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2011-03-17

A longa história central de Fukushima

A grave situação da central nuclear acaba por revelar histórias incríveis de grande dimesão humana. Por um lado, como deixámos aqui, ontem, o brio dos que arriscam a vida expondo-se a níveis de radioactividade perigosíssimos para tentar evitar uma tragédia maior, por outro uma história de Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima, que revelam comportamentos muito pouco éticos e uma total falta desse mesmo brio, ou de preocupação com a vida humana… Mostrando que afinal não é só entre nós…
Mais uma vez fica demonstrado que o dilema entre a ética da responsabilidade e a das convicções, como o define Adriano Moreira, é o pano de fundo em que a acção política se move…
PS: No terreno, as últimas notícias sobre o estado actual dos diversos reactores e níveis de radioactividade não são as mais animadoras… Os estrangeiros são aconselhados a sair
Na Libia os acontecimentos caminham para o restabelecimento do poder de Khadafi sobre todo o território. Isso não impede que Luís Amado repita que o regime está votado ao isolamento, e que o filho de Khadafi peça de volta o dinheiro que diz ter dado para financiar a campanha de Sarkozy
A questão ética, como se vê, é de facto a questão primeira…
E entre nós? Haverá ainda espaço para evitar a crise política e a necessidade de ajuda externa na forma de “pacote”?

2011-02-20

Porque temos um país em crise?

Penso que bastaria abrir um jornal – mesmo ao fim de semana - e pegar num pequeno conjunto de artigos para compreender as razões profundas da crise… São as pessoas! Somos nós…
Lideranças fracas, muito fracas, a todos os níveis, sobretudo éticas, culturais, técnicas e intelectuais, e nós, que temos permitido que tal aconteça…
E temos também permitido um endividamento cavalgante, não só do Estado, mas do país – que somos nós! O nosso deficit externo é uma “verdade estrutural” e atinge hoje níveis incomportáveis: o Estado apenas reflecte o nosso próprio comportamento colectivo e, como para muitos de nós, muitas suas receitas servem apenas para pagar juros…
Cabe.-nos a todos tentar inverter o rumo decadente da nação…

2010-07-25

Anti-natura...

Quando as regras criadas são inadequadas à realidade da sociedade à qual se deveriam aplicar, ou contrariam a natureza humana mais primitiva, estão condenadas ao fracasso... Seja o estatismo mais rígido, seja qualquer sistema cerceador da liberdade de iniciativa, seja sistemas que afastem qualquer preocupação ou sentido de justiça ou equidade, ou o "celibato" forçado... Este artigo, sobre a vida dupla, documentada, de padres, bispos gay, na cidade de Roma é um exemplo... Mas este outro, sobre questões educativas - "pais bons com filhos maus" - não o é menos...

Em termos de ética, isto corresponde à diferença entre um Dever Ser que tem aderência à realidade, ao Ser, ou seja, mostra caminhos possíveis, e um Dever Ser que não tem sustentabilidade possível na realidade, não sendo por isso exequível ou sustentável, é enorme: é a diferença entre a possibilidade e a mera quimera (mas infelizmente muitos vivem de acordo com elas e, em muitos casos, muitos conflitos inclusivé os bélicos, dão-se em nome dessas quimeras...) ...

2010-05-09

Bom senso...

Obrigatório o artigo do Ricardo Reis sobre... BOM SENSO! Resume-se na sua última frase: "Uma família pode ter decidido que vale a pena comprar uma casa, mas se a taxa de juro do empréstimo duplicar, a atitude responsável implica no mínimo repensar se esta será a melhor altura."
Uma outra questão de bom senso: uma linha que parte de um local sem população e sem ligações minimamente aceitáveis a centros populacionais importantes, vai ter passageiros? Pois... é duvidoso... Mas ontem o Estado Português assumiu que sim... E assinou um contrato de mais de 1,4 mil milhões de euros... apesar de adiarem o resto do percurso...


Um outro tema interessante, e que talvez mereça bom senso, é a decisão sobre os feriados, vulgo "tolerância de ponto", por ocasião da vinda do Papa. Deixamos aqui um artigo - com o qual, no modo como é abordado o assunto, não nos revemos - sobre o tema...

Há que distinguir duas questões:
1. as tolerâncias, nas cidades do Porto e de Lisboa, nos dias em que o Papa estará presente, o que se compreende por razões logísticas e não daria lugar a mais discussões - é algo similar ao que acontece quando há jogos de futebol ou outras manifestações que arrastam multidões. Basta pensar no que aconteceu no Euro 2004, ou o que sucederia se Portugal fosse campeão do mundo, no dia de regresso e desfile na cidade de Lisboa...


2. Uma outra coisa é a tolerância nacional de dia 13. Parece-nos legítimo aceitar o legado histórico, a começar pelo próprio nascimento do Estado, ligado à aceitação Papal da independência, e a matriz cristã de toda a sua história, bem como ter a noção de que, ainda hoje, a larga maioria da população se define como católico - ainda que seja verdade que uma maioria dessa maioria se defina hoje de acordo com um critério que é algo incoerente, o "católico não praticante" ou responde com base em "a minha educação foi"... Significa isto que esta maioria não se oporá a esta medida.
Dos restantes cidadãos, nos quais aliás me incluo, não incluídos nesta maioria,  haverá dois grupos:
a) os que verão nisto um sinal inadmissível de não laicidade nem de neutralidade do Estado, privilegiando esta maioria em detrimento das outras minorias
b) os que entendem que, dada a história e a realidade sociológica do país, e dado ser algo que ocorre raramente e para mais trará frutos de imagem para o país, e entenderem ainda que daí não parece vir grande mal ao mundo e que poderá até servir de tubo de escape a período menos bom. Nesse sentido, este acto de algum desrespeito da laicidade do Estado - em sentido estrito - não é algo que possa ser mal interpretado ou deva ser algo com que se deva gastar muita energia. Mais: a não tolerância poderia ser causa de crispação e conflito maiores do que as que esta tolerância possa gerar. Ora, num país já tão desgastado com conflitos e crispações, e com problema tão sérios - incluindo o desemprego e a ameaça de fome! -, esta medida conciliatória deve ser encarada como positiva, ou pelo menos aceitável, ainda que desrespeitando um pouco o estrito laicismo do Estado... pois a última coisa que necessitamos, nesta altura, são mais razões para fracturas e conflitos...
Adiantará algo, melhorará a situação - presente ou futura - do país abaixo-assinados e outros protestos porque foi dedicido uma tolerância de ponte? Não nos parece...
Não esquecer que a ética é a "ciência da vida prática", ou seja, a procura de soluções sensatas para resolver as questões "correntes", da vida dos homens e das sociedades... Poupemos energia, tenhamos bom senso...

2010-05-02

Inadmissível exemplo... o Futebol não pode ser o reino do anti-civismo!

É impossível defenderr estes energúmenos q destroem casas do Benfica, atiram bolas de golfe e promovem a má -criação colectiva! Tudo o q nao seja opor-se frontalmente a isto é inadmissível. É tempo de Pinto da Costa partir - e se LFV tb fosse embora do SLB, ainda melhor! É o país que agradece se estes dois senhores abandonarem posições de tal destaque em duas das maiores instituições do país e das mais visíveis a nível internacional! Lamentável...
O futebol, fenómeno de massas e de paixões, não pode ser escola de vícios, cobertura de negócios ilícitos e nem espaço de impunidade para comportamentos anti-cívicos absolutamente inaceitáveis, pretexto para violência gratuita...
Tudo o que se vê são insultos, adeptos de ambos os lados a agirem como animais, arremesso de objectos como bolas de golfe e isqueiros que podem consequências graves, propriedade privadas destruída - e fala-se até em conflitos já "marcados" para momento posterior ao jogo em si!
O futebol não pode ser pretexto para isto.
Os presidentes que não só pactuam como, pelo seu modo de agir e pela sua linguagem incentivam estes comportamentos e este ambiente de hostilidade (e não só, pois há também apoios explícitos e materiais às ditas "claques") , têm de abandonar as suas funções. É algo que o resto da sociedade deve exigir... Rivalidade sim, animalismo primário não, impunidade e inacção do Estado de direito nunca!

2009-12-16

A intolerância em poucas palavras...

A ser verdade a notícia do i sobre o ditame do Papa Bento XVI sobre a proibição de casamentos entre católicos e não católicos, significa um regresso à intolerância que era apanágio da igreja Católica nos séculos XVI e XVII, explica o porquê de tantos abandonos da Igreja e da sua perda de influência no mundo - sobretudo Ocidental - e um arrepiante retrocesso no processo de diálogo ecuménico tão fortemente perseguido pelo Papa João Paulo II e pela Comunidade de Santo Egideo. Significaria, ainda, o cair da "máscara" do Cardeal Ratzinger e um perigoso contributo para o clima de tensão bélica entre Civilizações e entre Religiões.

A ser verdade, trata-se uma chocante e preocupante prova de intolerância

2009-11-17

Desenvolvimento e Corrupção... um dos problemas do país...

Desenvolvimento não é crescimento, nem é mera criação de riqueza. É um conceito abrangente, em que se incluem as liberdades políticas e o acesso à justiça, o bem estar económico, a dimensão social, o acesso a serviços básicos como a alimentação, educação ou a saúde.

A comparação entre países pode fazer-se recorrendo a numerosos indicadores, o mais usado sendo o IDH (Indice de Desenvolvimento Humano), desenvolvido por Amartya Sen (Prémio Nobel) e Mahbub ul Haq e utilizado pela ONU e pelo PNUD. Além do PIB per capita, ele contempla factores como a taxa de mortalidade infantil e a esperança média de vida, as taxas de analfabetismo e de escolarização.

Os estudos sobre desenvolvimento mostram que numerosas variáveis explicam o sucesso ou insucesso de um país e a sua capacidade de gerar bem estar aos seus cidadãos, e que nenhuma variável só por si pode explicar o desenvolvimento, longe disso.

Mas mostram algo muito curioso: há UMA VARIÁVEL (e uma só...) que mostra uma CORRELAÇÃO NEGATIVA muito estreita com o DESENVOLVIMENTO, ou seja: quanto MAIS ALTA o valor desta VARÍÁVEL, MENOS DESENVOLVIMENTO. Qual é essa variável? CORRUPÇÃO!

Noutros termos: quanto MENOS CORRUPÇÃO, MAIS DESENVOLVIMENTO... ou MAIS CORRUPÇÃO, MENOS DESENVOLVIMENTO...

Partidos sob suspeita, Corrupção a descoberto são causa - mas também sintoma e efeito - de falta de CONFIANÇA, precisamente o cimento essencial a qualquer sociedade...

A luta contra o pântano em que os Portugueses sentem estar a Justiça e a luta contra a corrupção têm de ser prioridade.

Claro que há situações, na Europa, potencialmente piores do que a nossa... Mas isso não nos auxilia particularmente...

2009-11-15

sombras que pairam...

As escutas:  PGR contraria procurador fugas de informação incomodam PS. Onde iremos chegar?


Justiça e luta coJustificar completamenterrupção? Agora PS chama Cravinho para tomar medidas de combate a corrupcao ... irónico? Mas não somos os unicos: em Itália não é melhor a situação...


2009-10-30

Justiça?

A Justiça promete continuar a ser centro de atenções e a minar o futuro do país, em duas vertentes cruciais:
- Credibilidade do Estado
- Desenvolvimento Económico

Sem confiança na Justiça os cidadãos não acreditam no Estado. Uma Justiça demasiado tardia não é Justiça, é Injustiça. E gera-se um sistema em que a direitos não correspondem deveres, e em que esse mesmo Estado não tem autoridade moral para exigir cumprimento de responsabilidades.

A ausência de confiança no sistema judicial leva a alteração das decisões económicas, gera afectação de recursos a actividades improdutivas - como a cobrança de créditos - e prejudica seriamente a economia ao minar qualquer gestão de tesouraria ou qualquer planeamento capaz. E não pode o Estado exigir cumprimento de obrigações quando ele mesmo tem pagamentos a mais de um ano... Ou quando não devolve IVA que cobra à cabeça...
Pagamentos atempados e a liquidação do IVA após a sua cobrança e não após a sua facturação, bem como a celeridade e eficácia da justiça económica eram os três maiores contributos que o Estado podia dar à economia, hoje.

E as dúvidas, que há muito se instalaram, quanto à credibilidade e à isenção das empresas públicas ou que se ligam ao Estado de modo especial - por serem ex-empresas públicas, por haver golden share ou por serem empresas debaixo de regulação directa do Estado -, torna o caso ainda mais grave. O caso agora revelado, não sendo surpreendente, poderá levar-nos por dois caminhos:

- ou se apuram responsabilidades rapidamente, e se punem culpados, mesmo que isso abale todo o sistema político (lembre-se que a este se soma o caso BPN, onde estão também envolvidos nomes como os de Dias Loureiro, um dos mais influentes líderes políticos do país), restabelecendo alguma confiança dos cidadãos no sistema, mesmo que abale seriamente o nosso sistema partidário...

- ou o processo se arrasta ou se enreda em complicações processuais e erros formais e, no final, condenará levemente alguns nomes menos conhecidos, e acabará por libertar os "nomes maiores" e não esclarecerá o quanto é abrangente o sistema de troca de favores, e de ligação entre o mundo dos negócios e o do poder político (leia-se sobretudo sistema partidário) ... Minando ainda mais a confiança dos cidadãos no sistema, convencidos que há grupos e grupinhos que se protegem mutuamente...

Claro está que não chegamos ainda ao nível de ligações entre poder económico, polítio e criminalidade violenta existente nos casos italiano ou russo... em que além de Berlusconi ser ele mesmo acusado e de deter e controlar os canais privados de Televisão onde, ao contrário de homens como Balsemão, interfere e assume que interfere a nível de conteúdos, usando-os para publicidade pessoal e recrutamentos variados... têm ainda as Mafias, que de assassinatos assumidos sem pudor a chantagens ao próprio Estado e extorsões a privados e políticos, passando por negócios perigosos, como os de armamento ou lixos tóxicos...
E isto no país em que se deu a Operação Mãos Limpas, onde mais de 2000 líderes políticos foram afastados na década de 90, muitos acusados de ligações mafiosas, tal como o "todo-poderoso" líder da DCI, Andreotti que condenado apesar de ser um dos 5 Senadores da República (foi primeiro ministro 7 vezes durante 40 anos...)...

2009-09-05

Acusar sem provas não é debater democraticamente: é difamar! (cometários a texto de Eduardo Cintra Torres e a outros exageros...)

Não sei se o PS está ou não está por detrás de retirada do famoso Jornal Nacional (ou melhor, a retirada da sua apresentadora) do ar. Tenho dúvidas. Espero que não esteja, a bem do país. Mas é de admitir, até, que esteja, mesmo que indirectamente. É natural que, pelo menos, tenha havido tentativas de "agradar" ao PS, como diz Marcelo. E/ou que haja motivações políticas na decisão, como diz Carlos Barbosa (ver também no i-online)
Espero que a liberdade de imprensa não seja colocada em causa, tal como o
Presidente e outros actores políticos, incluindo o próprio PS, afirmaram. Claro que falta também reflectir sobre se o modo como era apresentado o dito Jornal não era também, em si, um atentado à liberdade, confundindo-a com libertinagem ou se, pelo contrário, merece vigílias... Miguel Paes do Amaral ou Paulo Simões estão nesta linha...
O que não compreendo é como se podem produzir acusações graves, para mais a 23 dias das eleições, com base em mera "opinião", com um titulo "
PS de Sócrates é contra a liberdade", como faz Eduardo Cintra Torrres ou Pacheco Pereira ou MFL...
Acusar Sócrates, o PS, e até
Mário Soares de atentarem contra a liberdade de imprensa é, em si, algo muito sério. E tem de se ter muita certeza - e provas - de que PS decidiu de modo premeditado e conseguiu impor a sua vontade aos decisores (não se percebeu ainda quem são... é uma facto! Ninguém assume, nem Espanhois nem Portugueses). Se não se apresentam provas e se fazem acusações com esta gravidade, então estamos no campo da calúnia e da difamação...! Eduardo Cintra Torres nem sequer diz "penso que", "parece-me" ou usa qualquer outra forma de levantar dúvidas. Apresenta a sua opinião como verdadeira. Retira as suas conclusões como se tivesse provado que o PS decidiu... É grave! E não é democrático ou edificante. É pouco ético, para não dizer pior...
Mas o mais grave é quando depois se compara métodos a Chavez e Putin. E por um motivo muito simples... dentro de 23 dias acabou-se a maioria absoluta do PS. Seja qual for o resultado das eleições, todo o Português,
incluindo os dirigentes do PS, já perceberem que nenhum partido terá maioria absoluta e que provavelmente nem quaisquer dois partidos que não PS e PSD poderão formar maioria "a dois". Ou seja: a partir de 28 de Setembro, o PS, mesmo que ganhe, passa a ter de negociar com os demais partidos. E todos nós, creio, acreditaremos nos resultados que sairem das eleições. Acreditamos que não há fraude... Ou seja, acreditamos que PS, mesmo detendo poder com maioria absoluta, e domínio dos Ministérios da Justiça e do Interior, não irá fazer batota! E poderá, por isso, até perder as eleições. E isso, nem Chavez nem Putin garantem, aos nossos olhos... Se assim é, então esta comparação, para mais dirigida a um dos partidos que conta com mais anti-Salazaristas nas suas fileiras, é por isso insultuosa. E não é assim que se promove o debate democrático!
Pois é tudo isto que se lê num texto dos mais reputados críticos de Televisão em Portugal,
aqui, na mesma linha de outros exageros (a menos que se PROVE que PS teve influência na decisão, caso em que governo se deveria demitir de imediato!) .
Creio que Eduardo Cintra Torres deveria fazer duas coisas:
1. mostrar PROVAS do que diz e não apenas ACUSAR sem dizer em que se baseia, que não apenas a sua OPINIÃO...
2. admitir que poderá ter exagerado, no "calor da escrita" e do momento...

Há que parar com tanta
má-informação baseada no "diz que disse" e no "parece-me", tomado como verdade e não como mera opinião, não apenas neste caso mas em tantos outros. Ja Platão, discípulo de Sócrates, apontava claramente a diferença entre OPINIÃO e CONHECIMENTO...
PS: e a saga pode ainda ter outras consequências, empresariais

2009-07-18

Declaração Anti-Corrupção

Rui Martins, Director de Comunicação da Dianova, lançou um apelo, a que nos associamos, por vir de encontro às razões de ser e às convicções que justificam este blog: a questão ética como questão central ao desenvolvimento...

"Num movimento global sem precedentes, 24 Presidentes de Organizações internacionais como a Shell, GE, IKEA, BASF, endereçaram em Maio passado uma carta ao Secretário Geral das Nações Unidas pedindo uma acção firme contra a corrupção, identificada como uma séria ameaça ao desencorajar o investimento estrangeiro e dificultar a concorrência numa base Ética.

Reconhecendo a Ética como fundamento da actividade empresarial, é feito um apelo à mobilização dos Estados e da Opinião Pública contra a Corrupção, bem como à criação de um eficaz mecanismo de controlo da aplicação das resoluções internacionais. Só um movimento global poderá combater este flagelo, que se traduz em: custos acrescidos, competitividade distrocida, degradação da qualidade, quebra generalizada da confiança.

Deste movimento surgiu a Declaração Anti-Corrupção, que pode ser apreciada em
http://www.unglobalcompact.org/docs/issues_doc/Anti-Corruption/UNCAC_Letter.pdf.

A Declaração congrega:

em vista da próxima reunião de Novembro em Doha (Qatar).

A APEE (focal point nacional do UN Global Compact) congratula-se com esta Declaração e entende que é do interesse do tecido empresarial e demais organizações tomar uma posição de clara rejeição da corrupção.

Assim, os próximos passos, serão:
- Julho: difusão da Carta e Declaração
- 30 Setembro: cerimónia pública de assinatura da Carta e Declaração
- Até 30 Outubro: subscrição da Declaração online no site da APEE
- Novembro: envio das subcrições ao Secretário Geral das Nações Unidas (pre-reunião Doha).

Dê conhecimento à Administração da sua Organização, (caso não seja o/a Administrador/a) e através de outros canais preferenciais que julgue mais relevantes para uma tomada de posição."

PS: e leia este curioso artigo de uma Portuguesa que se destaca na luta contra a corrupção no universo da ONU...

2009-07-04

SEDES: o Congresso...

O Congresso da SEDES sob o lema A Qualidade da Democracia no Pós-Crise, foi um evento em crescendo...

A conferência de fundo pelo Professor da Universidade de Columbia,
Ronald Findlay, sinceramente, não trouxe nada de muito novo.
Seguiu-se uma apresentação de João Salgueiro, sólida, de alguém que olha o país de um prisma prospectivo. Sendo umma
leitura da realidade que deixa muita gente pouco feliz, pelo realismo, a opinião do Moscardo é que faltou, ao ainda Presidente da Associação de Bancos, apontar claramente um caminho sobre como se poderiam implementar as políticas que propõe sem mudanças no próprio sistema político-partidário e no aparelho de distribuição e acesso de poder... Ou seja: falta saber-se quais as condições de exequibilidade dessas ideias... E, sem isso, estamos no reino do "Dever Ser"...
Além disso, o excessivo foco no aspecto económico, esquece não só as dimensões sociais, culturais e ambientais, mas até as... políticas! Ora essas são as dimensões basilares de uma democracia...
A nota mais positiva: a ambição para Portugal, para os Portugueses, não se satisfazendo com "alcançar a média Europeia" mas antes almejando a "ultrapassar os melhores..."

Os debates e conversas durante o almoço volante foram vivos e a parte da tarde ainda mais estimulante. Logo após o repasto foi apresentado o estudo sobre A Qualidade da Democracia, aos olhos dos Portugueses por
Pedro Magalhaes (que tanto nos diz, das margens... as de erro e as outras...). Os resultados foram comentados em quase todos os jornais e mantiveram a audiência bem desperta, com um debate final bem vivo e que o Presidente da SEDES teve que interromper sob pena de não se terminarem os trabalhos...
Uma frase do artigo do JN sobre o estudo resume bem o lado menos positivo dos seus resultados:
"Os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa. (...)
Em suma, o estudo diz que 51% dos cidadãos não estão satisfeitos com a democracia e destes 16% dizem-se "nada satisfeitos"(...) " . Leia mais,
aqui e aqui.
Quanto aos lados positivos dos resultados, porque também os há, destacam-se as liberdades individuais.

A importância do estudo é grande, tendo
Cavaco Silva comentado o mesmo. Espera-se que possam provocar reflexões e "olhares ao espelho", de todos os cidadãoes mas, sobretudo, entre os partidos, os detentores de cargos públicos e de soberania, entre a classe política e os profissionais ligados à justiça - isto apesar de os resultados, em alguns aspectos, apenas confirmarem outros estudos já existentes.

Além do valor do estudo em si, e do interessante debate que se seguiu à sua apresentação, o Congresso teve uma parte menos mediática mas não menos rica: três paineis simultâneos - todos tendo como pano de fundo A Qualidade da Democracia no Pós-Crise...

  • no Novo Contexto Económico (org. Victor Bento, com Silva Lopes, Daniel Bessa e José Tavares, naquela que foi a sala mais concorrida)
    no Novo Contexto Social (o ilustre sociólogo Manuel Villaverde Cabral organizou uma mesa que prometia polémica, com Carvalho da Silva - CGTP; Paulo Teixeira Pinto - ex-Presidente do BCP; e Fernando Ribeiro Mendes - ex-Sec. Estado da Segurança Social, num debate com pouco participantes mas que teve grande qualidade, a julgar pelos comentários que se ouviram)
  • na Sociedade do Conhecimento (organizado por Diogo Vasconcelos, com a premiada investigadora Elvira Fortunato; o Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento, Carlos Costa; o Secretário de Estado e porta-voz do PS, João Tiago Silveira; e o investigador e blogger Pedro Lomba). O Moscardo esteve neste painel e irá dedicar-lhe um post especial, mais aprofundado, nos próximos dias, por ter sido extremamente denso, com diferentes visões sobre a sociedade em que vivemos e em que viveremos, sobre as suas consequências para a vida das pessoas e para os sistemas políticos, e também com pistas para os melhores caminhos e estratégias nessa nova fase das sociedades humanas, em especial para Portugal... O interesse e vivacidade do painel levaram a que se prolongasse para além da hora, terminando já após o Prof. Luís Campos e Cunha ter apresentado as Conclusões do Congresso...

No dia seguinte, hoje, dia 4 de Julho, Lisboa foi palco de novo debate, com temas afins: "Ética na Política e na Economia", organizado pela Comissão Nacional Justiça e Paz. apesar de ser um sábado de manhã e de o local ser um (belo) Auditório na Estação de Metro do Alto dos Moinhos, a sala estava muito composta para ouvir a intervenção do Professor Adriano Moreira. Brilhante, como sempre, mostrou como a crise resulta de uma questão de fundo, seja a nível interno de cada sociedade/país seja a nível internacional: da crise de confiança - do valor da confiança, da crise no exercício da Pietas (e da cidadania) e da sensação de injustiça. A sagacidade da apresentação, a forma e elegância com que expressa as suas ideias e com que honra a nossa língua bem justificaram uma longa ovação, que deixou o próprio moderador, o presidente da CNJP, quase sem palavras...

Seguiu-se um painel com José Manuel Pureza e com o sindicalista Ulisses Garrido. De novo um painel substantivo, com leituras que transcedem a visão simplista de uma mera crise financeira que provocou uma crise económica... Dentro de uns dias esta conferência merecerá também um novo post...

2009-06-30

Jardim Gonçalves nega conhecimento de off shores..

Antes de ler esta notícia, prepare o estômago...

A celeridade da resolução do caso de Madoff , a maior fraude da história mundial (não venham, portanto, invocar que temos casos "complexos"...) deveria mostrar o caminho à justiça Portuguesa.

A pena exemplar e o comportamento do próprio Madoff - admitindo responsabilidades, também o deveria ser...

2009-06-29

SEDES

O IV CONGRESSO da SEDES irá realizar-se a 3 de Julho subordinado ao tema “A Qualidade da Democracia no Pós-Crise“.

Poderá ser uma bela ocasião de debate. Visite também o blog da SEDES ...

2009-06-25

Jardim Gonçalves e ex-Gestores BCP acusados...

Pela primeira vez em Portugal... gestores do sector bancários acusados pela Ministério Público.

Esta acusação do MP confirma que havia fogo por detrás do fumo... Ela aponta para a confirmação de toda a trama e história publicada do BCP [Leia-a aqui . Nota: não subcrevemos alguns modos e alguma da linguagem usados no post aqui "hiperligado /linkado" que, além disso, contém algumas imprecisões, mas foi o melhor descritivo de toda a história do BCP que encontramos...]...

Curiosidade, ou talvez não, eram estes os gestores ligados à defesa da moral cristã, à promoção de valores cristãos e que se
dedicavam "à Obra" de Deus... ? Caminhos estranhos... os da moral. Aliás, parte do processo que gerou a mudança radical no BCP terá tido origem em desavenças ligadas com a questão da Opus Dei que controlava o BCP e, tal como admitido pelo próprio líder da opus Dei em Portugal, e cujos valores conservadores ditavam muitos dos comportamentos e das regras de gestão dos seus recursos humanos e da ligação aos clientes (como o mostraram o total de 16 funcionárias em mais de 2000 colaboradores; ou da censura face a divórcios por parte de funcionários..).

A "tomada de controle" do BCP por pessoas ligadas ao actual partido do Governo, não indicia que a situação tenha melhorado - avaliando do ponto de vista da independência dos poderes político e económico e do controle de entidades chaves da nossa economia por grupos de interesses ...

A Justiça, infelizmente, não tem dado mostras de produzir resultados. Ainda assim acreditamos que bastaria que fosse apurada a Verdade neste caso, e que a Justiça fosse feita de modo célere, para muito se fazer pelo Estado de Direito e pela Democracia Liberal em Portugal. Se o processo não produzir resultados, ou a demorar 6 anos ou mais, será mais um processo inútil, que servirá apenas o interesse dos meios de comunicação social e dos que beneficiam desse caos e desse Estado sem força e em que a Coisa Pública não é tratada com "transparência e ética".


A história da última década deste banco representa, de modo doloroso para o país, o modo como a classe dirigente tem, com o seu laxismo, ganância e despudor, colocado o Estado em causa, e minado o próprio regime democrático. Só uma actuação célere e transparente da Justiça pode restabelecer a crença dos Portugueses no seu Estado, nos seus órgãos de Governo, na sua classe dirigente e, até, no seu próprio país.

PS: e pelos vistos, JOe Berardo volta ter razão, ao exigir a devolução de prémos indevidos (27.Jun)

2009-06-11

Ética e a Força do Exemplo

As comemorações do 10 de junho ficaram marcadas por discursos que apontam no mesmo sentido que o moscardo vem defendendo como factores críticos - além de alterações profundas e radicas no sistema de justiça - para o desenvolvimento de Portugal:
- Ética na política
- A necessidade da força do Exemplo

António Barreto pediu bons exemplos á sociedade e, sobretudo, a classe dirigente, e apelou à força dos exemplos em detrimento do esvaziamento dos discursos (ver aqui link para discurso completo). Cavaco Silva criticou o desinteresse dos Portugueses pelo seu próprio futuro (link para o discurso na íntegra, no site da Presidência, aqui. Para o video do 10 de Junho no Second Life, aqui), apelando à Ética na Política e para uma estratégia de longo prazo, em detrimento do tacticismo político.

O Moscardo não se podia rever mais nestas afimrmações, e mantém que a "partidarite" instalada, com o peso dos partidos a sobrecarregar o Estado e a determinar um número de lugares cada vez maior na sociedade, esmaga o páis, sai-lhe caro e, especialmente, o asfixia pois estabelece mecanismos em que se promove a fidelidade e não a competência e adultera as próprias escolhas e comportamentos dos cidadãos na sua esfera pessoal e profissional, bem como das empresas, gerando por isso forte ineficiência e não promovendo nem a criatividade nem a inovação, antes o comportamento "do agrado de...".

Em funções públicas, não basta ser honesto, é preciso parecer. E se a generalidade dos cidadãos não confiam em sistemas como o das promoções profissionais - sobretudo em cargos públicos -, o dos concursos públicos ou o sistema de justiça, é o Estado de Direito que está em perigo, mas é também a esfera da economia que não tem condições para gerar riqueza e emprego, por não ter esímulos à diferenciação e ao investimento inovador e ao risco, antes sendo mais fácil e mais bem sucedido a aposta na "influência" e no "conhecimento. É romper este círculo vicioso que se impõe. Sem haver sociedades perfeitas - longe disso, é esse o exemplo que nos vem de países como as sociedades nórdicas, o Canadá, a Holanda, etc. e que são demonstrados pelos estudos que mostram que a variável que por si MAIS explica o desenvolvimento, ou a falta dele, é a existência de baixos níveis de corrupção e de elevados incentivos a comportamentos éticos, à criatividade e à inovação.