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2011-08-07

Há notícias que não perdem actualidade…

Uma curiosa revisita a alguns artigos de 2009... trouxeram à luz escritos pertinentes... hoje!

2011-02-11

Afinal Mubarak s(c)aiu…

Após Mubarak ter anunciado, ontem, que não sairia… Algumas horas depois, hoje, o Vice-Presidente anunciou que Mubarak resignou… não deverá ter sido pelo seu próprio pé… Mas o fundamental não é isso.. é compreender o que pode acontecer no Egipto e em termos de equilíbrios regionais e globais… É algo que pode ter impacto na vida de todos nós… Por isso a demissão de Mubarakfoi assinalada em todo o mundo. Veja aqui algumas das reacções.

Numa leitura rápida, parece que a tensão gerada pela recusa em sair por parte de Hosni Mubarak deverá ter os militares a ponderarem. As imagens da Praça Tahrir terão tido efeito: sentindo o risco de uma imprevisível guerra civil, terão visto na saída de Mubarak a única solução para diminuir a tensão, esvaziar a rua e a ideia de martirio e assim preservar os privilégios, controlando o processo de transição democrática... Por ora, e com o anúncio de que os militares, parece que as previsões de Fareed Zakaria se realizam - relembramos o post anterior, sobre o assunto.

2011-02-06

O século da interdependência global..

Em termos de potencial conflito as grandes questões do século XXI são:

- a água e o acesso a água potável (e, em menor escala, o acesso à produção alimentar)
- o acesso a fontes de energia
- os choques culturais, civilizacionas e religiosos, bem assim como as migrações.

No essencial estas são reflexo das questões de sempre: sobrevivência e identidade (e supremacia).

Só que, no século XXI, há duas novidades:
- a questão da água passa a ter um destaque reforçado - (já não é apenas o tradicional acesso aos cursos de água, fundamental para a agricultura, pecuária e indústria, mas o acesso a água potável em quantidade suficiente
- todas estas questões não só superam fronteiras políticas (água, energia, cultura e religião) como têm agora dimensões globais. Até ao século XIX, de algum modo, o uso dos recursos locais poderia permitir confinar os conflitos à escala regional, entre vizinhos próximos. O século XX é o século da transição e por isso teve dois conflitos de algum modo quase-globais. Mas se a àquelas dimensão somarmos a questão das NBQ (armas Nucleares, Biológicas e Químicas) cujo alcance é planetário e cuja transportablidade as transforma em assunto de todos... e considerarmos a rapidez da circulação da informação, vemos que a interdependência é o resultado inevitável. 

E é por isso que o processo em curso no Egipto nos afecta a todos. Para quem não acredita... o preço da gasolina que metemos no carro de manhã subiu poucos dias depois do início do conflito!

No CRI temos um pequeno artigo Quatro partes envolvidas da questão do Oriente Médio realizam conversações em Munique que mostram como o mundo está a seguir de perto o processo.

(Nota: a própria existência da CRI - China Radio Internacional, denota esta interdependência: a China preocupa-se em ter um meio de comunicação que a dê a conhecer ao mundo... impensável até recentemente!)

As demissões de grande parte da elite dirigente Egípcia, que ontem aqui referimos, poderão ser fruto das pressões norte-americanas.
Esta demissão colectiva, inclusive do filho de Mubarak, parece ter como objectivo permitir a manutenção na Presidência de Mubarak, para que este possa assegurar uma transição pacífica em conjunto com os militares, e para que possa permanecer no Egipto, sem ter de se exilar - um dos objectivos que enunciou no discurso que fez aos Egípcios e ao mundo, há uns dias.
Desde aí os Norte-americanos mantiveram a defesa da ideia da necessidade de reformas imediatas (algo que apela "à rua árabe") mas também iniciaram um discurso focado na preocupação com o risco do processo gerar um caos incontrolável ou um vazio de poder. A ONU, pela voz do seu Secretário Geral, Ban Ki-Moon juntou-se a estas vozes, tal como o Papa Bento XVI. Ora, desde há uns dias, os EUA defendem a manutenção de Mubarak como garante dessa transição pacífica - as  declarações de Frank Wisner, globalmente noticiadas, e de Hillary Clinton vão nesse sentido.

Tudo leva a crer que poderá ter sido esse o acordo: Mubarak cede, reforma, afasta parte da elite mais corrupta, saí em Setembro, mas fá-lo com dignidade, no seu timing e não "em fuga", e tenta garantir uma transição pacífica. O regresso à normalidade (os bancos estão a reabrir) e o diálogo (a irmandade muçulmana reune-se hoje com o Vice-Presidente, um general...) seriam uma prioridade.

A questão à luz da qual se deve analisar agora os cenários em aberto é se esta "jogada" ainda será a tempo de evitar o tão temido caos, que pode ser traduzido directamente na (in)segurança regional, como bem vem recordar a sabotagem do gasoduto que liga o Egipto a Israel.
E por isso devemos ter em mente que, no mundo interdependente, não é só o Egipto que está em causa. O mundo sabe-o, e por isso há manifestações de solidariedade com o povo Egípcio por todo o mundo, comona Argentina. E o mundo também sabe que mesmo que, mesmo que no Egipto o caos seja contido, falta saber se no resto do mundo e sobretudo do mundo árabe (*) a situação é controlável ou estão já libertadas forças e energias acumuladas que não poderão ser travadas: Jordânia, Tunisia, Argélia (de onde vem boa parte do gás que consumimos), Iemen e até na Arábia Saudita há focos de tensão que se libertam...


(*) o El Pais é um dos jornais, a nível mundial, que se tem distinguido pela riqueza da informação e pelos artigos de contextualização de ajudam a compreender o que está verdadeiramente em jogo.Os seus dossiers são da mais alta qualidade.


Algo que deveríamos olhar com cuidado, com muito cuidado, são as declarações de David Cameron, que reproduzem as que a Sra. Merkel proferiu há alguns meses: o fracasso do multicuturalismo e necessidade de políticas musculadas de integração. Não parece que a França tenha conseguido melhore resultados que o Reino Unido em termos de integração de minorias étnicas e culturais...

2010-07-25

Anti-natura...

Quando as regras criadas são inadequadas à realidade da sociedade à qual se deveriam aplicar, ou contrariam a natureza humana mais primitiva, estão condenadas ao fracasso... Seja o estatismo mais rígido, seja qualquer sistema cerceador da liberdade de iniciativa, seja sistemas que afastem qualquer preocupação ou sentido de justiça ou equidade, ou o "celibato" forçado... Este artigo, sobre a vida dupla, documentada, de padres, bispos gay, na cidade de Roma é um exemplo... Mas este outro, sobre questões educativas - "pais bons com filhos maus" - não o é menos...

Em termos de ética, isto corresponde à diferença entre um Dever Ser que tem aderência à realidade, ao Ser, ou seja, mostra caminhos possíveis, e um Dever Ser que não tem sustentabilidade possível na realidade, não sendo por isso exequível ou sustentável, é enorme: é a diferença entre a possibilidade e a mera quimera (mas infelizmente muitos vivem de acordo com elas e, em muitos casos, muitos conflitos inclusivé os bélicos, dão-se em nome dessas quimeras...) ...

2009-12-28

Recomendações e reflexões obrigatórias...

Alguns casos a exigir meditação, dois deles vindos do mundo do futebol:
- um caso de
democracia directa (a ser verdadeira a notícia...)
- e um outro de loucura:
mil milhões oferecidos por uma associação desportiva... de nome Real Madrid... Há realmente crise?
- Destruído património milenar para melhorar algumas estradas,
no Perú...

Reflexão merecem igualmente as
cinco entrevista que o Diário Económico apresenta sobre a década que acaba, e a que começa...:
-
Ilídio Pinho ("Sócrates preocupa-se com o popularismo")
-
Jacinto Nunes ("Daqui a dez anos, o TGV vai ser mais um elefante branco")
-
José Miguel Júdice ("O PSD como está não serve para nada"!)
- Mira Amaral ("A banca não pode dormir feliz, como antes da crise)

- Silva Lopes ("Os problemas já vinham da década de 90")
e também as declarações de Rui Machete (que não descarta candidatura à liderança do PSD...9

E, não menos, a entrevista de José Tolentino Mendonça ao i, de Imperdível...

Mas há outros aspectos que merecem atenção, por poderem ser "portas" que sirvam ao "saque" à coisa pública ou a processos menos claros... como as Fundações - em que as mais nobres e virtuosas (que também as há e com trabalho mais do que meritório pelo país e pelos Portugueses!) se arriscam a ser confundidas com outras criadas ad hoc para cobrir determinados processos e interesses... ou que pelo menos levantam suspeitas

E para acompanhar... a situação no Irão...

2009-12-16

A intolerância em poucas palavras...

A ser verdade a notícia do i sobre o ditame do Papa Bento XVI sobre a proibição de casamentos entre católicos e não católicos, significa um regresso à intolerância que era apanágio da igreja Católica nos séculos XVI e XVII, explica o porquê de tantos abandonos da Igreja e da sua perda de influência no mundo - sobretudo Ocidental - e um arrepiante retrocesso no processo de diálogo ecuménico tão fortemente perseguido pelo Papa João Paulo II e pela Comunidade de Santo Egideo. Significaria, ainda, o cair da "máscara" do Cardeal Ratzinger e um perigoso contributo para o clima de tensão bélica entre Civilizações e entre Religiões.

A ser verdade, trata-se uma chocante e preocupante prova de intolerância