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2011-08-27

Visões… Curtas?

Acaba o post anterior: “Ao nível ainda mais profundo, várias questões mostram como o país é por vezes gerido com falta de visão e inteligência, ou pelo menos parecem levantar sérias dúvidas, legítimas, sobre se não precisamos de líderes novos, com visão mais estratégica e menos tática…”… Alguns casos:

  • a extinção da Parque Expo e de outras duas empresas “conexas”: por um lado parece esquecer que a Parque Expo trouxe resultados muito positivos ao país - 44 mil milhões segundo um estudo recente; por outro porque pode ter custos incomportáveis no curto prazo para o… deficit de 2011 (!) e porque vai ainda implicar… a nomeação de uma nova Administração! Mas a empresa, em si, poderia ser vendida, ou pelo menos alguns dos seus ativos (Pavilhão de Portugal, Pavilhão Atlântico, etc.), não precisava ser encerrada. Porque sobretudo, e aqui a verdadeira crítica: a Parque Expo, independentemente de erros e abusos, conseguiu tornar-se um centro de CONHECIMENTO reconhecido a nível mundial, em políticas urbanas e regeneração de tecidos urbanos. A Parque Expo ganhou contratos em locais como a China (Shangai), Argélia, Tunisia, Marrocos, Espanha, Brasil, Angola, Moçambique, … Ou seja: é uma empresa com capacidade exportadora, uma empresa baseada em CONHECIMENTO na época da economia do… conhecimento!! Ou seja: o Estado Português tem um activo precioso e PORTUGAL tem um ainda mais valioso – o SABER! – e que faz o Estado: olha apenas para a tesouraria e nem sequer vende empresa, encerra-a!! O que acontecerá? simples: os quadros irão fugir para outras empresas, privadas, alguns para fora do país... (pode alienar-se património, é muito mais grave alienar, sem receitas, pessoas e para mais pessoas com conhecimento....)
  • E podemos pois dizer que, em termos de políticas de cidade, um dos eixos fundamentais do desenvolvimento das sociedades modernas, Portugal tem os dois extremos: o pior e o melhor. Algumas autarquias – poucas – têm políticas e visão notáveis, a maioria nem por isso. A gestão das redes de transporte (poucos estudarão a fundo modelos possíveis. e das políticas ambientais toca nos dois extremos). Num país com excesso de habitações por habitante e ainda maior excesso de proprietários de casa própria (hipotecada) a lei do arrendamento e o incentivo ao mercado de arrendamento deveria ser prioritária. Até a Troika o disse. Aparentemente a banca, que em muito ajudou ao endividamento excessivo dos portugueses e de Portugal, continua de olhos fechados a esta necessidade – exceção para a CGD, aparentemente, que decidiu ajudar o Governo nesta direção da aposta no arrendamento.
  • Olhando para o território e para a economia de modo lato, a falta de uma clara política de transportes e, sobretudo, a falta de articulação de uma política ferroviária com a portuária e aeroportuária, que aqui já referimos, e que denota uma falta de visão estratégica desde os anos 80 (carga, mais do que passageiros!), quando se deu o início do desinvestimento. O resultado é este mapa… quase vazio e em esvaziamento! Os custos em termos de poluição, tempo e custos financeiros imputados às mercadorias não são pequenos…

Mapa_Rede_Ferroviaria_2_copyright

  • Os indicadores perda de empregos autónomos (auto-emprego) é uma tendência em vários países mas Portugal está “demasiado bem colocado”. A aposta no empreendedorismo não está a ser ganha! Precisamos rapidamente implementar medidas inovadoras e seguir o exemplo e as ideias de Diogo Vasconcelos, no seu “inovação Social”! Ligado ao empreendedorismo, a inovação. Por isso aqui deixamos um outro artigo a merecer reflexão: de Carlos Zorrinho sobre Inovação.
  • E por falar no responsável pelo Plano Tecnológico e depois Secretário de Estado da Energia… outro assunto importante: a dependência energética é o maior de todos os deficits nacionais. Logo, a questão de menorizar consumos não responde. Abre-se a oportunidade das renováveis? Defendem uns que sim, mas há quem defenda que essa aposta nas energias renováveis é excessiva e deve ser reduzida… Mera contabilidade e falta de visão, ou … Um debate que deve ser levado a sério!
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  • E depois… como sempre… a educação… Lê-se que: “novo programa de portguês tem na base documento que Ministro considera inútil”… Será que vai ser alterado de novo para o ano?? Estamos numa era em que a capacidade de aprendizagem é mais importante do que a mera enumeração de conteúdos. Assim sendo: será difícil chegar a um consenso sobre programas e fazê-los ser independentes das mudanças políticas conjunturais e sim adaptáveis às mudanças significativas no mundo (Ex: as tecnológicas e científicas)? Poupavam-se recursos e sobretudo dava-se estabilidade a um sector fundamental e a muitas famílias!
  • Ligada à educação….a questão da iliteracia também merece atenção, quando pensamos que não, um trabalho de fundo mostra bem os custos económicos desta maleita da sociedade, muito recomendado.
  • A linha de evolução do nosso deficit mostra qual a fonte dos problemas… Há uma irresponsabilidade política em Portugal. E por sentirem isso alguns querem colocar os limites ao deficit nas Constituições. Cavaco Silva mostra-se totalmente contra, no facebook. Mas Cavaco Silva, precisamente o homem da rodovia e do “betão” e “infraestruturas” em detrimento do “saber” e das “pessoas”, conta-se entre os principais responsáveis e agentes dessa irresponsabilidade. Há números que não deixam grandes dúvidas. Este artigo de opinião não deixa grande dúvidas. Se se basear em dados errado, então deve ser contestado pelo Presidente. Mas o facto de termos tido praticamente só Ministros das Finanças sem experiência empresarial também pode ajudar a explicar algo (apesar de que na sua maioria foram homens de elevada craveira intelectual e seriedade)…
Em suma: em muitos aspectos Portugal ainda é um bom sítio para se viver. Que o digam muitos imigrantes, melhor aqui que no seu país. Mas Portugal vive ainda segundo velhos padrões em vários aspectos. Para amenizar, há que sorrir, senão rir. Aqui se deixa uma história divertida… de “faca e alguidar” à antiga!

2011-07-09

O novo governo: Miguel Morgado sobre Cidadania


Miguel Morgado, que conheço bem, é um indivíduo de uma craveira intelectual e cultural invulgar. É sensato e generoso. Idealista mas também fortemente ligado à realidade. Penso ser uma óptima escolha para assessor político de Pedro Passos Coelho.

Já este senhor… não parece tão boa ideia... pelo simples de não ser propriamente "alinhado" (não se defendem "yes man", mas ....há limites)

Quanto ao Ministro de Educação, aqui fica mais um artigo sobre um homem que poderá, se implementar o seu pensamento sobre educação, revolucionar o sector, um dos mais críticos para o país...

2011-06-22

Nuno Crato dixit… sobre Educação!

“é preciso um ministro que tenha a coragem de chegar e dizer: Gabinete de Avaliação Educativa está encerrada!” (4:33)
“O Ministério da Educação não deve fazer programas…”
“…desencadeou-se uma guerra com que ninguém lucra. [o que é preciso não é vergar os professores"], o que é preciso fazer é corrigir os erros que durante décadas foram cometidos pelo Ministério da Educação, pelo Ministério dirigista que temos tido”… (9:20)
“Governo teve coragem de afrontar os professores. Mas não teve coragem de implementar um exame de admissão na profissão, que prometeu. Espero que o faça. Um exame de entrada na profissão para os professores é uma medida simples e decisiva” (12:45)
“Acabar com o Ministério da Educação e constituir um Ministério pela Educação” (13:30) “Acabar com o ME que tenha a Educação como a sua pertença. E deve haver ME que tenha a Educação como seu objectivo, mais ligeiro, com mais liberdade para as Escolas e não aborreça os professores com coisas secundárias que faça apenas o que um ME em Portugal há muito não tem coragem de fazer: traçar metas e avaliar os Resultados. É só isso que nós precisamos…” (15:00)




Pois bem... Sr Ministro... e agora?
Temos 4 anos para medir a sua capacidade de concretização e de manter a coerência... Pelos critérios de sucesso apontados no post anterior (implementar e executar as políticas apresentadas no Programa do Governo)...

Promete….

2011-03-17

Um texto brlhante?

Nota prévia: por lapso este texto tinha sido identificado como sendo da autoria de Mia Couto, inicialmente.

Aparentemente a sua autoria é de "Assobio". O valor das ideias do texto mantém-se inalterado, de qualquer forma, pelo que o mantemos aqui, na íntegra, com o devido pedido de desculpas a Mia Couto e a "Assobio".

Geração à Rasca - A Nossa Culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes
deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida
e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e
a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de
uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.

2011-03-04

2010-06-01

Educação... uma vez mais...

Um artigo obrigatório com recomendações sobre presentes inteligentes para crianças: porque a educação, no seu sentido lato e mais nobre, não é apenas escola nem apenas família, é também a escolha de actividades e de desafios (e, logo, de brinquedos e presentes) que apresentamos às crianças... Noutras palavras: a diferença essencial para o sucesso da educação reside na diferença entre atitudes paternalistas ou excessivamente proteccionistas ou até permissivas, e a inteligência de colocar a criança perante desafios e perante a aceitação do "não" e do erro, da falha, da dificuldade... Sobre educação já aqui escrevemos, porque esse é o tema verdadeiramente importante pois aí reside a chave de uma boa preparação para uma vida adulta e cívica bem conseguida...

2010-03-22

Educação: o tema verdadeiramente importante...

"Todos pensam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos...
Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro da própria casa e recebe o exemplo dos seus pais, tem muito mais probabilidades de se tornar um adulto mais comprometido e responsável em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...

Urge repensar a educação... dos pais... E, como se pode observar pela origem da imagem, não falamos apenas de um problema nacional...

2010-03-09

Educação para Seres Humanos: Artes, Ciências e Humanidades

A Universidade de Lisboa lançou a primeira licenciatura "aberta": cada indivíduo (estudante) escolhe o que estuda... e assim se começa a diferenciar, ao criar o seu próprio perfil e quais as suas valências e competências. Como Humanista, o Moscardo regozija-se com este significativo acontecimento no panorama da educação superior em Portugal.
A especialização e a formação técnica (e intermédia) são muito importantes, mas a crise em que nos encontramos mostra bem o quão é vital uma educação multifacetada e uma formação humanista, um sistema que FORME cidadãos, que dê orientação e sentido à praxis, pois em última instância é aquilo a que pomos ao serviço os saberes técnicos, que distinguem os homens e as sociedades... Ou seja, o sentido que se dá ao uso da tecnologia e das capacidades disponíveis determina, em última instância, a bondade de qualquer indivíduo ou de qualquer país*... E num em que se diz que o Presidente tem
mau hálito político...

* A dinamite, criada por Alfred Nobel, com tantas aplicações pacíficas, ou o nuclear, são exemplos claros deste tipo de opções: as mesmas tecnologias podem estar ao serviço da humanidade ou do seu fim...

2010-03-01

Educação...

A Educação é o vector fundamental do desenvolvimento e da justiça social. Por isso é tema permanente e recorrente deste blog. Por isso este artigo - e o estudo que o origina - são obrigatórios. O i fez bem em trazê-lo para a capa...

2009-11-12

Isabel Alçada: andar à chuva sem se molhar?

Isabel Alçada conseguiu, após as reuniões com os sindicatos fazer algo que Pacheco Pereira tem vindo a tentar há anos: a quadratura do círculo... Disse no final desta sua primeira AVENTURA como Ministra que "a avaliação dos professores é para manter [por agora]" mas teve todos os sindicatos a dizerem que tinham sido reuniões muito positivas e produtivas, com avanços consideráveis, quando à entrada exigiam, no mínimo, a suspensão do processo... ...

2009-09-21

Educação. Bolonha.

Legalmente, em Portugal, fez-se uma péssima escolha de vocábulos para os graus académicos obtidos em cursos pós-Bolonha:
  • um plano de estudos de 3 anos passou a chamar-se licenciatura, nome usado anteriormente para cursos de 5 anos (ou 6, em alguns casos - Medicina e Arquitectura)
  • quem completar os 5 anos dos Mestrados Integrados de Bolonha obtém agora o grau de Mestre e são equiparados a quem fez Mestrados "pré-Bolonha", num total de 7 anos

Problemas maiores do que a questão dos nomes foram as consequências pois isto gerou outras aberrações e injustiças: alguém que fez o curso de 5 anos pré-Bolonha (Licenciatura de 5 anos) está hoje atrás de quem estuda, hoje, os mesmos 5 anos (mas que são "Mestres"), e está ao nível de quem estuda apenas 3 anos (agora designados de "licenciatura"), tendo de fazer dois anos suplementares se quiser equiparar-se a estes novos "Mestres". Isto não é apenas uma questão de títulos: aplica-se a candidaturas a bolsas de Investigação, concursos para a função pública, etc... Bolonha precisa de muitas melhorias...

Parece ser injusto e descabido e por isso propomos assinatura de petição, já a pressionar a AR a eleger: aqui.

Aproveitamos o tema - educação - para voltar a relembrar a obrigatoriedade de ler o discurso de Obama na abertura do ano lectivo, já mencionado em post anterior, e que foi dirigido a todos os alunos dos EUA... mas poderia ser dirigido a todos nós...

2009-07-06

Portugal Positivo... (parte 4)

As actividades do Instituto Ibérico de Nanotecnologias, sediado em Braga e onde irão trabalhar mais de duzentos investigadores, a partir de 2010, serão divulgadas ainda este mês, num seminário para empresários

Aluno da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), Nuno Cernadas, conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional Propiano em Bucareste, na Roménia.

Filipe Teixeira-Dias, docente do Departamento de Engenharia Mecânica e investigador do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação da Universidade de Aveiro (TEMA) recebeu, em Barcelona, o Prémio Jovem Investigador em Mecânica Aplicada e Computacional 2007.

Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão (CEFAGE) da Universidade de Évora classificada como Excelente por uma equipa de peritos internacionais...

O Vital Jacket, um dos diversos projectos inserido numa lógica "Vestuário 2.0 - Texteis de Nova Geração" em que Portugal tem vindo a dar cartas a nível internacional, foi hoje apresentado oficialmente, apesar de estar pronto há cerca de um ano. Desenvolvido pela Biodevices, uma spin off do IEETA da Universidade de Aveiro, é uma t-shirt... mas é também um sistema de monitorização de sinais vitais embebido na roupa que junta a componente têxtil com micro-electrónica...

Para além do Magalhães...

Da célebre história de Nobel e da sua invenção" da dinamite ou dos ensinamentos do Professor Adriano Moreira sobre o desenvolvimento da tecnologia nuclear e o papel dos cientistas no mesmo, retiram-se idênticas conclusões: o que importa, e é determinante, não é a tecnologia, mas o USO, a ORIENTAÇÃO que se dá a esse uso... A tecnologia, por si, não é boa nem má, não produz resultados... São os homens, e não as máquinas, que determinam os fins das tecnologias e o sucesso ou insucesso dos investimentos... O que importa são os Valores e a capacidade de pensar o uso das tecnologias ...

Isto a propósito de uma interessante entrevista a Stephen Heyneman, no Público

"não se pode aumentar qualidade do ensino superior só com financiamento público (...)" E lê-se ainda:

"(...) Don Tapscott, especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico.

O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman (...): “Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação” (...). O que viu (...) foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar" (...).

Heyneman lembra um estudo comparativo feito na Áustria e nos EUA sobre a utilização dos computadores. Enquanto na Áustria o programa foi um sucesso porque os professores foram envolvidos e tiveram formação para aprender a trabalhar e foram eles que ensinaram as crianças; nos EUA não houve formação, nem integração no currículo e os resultados do programa não foram positivos. É em estudos como este que Portugal deveria reflectir, aconselha."

2009-06-30

Portugal recomendado a Obama

Ainda há boas notícias... Ou pelo menos, há visões bem positivas do caminho que temos trilhado... Mesmo na área da Educação... Onde também há outros bons exemplos e elogios...

Esta notícia junta-se a outras, em que a nossa política de despenalização do consumo de drogas foi igualmente recomendada a Barack Obama (veja
artigo no Finantial Times, e a apresentação no Cato Institute...)

2009-06-16

Educação, hoje...

I.

Três dos maiores legados que a Grécia socrática nos deixou foram:
- a sapiência da consciência da ignorância, "só sei que nada sei..."
- a humildade e o universalismo: "ser cidadão do mundo, mais do que Grego ou Atenienense... " significa ter noção da sua pequenez, e do respeito necessário ao "outro"... e do respeito ao planeta, e ao universal...
- o auto-conhecimento como imperativo moral: não posso melhorar um sapato senão o conhecer... (a adopção do Oráculo: "Conhece-te a ti mesmo")

Daqui derivam, e são esses os ensinamentos Socráticos em relação à educação e à aquisição de conhecimento:
1) a educação tem por objectivo imediato o desenvolvimento da capacidade de pensar, não apenas ministrar conhecimentos.
2) o conhecimento possui um valor prático ou moral, isto é, um valor funcional (...) - e, por isso, uma dimensão universal
3) o processo (...) para se obter conhecimento [passa pela] reflexão e da organização da própria experiência..

II.

O mundo mudou. Os fluxos de informação cresceram exponencialmente. Estima-se que 50% do que se aprende hoje está desactualizado amanhã. Um novo tipo de educação é necessário para um mundo em que MUDANÇA é a palavra chave. A adaptabilidade e flexibilidade, a mobilidade, e fundamentos sólidos (como sempre) são características vitais para a sobrevivência no amanhã.

III.

Assim, hoje como ontem, mais do que obrigar os alunos a debitar conhecimentos adquiridos, a Educação deve formar CIDADÃOS, e exige-se por isso ensinar a:

- pensar, a estabelecer as suas próprias concepções, a partir do conhecimento existente
- organizar e estruturar ideias e argumentações
- ouvir de modo crítico e a construir contra-argumentações
- fazer crítica construtiva (a que não se limita à crítica mas EXPÕE claramente o que está "errado" ou é "questionável" e APRESENTA SOLUÇÕES ALTERNATIVAS.
- expôr e comunicar ideias, pensamentos, a encadear argumentos lógicos, de modo escrito, oral, por via da arte ou da expressão dramática... (e de preferência em múltiplas línguas e em variados suportes, adaptanto a linguagem a cada um deles)
- ser criativo... com método! (ver
video )

Ensinar a Aprender a Aprender é a palavra de ordem e o objectivo de qualquer bom sistema educativo ou escolar.

IV.

As questões que se colocam, perante
manifestações atrás de manifestações, mas sem que surjam propostas alternativas às do governo por parte dos docentes, são mais do que pertinentes, são vitais para o nosso futuro:
- o país sabe para onde quer caminhar e sabe como deve preparar o seu futuro?
- a classe docente nacional esquece o propósito da sua missão?

As respostas... não parecem ser óbvias...

A transição do modelo educativo exigido pela abertura do país ao exterior e evolução da sociedade e da economia, que colocam a mudança e a adaptabilidade no centro das competências individuais, a nível pessoal e profissional, é um dos maiores desafios do país (e da Europa, em geral).
No caso Português talvez apenas os desafios na área da Justiça e da Inovação (modelo de desenvolvimento económico) se lhe comparam.

Em detrimento de um ensino estruturado em função de elementos de memorização, que têm na aula magistral e no exame final o seu cerne, a chave passa a ser a aquisição de competências criativas, de flexibilidade, de descoberta, que gerem pessoas mais empreendedoras, mais críticas, mais exigentes, mais inovadoras.

A aquisição destas valências implicam modelos e condições de ensino mais interactivos e até mais subjectivos, com maior personalização do ensino. Estes novos métodos são muito mais exigentes para docentes, alunos, famílias e para o Estado. Por isso implicam maior responsabilidade por parte dos alunos, das famílias, dos docentes e do Estado...

A classe dos professores é formada na sua esmagadora maioria, por cidadãos educados em Portugal. Por isso são pessoas que, como a maioria de nós, foi esmagadoramente educada num sistema "estático", fundado na memorização, no saber "dos livros e dos professores" e não na investigação, na auto-descoberta, na pesquisa, no construir de soluções... Por isso ela se encontra impreparada, na sua grande maioria, para esta mudança radical de paradigma. Tal como, genericamente, a maioria dos demais funcionários públicos e ... privados.
A impreparação é a do próprio país: os professores representam bem o país que somos, nos seus aspectos positivos e negativos!


Dada a sua impreparação, que não é mais do que a impreparação do país para o novo paradigma de sociedade e de modelo de ensino, a classe docente reage, protesta, mostra-se indignada e desrespeitada. No essencial, se o direito à indignação, e o uso desse direito, é um dado positivo que mostra bastante melhoria face ao país de "brandos costumes", a verdade é que o modo como esse direito tem vindo a exercer é bem demonstrativo do que falta ao país: a classe docente protesta, critica, mas não o faz apresentando propostas alternativas. A classe docente reage, pois, como o normal cidadão: critica mas não tem, ainda (espera-se), capacidade para formular respostas próprias, alternativas. Ou seja: os docentes não são capazes de fazer crítica construtiva. Como a maioria das demais classes, em Portugal.


O Estado, ou o Governo (que neste caso é a sua voz), também mostra alguma incapacidade de diálogo. Mais uma vez: as propostas mostram um Governo capaz de (pelo menos parcialmente) fazer propostas no sentido de dar resposta aos problemas das sociedades contemporâneas e de melhor preparar a gerações futuras para as necessidades que elas terão de enfrentar (ao contrário dos governos do Estado Novo, sendo por isso um passo positivo) MAS mostram também um modelo de governação que não o consegue ainda (espera-se) fazer de modo inclusivo, comunicando e trazendo para o lado da reforma a classe profissional mais directamente ligada a essa mudança... A própria forma de agir dos governos mostram ainda uma sociedade em aprendizagem e com pouco treino de "conversa Construtiva"...

O conflito a que assistimos tem ESTE pano de fundo (em que decorrem os flashes mediáticos, a discussão de aspectos técnicos, as lutas partidárias - infelizmente, porque este assunto é demasiado sério para ser usado para esse fim -, e algumas questões relacionadas com a implementação de políticas e medidas).

V.

É pena que o Governo não saiba (e agora já não possa) alterar o discurso e o modo de comunicação(mais do que as políticas) antes das eleições, pois teria mais sucesso na implementação das políticas definidas. Neste processo, o Governo e o país viu gastar-se tempo, energia, recursos, e não conseguir implementar políticas... Ou seja: cria-se ineficiência por falta de capacidade de comunicação e diálogo construtivo. Este um espelho do que acontece em muitas área da sociedade...
Na prática, ficou patente que ainda não temos uma classe política capaz de COMUNICAR, porque para isso não nos preparava a Escola (nem a família, nem a Universidade...).
Nota: Veja-se a diferença em relação ao "falar em público" nas sociedades anglo-saxónicas.

É pena que a classe docente, talvez não analisando bem a sua missão e o modo como deveria enquadrar a sua função, não consiga não apenas contestar mas apresentar propostas alternativas que se focassem - mais do que nos direitos adquiridos - nas necessidades de um ensino que tem de ser capaz de gerar jovens com competências pessoais e com conhecimentos bem diferentes daqueles que eram necessários há 20 anos atrás.

Na prática a classe docente mostra que não está preparada para criar uma geração com capacidade crítica construtiva, porque ela própria ainda não é capaz de a fazer.

VI.

Este conflito espelha, na perfeição, a nossa fase de desenvolvimento enquanto sociedade. Nem mais, nem menos.

Na prática continuamos o longo caminho que temos de percorrer, de fazer evoluir mentalidades...

Estamos ainda a pagar o alto preço de termos tido décadas, senão séculos, de aposta na ignorância ou, quando muito, na memorização, e não numa educação para a cidadania, com cidadãos informados e com capacidade de desenvolver ideias próprias e de as transmitir de modo coerente...


Este conflito é o mais perfeito exemplo, senão mesmo o mais grave sintoma, desse moroso e penoso processo.


PS: O caso do Ministério da Saúde, em que a simples saída do Ministro (que havia pensado as políticas!) foi suficiente para diminuir os problemas de comunicação ... poderia ter servido também neste caso... As políticas são as mesmas, o modo de implementação menos agressivo, os resultados da implementação bem superiores, com menos contestação e desperdício de energia e recursos...

2009-06-02

Por uma nova Educação?


Não era esta a discussão sobre educação que deveria estar a ocorrer se realmente o que nos preocupasse fosse o futuro dos que andam hoje na Escola, e o futuro do próprio país ?

2009-05-30

Educação

Hoje houve mais uma importante manifestação de professores (e não só). Direito à indignação? Com certeza. Mas... mesmo em vésperas de eleições, houve explicação sobre os Motivos concretos? Foram lançadas algumas propostas? Desconhece-se...

Por outro lado, há dias surgiram comentários no www.umzeroaesquerda.blogspot.com e noutros blogs sobre uma situação concreta: "Uma professora de ciências do ensino básico que obteve uma decisão positiva sobre a passagem à reforma, foi impedida de dar aulas a partir de 31 de Maio, embora tenha manifestado a vontade de o fazer até finalizar o ano lectivo. A “revolução” de que tem falado Vital Moreira (...) não passa de mais papéis, incompetência e falta de respeito. (...) Se ainda há alguém com vontade de defender Maria de Lurdes Rodrigues, o seu ministério e a sua direcção regional do norte, faça favor".

Pois bem: mais do que defender pessoas, pensamos que todo o modo de colocar a questão do debate da educação é errado. Pior: ele é erradamente colocado por aqueles que têm obrigação de ... EDUCAR para o EXERCÍCIO da CIDADANIA e daqueles que, por ora, têm o dever do EXERCÍCIO DO PODER! E depois são ajudados por uma sociedade que parece ter dificuldades em compreender uma regra base: DEBATER IDEIAS, MEDIDAS e IMPLEMENTAÇÕES, NÃO PESSOAS em si! (sim, podem obviamente debater os seus comportamentos e as suas condutas... no serviço público, não na esfera privada...)

E neste debate, que a TODOS prejudica, porque prejudica os alunos, e portanto uma geração inteira, a que representa o futuro do´país o problema dos professores é de “Atitude”, o problema da Ministra é de Comunicação.

Como é possível conseguri notáveis mobilizações de uma classe e... não aproveitar para debater os princípios fundamentais subjacentes à política de educação? não aproveitar para propor releituras e novas oportunidades? novas medidas? como não debater apresentando propostas concretas alternativas?

Como é possível que a aplicação um procedimento administrativo – por inadequado que seja, sobretudo em termos dos interesses dos alunos, possa ser apontado à Ministra? Antes de escrever este post alguém foi verificar quais os procedimentos de “passagem à reforma” na administração pública?

Talvez nesse caso se tivesse legitimidade para criticar a cega aplicação de normas que prejudicará, objectivamente, os alunos desta professora, pela DREN (ou por qualquer outra entidade pública com competências similares), mas se compreenderia que a Ministra não tem propriamente relação com o assunto – nem o Ministério da Educação é diferentes dos demais neste caso.

O problema do debate sobre educação em Portugal, no momento, é mesmo este: os professores criticam por tudo e por nada; fazem manifestações sem serem capazes de lhe indicar UM propósito que não seja... o de protestar contra... “a política”... Ora: “ política” de educação deve partir de uma ideia de sociedade, corporizar-se em algo concreto... Logo: critico os seus fundamentos (e contraponho outros, outro entendimento da sociedade) e/ou as medidas concretas de uma política.

Criticar “a política” de um modo abstracto, sem dizer a que me refiro... é vago, inútil, demagógico...
- todos os cidadãos, e sobretudo a classe que tem como missão formar as próximas gerações de cidadãos, devem... fazer crítica construtiva: não basta dizer mal, é preciso dizer O QUE se critica e o QUE SE PROPÕE, sob pena de ser “dizer mal por dizer mal”.
- em vésperas de eleições, o protesto deve ser, deve ser, feito com propostas, deve ser assumido como o apresentar de caminhos alternativos e... reverter-se em VOTOS!
- O problema dos professores é precisamente que cairam nesse dizer mal por dizer mal: fizeram uma das maiores manifestações de que há memória em Portugal, mantiveram o momentum e... NADA, nem uma proposta! Não aproveitaram esse notável movimento de empenho e de exercício de cidadania para CONTRAPOREM uma proposta de modelo de avaliação. Apenas se reuniram para... pedir a suspensão da aplicação! Isso não é contrapor políticas, isso é “bota abaixo”... Para manter tudo como está, sem métodos de avaliação! Mais: ou me manifesto contra o sistema de avaliação proposto, ou contra “a política”....
- para cúmulo os professores, numa ânsia crítica sem limites, aproveitam tudo para criticar a Ministra, mesmo usando exemplos que nada têm de “político”... Como este caso que, mostrando bem a estupidez de certas regras da função pública e da aplicação cega de normas, não tem claramente qualquer relação com esta Minista...

O problema da Ministra, por seu lado, é não conseguir comunicar, e mostrar à maioria dos professores – a larga maioria da classe, tal como da maioria das classes profissionais em Portugal, é constituída por pessoas sensatas... – que para dialogar, é preciso apresentar contra-propostas, ser construtivo na crítica, apontar especificamente os erros das políticas e das medidas concretas... Em suma: o que falta à Ministra é a capacidade de diálogo com aqueles que tutela, que têm a responsabilidade de fazer a socialização em nome do Estado e que, por isso, são agentes vitais para implementar as políticas... LOGO: a Ministra não tem condições para seguir com a implementação das suas políticas, por não ter condições nem ter mostrado capacidade de abrir os canais de diálogo. Idealmente, ocorreria o mesmo que no Ministério da Saúde: a substituição de protagonista foi o suficiente para que a mesma política, com alterações menores, muito ligeiras, fosse implementada, de modo tranquilo, sem a animosidade que existia com Correia de Campos. Sucede que estamos agora em período eleitoral. Socrates não pode substituir a Ministra agora... Teremos de esperar pelas eleições...

O que se espera é que os professores aproveitem este momento para reflectirem sobre a sua Atitude. E que a alterem. E que procurem AGORA dialogar com os partidos – que são os agentes envolvidos nas eleições de modo directo, como mediadores entre a sociedade e o poder – para que cada um dos CONCORRENTES ÀS ELEIÇÕES DEFINA e EXPONHA quais os seus princípios para a EDUCAÇÃO e quais as MEDIDAS CONCRETAS que propõe...