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2010-01-20

Anúncios...

De que em Portugal se irá votar em qualquer ponto do país... Proposta e promessa antiga, pelo que será necessário "ver para crer"... Aliás, já aqui deixamos post com explicações sobre a sua não implementação.
Sendo certo que esta medida pode ser incentivadora do voto e permitir diminuir a abstenção, não é menos certo que limpar cadernos eleitorais, a começar pelas duplicações geradas pela emissão dos cartões de cidadão... era também um modo de se saber mais exactamente qual a abstenção... Sobre isso podem ser encontrados diversos posts neste blog

Do lado das positivas... destacar
Horta Osório por ter sido escolhido como um dos 50 alunos do INSEAD que mudou o mundo...

2009-10-01

Voto electrónico em Portugal?

Porque é que não temos voto electrónico? Afinal alguém explica! Portal do Eleitor e UMIC. Obrigado! (e um agradecimento a ABS)

2009-09-24

Portal do Eleitor : tudo o que precisa saber para votar... ou quase... Pois o resto, um pequeno teste para compreender melhor a sua própria orientação política: BUSSOLA ELEITORAL

E, já agora, para quem quiser apostar e palpitar:
http://www.trocasdeopiniao.eu/

As campanhas... previsíveis...

Parece que as máquinas partidárias compreenderam onde poderão ainda estar os últimos indecisos por si "convertíveis" e, por isso, apostam naquilo que há já mais de uma semana se diria ter de ser o caminho natural, mas sem debater ideias de fundo, como até o El Pais reconhece...:
  • PS: o "papão" de ter uma "primeira ministro retrógrada" (para os "moderados", indecisos entre abstenção, nulo, branco, PSD, MEP, MMS ou... PS), somando ao perigo de ser "de direita", o que justifica "voto útil" (para os que para além as opções abstenção ou branco/nulo, ponderassem PS ou BE ou CDU... incluindo todos os milhares de Alegristas/ala esquerda do PS e dissidentes de partidos de esquerda), e usando ainda a questão da "governabilidade" para reforçar pedido de algo como "vantagem confortável"
  • PSD: papão "BE ou esquerdas ainda piores no governo", e perigo de "governamentalização do Estado" se tivermos mais PS (para os "moderados" citados acima), e "voto útil" para os que, estando no centro-direita, poderiam ponderar votar CDS ou até MEP e MMS, os novos partidos do centro e centro direita...
  • CDS-PP: votar "útil" à direita é votar CDS, para dar força a um governo PSD/CDS-PP, que obrigue PSD a deixar de ser hesitante e seguir em frente em matérias como segurança, agricultura, idosos, ex-combatentes, baixa de impostos e de custos de contratação (liberalização económica, genericamente), não esquecendo os valores e as IPSS, e outros temas apelativos a nichos muito bem identificados por aquela que parece ser, juntamente com a do BE, a campanha com melhor estratégia com vista aos fins a que se propõe (claramente são duas forças que optaram por alguns nichos, e focam em pontos chave, compreendendo que têm também oportunidade de captar votos fora desses nichos, tal o descontentamento com esta ou aquela área de governação, e a sensação de "déja vu" que PS e até PSD trazem...)
  • BE: o "papão" do PS sozinho gerar mais do mesmo, com tendências "direitistas" e que, portanto, a necessidade de reforçar BE para serem a força responsável por empurrar o PS, obrigando-o a mais políticas sociais (com base no Estado), maior controle de negócios "obscuros" e menos "negociatas", e não deixando o PS hesitar em termos de políticas de "costumes" (ainda que sendo "tolerantes" em termos de ter consciência que não estamos em época de nacionalizações, gratuitidade imediata do ensino e da saúde, e muito menos de sair da UE e... da NATO...)
  • CDU: os mesmos "papões" do BE, mas com ênfase menos "urbano" e menor "peso" da questão dos costumes, antes apostando nos políticos "genuínos" e verdadeiramente "trabalhadores"... E em ser um partido construtivo...

2009-09-13

Bussola Eleitoral: Use antes de votar... (act)

Recomenda-se vivamente a efectuar o teste BUSSOLA ELEITORAL mesmo que não faça parte dos indecisos... e olhe que demora poucos minutos, ...
Desenvolvido pelo ICS (Instituto de Ciência Sociais em parceria com uma reconhecida entidade Holandesa nesta área), a BUSSOLA ELEITORAL é um teste onde qualquer cidadão pode tentar compreender melhor o seu próprio posicionamento político em PORTUGAL.
Os resultados são bastante interessantes e podem divergir, de modos até surpreendentes, dos de outros testes - nomeadamente o Political Compass (que aborda apenas a orientação política, e que é o mais antigo destes "testes de orientação política) e o EU Profiler (que incluí já a proximidade aos Partidos Portugueses e até Europeus), já mencionados em artigo anterior. A explicação para diferentes resultados é a diversa estruturação das questões, mais centradas na forma como são colocadas, hoje, no debate político Português.

Após 28 questões de escolha múltipla (face a cada afirmação podemos optar entre 5 opções, do "concordo totalmente" ao "discordo totalmente"), seguem-se 2 questões "extra", uma sobre a afinidade com os partidos/coligações nacionais (incluí todos, mesmo os que não têm por ora presença parlamentar) e "empatia" com os líderes dos mesmos.
Imediatamente a seguir surgem duas classificações:
1. uma referente à proximidade face a cada um dos partidos, que se faz a partir de dois eixos:
- Esquerda vs. Direita
- Libertário/Cosmopolita vs. Tradicional/Nacionalista
2. Uma outra classificação referente ao grau de concordância com cada um dos partidos, em %.

PS: entretanto continuam a sair as sondagens, que indicam forte proximidade entre PS e PSD, e entre BE, CDU e CDS-PP. Hoje foi divulgada uma sondagem da Universidade Católica para Dn, Jn e RTP (mas recomendamos a leitura da ficha técnica completa, no Margens de Erro)

2009-09-10

As questões de fundo... (família; inovação; obras públicas)

Há questões que são importantes. Algumas marcam mesmo o "campo" de cada partido, pois definem a sua visão da sociedade. A questão da família é uma delas: para o PSD, e para MFL, como já afirmou recentemente, a familia "clássica" (a que, sendo constituída por pessoas de sexos opostos e que têm capacidade e desejos reprodutivos - dado que, no seu próprio dizer, MFL distingue a família que tem como projecto "ter filhos" - como disse, claramente, no debate com Francisco Louçã), deve ser a célula basilar da sociedade. Esta, aliás, uma questão que mantém em aberta a questão das eleições Presidenciais de 2011, pois Cavaco, que acaba de vetar uma lei sobre Uniões de Facto, tem grande afinidade com MFL, também nestas matérias. A visão de partidos como PS ou BE é bem diferente. Para partidos como o PCP, o Estado deveria ser o esteio fundamental da organização social. Nada há de novo por aqui. As sociedades nórdicas têm no Estado a sua célula base em termos organizativos...

Mas, por isso, são curiosos alguns artigos que têm vindo a sair. Recomendamos alguns artigos do i e do Público:

  • um artigo e inquérito/sondagem muito interessante que, de algum modo, reflecte o Portugal em mundança em que vivemos, e realça bem as diferenças sociológicas entre o PS de Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira Leite - que não é necessariamente uma clivagem real entre os dois partidos, antes entre as duas lideranças actuais); e um outro sobre educação sexual
  • um artigo sobre a relação entre a vida privada e pública dos políticos, nomeadamente no caso de Sócrates
  • um outro sobre o facto de termos pela primeira vez uma candidata a Primeira Ministro (ou seria Primeiro Ministro, atendendo a que é nome de um cargo? :-) ) e se isso trará vantagens eleitorais a Manuela Ferreira Leite
  • por fim, no Público, dois artigos em que se fala de descida de impostos (só não se percebe se á algo urgente, ou não...), aqui e aqui. E há ainda a questão das Obras Públicas, em especial do TGV, sobre a qual MFL, que há uns anos assinou, e que agora re-afirma ser "contra "gastar-se dinheiro em grandes investimentos, cuja contribuição para o emprego é nula" e que prefere investimento público "de proximidade". Mas, no mesmo debate, afirmou que "suspensão" indica ser algo que tem de ser reavaliado e que não há condições conjunturais (nível de endividamento) que permita tal aposta. Confesso que achei... Claríssimo...

Por outro lado recomenda-se ainda um curto mas incisivo texto de Jaime Quesado sobre a urgência da Inovação e de um novo paradigma de desenvolvimento. Provavelmente este deveria ser o tema central desta campanha... Infelizmente não está a ser... Os jornalistas, e a classe política, consideram que a TVI e Manuela Moura Guedes é mais importante...

2009-09-08

Hondt... e voto útil...

Votar, numa democracia representativa de cariz parlamentar, é escolher... deputados, que nos representam... Os votos são convertidos em mandatos.
Na hora de votar podemos agir tendo isso em mente ... ou não...

Em Portugal, a eleição é feita por Distrito, de acordo com uma tabela que se alterou recentemente (Diário da República), e que levou à perda de um mandato dos distritos de Lisboa, Castelo Branco e Bragança (JN), e ganhos de outros três: Porto, Aveiro e Braga.

Para proceder à conversão de votos em mandatos, nas eleições legislativas e Europeias, usa-se o Método de Hondt para (ver artigo da Comissão Nacional de Eleições e da STAPE, que incluí simulador).


Abaixo, temos um quadro resumo podemos ver os deputados a eleger por distrito, bem como os deputados que foram realmente eleitos em 2005 (adaptado do Blog do Publico - eleições 2009) mas também das implicações que a forma como votamos pode ter na hora de converter votos em mandatos, realçando o "favor" que se faz aos partidos maiores em dispersar os votos, mas também o modo como círculos maiores favorecem esses mesmo partidos:


O nosso sistema é, pois, o de um voto simples e único, com eleição por distrito, numa base de método de Hondt, que não é proporcional, e sem "círculo" nacional... e isso traz consequências...Na realidade, há muitos sistemas de voto e há muitos sistemas eleitorais pelo mundo fora. E cada sistema eleitoral favorece um certo tipo de sistema político-partidário. A geografia política Portuguesa seria, quase seguramente, muito diferente se, por exemplo, tivessemos votos de primeira e segunda volta, em cada círculo (ex: França); OU se tivessemos um só circulo nacional (Portugal vota assim, para o Parlamento Europeu!); OU se cada distrito elegesse numa base "winner takes all", como nos Estados Unidos (sistemas maioritários tendem a "empurrar" para soluções bi-partidárias); OU "pontuassemos" os partidos, dando mais pontos ao preferido, um pouco menos à segunda escolha, menos à terceira e assim sucessivamente (ao termos só um voto não podemos ter uma "segunda escolha"); OU se houvesse círculo uninominais; OU... tivessemos outro dos múltiplos sistemas existentes

Um exemplo: se tivessemos 150.001 mil votos expressos num distrito, e 3 deputados... e o partido A tivesse 30.000, o B 20.000, o C 10.000 e o partido D 90.001, o sistema de Hondt ditaria: 3 deputados para o partido D, e zero (0) para todos os outros. Ou seja: 60.000 votos seriam inutilizados, enquanto 90.000 elegiam os 3 deputados do círculo. No caso de haver um "círculo nacional" calculado com base nos votos "desperdiçados" (não convertidos em mandatos), a distribuição de mandatos seria bem diferente... alterando as relações de poder.

No quadro podem ver-se mais casos de votos "desperdiçados".
Por isso, votar em círculos como Vila Real, Portalegre, Guarda, Bragança, Castelo Branco, Évora, Beja, etc. é diferente de votar em Lisboa ou Porto...
infelizmente, com este método, uma boa parte dos votos dos Portugueses é ... inútil em termos parlamentares! Ou seja: essas pessoas não serão representados na legislatura seguinte! Votar em Lisboa é diferente de qualquer outro distrito. O Porto também é "unico". Braga e Setuball intermédios. Alguns exemplo: votar MMS ou PCTP-MRPP, ou até MEP, fora de Lisboa, é, mais do que provavelmente, um voto totalmente desperdiçado, pois não têm hipóteses de eleger deputado. Mesmo votar, por exemplo, CDU em na Madeira, ou votar CDS no Alentejo, ou votar BE em Vila Real, ou votar MEP fora de Lisboa, são votos que não se converterão em representação parlamentar... e nós vivemos numa democracia representativa...

Um voto é, pois, uma expressão de vontade, mas também algo que podemos escolher, ou não, ser meio de eleger representantes... E por isso é razoável fazer contas... E o voto pode ser diferente consoante o local onde se vota. Exemplo: um votante CDS em Portalegre deve ponderar seriamente se não deveria votar PSD para não desperdiçar o seu voto. No mesmo distrito, um votante do Bloco de Esquerda deveria pensar se votar CDU ou PS, ou se não se importa de ter um voto "não convertido"...


PS: saiu finalmente uma Sondagem após longo silêncio. Sondagem Aximagem, com comentários e explicações do Correio da Manhã , e também no Margens de Erro.

2009-07-24

Programas e ideias...

Pode votar-se com base em numerosos factores.

No nosso sistema eleitoral, em teoria, deveria votar-se pelas listas de deputados. Estou em crer que, fora dos partidos, quase ninguém o faz. Pior, e mostrando bem a falência do nosso sistema eleitoral em termos de ligação eleitores-eleitos, poucos eleitorais saberão, sequer, quais os cabeças de lista... e muitos menos ainda quais as listas de cada partido ou coligação...

Na realidade, os maiores factores de voto são (sem qualquer hierarquia), entre nós:
  • hábito e/ou "clubite"
  • proximidade ideológica (como uma agenda que contemple assuntos considerados particularmente relevantes para dado eleitor, ex: aborto, drogas, eutanásia, educação religiosa ou sexual, etc.; ou componentes como sociedade capitalista, ou baseada em dados valores morais, ou preservação ou não da integração europeia, etc.)
  • pela liderança - pela confiança gerada, pelo dinamismo, pelas ideias..
  • pelo programa apresentado
  • por considerações conjunturais (desemprego; voto de protesto e questões particulares - locais, sectoriais, - ex: professores; etc.)
  • percepções (estéticas, simpatias, etc.).

Em relação a alguns destes pontos, a clareza das lideranças é fundamental. Por isso, acreditando que, de entre os 5 maiores concorrentes, as propostas da CDU, BE, e CDS são claras, e as do PS também começam a ser (sobretudo uma linha de continuidade), é urgente que as do PSD também sejam... para podermos escolher com base em mais do que simpatias...

De entre os pequenos, o MEP e o PPM também devem reforçar sua clareza, seguindo exemplos como o PCTP/MRPP, do PNR, do MPT, POUS...

2009-06-07

Europa



«Virá um dia em que todas as nações do continente, sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo‑se às ideias. Virá um dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos VOTOS».

Victor Hugo proferiu estas proféticas palavras em 1849... HOJE É DIA DE VOTOS, 64 anos após as armas se calarem. Não podemos, não devemos, porém, esquecer as balas das duas últimas décadas, entre Sérvios e os vizinhos Croatas, Bósnios, Kosovares, ... Para nos relembrar os perigos de "dar algo como adquirido" e para nos relembrar os
Porquê da União Europeia e para pensarmos mais seriamente o Futuro da União

Era muito importante que se tivesse discutido Europa, e que houvesse uma votação relevante (os 11,8% da manhã são assustadores... Os mais de 60% finais de abstenção, dizem tudo): o que se decide na Europa nos afecta no dia a dia (não, não é apenas o Presidente da Câmara que nos afecta...)...

Ah... Todos os pró-Europeus (grupo em que o Moscardo se incluí) já perderam estas eleições. Copiosamente. De modo inequívoco. Por uma margam esmagadora. Não só em Portugal, mas em toda a Europa. e se alguns dos partidos ditos pró-Europeus disseram que vencerem estas eleições... por muitos deputados que elegerem... Não são o que dizem ser...

P.S.: confirmam-se não só os mais de 63% de abstenção - bem maior que média Europeia, já de si enorme (56,5%) como os mais de 235.000 votos brancos e nulos...

2009-06-06

Orientação Política (act)

Para quem desejar saber onde se posiciona politicamente, a nível nacional e de acordo com as famílias políticas Europeias, recomenda-se o EU Profiler (obrigado ao Anónimo que nos informou da sua existência num comentário a um post anterior). Um artigo pode ser encontrado aqui .

De modo mais genérico, o Political Compass é um dos mais antigos e conhecidos testes para avaliar posicionamentos políticos. Recomenda-se. Os resultados são interessantes e a comparação com figuras históricas de relevo tornam-no ainda mais aliciante.

Estes testes podem ajudar ao voto, no dia 7, numas eleições em que o maior adversário da democracia e da construção europeia é a abstenção, sendo por isso muito importante ir às urnas deixar o papelinho...

2009-06-05

Vote onde estiver...

As Juntas de Freguesia não têm quase todas internet? Não há imensos pontos de internet em casas da cultura, casas do povo, centros do IPJ, etc? A maioria das Escolas não está “ligada”? Se sim... então porque esperamos para poder “deslocalizar o voto, permitindo que qualquer cidadão vote em qualquer ponto do país?

Era uma medida tecnicamente simples – com alguns custos, naturalmente (mas custa mais fazer duas campanhas em 3 semanas do que custa semelhante projecto...) – para combater absentismo, sobretudo em casos em que as eleições coincidem com férias e pontes...

A fase seguinte seria o voto por internet, permitindo votar de qualquer lugar, incluindo do estrangeiro...

Utopia? Sobre esse assunto
já escrevia a UMIC em 2005! E pode também ler-se outro artigo bem pertinente aqui...

Seria um contributo para diminuir abstenção e aferir melhor do grau de interesse/desinteresse dos Portugueses pelos processos eleitorais.

Há que pensar seriamente numa petição para este fim...

2009-06-04

Voto Vazio?

Pela primeira vez não irei votar numas eleições Europeias. A partida para Férias é anterior às eleições e... ainda não há possibilidade de votar em qualquer ponto do país (sobre a necessidade e simplicidade de resolver este problema, haverá um post...).

Como apoiante convicto da construção Europeia, deveria estar triste. Mas o que me deixa realmente triste é que... não sinto qualquer tristeza por não votar. Porque mesmo que pudesse... não saberia o quê ou em quem votar...

Branco ou nulo seriam opções... mas acabam por ser não ser mais do que votos estéreis.

Os partidos fora do arco parlamentar representam votos que não se traduzem em mandatos (e o MEP e o MMS já se viu que não conseguiram alterar esta lógica) e, por isso, são também votos de simpáticos, de protesto, mas inócuos. O MMS conseguiu trazer temas pertinentes, numa lógica urbana. O MEP foi refrescante. O PPM e até o MPT trouxeram propostas coerentes, apesar de tudo. Se não se pensar numa lógica de democracia representativa, em que contam apenas os votos que se traduzem em mandatos, e se se tiver uma crença em valores próximos de algum dos partidos das franjas (POUS; PCTP; PNR; PPM; MPT), ou de um dos 3 pequenos de índole mais “central” (PH; MEP; MMS), pode ser interessane escolher uma das 8 alternativas aos partidos do arco parlamentar...

CDS, BE e PCP/CDU são partidos com sérias reservas ou mesmo contrários à construção Europeia... Se não fosse pró-Europeu convito pensaria em votar numa destas forças: não tiveram uma campanha de máxima elevação, mas foram medianamente sérios em Campanha. Medianamente coerentes. Sobretudo Nuno Melo e Miguel Portas. E irão eleger deputados. Mais: um voto a mais ou a menos pode ser a diferença entre eleger mais um ou menos um deputado...

O PS e o PSD, os partidos mais pró-União Europeia, seriam – em termos conceptuais, as possibilidades para um Europeísta... MAS realizaram uma campanha verdadeiramente vergonhosa. Nem uma ideia, nem uma proposta. (Quase) nem uma palavra sobre a União Europeia. Apenas insultos, insinuações, acusações entre si – algumas de muito baixo nível e, pior, ataques pessoais ...

O PS – cujos cartazes iniciais, “Nós, Europeus” (ainda que criticáveis quanto à sua eficácia) deixaram alguma esperança de elevação, pois indicavam que se ia centrar na sua histórica contribuição para a construção Europeia e para a inclusão de Portugal no processo, realçando a faceta pró-UE do PS, acabou a sua campanha eleitoral... na lama.
O culminar da “desgraça” de uma campanha de insultos e sem ideias pertenceu a Edite Estrela: “Ele não sabe nada de Europa...” para justificar não aceitar o PS um debate! São palavras inadmissíveis e insultuosas (para mais entre futuros colegas no Parlamento Europeu e até de muitas viagens Lisboa-Bruxelas!) e denotam total falta de nível e de espírito democrático! Lamentável. O mínimo era um pedido público de desculpas.

O PSD, apesar do nível intelectual de Paulo Rangel, limitou-se a criticar o PS e falar sobre política nacional, como que se fossem estas primárias das legislativas.
E Maria Manuela leite igualou Edite Estrela, no arrastar da política para a lama: “fugiu-lhe a boca para a verdade. Pela primeira vez desde que é Primeiro Ministro”...
Será que ninguém lhe perguntou, no fim desta declaração: “Acha que o seu neto teria orgulho de si após o que acaba de dizer?”. Com certeza MFL iria arrepiar caminho...

Em resumo, PS e PSD nada disseram sobre Europa e, quando disseram, não foram consequentes. Não merecem um voto de quem acredite na construção Europeia, pois não a tratam com a mínima seriedade, antes preferindo falar de “casos” e dedicar-se à "politiquice" e à "roubalheira"...

Enfim... Duas alternativas:

- ou se entende que o que se diz em Campanha não conta (será que não conta? Então o que conta? Não esquecer que FOI PELO QUE DISSE EM CAMPANHA que Obama foi eleito e empolgou meio planeta... Sem baixar o nível! E que as campanhas devem ser esclarecedoreas sobre programas e sobre qualidades dos candidatos...)

- ou está visto que, em consciência, é impossível votar PS ou PSD...

Caimos ao terreno do VAZIO...

PS: e é por termos tais atitudes que há notícias como esta