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2011-08-30

Não temos de desistir de Portugal... por preço nenhum!

Há reflexões que não perdem atualidade... infelizmente!


Em Junho de 2010,  numa última grande entrevista, no “Plano Inclinado”, poucos meses antes do trágico agravamento do seu estado de saúde, o Professor Ernâni Rodrigues Lopes apresentou uma reflexão que, como ele próprio diz, resulta de anos e anos de pesquisa, estudo e reflexão. Ela mantém, e manterá, toda a sua atualidade. Ela é, e deveria ser, obrigatória. Para todos, sobretudo para os que são, foram ou pretendam ser governantes, como diz João Duque, ao minuto 45 deste video.



Recomenda-se um visionamento completo, mas sobretudo do minuto 25 até ao 35 e do minuto 42:30 até ao final...


Ao minuto 29: “O conjunto de Valores, Atitudes e Padrões de Comportamento é que marcam uma dada sociedade ou uma determinada pessoa. Tudo sai desta camada. (..) Se os Valores, Atitudes e Padrões de Comportamento forem de laxismo, desonestidade, preguiça, não há taxa de juro que chegue. É uma mentira! A economia não se faz apenas com medidas superficiais. A economia faz-se com seres humanos e organizações humanas. O que gostaria de pedir a todos os Portugueses é atenção para isto. É o verdadeiramente decisivo. E isto tem aplicação prática imediata: o que é que nós ensinamos aos nossos filhos? (…) Ninguém nasce ensinado. Com os pais, com a escola, com o dia-a-dia da vida, aprendemos quais os valores que nos moldam. A pergunta que temos de nos pôr é quais são os valores que moldam as nossas crianças. São os da golpada permanente ou são os do trabalho sério. Esta escolha, que é feita por milhões de Portugueses sem votar, actuando em casa, é a que condiciona a economia portuguesa. Não é exagero dizer que condiciona o PIB (a criação de riqueza, o “Produto Interno Bruto”). O PIB é o resultado de milhões de decisões, e estas estão na base de tudo“.

E chega, ao minuto 31, a este quadro:

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Quando Mário Crespo lhw diz que se trata de uma "revolução", Ernâni Lopes responde: “isto é apenas educar bem!” e, já ao minuto 46:30: : “Fazer isto, aplicar o quadro, substituir o “onde está…” pelo que está na coluna “pôr” é assegurar que Portugal tenha um futuro digno, porque um futuro sem qualificar, todos temos (…) e há muita gente boa! (…) Nós não temos de desistir de Portugal por preço nenhum! Insisto nisto! Portugal é os Portugueses que já morreram, os Portugueses que estamos vivos e os Portugueses que ainda não nasceram. E por isso o fundo da questão é o longo prazo, não é o trivial do dia a dia. (…) O essencial está nas nossas cabeças. O futuro de Portugal está na cabeça dos Portugueses!”.


Obrigado, Professor.


PS: o outro video, o do 1º programa, está em 

2011-08-27

Visões… Curtas?

Acaba o post anterior: “Ao nível ainda mais profundo, várias questões mostram como o país é por vezes gerido com falta de visão e inteligência, ou pelo menos parecem levantar sérias dúvidas, legítimas, sobre se não precisamos de líderes novos, com visão mais estratégica e menos tática…”… Alguns casos:

  • a extinção da Parque Expo e de outras duas empresas “conexas”: por um lado parece esquecer que a Parque Expo trouxe resultados muito positivos ao país - 44 mil milhões segundo um estudo recente; por outro porque pode ter custos incomportáveis no curto prazo para o… deficit de 2011 (!) e porque vai ainda implicar… a nomeação de uma nova Administração! Mas a empresa, em si, poderia ser vendida, ou pelo menos alguns dos seus ativos (Pavilhão de Portugal, Pavilhão Atlântico, etc.), não precisava ser encerrada. Porque sobretudo, e aqui a verdadeira crítica: a Parque Expo, independentemente de erros e abusos, conseguiu tornar-se um centro de CONHECIMENTO reconhecido a nível mundial, em políticas urbanas e regeneração de tecidos urbanos. A Parque Expo ganhou contratos em locais como a China (Shangai), Argélia, Tunisia, Marrocos, Espanha, Brasil, Angola, Moçambique, … Ou seja: é uma empresa com capacidade exportadora, uma empresa baseada em CONHECIMENTO na época da economia do… conhecimento!! Ou seja: o Estado Português tem um activo precioso e PORTUGAL tem um ainda mais valioso – o SABER! – e que faz o Estado: olha apenas para a tesouraria e nem sequer vende empresa, encerra-a!! O que acontecerá? simples: os quadros irão fugir para outras empresas, privadas, alguns para fora do país... (pode alienar-se património, é muito mais grave alienar, sem receitas, pessoas e para mais pessoas com conhecimento....)
  • E podemos pois dizer que, em termos de políticas de cidade, um dos eixos fundamentais do desenvolvimento das sociedades modernas, Portugal tem os dois extremos: o pior e o melhor. Algumas autarquias – poucas – têm políticas e visão notáveis, a maioria nem por isso. A gestão das redes de transporte (poucos estudarão a fundo modelos possíveis. e das políticas ambientais toca nos dois extremos). Num país com excesso de habitações por habitante e ainda maior excesso de proprietários de casa própria (hipotecada) a lei do arrendamento e o incentivo ao mercado de arrendamento deveria ser prioritária. Até a Troika o disse. Aparentemente a banca, que em muito ajudou ao endividamento excessivo dos portugueses e de Portugal, continua de olhos fechados a esta necessidade – exceção para a CGD, aparentemente, que decidiu ajudar o Governo nesta direção da aposta no arrendamento.
  • Olhando para o território e para a economia de modo lato, a falta de uma clara política de transportes e, sobretudo, a falta de articulação de uma política ferroviária com a portuária e aeroportuária, que aqui já referimos, e que denota uma falta de visão estratégica desde os anos 80 (carga, mais do que passageiros!), quando se deu o início do desinvestimento. O resultado é este mapa… quase vazio e em esvaziamento! Os custos em termos de poluição, tempo e custos financeiros imputados às mercadorias não são pequenos…

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  • Os indicadores perda de empregos autónomos (auto-emprego) é uma tendência em vários países mas Portugal está “demasiado bem colocado”. A aposta no empreendedorismo não está a ser ganha! Precisamos rapidamente implementar medidas inovadoras e seguir o exemplo e as ideias de Diogo Vasconcelos, no seu “inovação Social”! Ligado ao empreendedorismo, a inovação. Por isso aqui deixamos um outro artigo a merecer reflexão: de Carlos Zorrinho sobre Inovação.
  • E por falar no responsável pelo Plano Tecnológico e depois Secretário de Estado da Energia… outro assunto importante: a dependência energética é o maior de todos os deficits nacionais. Logo, a questão de menorizar consumos não responde. Abre-se a oportunidade das renováveis? Defendem uns que sim, mas há quem defenda que essa aposta nas energias renováveis é excessiva e deve ser reduzida… Mera contabilidade e falta de visão, ou … Um debate que deve ser levado a sério!
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  • E depois… como sempre… a educação… Lê-se que: “novo programa de portguês tem na base documento que Ministro considera inútil”… Será que vai ser alterado de novo para o ano?? Estamos numa era em que a capacidade de aprendizagem é mais importante do que a mera enumeração de conteúdos. Assim sendo: será difícil chegar a um consenso sobre programas e fazê-los ser independentes das mudanças políticas conjunturais e sim adaptáveis às mudanças significativas no mundo (Ex: as tecnológicas e científicas)? Poupavam-se recursos e sobretudo dava-se estabilidade a um sector fundamental e a muitas famílias!
  • Ligada à educação….a questão da iliteracia também merece atenção, quando pensamos que não, um trabalho de fundo mostra bem os custos económicos desta maleita da sociedade, muito recomendado.
  • A linha de evolução do nosso deficit mostra qual a fonte dos problemas… Há uma irresponsabilidade política em Portugal. E por sentirem isso alguns querem colocar os limites ao deficit nas Constituições. Cavaco Silva mostra-se totalmente contra, no facebook. Mas Cavaco Silva, precisamente o homem da rodovia e do “betão” e “infraestruturas” em detrimento do “saber” e das “pessoas”, conta-se entre os principais responsáveis e agentes dessa irresponsabilidade. Há números que não deixam grandes dúvidas. Este artigo de opinião não deixa grande dúvidas. Se se basear em dados errado, então deve ser contestado pelo Presidente. Mas o facto de termos tido praticamente só Ministros das Finanças sem experiência empresarial também pode ajudar a explicar algo (apesar de que na sua maioria foram homens de elevada craveira intelectual e seriedade)…
Em suma: em muitos aspectos Portugal ainda é um bom sítio para se viver. Que o digam muitos imigrantes, melhor aqui que no seu país. Mas Portugal vive ainda segundo velhos padrões em vários aspectos. Para amenizar, há que sorrir, senão rir. Aqui se deixa uma história divertida… de “faca e alguidar” à antiga!

2010-03-31

A esperança: vamos começar a discutir política ?

O dia começa bem...

Na passada sexta-feira, 26 de Março, dando eco a posts anteriores, perguntava-se aqui se o PSD-PPD perderia mais uma oportunidade de clarificar os caminhos alternativos que são propostos aos Portugueses em termos politico, de modelo de desenvolvimento e de concepção de sociedade... Ou seja, se seria desta que íamos começar a discutir política?

Em face dos resultados, logo demos nota, num post intitulado Novo Rumo, de que havia esperança de que Pedro Passos Coelho, trouxesse uma clarificação e seguisse uma linha de rumo que permitisse disutir política e políticas...

Hoje, o dia começa bem... Num artigo rico de significados, Martim Avilez propõe-nos o editorial NOVA ENERGIA... que, a propósito do tema da energia - talvez o mais essencial da política moderna, além da educação (o tema mais essencial de todos os tempos)  e justiça (no caso Português... pelo bloqueio ao funcionamento da economia e, sobretudo, ao próprio Estado democrático e de direito) - termina do seguinte modo: "Este comunicado inclui uma boa notícia: vai começar a discutir-se política em Portugal. "

Não sabemos se será assim tão linear, mas há pelo menos esperança de que assim venha a ser! E isso já é em si uma boa notícia! E mostra bem o valor acrescido de se ter uma oposição forte, clara e construtiva, em detrimento de uma oposição fraccionada, negativista, "bota abaixo" e à deriva. A questão mantém-se: será que o dia 26 de Março foi uma oportunidade perdida ou será o início de uma nova fase...

PS: pelo caminho, a Guiné Equatorial tenta entrar na CPLP... curioso...

2009-11-06

O desinteresse pela política... A credibilidade do Estado...

Quem viu o debate do Programa de Governo compreende, quase de imediato, porque há um crescente desinteresse pela Política...
E isso torna ainda mais urgente o regresso - mesmo que em versão semanal - do Esmiuçar... (petição).

Vale e Azevedo, Casa Pia, Freeport, Operação Furação, casos BCP, BPP e BPN, Apito Dourado, Face Oculta... Alguns dos casos em que a Justiça se passa nos meios de comunicação social, mas ora não se traduz, sequer, em acusações, noutros casos em sentenças, noutros em cumprimento das sentenças.
Não só o sistema de justiça se mostra ineficaz como a razão principal para todo o bloqueio da Justiça atempada (a única que é Justiça), o garantismo para protecção da presunção de inocência, acaba também por ser minada ao permitir o "julgamento mediático" que gera "penas" não menos pesadas aos que se vêm envolvidos nestes casos...
Neste cenário a credibilidade da nossa Justiça e, portanto, do poder do Estado, está minada. É este um dos principais problemas do país... E o mais perigoso para o seu futuro...

2009-05-30

Educação

Hoje houve mais uma importante manifestação de professores (e não só). Direito à indignação? Com certeza. Mas... mesmo em vésperas de eleições, houve explicação sobre os Motivos concretos? Foram lançadas algumas propostas? Desconhece-se...

Por outro lado, há dias surgiram comentários no www.umzeroaesquerda.blogspot.com e noutros blogs sobre uma situação concreta: "Uma professora de ciências do ensino básico que obteve uma decisão positiva sobre a passagem à reforma, foi impedida de dar aulas a partir de 31 de Maio, embora tenha manifestado a vontade de o fazer até finalizar o ano lectivo. A “revolução” de que tem falado Vital Moreira (...) não passa de mais papéis, incompetência e falta de respeito. (...) Se ainda há alguém com vontade de defender Maria de Lurdes Rodrigues, o seu ministério e a sua direcção regional do norte, faça favor".

Pois bem: mais do que defender pessoas, pensamos que todo o modo de colocar a questão do debate da educação é errado. Pior: ele é erradamente colocado por aqueles que têm obrigação de ... EDUCAR para o EXERCÍCIO da CIDADANIA e daqueles que, por ora, têm o dever do EXERCÍCIO DO PODER! E depois são ajudados por uma sociedade que parece ter dificuldades em compreender uma regra base: DEBATER IDEIAS, MEDIDAS e IMPLEMENTAÇÕES, NÃO PESSOAS em si! (sim, podem obviamente debater os seus comportamentos e as suas condutas... no serviço público, não na esfera privada...)

E neste debate, que a TODOS prejudica, porque prejudica os alunos, e portanto uma geração inteira, a que representa o futuro do´país o problema dos professores é de “Atitude”, o problema da Ministra é de Comunicação.

Como é possível conseguri notáveis mobilizações de uma classe e... não aproveitar para debater os princípios fundamentais subjacentes à política de educação? não aproveitar para propor releituras e novas oportunidades? novas medidas? como não debater apresentando propostas concretas alternativas?

Como é possível que a aplicação um procedimento administrativo – por inadequado que seja, sobretudo em termos dos interesses dos alunos, possa ser apontado à Ministra? Antes de escrever este post alguém foi verificar quais os procedimentos de “passagem à reforma” na administração pública?

Talvez nesse caso se tivesse legitimidade para criticar a cega aplicação de normas que prejudicará, objectivamente, os alunos desta professora, pela DREN (ou por qualquer outra entidade pública com competências similares), mas se compreenderia que a Ministra não tem propriamente relação com o assunto – nem o Ministério da Educação é diferentes dos demais neste caso.

O problema do debate sobre educação em Portugal, no momento, é mesmo este: os professores criticam por tudo e por nada; fazem manifestações sem serem capazes de lhe indicar UM propósito que não seja... o de protestar contra... “a política”... Ora: “ política” de educação deve partir de uma ideia de sociedade, corporizar-se em algo concreto... Logo: critico os seus fundamentos (e contraponho outros, outro entendimento da sociedade) e/ou as medidas concretas de uma política.

Criticar “a política” de um modo abstracto, sem dizer a que me refiro... é vago, inútil, demagógico...
- todos os cidadãos, e sobretudo a classe que tem como missão formar as próximas gerações de cidadãos, devem... fazer crítica construtiva: não basta dizer mal, é preciso dizer O QUE se critica e o QUE SE PROPÕE, sob pena de ser “dizer mal por dizer mal”.
- em vésperas de eleições, o protesto deve ser, deve ser, feito com propostas, deve ser assumido como o apresentar de caminhos alternativos e... reverter-se em VOTOS!
- O problema dos professores é precisamente que cairam nesse dizer mal por dizer mal: fizeram uma das maiores manifestações de que há memória em Portugal, mantiveram o momentum e... NADA, nem uma proposta! Não aproveitaram esse notável movimento de empenho e de exercício de cidadania para CONTRAPOREM uma proposta de modelo de avaliação. Apenas se reuniram para... pedir a suspensão da aplicação! Isso não é contrapor políticas, isso é “bota abaixo”... Para manter tudo como está, sem métodos de avaliação! Mais: ou me manifesto contra o sistema de avaliação proposto, ou contra “a política”....
- para cúmulo os professores, numa ânsia crítica sem limites, aproveitam tudo para criticar a Ministra, mesmo usando exemplos que nada têm de “político”... Como este caso que, mostrando bem a estupidez de certas regras da função pública e da aplicação cega de normas, não tem claramente qualquer relação com esta Minista...

O problema da Ministra, por seu lado, é não conseguir comunicar, e mostrar à maioria dos professores – a larga maioria da classe, tal como da maioria das classes profissionais em Portugal, é constituída por pessoas sensatas... – que para dialogar, é preciso apresentar contra-propostas, ser construtivo na crítica, apontar especificamente os erros das políticas e das medidas concretas... Em suma: o que falta à Ministra é a capacidade de diálogo com aqueles que tutela, que têm a responsabilidade de fazer a socialização em nome do Estado e que, por isso, são agentes vitais para implementar as políticas... LOGO: a Ministra não tem condições para seguir com a implementação das suas políticas, por não ter condições nem ter mostrado capacidade de abrir os canais de diálogo. Idealmente, ocorreria o mesmo que no Ministério da Saúde: a substituição de protagonista foi o suficiente para que a mesma política, com alterações menores, muito ligeiras, fosse implementada, de modo tranquilo, sem a animosidade que existia com Correia de Campos. Sucede que estamos agora em período eleitoral. Socrates não pode substituir a Ministra agora... Teremos de esperar pelas eleições...

O que se espera é que os professores aproveitem este momento para reflectirem sobre a sua Atitude. E que a alterem. E que procurem AGORA dialogar com os partidos – que são os agentes envolvidos nas eleições de modo directo, como mediadores entre a sociedade e o poder – para que cada um dos CONCORRENTES ÀS ELEIÇÕES DEFINA e EXPONHA quais os seus princípios para a EDUCAÇÃO e quais as MEDIDAS CONCRETAS que propõe...