2012-01-10

Os adquiridos… ou como o ser humano é um ser estranho….

Diz a meteorologia que domingo vai chover… Há quase um mês que temos sol, em quase todo o país, em pleno Inverno… Mas quando acordamos e nos dão esta notícia ficamos espantados, rapidamente nos habituamos à ideia de noites frias mas com dias soalheiros….

Na Europa tivemos 2500 anos de guerras ou sempre com a guerra como “a continuação da política por outros meios” (Clausewitz) e, ao nível global, desde que há humanidade (e no reino animal), a “guerra” e/ou a morte sempre foram um dos caminhos para a resolução dos conflitos… mas hoje, na Europa, damos a paz como assegurada, só porque durante 60 anos tivemos o bom senso de pensar que todos os conflitos se podem resolver pela negociação pacífica….

Em Portugal, temos democracia há 36 anos (as eleições para a Constituinte são a 25 de Abril de 1975, as primeiras eleições legislativas são de 25 de Abril de 1976) numa história com 868 anos… mas damos a democracia como adquirida… o mesmo pela Europa: em mais de 2000 anos de história cristã só há democracias universais (com mais de 50% da população a votar) desde o século XX, o mesmo que viu nascer na realidade os direitos sociais, ambientais, culturais… e mesmo numa visão mais lata, só há sociedades com direitos humanos políticos básicos direitos de associação, de liberdade de expressão, de alguma igualdade perante a justiça, em sociedades com cidadãos e não súbditos num processo que se inicia – e apenas no Reino Unido e na Suíça – no final do século XVII (1688) e se expande a partir das Revoluções Americana (1776) e, sobretudo, na essencial Revolução Francesa (1789)… cuja divisa é “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, precisamente a divisa da Maçonaria desde 1717… essa Maçonaria que uma sociedade que dá por adquirida a democracia decide agora voltar a condenar, criticar, mesmo quando compreendem que ninguém tem de assumir,por lei, a sua pertença a qualquer organização – mesmo que seja um partido político – em nome da liberdade individual de associação… Sobretudo num país em que, nos seus 207 anos de história em Portugal, a Maçonaria foi já perseguida durante mais de 150 (na Monarquia e sobretudo no Estado Novo…) …

Aceitamos que há concorrência entre Estados, inclusive concorrência fiscal (boa parte dos grandes investimentos são atraídos através de incentivos e benefícios e isenções fiscais, por exemplo), e acreditamos numa sociedade em que há livre iniciativa e a procura do lucro e dos melhores retornos para investimentos é legítima e em que a busca do “interesse próprio” e o mecanismo de “mão invisível” (Adam Smith, “pai da economia”, que explica que essa busca assegura o funcionamento da economia e da sociedade, e a melhor forma de organizar a produção e distribuição de bens)… mas depois ficamos espantados quando um grupo nacional muda a sua sede para paragens mais benéficas, pois era dado como adquirido que a empresa iria sempre ficar com sede entre nós, mesmo quando fosse prejudicial ao negócio e ao acionista, e quando 19 das 20 empresas do PSI 20 já o tinham feito!!

Em suma: temos de pensar o que damos por adquirido… esperemos que o direito ao humor seja sempre um desses adquiridos…

Macon ou gay

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