2009-07-06

Inovar é importante, mas não chega...

Somos o 5º país Europeu em Inovação, MAS temos dificuldade em transformá-la em RIQUEZA porque... falta planificação estratégica...

Portugal Positivo... (parte 4)

As actividades do Instituto Ibérico de Nanotecnologias, sediado em Braga e onde irão trabalhar mais de duzentos investigadores, a partir de 2010, serão divulgadas ainda este mês, num seminário para empresários

Aluno da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), Nuno Cernadas, conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional Propiano em Bucareste, na Roménia.

Filipe Teixeira-Dias, docente do Departamento de Engenharia Mecânica e investigador do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação da Universidade de Aveiro (TEMA) recebeu, em Barcelona, o Prémio Jovem Investigador em Mecânica Aplicada e Computacional 2007.

Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão (CEFAGE) da Universidade de Évora classificada como Excelente por uma equipa de peritos internacionais...

O Vital Jacket, um dos diversos projectos inserido numa lógica "Vestuário 2.0 - Texteis de Nova Geração" em que Portugal tem vindo a dar cartas a nível internacional, foi hoje apresentado oficialmente, apesar de estar pronto há cerca de um ano. Desenvolvido pela Biodevices, uma spin off do IEETA da Universidade de Aveiro, é uma t-shirt... mas é também um sistema de monitorização de sinais vitais embebido na roupa que junta a componente têxtil com micro-electrónica...

Para além do Magalhães...

Da célebre história de Nobel e da sua invenção" da dinamite ou dos ensinamentos do Professor Adriano Moreira sobre o desenvolvimento da tecnologia nuclear e o papel dos cientistas no mesmo, retiram-se idênticas conclusões: o que importa, e é determinante, não é a tecnologia, mas o USO, a ORIENTAÇÃO que se dá a esse uso... A tecnologia, por si, não é boa nem má, não produz resultados... São os homens, e não as máquinas, que determinam os fins das tecnologias e o sucesso ou insucesso dos investimentos... O que importa são os Valores e a capacidade de pensar o uso das tecnologias ...

Isto a propósito de uma interessante entrevista a Stephen Heyneman, no Público

"não se pode aumentar qualidade do ensino superior só com financiamento público (...)" E lê-se ainda:

"(...) Don Tapscott, especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico.

O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman (...): “Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação” (...). O que viu (...) foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar" (...).

Heyneman lembra um estudo comparativo feito na Áustria e nos EUA sobre a utilização dos computadores. Enquanto na Áustria o programa foi um sucesso porque os professores foram envolvidos e tiveram formação para aprender a trabalhar e foram eles que ensinaram as crianças; nos EUA não houve formação, nem integração no currículo e os resultados do programa não foram positivos. É em estudos como este que Portugal deveria reflectir, aconselha."

2009-07-05

Notícias e artigos que vale a pena ler... para reflexão...

Um novo PS?

PS exclui duplas candidaturas socialistas a câmaras e ao Parlamento: isto pode um sinal de que o PS aprende alguma coisa com os resultados eleitorais e com as sondagens (como as relativas ao Porto), mas ficará sempre a imagem que o PS vai "a reboque" dos cartões amarelos, vai atrás da decisão atempada e inteligente do PSD e que o faz a contragosto... Para reforçar esta ideia, a contestação interna a esta exclusão que mostra que não se trata de uma "adesão" de fundo a esta medida no PS...
Importava também esclarecer se esta medida pode visar responder aos resultados nas eleições Europeias e/ou à preocupação com a imagem que os Portugueses têm da classe política: é empiricamente verificável, e o estudo apresentado esta semana pela SEDES veio confirmá-lo, que a maioria dos Portugueses entende que a maioria dos políticos coloca os seus interesses acima dos do país... na mais vulgar das linguagens, os Portugueses acham que a maioria dos políticos procura... "tachos"...).
O PSD já está a aproveitar esta confusão, que era previsível há meses, tal como o mostram artigos anteriores do Moscardo...
Outra notícia que mostra as subtis novidades no comportamento do PS, prende-se com a defesa agora menos intransigente do desempenho do BP e de Victor Constâncio...

2009-07-04

Portugal Positivo...

As boas notícias merecem destaque no Moscardo. Esta não é bem uma notícia de última hora (o produto já está em comercialização há algum tempo... muita gente, mesmo em ginásios, já a tem....) mas bem merece destaque, e por isso aqui o damos: Vital Jacket, uma t-shirt inovadora, desenvolvida em Portugal, permite fazer electrocardiogramas de modo bem mais cómodo ... leia mais, aqui

SEDES: o Congresso...

O Congresso da SEDES sob o lema A Qualidade da Democracia no Pós-Crise, foi um evento em crescendo...

A conferência de fundo pelo Professor da Universidade de Columbia,
Ronald Findlay, sinceramente, não trouxe nada de muito novo.
Seguiu-se uma apresentação de João Salgueiro, sólida, de alguém que olha o país de um prisma prospectivo. Sendo umma
leitura da realidade que deixa muita gente pouco feliz, pelo realismo, a opinião do Moscardo é que faltou, ao ainda Presidente da Associação de Bancos, apontar claramente um caminho sobre como se poderiam implementar as políticas que propõe sem mudanças no próprio sistema político-partidário e no aparelho de distribuição e acesso de poder... Ou seja: falta saber-se quais as condições de exequibilidade dessas ideias... E, sem isso, estamos no reino do "Dever Ser"...
Além disso, o excessivo foco no aspecto económico, esquece não só as dimensões sociais, culturais e ambientais, mas até as... políticas! Ora essas são as dimensões basilares de uma democracia...
A nota mais positiva: a ambição para Portugal, para os Portugueses, não se satisfazendo com "alcançar a média Europeia" mas antes almejando a "ultrapassar os melhores..."

Os debates e conversas durante o almoço volante foram vivos e a parte da tarde ainda mais estimulante. Logo após o repasto foi apresentado o estudo sobre A Qualidade da Democracia, aos olhos dos Portugueses por
Pedro Magalhaes (que tanto nos diz, das margens... as de erro e as outras...). Os resultados foram comentados em quase todos os jornais e mantiveram a audiência bem desperta, com um debate final bem vivo e que o Presidente da SEDES teve que interromper sob pena de não se terminarem os trabalhos...
Uma frase do artigo do JN sobre o estudo resume bem o lado menos positivo dos seus resultados:
"Os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa. (...)
Em suma, o estudo diz que 51% dos cidadãos não estão satisfeitos com a democracia e destes 16% dizem-se "nada satisfeitos"(...) " . Leia mais,
aqui e aqui.
Quanto aos lados positivos dos resultados, porque também os há, destacam-se as liberdades individuais.

A importância do estudo é grande, tendo
Cavaco Silva comentado o mesmo. Espera-se que possam provocar reflexões e "olhares ao espelho", de todos os cidadãoes mas, sobretudo, entre os partidos, os detentores de cargos públicos e de soberania, entre a classe política e os profissionais ligados à justiça - isto apesar de os resultados, em alguns aspectos, apenas confirmarem outros estudos já existentes.

Além do valor do estudo em si, e do interessante debate que se seguiu à sua apresentação, o Congresso teve uma parte menos mediática mas não menos rica: três paineis simultâneos - todos tendo como pano de fundo A Qualidade da Democracia no Pós-Crise...

  • no Novo Contexto Económico (org. Victor Bento, com Silva Lopes, Daniel Bessa e José Tavares, naquela que foi a sala mais concorrida)
    no Novo Contexto Social (o ilustre sociólogo Manuel Villaverde Cabral organizou uma mesa que prometia polémica, com Carvalho da Silva - CGTP; Paulo Teixeira Pinto - ex-Presidente do BCP; e Fernando Ribeiro Mendes - ex-Sec. Estado da Segurança Social, num debate com pouco participantes mas que teve grande qualidade, a julgar pelos comentários que se ouviram)
  • na Sociedade do Conhecimento (organizado por Diogo Vasconcelos, com a premiada investigadora Elvira Fortunato; o Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento, Carlos Costa; o Secretário de Estado e porta-voz do PS, João Tiago Silveira; e o investigador e blogger Pedro Lomba). O Moscardo esteve neste painel e irá dedicar-lhe um post especial, mais aprofundado, nos próximos dias, por ter sido extremamente denso, com diferentes visões sobre a sociedade em que vivemos e em que viveremos, sobre as suas consequências para a vida das pessoas e para os sistemas políticos, e também com pistas para os melhores caminhos e estratégias nessa nova fase das sociedades humanas, em especial para Portugal... O interesse e vivacidade do painel levaram a que se prolongasse para além da hora, terminando já após o Prof. Luís Campos e Cunha ter apresentado as Conclusões do Congresso...

No dia seguinte, hoje, dia 4 de Julho, Lisboa foi palco de novo debate, com temas afins: "Ética na Política e na Economia", organizado pela Comissão Nacional Justiça e Paz. apesar de ser um sábado de manhã e de o local ser um (belo) Auditório na Estação de Metro do Alto dos Moinhos, a sala estava muito composta para ouvir a intervenção do Professor Adriano Moreira. Brilhante, como sempre, mostrou como a crise resulta de uma questão de fundo, seja a nível interno de cada sociedade/país seja a nível internacional: da crise de confiança - do valor da confiança, da crise no exercício da Pietas (e da cidadania) e da sensação de injustiça. A sagacidade da apresentação, a forma e elegância com que expressa as suas ideias e com que honra a nossa língua bem justificaram uma longa ovação, que deixou o próprio moderador, o presidente da CNJP, quase sem palavras...

Seguiu-se um painel com José Manuel Pureza e com o sindicalista Ulisses Garrido. De novo um painel substantivo, com leituras que transcedem a visão simplista de uma mera crise financeira que provocou uma crise económica... Dentro de uns dias esta conferência merecerá também um novo post...

2009-07-02

Justiça bloqueada?

"O excesso de garantismo é tão injusto como a falta de garantias porque conduz à impunidade” pode ler-se numa oportuna entrevista a Maria José Morgado que tem como pano de fundo o contraste entre a rapidez da justiça Americana no caso Madoff por oposição aos casos BPN, BCP, BPP...

A não resolução de casos como o da Casa Pia, que se arrasta para a trás e para a frente, anos a fio - por oposição a casos não menos complexos, como os casos de pedofilia na Bélgica ou o caso Fritzl na Áustria (julgamento poucos meses após a revelação do caso!) -, leva a questionar se esta não será, de facto, a questão de fundo?

Estas demoras ocorrem nos casos mencionados que, tal como os do Freeport ou os de Vale e Azevedo, são altamente mediáticos e são provavelmente tratados com prioridade (*) e de modo mais célere que os demais! Ora, se mesmo nesses casos temos processos para vários anos - quase sempre mais do que uma legislatura . é pertinente pensar-se que este excesso de garantismo pode, de facto, ser uma das fontes do problema...

(*) é natural que sejam tratados como prioritários, porque deveriam criar (criam?), nos agentes da justiça, um sentido de prioridade e uma compreensão de que demoras incompreensíveis nestes processos específicos, pelo seu mediatismo, afectam de modo irremediável a imagem dos Portugueses do funcionamento da Justiça... E esses agentes, alguns deles detentores de um Órgão de Soberania, sabem que não havendo confiança dos Cidadãos na Justiça é o próprio Estado de Direito que está em causa. Ora zelar pela confiança dos Portugueses no sistema Judicial e na sua capacidade de... fazer justiça, é precisamente a primeira missão que lhes está acometida.

(**) No caso do Freeport (e, de algum modo, no do BPN), a prioridade deveria ser dada de modo ainda mais claro, por envolver - ou por permitir levantar suspeitas - e afectar a imagem - e a reputação - do Primeiro Ministro e, no caso BPN, do Presidente. Mais uma vez é são os alicerces do Estado de Direito que estão em causa. Por isso a urgência em resolver os casos, para não permitir pairar suspeitas.

Made in Portugal: notícias positivas...

Mais mensagens positivas (além do Portugal Recomendado): aqui (Remade in Portugal), aqui (Prémio para Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência), aqui (Joana Vasconcelos) e aqui (base da Ryanair no Porto)... Afinal Portugal ainda mexe...

Crise Ética na Economia e na Política

Comissão Nacional Justiça e Paz promove seminário "CRISE ÉTICA NA ECONOMIA E NA POLÍTICA", em Lisboa, dia 4, dia seguinte ao Congresso da SEDES ("A Qualidade da Democracia no Pós-Crise").

Perante o cenário actual do país, bem precisamos deste debate: abra-se um qualquer jornal e as notícias passam quase sempre por questões de verdade, de figuras públicas arguidas, de processos judiciais longos ou por resolver, de providências cautelares, por dúvidas sobre legalidades... Ao abrir o Público online de hoje (mas poderia ser outro o jornal), e 5 das 8 notícias nacionais destacadas são relacionadas com questões judiciais e de apuramento de verdade... E uma sexta refere-se a um eventual reforço orçamental para contratação de magistrados! Parece-se demasiado com o conteúdo da comunicação social Italiana, nos anos 90, durante o processo "Mãos Limpas"...