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2012-01-02

O reverso da medalha da austeridade...

Esta manhã coloquei um post provocativo no facebook:

"Paul Krugman foi prémio Nobel da Economia... e escreveu hoje mesmo: "First, families have to pay back their debt. Governments don’t — all they need to do is ensure that debt grows more slowly than their tax base" ... E colocava o link para o artigo de opinião de Paul Krugman no NY Times

Esse post foi especialmente dedicado a todos os que consideram que não se podem debater opções...
Paul Krugman diz coisas simples:
1. se receitas (tax base) for superior a despesa e/ou crescer mais do que esta, não há problema... Pelo que única forma de olhar para problema não é a redução da despesa...
2. os credores das pessoas físicas, ao olharem para estes como mortais, esperam que estes liquidem a dívida ainda em vida física e como, a partir de uma certa idade, estes não encontrarão novos financiadores dispostos a criar-lhes novos créditos que lhes permitam liquidar as anteriores... as pessoas terão de tender à liquidação total de dívidas ainda em vida;
Já um Estado é perene, ou subentende-se como tal, sobretudo em contexto de paz... pelo que tenderá sempre a encontrar novos potenciais financiadores que lhes concedam novos créditos que lhes permitem liquidar os anteriores. Isto acontece porque Estados não são olhados como tendo uma "esperança média de vida" nem como sendo previsível que fechem as portas de um dia para o outro... Mesmo no meio da crise, Portugal, por exemplo, tem encontrado financiadores (o preço tem sido elevado, mas montantes são superiores às necessidades). No caso
3. Aumento da carga fiscal leva a perda de competitividade e aumento da fuga de capitais, de empresas, de emprego... com isso faz-se decrescer mais as receitas, e assim pode agravar-se ainda mais o problema inicial... e a um nível muito mais baixo!

Só hoje, no jornal Público, só na página inicial, podem encontrar-se diversos comprovativos de que há um trade-off que tem de ser equacionado se não foi já ultrapassado:
- um video sobre as causas do disparar da dívida Soberana (os preços dessa dívida subiram na essência porque passaram a ser negociadas como crédito "ordinário")
- um artigo de Ricardo Cabral a explicar porque não escaparemos ao incumprimento/renegociação
- e um post com artigo sobre erros do FMI.. 

2011-03-26

Ética, Liderança e Exemplo (2)

Após a análise do comportamento de Sócrates nas últimas semanas, e dos porquês de pensar que, em qualquer uma das interpretações plausíveis ele não ser de boa liderança e muito menos servir de exemplo, afirmamos que os comportamentos e decisões de Passos Coelho e de Cavaco Silva também não beneficiaram o país.
Os três dias que passaram apenas reforçaram e confirmaram esta ideia. Por isso este post que aqui deixamos é válido no dia 24, no 25, 26 e nos seguintes… A ética está para além da espuma dos dias.
Compreende-se, na base da posição de Passos Coelho:
  • Irritação com Sócrates, porque não foi incluído, não foi informado de negociações e na véspera foi posto perante facto consumado.
  • Pressão interna, “ou tens eleições legislativas ou internas”, teria dito Marco Costa, segundo a Visão
  • PSD defende mais impostos (afinal não era corte despesa?) e não corte pensões
Mas… se são compreensíveis as razões pessoais e partidárias… e para o país?
  • PPC sabia que cenário era já de si periclitante e provavelmente Sócrates já lhe teria pintado cenário ainda mais negro, antes de ir para Bruxelas. PPC sabe que pedir ajuda após a revisão das regras do Fundo Europeu será bem menos penalizador. Sabe que se ajuda for pedida em Junho será provavelmente bem diferente de Março…
  • PPC sabia também que, ao não apoiar o PEC IV, era provável que Governo caisse, e sabe que instabilidade é o pior inimigo dos mercados… (sabia que o corte no rating era mais previsível… e pode ser ainda mais profundo, aumentando taxas e juro e, assim, custos futuros para o país…)
  • Sabia que ao não apoiar PEC IV é provável que Bruxelas perca paciência e force pedido de ajuda, de acordo com regras atuais (tanto sabe isso que se apressou a escrever cartas e a garantir que… PSD também quer comprometer-se com objectivos e por isso… está com PS!)
  • Ao negar-se a acordo pré-eleitoral com CDS-PP, porque assim pode lutar pela oportunidade de PSD ganhar com maioria (é compreensível), diminui muito a oportunidade de haver uma maioria absoluta na AR, criando assim menor espaço para que as eleições nos tragam estabilidade, algo que era crítico… para o país! (menos mal: abriu a porta a PS e a CDS-PP, no pós-eleitoral, o que em princípio asseguraria estabilidade… Mas ao impor que seja o PS pós-Sócrates, e como este acaba de ser reeleito Secretário Geral do PS e, logo, significando isto que pode demorar vários meses após as eleições legislativas até Sócrates ter substituto no PS… e, logo, mais uma espera para o país: será que país pode esperar?)
  • PPC sabe que um processo eleitoral, além dos custos diretos, tem forte custo em meses de “paralisação” de decisões, de contratos, de pagamentos, numa economia em que cerca de 50% é Estado, e cerca de 80% dos agentes têm relações diretas com Estado…
Em suma… talvez Passos Coelho, como Sócrates, fossem demasiado jovens e tivesse pouco atentos ao que foi o período 84-85 em que, apesar de termos um governo feito de homens resolutos de grande sentido de responsabilidade e capacidade, como Ernâni Lopes, muitos portugueses sofreram como poucas vezes… Ou talvez devessem ter lido este irónico mas realista artigo, que nos traz um conselho Irlandês…
Pensamos que a entrevista a António Barreto diz, de uma forma superior, muito que quisemos exprimir… É incontornável!

PS: não sei se devíamos chegar a tanto… mas é curioso e dá pelo menos que refletir, este outro artigo… sobre revolução popular e auto-gestão, na Islândia, que já voltou a crescer… E assume uma forma de revolução popular que temos vindo a associar ao mundo islâmico, actualmente…

2011-03-19

Gasolina deveria descer 5 cêntimos...

 Tudo explicado, aqui... Agora veremos o que diz a Galp...

Aceitam-se apostas…

Enquanto os três clubes portugueses brilham na Liga Europa, o país parece incapaz de reagir… com 8% de taxas de juros – insustentáveis em absoluto! – e uma crise política que é pior do que uma crise política a sério – pois o "vai ou não vai" cria mais instabilidade e incerteza do que qualquer outro cenário – a não ser o de guerra –. Incerteza agravada pelas fissuras internas nos partidos, sejam eles o PS ou o PSD, apesar de algum recuo de Sócrates
Vale a pena é... ler o artigo sobre 6 mentes brilhantes, Portuguesas…

2011-03-17

Um texto brlhante?

Nota prévia: por lapso este texto tinha sido identificado como sendo da autoria de Mia Couto, inicialmente.

Aparentemente a sua autoria é de "Assobio". O valor das ideias do texto mantém-se inalterado, de qualquer forma, pelo que o mantemos aqui, na íntegra, com o devido pedido de desculpas a Mia Couto e a "Assobio".

Geração à Rasca - A Nossa Culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa
abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes
as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar
com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também
estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância
e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus
jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a
minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos)
vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós
1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram
nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles
a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes
deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de
diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível
cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as
expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou
presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o
melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas
vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não
havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado
com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A
vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem
Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde
não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar
a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de
aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a
pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e
da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que
os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade,
nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter
de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e
que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm
direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas,
porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem,
querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo
menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por
escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na
proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que
o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois
correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade
operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em
sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso
signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas
competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por
não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração
que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que
queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a
diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que
este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo
como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as
foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não
lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de
montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o
desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e
inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no
retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e
nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como
todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados
pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham
bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados
académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos
que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e,
oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a
subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos
nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares
a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no
que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida
e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme
convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem
fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e
a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de
uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.

2011-03-16

Estamos em condições para começar um caminho novo?

Será que vamos mesmo ter eleições? Passos defende que PSD está em condições para começar um caminho novo. O país, tal como  governo e José Sócrates, está cansado, mas a verdadeira batalha ainda nem começou... a salvação não está ao virar da esquina..,
Será que vamos seguir a crise pelo facebook? No que respeita a Cavaco Silva, se calhar será esse o caso...

2011-03-08

Mediática revolta…

Curioso: não me recordo de o “top 5” das mais lidas no “I” serem todas sobre o mesmo tema! Mas hoje está a acontecer e o tema é.. os Homens da Luta e a RTP:
  • Jel: um homem que luta – um artigo de opinião do Director da SIC Radical que merece, sem dúvida, ser lido e que fala mais de nós, Portugueses, e da atitude pró-activa e empreendedora que temos de aprender e apreender e praticar, do que de qualquer outra coisa…
Nos lugares subsequentes:
Já Miguel Sousa Tavares e outras vozes colocam a questão de outra forma: o perigo da demagogia… E do o discurso de geração à rasca não ser o melhor, por não nos levar no caminho da modernidade mas do passadismo, não ser uma crítica construtiva mas destrutiva….

PS (dia 9): Será que os Portugueses estão mesmo a sublimar, por ora pela música, a sua revolta? Dia 12 veremos o que se passa...
Hoje ficamos pelas declarações da tomada de posse do Presidente, Anibal Cavaco Silva,que não foram apaziguadoras, nem consensuais, com apelos aos jovens ... Para todos os efeitos é um Presidente eleito com a maioria clara do voto dos mesmo Portugueses que andam na luta...

2011-03-06

Fim de semana morno…

Num excelente artigo, pelo “desafio” intelectual que coloca, pelo título, pela irreverência, Pereira Coutinho levanta uma questão pertinente: a da capacidade de liderança de Passos Coelho num PSD tumultuoso por natureza, com muitos barões e pretendentes, muitas vozes nem sempre em uníssono, situação que se agrava com um período de 15 anos em que não esteve no poder sequer 3 anos…
De louvar a iniciativa do Jornal Público, com uma iniciativa inovadora no formato para um jornal generalista, e no propósito, e de excelência no conteúdo: um chat com António Câmara, fundador e CEO da Ydreams e um dos mais brilhantes portugueses vivos, Prémio Pessoa 2005. Ainda na área da troca de ideias, relembra-se novamente o jantar-debate com António Saraiva (o Presidente “dos patrões”) e Carvalho da Silva (o “chefe” dos sindicalistas…), dia 23, no Porto.
De louvar também o comportamento dos empresários da área do calçado e dos atletas Portugueses nos Europeus da modalidade ao contrário dos desperdícios que nos custam a todos, como as comissões que nunca funcionaram
A nível internacional, junta-se ao longo rosário de preocupações uma nova apreensão: a de que as armas da revolta Líbia possam ir parar ao mercado negro após o conflito… Mas por outro lado algumas novidades poderão vir do Brasil, que poderá assumir novas posições no contexto global, com mais empenho na luta pelos direitos humanos, e incluindo críticas ao Irão…
Na Irlanda, entretanto, o novo governo pretende renegociar o acordo de apoio internacional. Veremos o que daqui resulta, sabendo-se que a Grécia continua a ser dada como um caso de apoio falhado…
PS: “Homens da Luta”, dupla humorista associada à sátira política em forma de marketing de guerrilha, conseguiram vender o Festival da Canção graças à votação do público. Se a isto juntarmos o fenómeno Deolinda e da Geração à Rasca, podemos intuir que os Portugueses estão a começar a reagir contra o “aperto do cinto” através da música e das “artes”… Pode ser uma tendência interessante de analisar…

2011-03-04

2011-03-02

Nas vésperas do Conselho...

Angela Mekel fez diversas comentários sobre a situação Portuguesa e a reunião mantida hoje com José Sócrates, que foi apresentar dados de Fevereiro (!), incluindo uma queda de despesa de 3,6%... Por um lado, Merkel garante não ter dito que Portugal teria de solicitar ajuda e recorrer ao fundo.  Por outro lado, elogia reformas em Portugal, mas vai avisando que é preciso mais, defendendo o seu Pacto de Competitividade… que Bruxelas vai suavizando, por forma a torná-lo mais susceptível de ser assinado no  Conselho Europeu…

Reunião deve resultar apenas em manifestação de apoio

Afinal a ida de Sócrates a Berlim para reunir com Angela Merkel antes do Conselho Europeu onde se vão debater hipotéticas alterações do Fundo de Estabilização, deve resultar apenas em manifestação de apoio
Este processo pode bem acabar com Portugal a ser forçado a pedir a ajuda externa. Dado que o Governo indicou, há uns meses, que era seu objectivo central evitar esse pedido, as consequências destas negociações poderão não ser apenas económico-financeiras, mas também políticas… (por ora temos facturas obrigatórias :-)

2011-02-27

Irlanda: será Portugal "a proxima vítima"?

Na Irlanda o Fianna Fáil (o partido do centro, à esquerda do Fine Gael e à direita do Labour) teve o seu pior resultado desde… 1921 e cede o poder ao Fine Gael (Centro-direita), em provável coligação… com  Labour! Mas, importante, não parece ter tido votação suficiente para uma maioria parlamentar (pelo que a estabilidade não estaria assegurada, caso ocorresse semelhante entre nós).
De relembrar que a situação Irlandesa é diversa mas também similar à Portuguesa em alguns aspectos
  • a última década de Portugal foi de estagnação, a Irlandesa de um fortíssimo crescimento (chegou a ser de 6 a 8% anos consecutivos), tirando a Irlanda, que aderiu à CEE (UE) em 1973, da cauda da União Europeia a 15 para o segundo país com maior PIB per capita, só atrás do Luxemburgo!
  • Ao contrário de Portugal, onde a nota foi a estabilidade ou a lenta subida, a Irlanda sofreu uma forte valorização imobiliária com os preços a subirem praticamente 100% na última década, até à crise financeira! Essa especulação explica parcialmente o porquê do colapso do sistema financeiro Irlandês (os “activos tóxicos”)
  • Já quanto a uma das explicações da crise Irlandesa, algo similar à Portuguesa, prende-se com um dos motores do crescimento: baseado em investimento estrangeiro, no caso Irlandês muitas vezes decidido pela diáspora, sobretudo por gestores de multinacionais norte-americanas, faz com que haja alguma crise económica quando esse investimento cessa, ou se retira, levando a uma falta de liquidez dramática num sistema de financeiro que, no caso Irlandês se havia “dopado” com esse afluxo de capitais pouco sustentável no longo prazo
  • As razões para o crescimento rápido são também parte das causas profundas do colapso financeiro Irlandês: além das razões culturais e emocionais, as razões mais fortes para o investimento estrangeiro eram a mão de obra qualificada (a aposta da Irlanda nos anos 70 e 80 para os fundos Europeus foi a formação… ), a língua inglesa e uma política fiscal altamente atractiva para o investimento… Ora isso implica que se o investimento parasse de aumentar, as receitas fiscais iriam cair dramaticamente, tornando deficitário um Estado que teve anos consecutivos de superavits… (algo diferente do Português…)
Em resumo: a crise Irlandesa é de natureza financeira, e tem forte potencial de recuperação económica, a médio prazo. A Portuguesa é económica, de base: crescimento nulo, ou pouco mais, na última década, e poucas expectativas de crescimento na próxima década. Ou seja: a crise Portuguesa tem mais relação com os “fundamentais”…

Por razões e com percursos diferentes, a verdade é que ambos os países tiveram, a partir de 2008, um problema grave de insolvabilidade… A Irlanda teve de recorrer à ajuda externa antes de Portugal, mesmo após ter cortado salários da função pública na casa dos 20%. O Estado foi forçado, em 2008, a ir em socorro da banca e em Novembro, teve de recorrer ao fundo de resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI)- uma ajuda a 5% de juros anuais. Para muitos, esta perda de soberania financeira e as duras medidas de austeridade impostas ao país explicam os resultados eleitorais históricos.
A questão é então saber se em Portugal estaremos perante cenário idêntico – necessidade de ajuda externa – e se tal é positivo ou negativo, ou se é solução –, e se estamos também nós perante uma crise e uma mudança política. Com juros acima de 7%, e perante um crescimento nulo ou negativo, as perspectivas para Portugal para a próxima década são mais do que negras, apesar do louvável esforço na área das exportações e de indústrias inovadoras. Sócrates vai reunir-se com Merkel, a convite desta, antes da cimeira decisiva… E a instabilidade política é negativa, não ajuda nem irá ajudar, mas a verdade é que se as sondagens aguçam o apetite do PSD e as pressões internas sobre Passos Coelho aumentam. Este, porém, mantém-se calmo, não mostrando pressa de chegar a um poder que sabe que será duro, muito duro. E sabe também que é difícil ter sucesso sem o apoio de certas figuras, incluindo do mais influente Português da actualidade – Ricardo Espírito Santo, que claramente entende que eleições agora seriam negativas para o país.
PS: falamos da República da Irlanda “do Sul”, a independente, “a católica”, por contraste com a “do norte”, parte do Reino Unido e protestante na sua maioria)
PS: entretanto, dois artigos importantes para melhor compreender as nossas relações com o Magreb e as implicações da crise nesta região sobre o mercado petrolífero, de que representa ao todo mais de 35% do mercado mundial, e que explicam a atenção do mundo sobre os acontecimentos recentes na Líbia e nos demais países.
PS: E curiosos os links sugeridos por Pedro Magalhães no seu margens de erro, incluindo o link para a tese de Doutoramento na London School of Economics por Saif Al-Islam Alqadhafi, filho de Khadafi sobre… "The Role of Civil Society in the Democratisation of Global Governance Institutions: From ‘Soft Power’ to Collective Decision-Making?"!! E por falar em sociedade civil: interessante artigo sobre o futuro político de Fernando Nobre e da nossa cidadania…

2011-02-25

Khadafi culpa Bin Laden pela revolta popular na Líbia

Em discurso na TV, Khadafi culpa Bin Laden pela revolta popular na Líbia. O problema é que com este argumento, o ainda lider da Líbia:
  • levanta uma questão pertinente: no país mais tribal do Magreb, a hipótese da Al Qaeda ter uma base é algo que é verdadeiramente assustador para a Europa e… não é impossível…
  • aponta como inimigo o maior inimigo do Ocidente
  • pode bem ter alguma razão… o que se segue?
A questão Líbia e as dúvidas sobre a Arábia Saudita, o canal de Suez, e em todo o Islão, levam a que o petróleo suba 10% num só dia, quando a Líbia fornece menos de 2% do petróleo mundial…

2011-02-23

A partir daqui tudo é possível…

Adriano Moreira fala, há mais de uma década, da “Anarquia Madura” como o mote que melhor descreve o sistema de relações internacionais desde o fim da guerra fria.
Pois bem, hoje chegaram as notícias que tanto se esperavam/temiam…
- Os barcos Iranianos passeiam-se no canal do Suez com permissão do “novo” (será novo?!?) poder Egipcio, e sendo considerado uma provocação por Israel…
- As revoltas prometem chegar à Arábia Saudita, o mais importante produtor mundial de petróleo e o garante, ao longo das últimas 7 décadas, de algum equilíbrio no mercado da energia mundial (via OPEP)…. A família real saudita é o baluarte dessa estabilidade, mas está agora a prometer reformas e apoios sociais… Talvez demasiado tarde! Mais uma vez o facebook revela-se como a escolha dos jovens árabes, continuando a dar razão à Time (ver post anterior no Socrático). E, claro, além dos jovens, é também a revolução das mulheres
- Costa do Marfim mantém boicote de exportações de cacau. O trigo já subiu 62% no último ano! A crise alimentar junta-se à energética!
Na Líbia, onde os mortos são às centenas e onde Khadafi se recusa a abandonar o poder, mesmo contra alguns dos seus ministros e o descontrole de partes do país, incluindo a fronteira com o Egipto… No Iemen, onde o Presidente iemenita avisa que a “anarquia” não o derrubará . No Bahrein, onde até o Circo da fórmula 1 foi cancelado.
Tudo isto perante uma ONU impotente… E um mundo que olha com preocupação para todas estas convulsões. A crise financeira de 2008 pode gerar uma crise de segurança internacional de proporções inimagináveis até há pouco…

PS: por cá, duas mexidas signiicativas nas televisões, na SIC e na TVI… e ainda no mundo das imagens, o caso da violência de Estado nas prisões…

2011-02-20

Porque temos um país em crise?

Penso que bastaria abrir um jornal – mesmo ao fim de semana - e pegar num pequeno conjunto de artigos para compreender as razões profundas da crise… São as pessoas! Somos nós…
Lideranças fracas, muito fracas, a todos os níveis, sobretudo éticas, culturais, técnicas e intelectuais, e nós, que temos permitido que tal aconteça…
E temos também permitido um endividamento cavalgante, não só do Estado, mas do país – que somos nós! O nosso deficit externo é uma “verdade estrutural” e atinge hoje níveis incomportáveis: o Estado apenas reflecte o nosso próprio comportamento colectivo e, como para muitos de nós, muitas suas receitas servem apenas para pagar juros…
Cabe.-nos a todos tentar inverter o rumo decadente da nação…

2011-02-01

Devolver a casa é suficiente para saldar hipoteca?

Em Espanha devolver a casa é suficiente para saldar hipoteca - Economia - Jornal de negócios online
O príncípio, aceite pelo tribunal espanhol pode revolucionar o sistema financeiro Europeu e até, em parte, o nosso modelo de vida…
Na Europa, onde até aqui a entrega do imóvel hipotecado (garantia real) não anulava a dívida ao banco se o imóvel não tivesse valor suficiente para tal, a banca não tinha este problema. No entanto, sobretudo no Reino Unido, Espanha e Irlanda, onde os preços dos imóveis na última década subiram em flecha (com valorizações do parque imobiliário na casa dos 50, 75 ou até 100%), a aplicação deste princípio pode gerar um grande problema ao sistema bancário, ainda que possa também aliviar muitas famílias e pessoas, sobretudo os que entraram em desempego.
Em Portugal, onde o parque imobiliário, hoje, tem um valor mais ou menos idêntico ao de há 4 ou 5 anos atrás, esta questão terá menos impacto…. mas se se levantar poderá ainda ajudar algumas pessoas e famílias, mas complicar a vida das instituições financeiras…
Aliás, é de relembrar que uma das causas directas para a crise financeira mundial de 2008 foi… este princípio, que é o princípio do sistema hipotecário norte americano. O que sucedeu? Simples: após anos em contíinua alta, quando as casas começaram a baixar de preço, e num país com alto índice de mobilidade (estima-se que mais de 10% dos norte americanos mudem de Estado todos os anos, devido a mudanças de emprego ou outras razões), tornou-se compensador deixar a casa ao banco e, desse modo, libertar-se de uma dívida cujo valor era superior ao do imóvel. Ao fazê-lo em números elevados os norte-americanos geraram várias consequências:
- nova onda em baixa do preço médio dos imóveis (o mercado ficou inundado de imóveis disponíveis, que estavam agora na mão dos bancos, que não ocupam todos esses imóveis, levando assim a “rebentar a bolha”)
- falta de liquidez dos bancos, que têm agora “tijolos” mas deixam de ter entradas de “cash” mensal, tendo trocado “dinheiro por tijolos”, que é o contrário do negócio e da lógica de criação de valor dos bancos, que passam assim a ter problema de tesouraria e dificuldade na concessão de novos empréstimos (que seria o seu negócio), além de dificuldades de cumprimento de obrigações anteriores. o Lehman Brohers sucumbiu a este incumprimento – era um banco com activo superior ao passivo, mas incapaz de cumprir as suas obrigações de curto prazo…
- problemas de “solidez” e “solvabilidade” pois desaparecem do seu balanço o valor dos créditos que tinham sobre estes clientes que agora entregaram os imóveis, para passarem a ter no activo apenas… os tais imóveis que valem agora menos do que os créditos que tinham…. entrando numa nova espiral de desvalorização que atingiu em muitos Estados os 30, 40 e até 50%! Esta espiral arrasou com os balanços de alguns bancos que estavam expostos ao sector imobiliário norte americano em demasia… Esta UMA DAS causas da ruptura financeira de parte do sistema…

Isto liga-se, claro está, ao ressurgimento dos alugueres, mesmo entre nós...
Procura de casas para arrendar está em máximos de 15 anos

A seguir atentamente…

2011-01-27

Nós por cá… gente pequena???

Empresas públicas contratam mais em época de eleições - Portugal - DN

Cavaco parece ser um homem capaz de gerar empatia com uma boa parte dos Portugueses, por ser um “homem do povo”, sem sofisticação aparente… O facto de ser pouco culto ou de ser muito “terra a terra”, acaba por ser uma vantagem eleitoral clara!
Mas, na campanha eleitoral, não esteve sozinho… nos momentos baixos…
Manuel Alegre, com um discurso desfazado do tempo, com o “nós ou eles” (o momento não é para dividir o país, muito menos para falar em em “combate de morte” para mais… “pela democracia”!!!!!)
Fernando Nobre, aqui e ali, com demagogia que não precisava.
Defensor Moura, que nem felicitar o vencedor foi capaz….
E os discursos de Cavaco… tristes, pobres e lamentáveis. Tal como muitas das suas explicações para algums ligações “perigosas” que terá mantido e que lhe terão, para mais, sido proveitosas…
E a primeira grande falha num dia eleitoral, desde a Revolução?? Num processo que só contríbuiu para uma abstenção enorme, mas que ninguém sabe qual é…
E a “fome de poder” de Portas, pouco importado sobre os custos que esse apetite público e voraz pode ter nos mercados e, logo, nos bolsos de todos os portugueses?
E a felicidade dos governantes porque conseguimos financiar-nos a 7% (para um país que cresce entre –1 e + 1%… significa que ficaremos 7% mais pobres!!) ou porque este ano – mesmo com todos os PECs – a despesa cresceu menos?!? (sim, não baixou, apenas cresceu menos!). O que ninguém diz: desde 1985 que a despesa pública portuguesa nunca desceu, em nenhum ano!! Somos o único, repete-se, o ÚNICO país da UE com tal registo! É óbvio que um dia… 
Três décadas de boycracia. Em Portugal nunca faltaram jobs (I online)
Governo: Não há razões para demitir gestores públicos | Económico
Será este o país que merecemos, em que é difícil dizer se a crise de valores, de referências, de espíritos, de liderança, é ainda maior que a crise financeira e económica…. ?