Os dois inquéritos que aqui deixamos há alguns dias mantêm-se equilibrados. No PSD, enquanto Menezes desafia Marcelo (!), os apoiantes de Paulo Rangel e de Aguiar Branco afirmam que a eleição de delegados nada indica em termos de eleição "um militante-um voto", e que Passos Coelho ainda não é Presidente do PSD... E, portanto, poderá não ser ele a confrontar o PS nas próximas eleições que, segundo muitos, serão mais cedo do que se pensaria...
Espera-se que estes fait-divers levem a uma clarificação no PSD, que permita aos Portugueses terem alternativa e uma verdadeira oposição construiva, e nos permita todos focar no essencial... que se debate em torno de temas como o PEC, a educação, a justiça, o modelo de desenvolvimento, as privatizações e os serviços e investimentos públicos, a aposta na internacionalização da economia, ou a organização do Estado, a ética e os valores...
“Sou o moscardo que nunca deixará de vos acordar, de vos admoestar” Sócrates, filósofo Grego e Universal, inspiração deste blog de ÉTICA, CIDADANIA e POLÍTICA e que resumiu assim toda a Filosofia: "Só sei que nada sei"
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2010-03-08
2010-03-03
Contra o cansaço... os novos rostos e o doce cheiro do Poder...
Com a descrebilização da classe política, é natural que novos rostos, menos familiares aos Portugueses, possam ocupar cargos de liderança e tenham grande probabilidade de obter o voto de cidadãos que, na sua maioria, estão descrentes dos rostos de sempre, pelos escândalos, pela desconfiança generalizada, pelos incumprimentos de promessas e contratos, pelo crescimento nulo (ou quase) de uma década inteira, pela crise, pelo desemprego, pelos salários em atraso... Por isso, no PSD, onde cheira a poder, se aprontam em animada disputa Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar Branco (o que tem menos hipóteses... por ter mais currículo, precisamente!), conscientes do desgaste do Governo, do seu líder, e da hipótese de eleições antecipadas, e...
2010-02-25
Portugal: o PSD continua a ser fundamental...
...no sistema partidário e, por isso, para o país poder traçar o seu caminho é importante que o PSD se clarifique... PEC e outras questões de fundo dependem do PSD, e a alternativa de governo tem, por ora, de passar sempre pelo PSD... Pelo que se espera pelo desfecho desta disputa de liderança - ler aqui interessante artigo "os três ases" de António Gome Mota (ISCTE Business School) enquanto Manuela Ferreira Leite prejudica o país, com declarações que nos comparam com a Grécia e minam a sua já debilitada auto-confiança e a credibildade externa, não se percebendo quem com elas ganha... Isto enquanto há economistas ilustres a pedir o apoio do FMI e outros que se preocupam com o desenvolvimento do país - que tem de passar pela inovação como forma de subir a sua capacidade competitiva...
É positivo que, sobretudo graças a Paulo Rangel e a Passos Coelho, haja debate em torno de ideias e prioridades, e não apenas fúteis críticas entre si. Já aqui disso falamos. Aguiar Branco, agora apoiado por Rui Rio é que informado menos o país sobre o que pensa...
E por falar em temas sérios, se não mesmo "revolucionário": o pagamento de juros de mora pelo Estado, que pode de facto alterar muito da economia nacional... Pois forçará entidades públicas a reduzir prazos de pagamento e, atendendo a que maioria das empresas dependem desses pagamentos para depois cumprirem os seus, pode ter um fantástico efeito "cascata"... Falta saber se chegará a ser aplicada a lei..
Na AR, e numa presença na Comissão de Inquérito que foi exemplar, pela clareza, pela seriedade, pela postura e frontalidade, bem como pelo que revelou e nos permitiu saber sobre o nosso próprio país, o Director do Expresso explicou como, do BES ao Primeiro Ministro, há tentativas de influenciar a comunicação social - e mencionou Cavaco, Guterres, Durão Barroso, os grandes grupos económicos, e não apenas Sócrates... Sempre com clareza e precisão, e de modo a não deixar dúvidas: era difícil ser de outra forma...
É positivo que, sobretudo graças a Paulo Rangel e a Passos Coelho, haja debate em torno de ideias e prioridades, e não apenas fúteis críticas entre si. Já aqui disso falamos. Aguiar Branco, agora apoiado por Rui Rio é que informado menos o país sobre o que pensa...
E por falar em temas sérios, se não mesmo "revolucionário": o pagamento de juros de mora pelo Estado, que pode de facto alterar muito da economia nacional... Pois forçará entidades públicas a reduzir prazos de pagamento e, atendendo a que maioria das empresas dependem desses pagamentos para depois cumprirem os seus, pode ter um fantástico efeito "cascata"... Falta saber se chegará a ser aplicada a lei..
Na AR, e numa presença na Comissão de Inquérito que foi exemplar, pela clareza, pela seriedade, pela postura e frontalidade, bem como pelo que revelou e nos permitiu saber sobre o nosso próprio país, o Director do Expresso explicou como, do BES ao Primeiro Ministro, há tentativas de influenciar a comunicação social - e mencionou Cavaco, Guterres, Durão Barroso, os grandes grupos económicos, e não apenas Sócrates... Sempre com clareza e precisão, e de modo a não deixar dúvidas: era difícil ser de outra forma...
2010-02-22
Temas e debates que valem a pena...
Uma série de artigos e posts interessantes nas últimas 24 horas...
- No PSD, a disputa pela liderança promete mais uma "guerra" fratricida" mas, felizmente, desta vez, e graças às propostas de Paulo Rangel e Pedro Passos Coelhos em torno de temas substantivos: depois da educação, regulação e golden shares, protecção de família ou casamento gay estão já a ser abordados na disputa eleitoral contribuindo assim para o debate político e para uma maior clarificação no PSD e, por conseguinte, na política nacional!
- Entre comentadores e blogs de direita parece haver mais sensatez e conhecimento de matemática, sistemas eleitorais e sociologia política, bem como mais conhecimento da nossa história recente, havendo quem compreenda porque é que a candidatura de Fernando Nobre pode complicar e não simplificar, a re-eleição de Cavaco Silva, tal como O Moscardo dizia já na semana passada, neste mesmo blog... Se Alegre,e o PS, não compreenderem isto e que nunca um Presidente será eleito usando sistematicamente o termo "esquerda" (ou "direita"), pois será sempre o "Centro" a decidir eleições com duas candidaturas, e que o eleitor não se sentir "incluído" num dado discurso, não se pode sentir "representado" e como as Presidenciais elegem quem nos "representa", estes eleitores optarão pelo candidato que não os exclua e não "sectarize" e não divida o espectro de modo tão "simplista"...
- Provando mais uma vez que Fernando Nobre pretende ser o Obama Português, e usando a sua experiência na AMI, lançou já a campanha para voluntários
- Carlos Zorrinho, para além das suas funções governativas, mantém, felizmente, as suas actividades "online" e deixou-nos um post "Mística" que creio merecer leitura...
- No PSD, a disputa pela liderança promete mais uma "guerra" fratricida" mas, felizmente, desta vez, e graças às propostas de Paulo Rangel e Pedro Passos Coelhos em torno de temas substantivos: depois da educação, regulação e golden shares, protecção de família ou casamento gay estão já a ser abordados na disputa eleitoral contribuindo assim para o debate político e para uma maior clarificação no PSD e, por conseguinte, na política nacional!
- Entre comentadores e blogs de direita parece haver mais sensatez e conhecimento de matemática, sistemas eleitorais e sociologia política, bem como mais conhecimento da nossa história recente, havendo quem compreenda porque é que a candidatura de Fernando Nobre pode complicar e não simplificar, a re-eleição de Cavaco Silva, tal como O Moscardo dizia já na semana passada, neste mesmo blog... Se Alegre,e o PS, não compreenderem isto e que nunca um Presidente será eleito usando sistematicamente o termo "esquerda" (ou "direita"), pois será sempre o "Centro" a decidir eleições com duas candidaturas, e que o eleitor não se sentir "incluído" num dado discurso, não se pode sentir "representado" e como as Presidenciais elegem quem nos "representa", estes eleitores optarão pelo candidato que não os exclua e não "sectarize" e não divida o espectro de modo tão "simplista"...
- Provando mais uma vez que Fernando Nobre pretende ser o Obama Português, e usando a sua experiência na AMI, lançou já a campanha para voluntários
- Carlos Zorrinho, para além das suas funções governativas, mantém, felizmente, as suas actividades "online" e deixou-nos um post "Mística" que creio merecer leitura...
2010-02-18
Aos 12 anos pode aprender-se uma profissão...
Entrevista a Paulo Rangel, no i. Aguardam-se idênticas entrevistas a Passos Coelho e a Aguiar Branco
2010-02-11
Previsível... (ACT)
A guiar em Branco... Range mas vai caçar Coelho... Como previsto:
- Aguiar Branco vai candidatar-se (apesar de muito boa agente ir tentar demovê-lo nas próximas 24 horas), confirmando que a ala anti-PPC não se entende... e se divide...
- Pedro Passos Coelho será o mais provável próximo líder do PSD... Era bom ver o Land brokers...
Actualização: as mais mirabolantes soluções, dignas do partido que mais surpresas nos tem dado em democracia...
- Aguiar Branco vai candidatar-se (apesar de muito boa agente ir tentar demovê-lo nas próximas 24 horas), confirmando que a ala anti-PPC não se entende... e se divide...
- Pedro Passos Coelho será o mais provável próximo líder do PSD... Era bom ver o Land brokers...
Actualização: as mais mirabolantes soluções, dignas do partido que mais surpresas nos tem dado em democracia...
2010-02-10
PSD: mais uma novidade na corrida à liderança...
Confirma-se: Paulo Rangel será candidato a líder do PSD... Como já aqui expressamos, acreditamos que Pedro Passos Coelho sairá vencedor destas eleições... Mas talvez ainda antes das próximas eleições legislativas, já não seja líder do PSD... podendo ainda cumprir-se a previsão do Moscardo, feita ainda antes das eleições legislativas, de que Paulo Rangel ainda será primeiro ministro de Portugal na próxima década...
PS: e será que Aguiar Branco se irá também candidatar?
PS: e será que Aguiar Branco se irá também candidatar?
2009-10-30
PSD e Marcelo... Capítulo: n+2
No PSD, e como previsto, a ala anti-liberal ou, mais precisamente, anti-Pedro Passos Coelho, compreende que se se desunir, e num sistema de eleição a uma só volta, com o vencedor a ser escolhido por maioria simples, pode arriscar-se a que PPC chegue à liderança do PSD...
E compreendeu mais do que isso: que Paulo Rangel, Morais Sarmento, Aguiar Branco não são nomes com força suficiente para que se anulem uns aos outros... ou seja, não garantem que haja uma só candidatura "contra" PPC, e muito menos é garantia de impedir uma eventual chegada de PPC à liderança, dado o trabalho desenvolvido por este.
Assim, esta ala, que na realidade é em si o resultado de uma convergência de diversas sensibilidades dentro do PSD-PPD, chegou à conclusão que a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa pode não garantir a derrota de PPC, mas pelo menos é a que dá mais garantias de isso poder acontecer. Várias razões há para isso, desde a notoriedade do Professor à sua exímia gestão táctica (para alguns até excessiva), à sua capacidade oratória e ao seu prestígio como académico, jurista e como homem tremendamente culto.
Há ainda um certo "ajuste" com a história, pois esses "apoiantes" sabem que não permitiram que MRS chegasse a votos, em 1999...
MRS, porém, quer mais... Como escrito neste blog há uns dias, quer ter o maior grau de convicção possível de que Cavaco irá mesmo re-candidatar-se. E quer... que pelo menos Aguiar Branco e Morais Sarmento venham a terreiro fazer o que ontem Paulo Rangel, Alexandre Relvas e José Luís Arnaut fizeram: manifestar o seu apoio. Mesmo dirigentes que noutras condições poderiam apoiar PPC, como Menezes, reconhecem MRS como um ´potencial líder
Já o escrevemos há mais de uma semana: Marcelo tem três condições prévias... E se a primeira é sobre Cavaco e a Presidência, a segunda é sobre o grau de "certeza" numa vitória interna. E para isso não lhe basta que os demais não se candidatem contra ele, mas sim que declarem o seu apoio, chamando assim "as suas hostes"... E dando aparentes garantias que não lhe será "tirado o tapete" antes das próximas legisltativas.. a terceira condição de Marcelo...
E, por fim, Marcelo precisará ainda de estar certo de mais um apoio antes de avançar: Alberto João Jardim! Como também foi aqui dito, a Madeira tem quase 25% dos militantes do PSD, e é o bloco que votará mais "em uníssino", se houver apoio declarado de Alberto João a um candidato... E AJJ, consciente do seu poder, tem andado estranhamente silencioso... Quer ver alguma clarificação e depois - se considerar que eventuais candidatos têm iguais hipóteses de chegar a Primeiro Ministro - não deixará de negociar com os candidatos os maiores benefícios para a Madeira e para si próprio, após a saída do governo Regional, que segundo o próprio será no fim deste mandato...
2009-10-26
PSD... capítulo... (perdemos a contagem :-)
No PSD, as movimentações continuam.
Como o Moscardo já escreveu por diversas vezes, o debate interno do PSD é importante para o país. E como também já dissemos, Marcelo condiciona todos os demais potenciais candidatos. Marcelo tem hoje o peso e a influência que tinha Vitorino, há uns anos, sobre as "directas" no PS - condicionar todos os demais potenciais candidatos das alas maioritárias dos respectivos partidos -... E é curioso como ambos estão na RTP, ora em conjunto, ora separadamente com o seu programa de comentário político...
Como o Moscardo já escreveu por diversas vezes, o debate interno do PSD é importante para o país. E como também já dissemos, Marcelo condiciona todos os demais potenciais candidatos. Marcelo tem hoje o peso e a influência que tinha Vitorino, há uns anos, sobre as "directas" no PS - condicionar todos os demais potenciais candidatos das alas maioritárias dos respectivos partidos -... E é curioso como ambos estão na RTP, ora em conjunto, ora separadamente com o seu programa de comentário político...
2009-10-22
Unidade de lista era requisito de Marcelo?
Se não era... Era algo parecido...
Como aqui escrevemos, Marcelo tinha 3 condições para ser candidato à liderança do PSD:
- saber que CS é re-candidato
- saber que ganha as directas
- ter convicção que irá a votos em 2011, 2012 ou 2013
Uma delas, a segunda, era ter a certeza de vitória. Ora: Ser unico candidato seria o melhor modo de assegurar vitória!
Pedir para ser candidato único, sob pretexto de unidade interna é “contornar realidade”: MRS sabe que teria pelo menos um opositor. Um candidato declarado, que correu o risco do desgaste, mas ganhou a credibilidade dada pela frontalidade... Pedro Passos Coelho.
E Marcelo sabe, e já sabia bem que...
1- PPC teve mais de 31% nas ultimas directas
2- PPC fez grande trabalho, online (www.construirideias.pt mas não só) e em pessoa – esteve em todo as delegações partidárias.... É por isso natural que tenha ganho grande parte dos 29% que votaram Santana, e alguns dos 37% de MFL.. alem dos 2 a 3% que votaram noutros candidatos. E que consiga manter a maior parte dos seus 31%.
3- Ou seja: num sistema eleitoral tipo winner takes all a uma só volta... só uma total união da frente anti-Liberal (leia-se anti-PPC) pode ganhar-lhe! E terá ainda assim de conquistar o voto de militantes que em 2008 não votaram...
4- Marcelo é fortíssimo como candidato, mas tem também muitos anti-corpos, irrita muita gente, e mesmo o próprio aparelho... Ainda assim, ele sabe que poderia receber os votos do aparelho (veja-se Menezes... a dizer que era bom candidato) e dos militantes, porque todos sabem que em termos eleitorais é alguém que pode ganhar debates a Sócrates ou a qualquer outro futuro líder do PS e tem uma notoriedade ímpar (algo que PPC não tem).
5- Rangel e Morais Sarmento – e provavelmente outros – deram a entender que nunca iriam a votos para defrontar Marcelo, mas não o garantiram. Aguiar Branco ainda menos... nem sequer Manuela Ferreira Leite o disse... Marcelo precisa da CERTEZA - que não deve ter obtido – de que não só não se candidatam contra ele como necessita, para ter convicção numa vitória, que demonstrem empenho na sua eleição... e isso não obteve!
6- Mesmo que ganhando a PPC, MRS sabe que o futuro líder terá oposição da “ala liberal”. Ora Marcelo quando foi líder andou sempre a exigir 2/3... Porque entende que para fazer oposição é preciso tranquilidade interna “união de propósitos, união de estratégia”. Mas mais do que isso, é em face da 3ª condição de Marcelo que este ponto é importante: MRS queria “certezas” de que se manteria como líder até às próximas legislativas...
7- Ou seja: a condição TER CERTEZA DE VENCER... não se reúne, no momento... e muito menos a de que chegaria a eleições!
8- MRS retira-se? Por ora... aparentemente
9- Voltar à corrida? Sim, em vários cenários... Exemplo: se houver “vaga de fundo” - que inclua Rangel, Morais Sarmento, e outros potenciais candidatos, que assim abdiquem e mostrem empenho em “derrotar” PPC -, ele poderá avançar... tal como fará se PPC fizer algo de tão errado que demonstre incapacidade ou que comprometa sua imagem de líder com potencial para primeiro-ministro, que conseguiu criar em boa parte do PSD...
10- O mais provável? MRS recuar mesmo e Paulo Rangel candidatar-se. Porquê? Já aqui deixamos um post sobre o potencial mediático e político de Rangel - . Anula uma importante vantagem de PPC: uma nova geração. Mas tem sobre este uma vantagem: tem trabalho político, e não apenas partidário, com sucesso e qualidade, e GANHOU eleições... E ainda se sobrepõe ideologicamente a PPC, pois mesmo os mais liberais membros do PSD não se importarão de o ter como líder...
11- Fica depois a dúvida: e será que candidatos potenciais que recuariam se Marcelo avançasse, farão o mesmo se candidato for Paulo Rangel? Duvido... Mas até poderá ser (tudo depende das negociações a decorrer...).
12- Se algum outro, sobretudo Morais Sarmento, avançar, PPC deverá vencer...
13- Se Rangel for o único opositor relevante a PPC... o resultado é imprevisível... PPC tem mais de 30 anos de fidelidade ao Partido, Rangel tem 8 anos de PSD, é um “cristão-novo” e no aparelho isso pesa... mas também pesa o facto de ter apoio de diversas linhas do partido, e de ter ganho eleições...
14- Quem é fundamental? Acredito que será Alberto João Jardim! Os líderes de distritais do Porto, e outros, conseguem canalizar alguns votos, mas não têm o poder dos tempos dos congressos, em que representavam todo um número de votos... Agora apenas alguns militantes Mas AJJ tem um poder enorme: mais de 10.000 votantes! E todos disponíveis para votar com AJJ...
Conclusões
1. Marcelo ainda não se retirou. E dele depende a possibilidade de quem quer que seja avançar contra PPC. Ao fazer as declarações de ontem, ONTEM, antes de HOJe (Conselho Nacional), e sabendo que Rangel virá a Lisboa à reunião, MRS pode mesmo estar a dar sinal a Rangel para avançar... Será?
2. Se a corrida for Rangel contra PPC, teremos curiosamente o partido a apresentar uma síntese interessante, pois ambos são ideologicamente próximos, com PPC a assumir-se mais como potencial “liberal”, enquanto Rangel representa uma visão mais ampla do “arco” das ideias políticas que estão integradas no PSD
3. Qualquer uma destas potenciais lideranças dará muito mais “dores de cabeça” a Sócrates do que MFL (e isso é bom para o país)... Mas nenhum deles está no Parlamento (e isso é mau para eles, para o PSD e para o país).
MRS sabe e tem consciência de todas estas variáveis e é um Mestre na Ponderação das mesmas. A sua ponderação e hesitação só mostra a força e a implantação da candidatura de PPC... E que provavelmente não consideraria a sua vitória como um dado adquirido...
Como aqui escrevemos, Marcelo tinha 3 condições para ser candidato à liderança do PSD:
- saber que CS é re-candidato
- saber que ganha as directas
- ter convicção que irá a votos em 2011, 2012 ou 2013
Uma delas, a segunda, era ter a certeza de vitória. Ora: Ser unico candidato seria o melhor modo de assegurar vitória!
Pedir para ser candidato único, sob pretexto de unidade interna é “contornar realidade”: MRS sabe que teria pelo menos um opositor. Um candidato declarado, que correu o risco do desgaste, mas ganhou a credibilidade dada pela frontalidade... Pedro Passos Coelho.
E Marcelo sabe, e já sabia bem que...
1- PPC teve mais de 31% nas ultimas directas
2- PPC fez grande trabalho, online (www.construirideias.pt mas não só) e em pessoa – esteve em todo as delegações partidárias.... É por isso natural que tenha ganho grande parte dos 29% que votaram Santana, e alguns dos 37% de MFL.. alem dos 2 a 3% que votaram noutros candidatos. E que consiga manter a maior parte dos seus 31%.
3- Ou seja: num sistema eleitoral tipo winner takes all a uma só volta... só uma total união da frente anti-Liberal (leia-se anti-PPC) pode ganhar-lhe! E terá ainda assim de conquistar o voto de militantes que em 2008 não votaram...
4- Marcelo é fortíssimo como candidato, mas tem também muitos anti-corpos, irrita muita gente, e mesmo o próprio aparelho... Ainda assim, ele sabe que poderia receber os votos do aparelho (veja-se Menezes... a dizer que era bom candidato) e dos militantes, porque todos sabem que em termos eleitorais é alguém que pode ganhar debates a Sócrates ou a qualquer outro futuro líder do PS e tem uma notoriedade ímpar (algo que PPC não tem).
5- Rangel e Morais Sarmento – e provavelmente outros – deram a entender que nunca iriam a votos para defrontar Marcelo, mas não o garantiram. Aguiar Branco ainda menos... nem sequer Manuela Ferreira Leite o disse... Marcelo precisa da CERTEZA - que não deve ter obtido – de que não só não se candidatam contra ele como necessita, para ter convicção numa vitória, que demonstrem empenho na sua eleição... e isso não obteve!
6- Mesmo que ganhando a PPC, MRS sabe que o futuro líder terá oposição da “ala liberal”. Ora Marcelo quando foi líder andou sempre a exigir 2/3... Porque entende que para fazer oposição é preciso tranquilidade interna “união de propósitos, união de estratégia”. Mas mais do que isso, é em face da 3ª condição de Marcelo que este ponto é importante: MRS queria “certezas” de que se manteria como líder até às próximas legislativas...
7- Ou seja: a condição TER CERTEZA DE VENCER... não se reúne, no momento... e muito menos a de que chegaria a eleições!
8- MRS retira-se? Por ora... aparentemente
9- Voltar à corrida? Sim, em vários cenários... Exemplo: se houver “vaga de fundo” - que inclua Rangel, Morais Sarmento, e outros potenciais candidatos, que assim abdiquem e mostrem empenho em “derrotar” PPC -, ele poderá avançar... tal como fará se PPC fizer algo de tão errado que demonstre incapacidade ou que comprometa sua imagem de líder com potencial para primeiro-ministro, que conseguiu criar em boa parte do PSD...
10- O mais provável? MRS recuar mesmo e Paulo Rangel candidatar-se. Porquê? Já aqui deixamos um post sobre o potencial mediático e político de Rangel - . Anula uma importante vantagem de PPC: uma nova geração. Mas tem sobre este uma vantagem: tem trabalho político, e não apenas partidário, com sucesso e qualidade, e GANHOU eleições... E ainda se sobrepõe ideologicamente a PPC, pois mesmo os mais liberais membros do PSD não se importarão de o ter como líder...
11- Fica depois a dúvida: e será que candidatos potenciais que recuariam se Marcelo avançasse, farão o mesmo se candidato for Paulo Rangel? Duvido... Mas até poderá ser (tudo depende das negociações a decorrer...).
12- Se algum outro, sobretudo Morais Sarmento, avançar, PPC deverá vencer...
13- Se Rangel for o único opositor relevante a PPC... o resultado é imprevisível... PPC tem mais de 30 anos de fidelidade ao Partido, Rangel tem 8 anos de PSD, é um “cristão-novo” e no aparelho isso pesa... mas também pesa o facto de ter apoio de diversas linhas do partido, e de ter ganho eleições...
14- Quem é fundamental? Acredito que será Alberto João Jardim! Os líderes de distritais do Porto, e outros, conseguem canalizar alguns votos, mas não têm o poder dos tempos dos congressos, em que representavam todo um número de votos... Agora apenas alguns militantes Mas AJJ tem um poder enorme: mais de 10.000 votantes! E todos disponíveis para votar com AJJ...
Conclusões
1. Marcelo ainda não se retirou. E dele depende a possibilidade de quem quer que seja avançar contra PPC. Ao fazer as declarações de ontem, ONTEM, antes de HOJe (Conselho Nacional), e sabendo que Rangel virá a Lisboa à reunião, MRS pode mesmo estar a dar sinal a Rangel para avançar... Será?
2. Se a corrida for Rangel contra PPC, teremos curiosamente o partido a apresentar uma síntese interessante, pois ambos são ideologicamente próximos, com PPC a assumir-se mais como potencial “liberal”, enquanto Rangel representa uma visão mais ampla do “arco” das ideias políticas que estão integradas no PSD
3. Qualquer uma destas potenciais lideranças dará muito mais “dores de cabeça” a Sócrates do que MFL (e isso é bom para o país)... Mas nenhum deles está no Parlamento (e isso é mau para eles, para o PSD e para o país).
MRS sabe e tem consciência de todas estas variáveis e é um Mestre na Ponderação das mesmas. A sua ponderação e hesitação só mostra a força e a implantação da candidatura de PPC... E que provavelmente não consideraria a sua vitória como um dado adquirido...
2009-09-20
Paulo Rangel será primeiro ministro...
Deixo aqui uma previsão simples, após rever Paulo Rangel nos Gato Fedorento, onde confirmou a impressão que dele tinha desde as Europeias: este homem será primeiro ministro de Portugal... E provavelmente já na próxima década ... (a menos que algum grande grupo económico o leve antes...).
Racional desta previsão: na partidocracia em que vivemos, votamos para a Assembleia da República (AR) mas na realidade... escolhemos Governos. Estes são liderados por um Primeiro Ministro (PM) que escolhe linhas de fundo e os Ministros que executam essas linhas. O PM e o Governo precisam do voto da AR. A AR tem deputados que são eleitos em listas partidárias. Os PM têm sido líderes de PS e PSD. Assim, ao votarmos em legislativas, onde só podemos votar em partidos, só temos escolha entre o que os partidos nos propõem. Logo, conquistar o poder e chegar a PM, em Portugal (e não só), implica conquistar Partidos, até hoje sempre PS ou PSD. Deste modo votamos quase directamente no Primeiro Minnistro, após umas primárias internas aos partidos, só para militantes...
E como se ganha o poder nos partidos, sobretudo (mas não só) no PS e no PSD: mostrando-se como a pessoa mais capaz para conquistar o poder nas eleições seguintes... Porque os partidos são também máquinas de distribuição de poder... os militantes votam de acordo com a maximização de oportunidades de poder para o Partido... Mais do que o interesse nacional ou outra qualquer consideração - desde que dentro de linhas programáticas próximas.
É aqui que entra Paulo Rangel: a sua competência (reconhecida por opositores!), a sua assertividade, o seu talento e à-vontade mediático (notável com os Gato, batendo qualquer líder actual no à-vontade!) e o facto de já ter vencido eleições de âmbito nacional quando as cartas apontavam noutro sentido... dão-lhe todas as hipóteses de se mostrar como o mais capaz de levar o PSD ao poder no seio dos militantes... E chegando à liderança do PSD...
Racional desta previsão: na partidocracia em que vivemos, votamos para a Assembleia da República (AR) mas na realidade... escolhemos Governos. Estes são liderados por um Primeiro Ministro (PM) que escolhe linhas de fundo e os Ministros que executam essas linhas. O PM e o Governo precisam do voto da AR. A AR tem deputados que são eleitos em listas partidárias. Os PM têm sido líderes de PS e PSD. Assim, ao votarmos em legislativas, onde só podemos votar em partidos, só temos escolha entre o que os partidos nos propõem. Logo, conquistar o poder e chegar a PM, em Portugal (e não só), implica conquistar Partidos, até hoje sempre PS ou PSD. Deste modo votamos quase directamente no Primeiro Minnistro, após umas primárias internas aos partidos, só para militantes...
E como se ganha o poder nos partidos, sobretudo (mas não só) no PS e no PSD: mostrando-se como a pessoa mais capaz para conquistar o poder nas eleições seguintes... Porque os partidos são também máquinas de distribuição de poder... os militantes votam de acordo com a maximização de oportunidades de poder para o Partido... Mais do que o interesse nacional ou outra qualquer consideração - desde que dentro de linhas programáticas próximas.
É aqui que entra Paulo Rangel: a sua competência (reconhecida por opositores!), a sua assertividade, o seu talento e à-vontade mediático (notável com os Gato, batendo qualquer líder actual no à-vontade!) e o facto de já ter vencido eleições de âmbito nacional quando as cartas apontavam noutro sentido... dão-lhe todas as hipóteses de se mostrar como o mais capaz de levar o PSD ao poder no seio dos militantes... E chegando à liderança do PSD...
2009-08-07
PSD: um partido em busca da sua identidade confunde seus eleitores...
Tenho vários amigos do PSD que andam desnorteados. (nota: também os há, os desnorteados, e também os tenho, os amigos desnorteados, no BE e no PS... E, claro, todos os CDS puros andam há anos órfãos... a esses vejo-os mesmo perdidos desde que Guterres saiu do país... Voltaremos a este tema).
O desnorte e até indecisão dos votantes, e até de filiados, do PSD tem diversas facetas:
- Acham Socrates um bom líder, firme e resoluto, como acham que um líder deve ser (vide Cavaco...)
- Acham que Sócrates tem a energia e a dinâmica que o país precisa de um líder, para mais em altura de crise- Acham que as prioridades de Sócrates, no essencial, fazem sentido, tal como fazem muitas das suas opções - como energia, internacionalização, plano tecnológico, qualificação, etc. Também acham que Teixeira dos Santos foi um dos mais sérios e mais competentes ministros das finanças em Portugal, controlando o deficit; que Pinho apesar de ser algo "weird", deu tudo por tudo pelas PME, e contou com IAPMEI e AICEP a melhorarem muito no apoio efectivo às empresas; acham que é verdade que pela primeira vez Estado perdeu 50.000 funcionários e que para mais, há pela primeira vez mecanismos de avaliação a funcionar que levam funcionários públicos a dizer "temos objectivos", que permitiram simplificação de processos (o SIMPLEX terá as suas falhas, mas apesar de tudo é um passo, e mostra uma vontade, uma dinâmica...) e o começo de uma orientação-cliente (cidadão); acham que para mais não temeu afrontar as classes "mais PS", como professores, magistrados e juízes, e até médicos... dando mostras de que com outro mandato poderia alterar profundamente o rosto do país...
- Acham, sobretudo os ligados a empresas, que MFL é incapaz de um rasgo, de motivar, de liderar... e por isso não a querem como Primeiro Ministro
- acham que MFL, mesmo que tivesse um perfil de liderança, não tem ideias modernas que permitam esperar um país melhor, antes pensando como "contabilista", usando esquemas mentais ultrapassados (um pouco Salazarista na sua visão das contas públicas), e não sendo nada arrojada ou aberta à frescura de novas ideias ou de novos conceitos, nem sequer de novas tecnologias... Não deixa de ser uma avó...
- Ficam perdidos ao olhar para um partido sempre fracturado e sem rumo, muitas vezes sendo pouco sério, com mudanças constantes de opinião, atacando investimentos por si definidos e atacando o próprio funcionamento do mercado (o cerne da crença PSD... mesmo da ala esquerda do PSD!), ameaçando "tudo rasgar", sem quae nada propor...
Em suma... estão sem saber se podem, ou devem, "trair" o partido, e
1. não votar PSD (a maioria, de facto, irá fazê-lo... ao contrário do que fez nas Europeias, em que votar PSD era o mais natural... e Paulo Rangel podia ser filho de MFL...)2. Votar Socrates... (maioria não o irá fazer)... A traição seria maior... E a consciência poderia pesar... Mas esperam, sinceramente, que vença, a bem do país...
Mas a verdade é que a indecisão destes eleitores, tem uma razão de ser profunda. A mesma que explica que o PSD não chegue ao poder desde Cavaco, de modo consistente: o problema de identidade do partido...
Senão vejamos: afastar PPC das listas e assim hostilizar parte do partido é solução?
Lê-se: «É um erro táctico. Primeiro, ninguém percebe que, em nos de três semanas, Maria José Nogueira Pinto esteja numa candidatura ao PSD e depois esteja contra, nomeadamente em relação a Lisboa. Segundo, os resultados eleitorais legislativos não perspectivam que o PSD ganhe com maioria absoluta. Nenhum partido terá maioria absoluta. (¿) Ora, o nosso aliado natural seria o CDS-PP. E não é com este tipo de programas que se cria um ambiente positivo para que isso venha a acontecer. Terceiro, se o PSD quer ganhar as eleições tem de se mexer à esquerda, não é por dar orientações mais à direita que vai conseguir mais votos».
Erro táctico? Nem por isso... O problema do PSD é um problema de IDENTIDADE, de um ADN que não corresponde aos sues quadros, nem estes ao seu tecido social... Mas não está só... O PS também já andou perdido e nos últimos 4 anos afastou-se um pouco da sua matriz social, o PP pouco ou nada tem de comum como CDS, o BE não tem, hoje por hoje, identidade. O PCP (via CDU) é hoje o único partido em que teoria e prática, quadros e votantes, são no essencial coincidentes...
O PSD é um partido que se posiciona num arco de centro que vai da esquerda moderada - centro (social democracia europeia sempre se posicionou aí, e o Programa de Sá Carneiro é aí que se situa, com os toques de liberalismo económico de um programa "burguês" e "empresarial" a colocá-lo de facto praticamente no centro do espectro político) até ao centro-direita (conservadorismo moderado, em que Mota Amaral representaria o ponto mais à direita do PSD), passando pelo centro direita e direita das alas liberais do PSD (de que Balsemão foi o primeiro rosto... mas em que Santana ou Passos Coelho representam hoje outras variantes)
E se tem como aliado natural, no dizer da maioria dos seus quadros... o PP de Paulo Portas (em termos idológicos é óbvio que o aliado natural do PSD é o PS, com o qual tem largas áreas de sobre-psoição seja em termos ideológicos seja em termos programáticos e de votantes...), e se faz dessa "aliança natural" uma declaração pública (MFL também a fez, ao dizer "bloco central jamais" e ao afirmar-se contra diversas bandeiras da esquerda de hoje (direitos dos homossexuais, eutanásia, etc.)... então o PSD de hoje indica ao eleitorado pender para a direita (deixando então ao PS um espaço grande ao centro)...
Potenciais candidatos futuros: Pedro Passos, Rui Rio, Morais Sarmento. Menos prováveis mas a considerar: Paulo Rangel e Aguiar Branco. Mais dificilmente: Marcelo, Alberto João, Santana Lopes ou Marques Mendes.
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