2011-02-06

Passos Coelho imita Guterres?


Numa altura em que Marco António relembra Guterres, também Passos Coelho (será o ano dele?) toma iniciativas que relembram o actual Alto Comissário dos Refugiados... PSD prepara governação em debates com personalidades. A seguir com muito interesse...

(ainda a nível da política interna... uma notícia que também pode revelar "procedimentos preparatórios": António Costa muda-se para o Intendente de forma a combater o estigma que afecta aquela zona...)

O século da interdependência global..

Em termos de potencial conflito as grandes questões do século XXI são:

- a água e o acesso a água potável (e, em menor escala, o acesso à produção alimentar)
- o acesso a fontes de energia
- os choques culturais, civilizacionas e religiosos, bem assim como as migrações.

No essencial estas são reflexo das questões de sempre: sobrevivência e identidade (e supremacia).

Só que, no século XXI, há duas novidades:
- a questão da água passa a ter um destaque reforçado - (já não é apenas o tradicional acesso aos cursos de água, fundamental para a agricultura, pecuária e indústria, mas o acesso a água potável em quantidade suficiente
- todas estas questões não só superam fronteiras políticas (água, energia, cultura e religião) como têm agora dimensões globais. Até ao século XIX, de algum modo, o uso dos recursos locais poderia permitir confinar os conflitos à escala regional, entre vizinhos próximos. O século XX é o século da transição e por isso teve dois conflitos de algum modo quase-globais. Mas se a àquelas dimensão somarmos a questão das NBQ (armas Nucleares, Biológicas e Químicas) cujo alcance é planetário e cuja transportablidade as transforma em assunto de todos... e considerarmos a rapidez da circulação da informação, vemos que a interdependência é o resultado inevitável. 

E é por isso que o processo em curso no Egipto nos afecta a todos. Para quem não acredita... o preço da gasolina que metemos no carro de manhã subiu poucos dias depois do início do conflito!

No CRI temos um pequeno artigo Quatro partes envolvidas da questão do Oriente Médio realizam conversações em Munique que mostram como o mundo está a seguir de perto o processo.

(Nota: a própria existência da CRI - China Radio Internacional, denota esta interdependência: a China preocupa-se em ter um meio de comunicação que a dê a conhecer ao mundo... impensável até recentemente!)

As demissões de grande parte da elite dirigente Egípcia, que ontem aqui referimos, poderão ser fruto das pressões norte-americanas.
Esta demissão colectiva, inclusive do filho de Mubarak, parece ter como objectivo permitir a manutenção na Presidência de Mubarak, para que este possa assegurar uma transição pacífica em conjunto com os militares, e para que possa permanecer no Egipto, sem ter de se exilar - um dos objectivos que enunciou no discurso que fez aos Egípcios e ao mundo, há uns dias.
Desde aí os Norte-americanos mantiveram a defesa da ideia da necessidade de reformas imediatas (algo que apela "à rua árabe") mas também iniciaram um discurso focado na preocupação com o risco do processo gerar um caos incontrolável ou um vazio de poder. A ONU, pela voz do seu Secretário Geral, Ban Ki-Moon juntou-se a estas vozes, tal como o Papa Bento XVI. Ora, desde há uns dias, os EUA defendem a manutenção de Mubarak como garante dessa transição pacífica - as  declarações de Frank Wisner, globalmente noticiadas, e de Hillary Clinton vão nesse sentido.

Tudo leva a crer que poderá ter sido esse o acordo: Mubarak cede, reforma, afasta parte da elite mais corrupta, saí em Setembro, mas fá-lo com dignidade, no seu timing e não "em fuga", e tenta garantir uma transição pacífica. O regresso à normalidade (os bancos estão a reabrir) e o diálogo (a irmandade muçulmana reune-se hoje com o Vice-Presidente, um general...) seriam uma prioridade.

A questão à luz da qual se deve analisar agora os cenários em aberto é se esta "jogada" ainda será a tempo de evitar o tão temido caos, que pode ser traduzido directamente na (in)segurança regional, como bem vem recordar a sabotagem do gasoduto que liga o Egipto a Israel.
E por isso devemos ter em mente que, no mundo interdependente, não é só o Egipto que está em causa. O mundo sabe-o, e por isso há manifestações de solidariedade com o povo Egípcio por todo o mundo, comona Argentina. E o mundo também sabe que mesmo que, mesmo que no Egipto o caos seja contido, falta saber se no resto do mundo e sobretudo do mundo árabe (*) a situação é controlável ou estão já libertadas forças e energias acumuladas que não poderão ser travadas: Jordânia, Tunisia, Argélia (de onde vem boa parte do gás que consumimos), Iemen e até na Arábia Saudita há focos de tensão que se libertam...


(*) o El Pais é um dos jornais, a nível mundial, que se tem distinguido pela riqueza da informação e pelos artigos de contextualização de ajudam a compreender o que está verdadeiramente em jogo.Os seus dossiers são da mais alta qualidade.


Algo que deveríamos olhar com cuidado, com muito cuidado, são as declarações de David Cameron, que reproduzem as que a Sra. Merkel proferiu há alguns meses: o fracasso do multicuturalismo e necessidade de políticas musculadas de integração. Não parece que a França tenha conseguido melhore resultados que o Reino Unido em termos de integração de minorias étnicas e culturais...

2011-02-05

Ainda o Egipto e o futuro…

Durante o dia de hoje surgiram diversas notícias, algumas contraditórias, sobre o processo revolucionário em curso no Egipto...  

Parece que se confirma que os Chefes do partido no poder no Egipto abandonam cargos - (Publico), incluindo o filho de Mubarak, e há notícias de que ElBaradei admite candidatar-se a presidente, mas por outro lado, a notícia da Demissão de Mubarak veio a ser desmentida pela televisão estatal.  
Aparentemente demitem-se os "imediatos", para poder permanecer o "comandante" no seu posto... Será que ainda a tempo? A reforçar esta ideia, e muito interessantes são as notícias que focam na dimensão internacional do processo e do seu potencial impacto na região e no mundo, seja a nível político seja a nível económico. No Jornal do Brasil lê-se que Crise política no Egito intensifica mobilização de líderes mundiais enquanto o IOL, citando a Reuters, publica que Estados Unidos defendem que «Mubarak deve ficar» através de Frank Wisner, enviado especial de Barack Obama à conferência de segurança que se realiza em Munique. Implícita a ideia de que será o único com condições para implementar as mudanças necessárias e assegurar uma transição política pacífica bem sucedida. A mesma notícia surge em O Globo.

Todo este acompanhamento diário da situação por parte dos líderes mundiais, ou a volatilidade dos preços do crude ou mesmo de diversas commodoties e até dos alimentos, é prova da importância estratégica crucial do Egipto, que já havíamos referido...

2011-02-04

Islão e Ocidente...

Videos de conferências sobre o Ocidente e o Islão: obrigatórios!

(e um obrigado ao Vicente Ferreira)

Egipto… em actualização

O Egipto, ao contrário da Tunisia, é um pais chave a nível internacional.Tão chave que era um dos 10 países em que se fala quando se fala de alargar os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O maior país Árabe, em população e em história, bem como o mais determinante em termos dos equilíbros na região: a sua relação de algum equilíbrio com Israel que fazem do Egitp um tampão e um intermediário dessa relação, bem como a gestão do canal de Suez, por onde passa a maior parte do comércio Ocidente-Oriente, são determinantes. Estes dados mostram a sua importância não só para a região como para os delicados equilíbrios internacionais, políticos, diplomáticos, militares, económicos, e até sociais e culturais e religiosos. Não por acaso o atentado contra os Cristãos Egípcios (um ramo do Cristianismo cuja importância histórica e simbólica é inegável) de há uns meses teve forte impacto mediático e mereceu até veementes comentários de Bento XVI, e é também essa importância que justifica a centralização noticiosa que se está a dar no Ocidente a esta “revolução” cujo futuro é ainda incerto. Os cenários de guerra civil ou de tomada do poder pelos extremistas islâmicos (apesar de a maior parte da sociedade egípcia não lhe ser favorável é um grupo com importância e peso político, até por representar “a esperança” e ter uma imagem de “seriedade” anti-corrupção e nepotismo), não estão excluídos e poderiam, de facto, representar sérios problemas em termos não só regionais como globais, com consequências imprevisíveis a nível político, militar e económico.
A presença de Elbaradei como rosto deste movimento, aparentemente um homem moderado e um democrata ponderado, poderá ser uma garantia, sobretudo no caso de vir a emergir como líder do Egipto e se puder contar com os militares, tradicionalmente uma classe entre as mais democráticas e serenas nos países com movimentos radicais islâmicos. Mas…Era interessante que os nossos meios de comunicação publicassem um dossier, com artigos sobre o último século do Magreb, para se compreender a dinâmica que conduziu a libertação dos impérios, ao papel destes territórios nas duas guerras, como evoluiram para as indepências formais, como evoluiram em termos culturais e religiosos, como serviram interesses EUA e/ou URSS durante a Guerra Fria, e como se relacionam entre si e com o resto do mundo, nomeadamente Europa, dos quais são vizinhos próximos... E, claro, a relação com raízes milenares, com o povo de Israel, e a sua natural rejeição da criação do Estado de Israel.... Isso ajudaria a compreender o que se passa, o que está em jogo, e o que se poderá passar...
 Dia 4:

2011-02-03

A democracia também está em recessão?

Aprendemos que a democracia também está em recessão - Mundo - PUBLICO.PT, um texto de Teresa de Sousa sobre o qual vale a pena reflectir… por estes dias, e sempre!

Mundo Árabe… e Vizinhança...

 Mais abaixo estão "hiperligações" para algumas das notícias dos últimos dias...
Rabat está a alguns Kms menos de Lisboa, em avião, do que Madrid… o gás natural que usamos vem da Argélia. Muitos empresários têm investido no Magreb nos últimos anos. Portugal faz parte do mapa do “Califado” que a Al Qaeda pretende restaurar… Apesar de tudo isto foram precisas revoltas populares de grande escala para os nossos meios de comunicação olharem… para os nosso vizinhos! Será que ainda vamos a tempo?

2011-02-02

A importância de ser sede de organizações internacionais

Valença Pinto destaca importância de manter NATO em Oeiras | Económico
A importância de ser sede de organizações internacionais é muitas vezes subestimada, mas as vantagens são inúmeras. Desde logo para a cidade e região onde ficam sediadas – pelas gentes, pelo poder de compra, pela diversidade, pelo intercâmbio, pela elevação dos níveis culturais, sociais e económicos. Mas também pela influência que se consegue. E a influência hoje é capacidade de ter, em momentos críticos, capacidade de ter auxílios, apoios, ou de conseguir dados negócios.
O caso da China, que entre os argumentos usados para olhar Portugal com especial atenção em termos de investimentos estavam a sua presença e peso de influência nas organizações “ocidentais”, e sobretudo a sua actual presença como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU. E, não por acaso, de modo acrescido, por ser o país que preside ao grupo de fiscalização das sanções da “comunidade internacional” à Coreia do Norte…
Do mesmo modo que os termos de troca dos bens, ou os ditos “preços internacionais de referência”, que em larga medida determinam quem é mais ou menos “rico”, são ditados pelo grau de poder, pela força militar, pela capacidade de influência… Pois em última instância os preços do café ou do cacau, ou de tantos outros bens, são formados bem longe de quem os produz… E são ditados por jogos de poder, mais do que por leis económicas “racionais”…

A Europa, o Mundo e o futuro...

Alguns artigos das últimas semanas, particularmente para o futuro, sobretudo do "ocidente"... e um particular foco na Europa...