ora, nos últimos dias temos visto reforçar o poder das Forças Armadas:
- dominam a rua
- conquistam apoio entre a população ao não agir, aparentemente
- sairam agora os ministros civis, e mais de 50% do gabinete é agora ocupado por militares;
- estão dispostos a deixar cair Mubarak, se isso permitir permanecerem no controlo, sob uma fachada democrática;
- 80% dos Governadores de Província são agora militares.
No fundo, sob a fachada de "amigos" de uma transição democrática, estão a reforçar o seu poder e privilégios, criando condições para a sua perpetuação no poder. Mas a rua está agora descontrolável. Mais cedo ou mais tarde, talvez após saída de Mubarak, revoltar-se-á contra manutenção do status quo, compreendendo que o regime não é o de Mubarak, mas o dos militares.
A Irmandade Muçulmana, criada em 1928 mas que há muito renunciou à violência, apesar de ter sido a grande força de oposição nas últimas décadas, é estimada valer 25% dos votos. Não chegará ao poder sozinha. MAS...
Para Zakaria, se os Ocidentais, sobretudo os EUA, forem vistos como estando associados a esta tentativa de manutenção de poder, então o risco de revolta,  de extremismo, é potecialmente maior, aumentando as hipóteses de se repetir o que aconteceu em 1979, com a deposição do Xá e a instalação do regime dos Ayatolas, no Irão...