“Sou o moscardo que nunca deixará de vos acordar, de vos admoestar” Sócrates, filósofo Grego e Universal, inspiração deste blog de ÉTICA, CIDADANIA e POLÍTICA e que resumiu assim toda a Filosofia: "Só sei que nada sei"
2009-10-14
Governabilidade: o papel central do PSD
Concordo (e aliás até já coloquei dois posts sobre o assunto) que MFL e Pacheco Pereira estão a disparatar ainda mais ao defenderem uma oposição sistemática...
Mas a verdade MATEMÁTICA é que o PS e a Governabilidade, precisa:
1. do VOTO a favor do CDS-PP.
2. do VOTO a FAVOR de pelo menos um de BE ou CDU e Abstenção do OUTRO
3. Da ABSTENÇÃO do PSD... (sim, basta que se abstenha pois PS é maior do que todos os outros juntos, tal como aliás o "derrotado" PSD...)
Por ser necessária a sua mera ABSTENÇAO e ser, não por acaso, o partido mais próximo do PS (se considerarmos o PS de Sócrates então, são partidos ideologicamente sobrepostos - como também já explicado neste blog - o que, aliás, justifica em parte o desnorte do PSD, pois a sua ala social-democrata está sem espaço no quadro político actual... e a sua ala mais liberalizante está a pedir para definitivamente assumir o PSD como Partido Liberal, mais PPD, menos PSD...), a solução mais simples, matemática e politicamente, é por aqui.
Acresce ainda que se PSD mandar um Governo abaixo (votando ou propondo uma moção de censura, ou nem permitindo o Programa de Governo), será fortemente penalizado nas eleições subsequentes... E o partido sabe disso, e por muito que MFL e PP, cujas carreiras não dependem disso (porque estão a acabar...), o partido não deixará que o façam... Um partido como o PSD, um partido do arco do poder, não deixará uma líder "moribunda" e "a prazo curto", abrir as portas de uma hpotética maioria absoluta do PS novamente! Ela sabe-o. Por isso as declarações de MFL são bluff interno.
Ou seja: a verdadeira solução de Governabilidade (orçamento, moções de censura, etc.) passa pela Abstenção do PSD, mais do que qualquer outra coisa! A solução em termos de outras medidas será "caso-a-caso" mas, mais uma vez, com um PSD colaborante, como defende Marcelo, e não só, o país pode avançar sem sobressaltos até 2011, algo que nunca será possível com CDS-PP, BE e CDU...
A a outra solução de Governabilidade que se poderia defender estável é o CDS-PP. Ou seja: PP, Paulo Portas... MAS:
1. Portas já tirou o tapete a Marcelo...
2. Portas está tão bem com 21 deputados é duvidoso que queira eleições em breve... MAS é sempre imprevisível...
3. Portas sabe que pode entrar no governo pela mão do PSD, e se sentir num dado momento que PSD pode ganhar umas eleições.... não hesitará em mandar Governo do PS abaixo... não o apoiando (ao CDS basta não votar a favor e Governo caí, se PSD não o "segurar")... Sobretudo se for em 2011 ou mais à frente...
4. Para Portas, a questão chave é.... pois... a força do PSD e da sua liderança... Ou seja: da situação interna do PSD depende se Portas e o CDS-PP tem ou não interesse em deixar cair o Governo...
Por isso defendo que a chave do que se passará nos próximos 16 meses (período até termos novo Presidente) passa mais pelo debate interno do PSD do que por qualquer outra coisa...
E acredito, ainda, que pode ser esta uma oportunidade de clarificação do sistema político português - ainda que não acredite que venha a ser aproveitada, pois muitos membros do PSD sabem que uma transformação em partido liberal de direita pode quase perpetuar o PS no poder, pois ficar-lhe-ia nas mãos todo o "centro" político...
PS: Um ponto de situação do jornal i... O Moscardo acredita que as coisas, porém, estão mais decididas do que aqui se diz (não haverá qualquer coligação e a maioria, senão a totalidade, dos Ministros está já escolhida e convidada informalmente...). Veremos.
[Actualização 23h30: como se previa, o PP será oposição MAS não está disponível para votar moções que causem queda do governo pois para Paulo Portas só há duas soluções melhores que um grupo parlamentar de 21 deputados... ou o CDS-PP no Governo ou o cumprimento de uma vida: a fusão dos partidos... para que ele mesmo, Paulo Portas, possa ser líder do PSD um dia...]
2009-08-07
PSD: um partido em busca da sua identidade confunde seus eleitores...
- Acham que as prioridades de Sócrates, no essencial, fazem sentido, tal como fazem muitas das suas opções - como energia, internacionalização, plano tecnológico, qualificação, etc. Também acham que Teixeira dos Santos foi um dos mais sérios e mais competentes ministros das finanças em Portugal, controlando o deficit; que Pinho apesar de ser algo "weird", deu tudo por tudo pelas PME, e contou com IAPMEI e AICEP a melhorarem muito no apoio efectivo às empresas; acham que é verdade que pela primeira vez Estado perdeu 50.000 funcionários e que para mais, há pela primeira vez mecanismos de avaliação a funcionar que levam funcionários públicos a dizer "temos objectivos", que permitiram simplificação de processos (o SIMPLEX terá as suas falhas, mas apesar de tudo é um passo, e mostra uma vontade, uma dinâmica...) e o começo de uma orientação-cliente (cidadão); acham que para mais não temeu afrontar as classes "mais PS", como professores, magistrados e juízes, e até médicos... dando mostras de que com outro mandato poderia alterar profundamente o rosto do país...
- Acham, sobretudo os ligados a empresas, que MFL é incapaz de um rasgo, de motivar, de liderar... e por isso não a querem como Primeiro Ministro
- acham que MFL, mesmo que tivesse um perfil de liderança, não tem ideias modernas que permitam esperar um país melhor, antes pensando como "contabilista", usando esquemas mentais ultrapassados (um pouco Salazarista na sua visão das contas públicas), e não sendo nada arrojada ou aberta à frescura de novas ideias ou de novos conceitos, nem sequer de novas tecnologias... Não deixa de ser uma avó...
- Ficam perdidos ao olhar para um partido sempre fracturado e sem rumo, muitas vezes sendo pouco sério, com mudanças constantes de opinião, atacando investimentos por si definidos e atacando o próprio funcionamento do mercado (o cerne da crença PSD... mesmo da ala esquerda do PSD!), ameaçando "tudo rasgar", sem quae nada propor...
2. Votar Socrates... (maioria não o irá fazer)... A traição seria maior... E a consciência poderia pesar... Mas esperam, sinceramente, que vença, a bem do país...
Mas a verdade é que a indecisão destes eleitores, tem uma razão de ser profunda. A mesma que explica que o PSD não chegue ao poder desde Cavaco, de modo consistente: o problema de identidade do partido...
Senão vejamos: afastar PPC das listas e assim hostilizar parte do partido é solução?
Lê-se: «É um erro táctico. Primeiro, ninguém percebe que, em nos de três semanas, Maria José Nogueira Pinto esteja numa candidatura ao PSD e depois esteja contra, nomeadamente em relação a Lisboa. Segundo, os resultados eleitorais legislativos não perspectivam que o PSD ganhe com maioria absoluta. Nenhum partido terá maioria absoluta. (¿) Ora, o nosso aliado natural seria o CDS-PP. E não é com este tipo de programas que se cria um ambiente positivo para que isso venha a acontecer. Terceiro, se o PSD quer ganhar as eleições tem de se mexer à esquerda, não é por dar orientações mais à direita que vai conseguir mais votos».
Erro táctico? Nem por isso... O problema do PSD é um problema de IDENTIDADE, de um ADN que não corresponde aos sues quadros, nem estes ao seu tecido social... Mas não está só... O PS também já andou perdido e nos últimos 4 anos afastou-se um pouco da sua matriz social, o PP pouco ou nada tem de comum como CDS, o BE não tem, hoje por hoje, identidade. O PCP (via CDU) é hoje o único partido em que teoria e prática, quadros e votantes, são no essencial coincidentes...
O PSD é um partido que se posiciona num arco de centro que vai da esquerda moderada - centro (social democracia europeia sempre se posicionou aí, e o Programa de Sá Carneiro é aí que se situa, com os toques de liberalismo económico de um programa "burguês" e "empresarial" a colocá-lo de facto praticamente no centro do espectro político) até ao centro-direita (conservadorismo moderado, em que Mota Amaral representaria o ponto mais à direita do PSD), passando pelo centro direita e direita das alas liberais do PSD (de que Balsemão foi o primeiro rosto... mas em que Santana ou Passos Coelho representam hoje outras variantes)
E se tem como aliado natural, no dizer da maioria dos seus quadros... o PP de Paulo Portas (em termos idológicos é óbvio que o aliado natural do PSD é o PS, com o qual tem largas áreas de sobre-psoição seja em termos ideológicos seja em termos programáticos e de votantes...), e se faz dessa "aliança natural" uma declaração pública (MFL também a fez, ao dizer "bloco central jamais" e ao afirmar-se contra diversas bandeiras da esquerda de hoje (direitos dos homossexuais, eutanásia, etc.)... então o PSD de hoje indica ao eleitorado pender para a direita (deixando então ao PS um espaço grande ao centro)...
Potenciais candidatos futuros: Pedro Passos, Rui Rio, Morais Sarmento. Menos prováveis mas a considerar: Paulo Rangel e Aguiar Branco. Mais dificilmente: Marcelo, Alberto João, Santana Lopes ou Marques Mendes.
2009-09-12
Sondagens e não só...
Conclusões: se calhar Portugueses vão forçar PS e PSD a algum tipo de entendimento... Surpresas? Não há.
Há vários meses, em Maio, previa o autor deste blog, que o cenário mais provável era o seguinte:
1. PS e PSD "grandes" mas não "enormes", com máximos entre 85 e 105 deputados
2. CDU, BE e CDS entre 10 e 20 deputados cada
3. PSD + CDS não chegam a 116
4. PS + BE não chegam a 116
5. PS + CDU não chegam a 116 mandatos...
Ou seja, a única solução de 2 partidos que garante maiorias é... PS+PSD!
A alternativa para formar governos com apoio parlamentar maioritário: acordos de três partidos. No nosso actual cenário político-partidário é altamente improvável (para não dizer impossível):
- PSD não contará, com certeza, com BE ou CDU...
- PS teria de contar com aliança com BE + CDU (nenhum deles parece inclinado a isso, quanto mais ambos em simultâneo... até porque nesse caso PS teria mesmo de aceitar um grau de estatização insuportável para a maioria do próprio... PS)
- PS teria de juntar CDS + BE ou CDU: nem nas fábulas de La Fontaine...
Ou seja: ou teremos governo minoritário com acordos pontuais, negociados caso a caso, e com "complacência" do outro "grande" em termos de orçamento e moções de censura (ou seja: bloco Central INformal), ou então Bloco Central formal e assumido...
Igualmente verdade é que o pós-eleitoral mais provável depende de qual o vencedor, PS ou PSD (falta definir se vencedor será o partido com mais votos ou com mais deputados - outra situação há muito levantada pelo Moscardo é que o PS tenha mais votos, o PSD mais deputados... ou empate em mandatos! O caso de o PSD ter mais votos e o PS mais deputados é altamente improvável, dada distribuição geográfica dos dois partidos):
- Se for o PSD a vencer, Cavaco terá de forçar PS a aceitar abster-se em questões como orçamento... Pois PSD não pode contar com BE ou CDU para aprovar Programa de Governo ou Orçamento... Conclusão: o Governo PSD, com ou sem CDS, como diz Marcelo, está condenado a não passar de 2011;
- Um Governo PS tem ligeiramente mais hipóteses de sobre-vida: por um lado Cavaco tem mais poder sobre o PSD para forçar a certos silêncios/abstenções parlamentares e, por outro, o PS poderá ir "jogando" - umas vezes contando com apoio BE e CDU, outras PSD e/ou CDS... Ainda assim, Marcelo terá boa hipótese de ganhar a sua aposta e antes do final de 2011 termos novas eleições...
Aqui ficam as notícias sobre as sondagens e as conclusões de que o futuro pode passar por situações pouco do agrado de muita gente, dentro e fora de PS e PSD ... aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui.
Já agora, dois "bitaites", não baseados em estudos:
- o PS deverá mesmo acabar por ser o partido mais votado, pois além dos 20% de indecisos (e uma boa parte está entre votar PS e abster-se, votar branco ou votar MEP ou MMS), há muitos potenciais votantes BE - sobretudo eleitores urbanos, politizados, em Lisboa e Porto, as áreas onde recolhe mais votos, e que são os dois distritos que, juntos, elegem mais de um terço do parlamento - transferirão o voto para o PS, para evitar que Manuela Ferreira Leite seja primeira-ministro... Isto pode assegurar a vitória em votos para o PS, falta saber se também em deputados...
- o BE não será, por isso, a terceira força política nestas eleições... ou pelo menos não passará a casa dos 10,50%, ao contrário das Europeias...
2009-08-06
PSD, as listas e a liderança... (act. 6.Ago)
Desde há uns dias, o PS entrou "em Férias". O PSD tem o protagonismo mediático que tanto exigiu e solicitou.
Aproveitamento? Negativo.
Porquê?
1. Ao apostar na "VERDADE" e na "RENOVAÇÃO" comos traves mestras da sua campanha (dos motes dos cartazes ao "Portugal de Verdade"...), MFL chama a si o tipo de conduta política que os Portugueses mais sentem precisar - dada a alargada descrença no Estado e na classe política e no sistema judicial - MAS, a partir do momento em que o anuncia, impõe a si mesma e ao PSD a necessidade de ser... exemplar...
2. Ora, para quem se diz representar a renovação e a verdade, as politiquices não são admissíveis... O show de politiquice interna na elaboração de listas e as fracturas internas, que se contrapõem à falta de um programa digno desse nome, dão do PSD uma imagem de um partido com ainda mais politiquice do que o PS... Se a grande crítica ao PS é a "tomada do Estado" pelo partido, a imagem que fica é que será ainda pior se for o PSD a formar o próximo governo...
Pior ainda: este processo passou para a opinião pública a ideia de um partido em que RENOVAÇÃO é o que não há (maioria das escolhas "novas" são ex-líderes PSD do período Cavaquista... e "filhos de") e em que critérios éticos defendidos (como a questão dos candidatos não serem arguidos) caem por terra na primeira lista a elaborar... Ou seja: em que VERDADE é um "mote" mas não mais do que isso, numa espécie de invocação vã de algo tão caro aos Portugueses, que dela sentem andar tão carenciados, e num tiro que mina a sua credibilidade!
3. Outra dimensão importante para os Portugueses é a confiança. Para tal, entre outros eixos importantes, está o da governabilidade. Logo, de PS e/ou de PSD, os eleitores exigem que demonstrem coesão e abrangência. Ora os últimos dias, os tais em que o PSD teve o protagonismo mediático mostram bem as clivagens internas, de um partido com demasiadas vozes, em que cada um tem a sua própria agenda (qual a necessidade de Marques Mendes falar nesta altura, levantando mais uma polémica, com a exclusão de arguidos de todas as listas?), e com uma chefia autoritária e não democrática... Ou seja, o PSD mostrou que tem menos condições de ser governo do que o PS, por ser menos coeso e conviver menos bem com diferenças internas (apesar de tudo PS alia-se a Roseta e Sá Fernandes, convida e elogia Alegre, que mantém o seu peso e mantém-e no partido...).
4. As conclusões mais importante a retirar destas exclusões são, porém, ainda mais devastadoras:
i) Ao afastar Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas, MFL está a afirmar que 31,5% dos votantes das últimas eleições internas não merecem ter representação parlamentar... Significa que parte do seu partido não tem qualidade?
ii) ao afastar os representantes maiores dessa parte significativa do seu partido, MFL está a demonstrar mais uma vez a sua veia "não democrática", e de não respeito pelas minorias... e MFL "só" teve 37%, imagine-se que tinha tido mais de 50%...
iii) ela torna público que não perdoa, e que prefere manter um clima de guerra interna a unir o partido... o que fará ao país?
iv) com este passo, e a animosidade criada, ela garante que, se perder, a sua cabeça rolará de imediato, pois nada lhe será perdoado... Ao optar por retirar-se a si mesma qualquer margem de erro, ela demonstra ou desinteresse pelo PSD ou alguma falta de compreensão dos mecanismos de poder (e, se assim for, denota eventual falta de inteligência...)
v) garante ainda que, se ela for afastada da liderança, e dado que o grupo parlamentar corresponderá apenas a uma ala do partido, haverá provelmente uma "guerra" entre Partido e Grupo Parlamenttar... que responderá contra a liderança do partido...
Marcelo, Ribeiro e Castro no CDS-PP, Menezes ou a própria MFL, encontraram esta situação ao ganhar o respectivo partido... foi algo que lhe dificultou e dificulta a vida, mas parece que ela não quis mostrar ter aprendido a lição, antes preferindo a "vendetta" e prejudicando o PSD (se MFL sair, seria do interesse do PSD ter um futuro líder no Parlamento)...
vi) De quem defendeu "a suspensão da democracia por 6 meses" pode sempre levantar-se a questão sobre a sua capacidade de dialogar (e de ouvir os Portugueses, algo que aparece nos cartazes!)... Ao tomar esta opção, MFL reforça a ideia de que, aparentemente, não é mulher de estabelecer pontes e, muito menos, estar aberta a opiniões divergentes, mesmo dentro do seu próprio partido... imagine-se no país!
vii) Todos os estudos e o próprio bom senso mostram que as boas lideranças são as que fogem de um sistema em que líder apenas ouve os "Yes Man" e excluí opositores e todos aqueles que têm ideias diferentes ou que dão sugestões "não alinhadas"... A coesão é importante MAS este método de liderança conduz não só a um certo autismo como a uma limitação muito grande das opções e da própria qualidade da análise, enviesada e cada vez mais distante da realidade... Ora sem boa análise e diagnóstico, é improvável chegar a boas soluções e, sobretudo, chegar às pessoas...
A conclusão parece óbvia: MFL, em nome da coesão do grupo parlamentar (no caso de obter uma vitória) cometeu um erro que irá fazer perder votos ao PSD, baixando as suas hipóteses de ser governo, deu uma imagem de um partido fracturado, e reforça ideia de que não aprende com as lições da história, de que nem sempre é coerente e que tem falta de capacidade de diálogo e de abrangência...
PS: tal como previa acima, há cerca de 24 horas atrás, MFL deu, provavelmente, um tiro no pé, pois não só esmagou a sua margem de erro como lançou uma guerra interna, a curta distância das eleições, que impedirá, provavelmente, uma vaga de fundo laranja, ou sequer uma motivação da "máquina laranja" que era uma das "cartadas fortes" do PSD para tentar a vitória nas legislativas... isto além das consequências que também terá, nas autárquicas!
As notícias sucedem-se, com contestações, trapalhadas, discordâncias mitigadas (dada consciência de risco de impacto eleitoral desastroso que este processo implicará), divisões, confissões, inconfidências e acusações fracturantes... E a única esperança, para o PSD, de a cerca de 50 dias das eleições este cenário não ter impacto significativo e catastrófico nos resultados do partido é... ser entretanto esquecido, dado que maioria dos Portugueses está... "a banhos"...
2009-07-31
Viver no Caos... ou o Poder dos Funcionários...
Aproveitei, já na altura, para dizer que me parece que ambos os partidos deviam aprender a fazer contas... Passadas as eleições europeias, e umas sondagens...
Na altura, como hoje, dizia que disparatavam porque entendia que o cenário mais provável para as eleições legislativas era uma situação nova no Portugal Europeu: nenhum conjunto de 2 partidos consegue maioria no parlamento, sem ser PS+PSD. Nenhuma outra combinação "a dois" serve. Mais, disse que era provável que mesmo a abstenção de um terceiro partido/coligação não chegasse para aprovar diplomas, mesmo os que requerem apenas maiorias simples...
Ou seja: ou teremos mesmo um Bloco Central, explícito ou tácito ou uma situação de ingovernabilidade, ou um regime de alianças "votação a votação" com Cavaco a forçar a abstenção do outro partido "grande" (PS ou PSD ou ambos - conforme quem liderar o Governo for PSD, PS ou seja um governo de iniciativa presidencial) em votações de orçamento e programa de governo...
A terceira opção, a de que Cavaco permita um governo (PS, PSD ou de iniciativa Presidencial) sem possibilidade de sobrevivência, não parece credível: o que ele mais estima é a estabilidade! A segunda, a do Caos, é ainda menos verosímil pelo que... o provável é que o PR force entendimentos e, se alguém (PS ou PSD) não aceitar, terá Cavaco a fazê-lo pagar pesadamente a instabilidade... e relembrar-lhe-á o PRD...
Ou seja, na prática, pela primeira vez, PS e PSD poderão ficar completamente reféns um do outro... e por isso o discurso de ambas as lideranças partidárias era descabido, precoce e reflecte incapacidade de compreender o que gera o Sistema de Hondt em termos de conversão de resultados eleitorais em termos de distribuição de poder (mandatos). [aliás, no mesmo dia, ainda tentei explicar porque é que, em termos de matemática eleitoral, o PS ganharia mais do que ninguém em ter eleições autárquicas e legislativas no mesmo dia...].
A ironia destas legislativas, posto isto, é que, na prática, o voto "de protesto" nos demais partidos, levando a que previsivelmente PS+PSD não tenham mais de 70% dos votos, acaba por "empurrar" para um ... Bloco Central, em que poder de CDU, CDS e BE fica até reduzido!
A alternativa a isto é uma situação de Caos... com governos insustentáveis... Mas isso não é necessariamente mau :-) : tal como em Itália, os Portugueses passam (quase) bem sem governo, mesmo sendo totalmente dependentes do Estado. Mas quem gere o Estado tendem a ser, perante governos fracos, os funcionários e os grupos de interesse... e esses não vão a votos... e lá continuarão, no poder, no dia 28 de Setembro... Tal como no reino da saudosa série Yes, Prime Minister...
PS: e há ainda mais uma "pimenta" possível, provável (ainda que, pessoalmente, não acredite que acabe por acontecer), a de o PS ser o partido mais votado, mas o PSD o partido com mais deputados. Qualquer resultado com diferenças inferiores a 2%, em que PSD seja o segundo partido, tornam este desfecho não só possível como credível, dada maior concentração de votos em termos regionais no caso do PSD, e da maior dispersão no caso do PS, considerando o consistente histórico de resultados eleitorais desde 1976. Quem chamaria Cavaco para formar Governo? [nota: o inverso, de ser o PSD o mais votado e o PS o partido com mais deputados é muito mais improvável].
PS 2: outra pimenta: e se a somar ao cenário anterior, ou a qualquer cenário em que PSD seja o partido com mais deputados e/ou votos, se der o caso de que PSD e PP fiquem bem longe dos 115 deputados (cenário mais do que realista, se considerarmos que concorrem separados - seria bem diferente se concorressem juntos), e PS+BE, por exemplo, desse para 115 deputados e se o BE dissesse a Cavaco que viabilizaria Governo PS? Cavaco iria seguir os procedimentos e convidar MFL a formar Governo, mesmo sabendo que não teria grande viabilidade, ou iria dar ouvidos a... Louçã, Rosas, Fazenda e Portas (Miguel) ???
Esta eleições prometem desde já um 28 de Setembro animadíssimo!
Pobres autárquicas... não terão grandes audiência!
2010-04-28
O valor da oposição construtiva...
Por outro lado, e como é óbvio, considero fundamental que o principal partido da oposição - PSD ou PS, conforme momento histórico - tenha um rumo, apresente capacidade de proposta e de oposição construtiva, com capacidade de trazer alternativas para cima da mesa, sem temer a negociação e o diálogo em algumas áreas chave, compreendendo que com isso não vai perder a identidade ou a diferenciação aos olhos dos eleitores.
Infelizmente, durante muito tempo, o PSD andou perdido em si mesmo, sem um rumo claro (qual o modelo de Marques Mendes, LF Menezes ou MFL para o país, verdadeiramente? quais as suas prioridades concretas?), e com uma oposição destrutiva, que se afirmou sempre mais pela negativa do que pela positiva - sobretudo com MFL.
Por este motivo, fiquei contente com a eleição de Pedro Passos Coelho para a eleição como Presidente do PSD. Teria ficado também satisfeito com a eleição de José Pedro Aguiar Branco - que se mostrou surpreendemente bem preparado para liderar o país! - e até de Paulo Rangel - que desiludiu um pouco, exactamente porque o seu discurso era mais "área a área, medida a medida", sem mostrar uma linha de rumo concreta, que obedecesse a um padrão compreensível ou a um fio lógico e coerente no seu todo - mas a menor preocupação com a coerência teórica é, porém, algo comum aos Conservadores, por definição, pois a sua coerência advém da própria realidade (partem do "que existe") e não tanto da abstracção das ideias ou das utopias do "dever ser".
PPC traz-nos, porém, duas coisas, em maior dose do que JPAG ou PRangel:
1. uma diferenciação, uma alternativa de caminho ao governo actual (em breve teremos um post sobre o assunto e sobre as diferenças de ponto de vista PPC / JS)
2. como tem essa diferenciação, e não tem nenhuma querela pessoal com José Sócrates, ao contrário de MFL, pode negociar e dialogar, quando precisamos, sem medo de ser "absorvido" pelo PS, ao contrário de líderes mais "ao centro", como MFL... (nota: este temor é algo que faz sentido, historicamente, no PSD, pois PS ocupou, desde 1995, muito do espaço político que foi o do PSD, o que lhe tem permitido vencer sucessivamente eleições...).
Sinal concreto de que tal eleição de PPC foi positiva para o país surgiu, infelizmente, pelas piores razões - a do ataque dos especuladores - mas, pelo menos, estamos menos mal preparados, como país, agora do que estaríamos se MFL ainda fosse Presidente do PSD.... Pois agora PS e PSD podem dar a face em conjunto perante o exterior, e essa conjunção de esforços é fundamental para credibilizar externamente a nossa política económica, ao contário de uma situação em que dá ideia que à primeira ocasião, PSD mudaria de política... o que minaria qualquer confiança no cumprimento de medidas de austeridade... que infelizmente serão mesmo necessárias...
* Uma nota sobre a orientação política pessoal:
Em primeiro lugar: não pertenço a nenhum partido. Nem me sinto tentado a pertencer, no momento actual. Orgulho-me de ter um vida cívica activa, e de votar em partidos diferentes consoante me pareça mais adequado, em função do momento, do local onde voto (ex: votaria diferente em numerosas eleições conforme o distrito onde votasse), do sistema eleitoral (maioritária para as Presidências de câmaras - a uma volta - e nas presidenciais - a duas voltas -, método de Hondt nas legislativas, mas com distritos, o mesmo método para as Europeias, mas com círculo nacional único...), da finalidade das eleições, do potencial impacto do voto individual no resultado global, da "competitividade" eleitoral, etc.
Já votei, directa e/ou indirectamente, considerando eleições legislativas, autárquicas e europeias, em todos os partidos parlamentares, e nalguns outros.
Não escondo ser Europeísta convicto e defensor da UE - ainda que com as suas falhas, como tudo - e, por isso, por exemplo, em eleições europeias, pondero apenas votar PS ou PSD, os dois únicos que defenderam sempre a UE como caminho para Portugal (e, ainda aqui, mais o PS do que o PSD), ou branco.
Não escondo que voto em branco, em geral, na freguesia (dado que nela não resido habitualmente).
Defensor da diversidade como algo que enriquece a vida democrática, não escondo que do mesmo voto que votei PSR para eleger Louçã - sem sucesso - há mais de uma dezena de anos, que teria votado MEP ou PCTP-MRPP no caso de estar a votar em Lisboa, nas últimas eleições, para eleger um deputado que trouxesse uma voz diferente ao parlamento. Mais: sendo Republicano, não hesitaria em votar no PPM caso este estivesse com hipóteses de eleger um deputado. Já, por exemplo, se estivesse em círculos com 3 ou 5 mandatos apenas, em que historicamente se sabe que apenas PS e PSD podem eleger deputados, ponderaria voto de modo substancialmente diferente, sendo a primeira questão um simples: vale a pena votar? (sou frontalmente contra o sistema de voto por distrito que temos, e que gera eleitores de primeira e de segunda, pois uns têm escolhas que os outros, na prática, não têm!).
Do mesmo modo, e porque defendo que a política não se esgota com partidos, desejo contribuir para que o Dr. Fernando Nobre chegue a ser, de facto, candidato à Presidência da República, por considerar importante que a sociedade civil não partidarizada mostre vitalidade e sinta ela própria a sua força e a sua capacidade de intervenção. Dito isto: defendo a sua candidatura como positiva para o país mesmo que depois, na altura das eleições, possa eu próprio votar ou não nele, consoante as propostas concretas que nos trouxer.
Ou seja: considero que o voto serve também para expressar preferências indirectas, como a defesa da pluralidade de opiniões, mesmo quando elas não são coincidentes com a nossa!
PS: O PSD passa, pela primeira vez desde 2003, para a frente das sondagens. Tal era previsto há meses pelo Moscardo: mal mudasse a liderança do PSD, mudaria o sentido das sondagens, efeito ampliado caso fossem PPC ou Paulo Rangel, por serem rostos mais jovens...
2009-09-20
Professor Marcelo: entrada pela direita?
Por isso, para se chegar a um Governo PSD ou PSD+CDS, interessará apenas saber se o PSD tem mais um deputado do que o PS... E, sabendo o Professor que atacando o CDS e mostrando a urgência do voto útil à direita não perde votos ao centro (pelo contrário, pode ganhar, diminuindo o "bolo da esquerda"), e poderá aumentar a fatia PSD dentro do "bolo da direita", sobretudo quando Portas e o CDS estão com uma forte dinâmica ...
Esta concentração de votos no PSD contribuiria também para menos votos Inúteis (votos não convertidos em mandatos - ver posts sobre método de Hondt e suas consequências - aqui quadro resumo ou aqui). Ou seja, o mesmo número de votos PSD+CDS traduzir-se-ia em mais deputados se votos fossem concentrados no PSD (ou se partidos já fossem coligados, como também dito em post anterior).
O paradoxo: o CDS-PP tem mais hipóteses de ser Governo, ou influenciar um governo, se os votantes de direita votarem no PSD do que se votarem no CDS-PP!!! Consequências do nosso sistema eleitoral, que o Prof. Marcelo conhece como poucos :-)
Como sempre, e do ponto de vista da análise política e eleitoral, Marcelo mostra ser um Professor (nenhum líder do PSD tinha, ainda, compreendido esta necessidade de atacar pela direita!). Pelo meio, ainda ataca um dos seus inimigos... que lhe tirou o tapete e o fez perder o sonho de ser PM, há uns anos atrás... Intelectualmente brilhante?
Portas que, por sua vez, também é um homem de superior inteligência, compreende os perigos desta "concentração" (o virtual desaparecimento do CDS-PP e a sua "falência" pessoal), mas também o seu potencial: resultados em que PSD seja o maior partido, mas sendo o CDS-PP imprescindível... É uma difícil gestão mas PP tem talento para estas gestões... Não tivesse sido ele a desfazer, na televisão, a aliança com o PSD de Marcelo... e a entrar pouco depois no Governo... com Durão :-)
2009-09-26
Ideias Políticas - parte 2: os partidos Portugueses
Olhando para os nossos partidos, teríamos, de um modo bastante simplista, o seguinte posicionamento face às ideias políticas anteriormente apresentadas:
- PCP: um partido Marxista-Leninista, ainda hoje. Apesar de ter deixado cair alguns “chavões”, como a “ditadura do proletariado” ou passando a apoiar... as nano micro pequenas PMEs... Ainda assim, é o mais "puro" dos Partidos Portugueses, na sua filiação a uma só concepção política, não se alargando para captar mais votos;
- BE: fundado pela fusão do Trotskista PSR (Partido Socialista Revolucionário, liderado por Louçã), pela Maoísta UDP de Mário Tomé, e pelo Política XXI, grupo dissidente do PS, próximos do socialismo democrático mas que têm vindo a ser afastados das cúpulas do BE...; o BE começou por crescer em função de uma política de "nicho", mas hoje alarga-se a outros temas e a outros grupos, não esquecendo também que BE é o partido mais adaptado e orientado para captar a radical mutação social do país nos últimos anos (um dado, a título de exemplo: passamos de 10% para 34% de filhos fora de casamento em pouco mais de uma década!), bem como o seu posicionamento internacional, ao lado de ideias anti-globalização, regulação internacional, ideias ecologistas, mas tendo como entrave ao seu crescimento ideias como o abandono da UE ou da NATO, as nacionalizações da banca e das empresas de energia, etc...
- PS: Socialistas Democráticos e Sociais Democratas juntaram-se sob a égide do PS em 1973 em Bona, na sede do Partido Social Democrático alemão. Depois da Revolução dos Cravos e, sobretudo, após a conversão do CDS em Partido Popular, o PS recebeu também muitos defensores da doutrina social da igreja. Em 1973, Mário Soares, um social-democrata que tinha em Willy Brandt, o histórico líder do SPD Alemão, o sueco Olaf Palm, e o Francês Mitterand as suas referências, aposta na criação do PS, contra a opinião maioritária dos seus correlegionários (incluindo a sua esposa), sendo que a maioria dos fundadores estava mais próxima do socialismo democrático do que da social democracia... Hoje o PS tem uma maioria esmagadora de sociais democratas (cerca de 80%), mas que tem sido permeável a elementos importantes de liberalismo, e uma minoria ainda ligada ao socialismo democrático, além de uma simpatia pela doutrina social da Igreja, que já teve em Guterres um líder;
- PSD: é em geral considerado o mais interessante partido em termos de ciência política. O PPD-PSD é uma improbabilidade. Tudo apontaria para ter sido um partido de "charneira", um terceiro partido, dado que a lógica partidária e os sistemas eleitorais Europeus apontavam para que fosse ocupar um espaço que não estava previsto, o espaço entre os Sociais Democratas e os Conservadores, ou seja, o espaço dos Liberais, tal como o Partido Liberal Alemão ou Britânico. Na realidade, porém, o PSD sobrepõe-se a PS e CDS. Os 3 fundadores marcam, porém, a sua abrangência. E um deles, através do seu carisma, alterou o que seria uma lógica de PCP-PS-CDS, com este último ligado aos partidos democratas-cristãos (e conservadores, tendo como referencial a CDU Alemã), tornando o PSD num dos dois maiores partidos nacionais, relegando o CDS para uma dimensão menor, e retirando ao PS muitos dos sociais democratas portugueses. Francisco Sá Carneiro foi o homem que criou o seu próprio espaço. Ao fundar o partido fê-lo com Francisco Pinto Balsemão, um homem de negócios com preocupações sociais e forte sentido ético. No fundo, um liberal-social. E fê-lo também com Mota Amaral, representando uma ala mais conservadora, mais ligado à doutrina social da Igreja. O PSD forja-se nesta amálgama tripla e no carisma de Francisco Sá Carneiro, que trouxe consigo uma forte base sociológica de pequenos comerciantes e proprietários, comerciais, trabalhadores rurais ligados ao minifundio, etc.. E por isso quebrou as regras e previsões, o PPD-PSD não se transformou no Partido Liberal, nem no “3º partido”, nem sequer renegou a social-democracia quando a Internacional Socialista – por influência de Mário Soares – recusou a entrada do PSD na mesma, conforme pedido de Sá Carneiro, por duas vezes! Ou seja: Sá Carneiro poderia ter aderido ao PS, poderia ter fundado um partido Liberal, mas compreendeu antes de ninguém que nunca chegaria ao poder desse modo: no PS porque havia Soares, que era o pai fundador e detinha os contactos internacionais vitais para o PS (a entrada na CEE era o objectivo primeiro do PS de Soares, pois garantia a fuga de tentações comunistas e salazaristas e assegurava a entrada de Portugal no mundo Moderno, livre, Europeu), como partido Liberal porque compreendeu que seria um partido menor. Daí ter pensado um partido abrangente. Saído Sá Carneiro, e após o período Cavaquista, em que PSD tanto foi social-democrata como populista, e conseguiu o importante triunfo das (re)-privatizações, o PSD anda orfão: as diferentes alas não se entendem e procuram ainda um líer que una as “facções” existentes.
- CDS-PP: o PP não é o CDS. Na direcção do PP não há praticamente ninguém que seja "do CDS". O CDS era um partido de CENTRO (Centro Democrático e Social), fundado na ideia de um estado aberto à iniciativa privada mas com fortes preocupações sociais, defendendo resposta através de instituições privadas. Hoje, os apoiantes desta política, deste CDS, reparte-se pelo PS, pelo PSD e pelo PP. O Centro Democrático Social, fundado por Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa, era um partido "Conservador", "filho" da CDU Alemão e dos Conservadores britânico, que pretendia estar ao CENTRO, e ser um dos dois maiores partidos. Ao CDS estava destinado o destino de alternância no poder, como o PS... Mas a história não confirmou este "destino" ao partido. Numa fase inicial pós-revolução, o PSD agregou os votos de e o carisma de Sá Carneiro levou a que o CDS chegasse ao Governo como segundo partido, e dessa posição nunca mais pode sair. Isso levou a que a ala populista entrasse na luta pelo poder interno e acabasse por dominar o partido. A célebre redução do CDS ao “partido do taxi” mata em definitivo o CDS, que acaba por mudar de nome e acrescenta o PP... A direita “pura” começa a forjar-se em torno d`O Independente. Os filiados próximos de um centro politico ligado à doutrina social da Igreja dividem-se: uns permanecem, outros migram para PSD de Cavaco, aberto a tais ideias, e outros ainda, sobretudo nos anos 90, migram para o PS, pois Guterres era ele mesmo um líder muito ligado a este “centro político”. Ou seja, a expansão para a direita do PS levou a que, de facto, haja pontos de contacto muito forte entre “um certo PS” e o velho CDS, que não com o PP (isto explica porque é que Freitas foi tudo menos incoerente ao entrar no Governo PS, sobretudo em termos de Relações Externas).
2009-09-21
Concentrar ou "Des-centrar"? Eis a questão...
Para o PSD ganhar votos só pode atacar o CDS para ganhar à direita (algo que Marcelo parece ter sido o primeiro a compreender) ou ganhar moderados ao centro, acenando com o "papão: BE no governo" (como Paulo Rangel compreendeu, mostrando de novo o seu potencial), com a falta de "humanização" e com a "Governamentalização do Estado" .
Quanto ao PS, só pode ganhar votos à esquerda e junto dos moderados assustando esse "povo" com o "papão: primeira ministro retrógrada".
O PSD, para combater o "papão" do PS, e não perder votos ao centro, só pode mostrar-se como partido moderno, dinâmico, progressista, unido e aberto em questões como a imigração. Nada ganha com esta história da asfixia democrática (os potenciais indecisos que podem votar PSD não estão com dúvidas baseadas em questões de regime, algo descabidas nesta altura). O PSD deverá ainda ser moderado no ataque ao CDS mas mostrar que votar Portas é arriscar ter um governo de esquerda.
O PS, para combater o "papão" do PSD (para não perder votos moderados) e para ganhar o voto dos que estão entre BE e PS, terá de vincando a sua forte dimensão social mas, ainda mais, ser contra extremismos ou radicalismos - nacionalizações e outros, atacando o BE frontalmente, ... E deverá ainda mostrar uma face humana, respeito pelas minorias e abertura e união interna.
Já o BE, a CDU e o CDS-PP só ganham em dizer que precisam de muitos votos para poder "empurrar e pressionar" o próximo governo para as políticas que defendem, e fazem bem em nunca lembrar a potenciais votantes que o facto de dispersarem votos (à esquerda, no caso BE e CDU, ou à direita, no caso do CDS-PP) aumenta as hipóteses de governo ser mais "do outro lado"... Ou seja: BE, CDU e CDS-PP sabem que, ao crescerem em votos, aumentam as hipóteses de o próximo governo lhes ser mais distante... curioso paradoxo!
Juntamente com BE, CDU, CDS-PP, também os demais partidos deveriam tentar captar votos entre indecisos entre votar e não votar, afinal o grupo mais numeroso...
Pois bem... veja quem compreende ou não estas dinâmicas eleitorais, as mais importantes em termos de resultados eleitorais finais: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ou aqui.
2011-06-05
Previsões Moscardo de novo… “na Mosca” :-)
Além das previsões aqui deixadas a 12 de Abril que refletiam apostas feitas com amigos do PS (“abaixo dos 30%) e do PSD (“não chegarão à maioria, duvido que cheguem aos 40%”), o Moscardo deixou outras previsões pela internet. A 20 de Maio, num comentário a um amigo, no Facebook:
“PSD vai ganhar eleições.
O PSD falhou na "associação" de 12 de 15 anos PS ao estado da Nação (algo que era óbvio tinha de ser mensagem central) e Sócrates demonstrou que realmente só Portas tem um domínio de comunicação equiparável. Porém, no final, muitos dos potenciais votantes CDS-PP - inclusive votantes regulares PSD que dizem ir votar Portas à data de hoje, perante sondagens muito equilibradas, "voltarão" ao PSD na hora de colocar cruz, não por partidarite, mas por temerem vitória de Sócrates.
O CDS, apesar dessa transferência de ultima hora lhe retirar votos, penso que acabará ainda assim em redor dos 11 a 13%... Portas está a demonstrar uma cada vez mais apurada capacidade de gestão da comunicação e atua de modo brilhante, sendo ora popular ora Estadista, e com a calma de quem tem a quase-certeza de ir para o Governo e de ter conquistado para o CDS-PP o papel que era o o do Partido Liberal Alemão (FDP) durante décadas: sem ele não havia governo e ainda podiam escolher, a cada momento, quem era o primeiro ministro!
O Efeito simétrico - votantes tendencialmente BE e, residualissimamente, votantes CDU - que preferem votar PS a ter PSD e as suas politicas "ultra-liberais" :-) - já está reflectido nas sondagens. Acredito até que PCP terá 8%, mas também que BE vai realmente cair.
Quanto ao PSD perdeu de facto uma oportunidade de ter uma maioria. Em parte por inépcia e má gestão da comunicação, em parte por ter PPC preferido uma postura de verdade em relação às suas ideias pessoais... Penso que acabara onde as sondagens dizem, em redor dos 36 a 39%.
O PS penso que andará por onde dizem as sondagens mais baixas, pelos 31 a 35%. Se PSD for brilhantes nestes 15 dias, o PS poderia ser mesmo associado à crise e então a coisa voltava a minhas previsões iniciais, de há 2 meses: PS abaixo dos 30%.
Mas, sendo sincero, acho que pouco importa... a classe política atual mostra ser de muito fraca qualidade, intelectual e, sobretudo, ética e estrategicamente... E o pais precisava era de outra coisa... Nós todos temos de meter a mão na consciência...”
2009-09-11
Coligações... PSD/ CDS-PP
Exactamente pelas razões explicadas em detalhe num artigo neste blog, e resumido numa tabela/ quadro nele incluído, foi um puro erro de cálculo do PS preferir eleições legislativas e autárquicas não simultâneas mas, pior, o PSD não apresentar ao CDS-PP uma proposta de coligação.
Se isto faria sentido agora, fazia muito mais há uns meses. Na altura, o PSD seguia muito atrás do PS nas sondagens. A única forma de surgir a par, ou à frente, seria a coligação com o CDS-PP. Teria duas vantagens:
1. mesmo que o número de votos fosse similar, ou mesmo menor do que a soma dos dois partidos, aumentaria o número de deputados, em virtude da concentração de votos e diminuição de votos desperdiçados, sobretudo do CDS-PP, mas também do PSD em distritos como Portalegre, e outros
2. Teria muito mais chances de surgir à frente do PS, e em Portugal quem é chamado a formar governo é o líder do partido/coligação mais votado.
Logo: PSD teria muito mais hipóteses de chegar a ser Governo.
Isto continua a ser verdade hoje, mas era ainda mais verdade há uns meses, quando surgia bastante atrás nas sondagens (ou melhor, o PS surgia bastante à frente, dado que PSD surge entre 27 e 35% durante quase toda a legislatura).
Porque é que, em devido tempo, o PSD não procurou a coligação que agora diz ser possível, é um mistério. Pior: MFL disse-o num debate que maioria dos jornais dá como tendo sido vencido por Portas... Até porque ao ir a eleições separado, perde as vantagens MATEMÁTICAS que tinha (explicadas acima) e perdeu, assim, muitas das hipótese de ser chamado a ser governo. Será que ninguém percebe de números na Lapa?
PS: em devido tempo faremos post explicando porque é que no Rato a situação em termos de aprendizagem de matemática eleitoral não é melhor...
2009-12-21
PSD: uma clarificação fundamental!
O PSD, juntamente com o PS, ergueram-se à condição de partidos de poder em Portugal e, parecem demonstrá-lo a aventura do PRD e os fracassos de alguns projectos que vão desde o MEP ao MMS, do MPT à aparente incapacidade de crescer para se tornar num verdadeiro partido de poder do BE.
PS e PSD em conjunto tiveram nos últimos 30 anos sempre mais de dois terços dos parlamentares e sempre lhes foi póssível, por isso, aprovar todos os documentos que entenderem, incluindo alterações à Constituição e as nomeações mais importantes, que passam pela AR. Em 2009 perderam alguns deputados, mas mantém-se acima dos 2/3 e qualquer um deles é maior do que todos os outros partidos juntos (mesmo tendo esses sido os vencedores, supostamente...).
Assim, o que se passa no PS e no PSD é decisivo para o futuro do país. As alternativas dos Portugueses passarão sempre, em termos de linhas decisivas e de decisões fundamentais e estratégicas, por estes dois partidos.
A configuração da sua relação de forças pode e tem variado, bem como as suas orientações políticas têm sofrido cambiantes, muito em função das respectivas lideranças, mas esta realidade da sua força e poder conjuntos serem quase absolutos, não. Até os Presidentes civis tinham sido todos ex-líderes de um dos 2 partidos (Soares, Sampaio e Cavaco).
Numa fase tão crítica - não só económica, social e financeira mas, talvez sobretudo, em termos de crise de instituições e de CONFIANÇA - e em que decisões fundamentais precisam de um país focado nessas decisoes e não em casos judiciais e fait-divers dos mais variados - a clarificação da liderança e, sobretudo, da linha ideológica e das opções em questões importantes em que parece que PSD há muito não se entende internamente.
Nesse sentido, a incapacidade de alguém, para além de Pedro Passos Coelho (e incluindo nesta lista a própria Manuela Ferreira Leite) se assumir como candidato à liderança e dizer claramente o que pretende para o país e para o partido, mostra que qualquer que venha a ser solução, ela não será encabeçada por alguém de convicções, que não se tenha escondido quando deveria dar a cara...
Nesse sentido, um Congresso pré-escolha-de-liderança, que assegura uma forte presença e interesse (ao contrário dos Congressos pós-eleições-directas que ficam esvaziados de conteúdo, parcialmente), corre o risco de se tornar num debate de nomes, mas pode também ser uma oportunidade única para debater ideias, para debater o país, como pediu Marcelo. Nesse sentido, a palavra cabe aos militantes do PSD e aos delegados a eventual congresso debater e definir o futuro do PSD, mas também do país... e escolher entre dar um passo importante para a "decência" pedida por Miguel Veiga ou insistir na mera politiquice, indigna de quem pretende fazer da sua acção política um verdadeiro serviço à comunidade e ao país.
2010-03-30
Novo rumo...
Pedro Santana Lopes e Luís Filipe Menezes, de algum modo, poderiam também ser considerados provenientes da ala mais "populista" e "liberal" do PSD, mas de modo algum tinham a mesma clareza programática por detrás de PPC, nem os apoios - até financeiros - de PPC.
PPC, se for coerente, trará para a primeira linha do combate político personalidades como António Nogueira Leite ou Vasco Rato, fortes defensores de uma sociedade menos protectora, mais próxima do modelo americano, mais liberalizada e liberalizante.
António Nogueira Leite, apontado como ministeriável para economia e/ou para finanças, é administrador no grupo Mello e é um dos mentores do Compromisso Portugal, a que estão ligadas grandes figuras do mundo empresarial, como António Carrapatoso (ex.Presidente Vodafone); Joaquim Goes (Administrador, grupos BES e PT), José Maria Ricciardi (BES), António Horta e Costa; António Mexia, Diogo Vaz Guedes (Somague), Jorge Armindo (Grupo Amorim), e do mundo da advocacia e das consultoras, com Sofia Galvão (sócia - Sérvulo Correia), Luís Cortes Martins, etc... O Compromisso Portugal é um movimento de cidadania, com intervenções construtivas e com o peso derivado de ter este círculo de promotores, e com uma agenda assumida e claramente liberal.
Se Passos Coelho estiver em linha com o seu pensamento nos últimos anos, então poderemos assistir, finalmente, a uma clarificação politíco-partidária em Portugal, com o PSD a assumir cada vez mais ser PPD e também um partido com tendências liberais - algo que com Marques Mendes ou Manuela Ferreira Leite não assumia.
Por outro lado, muito importante, não podemos esquecer a Fomento Invest, grupo liderado por Ângelo Correia...
PEDRO PASSOS COELHO, nascido em Coimbra, em 1964, casado, 3 rebentos, licenciado em Economia pela Universidade Lusíada, desenvolveu até hoje a sua actividade profissional em três áreas:
- docência, no ensino superior e no secundário
- actividade política (passando pela presidência da JSD e deputado de 91 a 99)
- consultor e Administrador de empresas...
Nesta última categoria veremos no seu CV: "Administrador Executivo da Fomentinvest SGPS SA, da Fomentinvest – Consultoria e Gestão de Projectos, SA e da Fomentinvest Ambiente, SGPS, SA. É, também, Presidente da HLC Tejo,SA e da Ribtejo, SA e Administrador-delegado da Tejo Ambiente, SA.
Curiosamente, todas elas são do grupo Fomento Invest, se não erramos. Curiosamente o grupo é presidido por um conhecido político do PSD, comentador televisivo, Ângelo Correia... um dos homens mais argutos, bem informados e influentes em Portugal, com ligação a grandes negócios nacionais e internacionais...
Aliás, a Fomento Invest, um dos maiores grupos nacionais em áreas como o Ambiente (tratamento de águas e resíduos, aterros, etc.) não tem sequer uma página web. Ora, para disponibilizar informação aos cidadãos dos conselhos onde actua (e são muitos), era algo importante, para mais numa área tão sensível como a do ambiente... E há também algumas questões e ligações perigosas, como as que a revista Sábado levantou, já em Fevereiro... Curiosamente, até pontos comuns com o percurso e contactos de José Sócrates encontramos...
Inteligentemente, pelo menos por ora, Ângelo Correia não aparecerá. Mas será a eminência parda do regime... Não menos inteligentemente, e atacando o que tem sido o maior calcanhar de Aquiles do PSD - a luta fractricida entre facções e a divisão interna espelhada na comunicação externa - Pedro Passos Coelho tenta trazer para os órgãos nacionais e para posições de destaque os seus adversários, tentando assim pacificar o partido, diminuindo a margem de manobra dos seus detractores...
Mas, em compensação, o aparente desprezo de Cavaco Silva por PPC - nunca o convidou para qualquer cargo, apenas o aceitou como deputado pois como Presidente da JSD teria de sê-lo - e manteve sempre claro distanciamento desde que deixou a Presidência do PSD, pois não se revê na ala populista e liberal do partido, sobretudo na sua versão mais urbana e cosmopolita... Não era por isso de estranhar que José Pedro Aguiar-Branco e Paulo Rangel tenham tentado "entalar" PPC no processo eleitoral interno, com a questão do apoio à recandidatura de Cavaco Silva...
Em virtude de todos estes elementos não partilhamos a visão de que PPC será obrigatoriamente um líder a prazo, e que não teria hipóteses face a Sócrates... Pelo contrário... A não ser que Cavaco Silva tenha ainda alguma carta a jogar... Ajudando uma vez mais José Sócrates a sobreviver politicamente para além de 2011...
PS: e Sócrates agradece o arigo de Pacheco Pereira comparando-o a Obama...
2013-07-03
O total desnorte.. ? (updated)
O que quer Portas? Atingir marcas entre 15 e 20% com base em que PSD é responsável por austeridade máxima, enquanto CDS tentava moderar e ter sensibilidade social... Isso mesmo ele escreve na sua demissão.
Objectivo: tentar conseguir o que sempre desejou, deixar CDS-PP como um pilar incontornável do espectro direito, com peso quase igual ao PSD, imprescindível para o PS formar governo, de algum modo menos "à direita" que PSD, abrindo assim caminho a tornar-se num dos dois partidos "de centro" e encostando PSD e "re-organizando" o sistema partidário português...
As contas que penso que Portas fez...fazer isto, com um pretexto adequado, enquanto Seguro é líder do PS (e, por isso, PS não consegue ter maioria absoluta que poderia ter com António Costa...) e sobretudo enquanto Passos ainda é líder do PSD (pois se Rio chegasse à liderança o PSD poderia até vencer as eleições e, garantidamente, CDS não conseguiria crescer muito)...
Não creio, pois, que Portas se vá demitir ou CDS vá continuar no Governo...
Portas, mais uma vez, como fez em Setembro (TSU) e depois já em 2013, por altura da "TSU dos reformados" e da 7ª Avaliação, falará hoje DEPOIS e em RESPOSTA ao Primeiro Ministro... que está em Berlim...
Passos vai para Berlim durante a maior crise governativa de que há memória... enquanto Ministra Justiça garante que PSD e CDS se entenderão...
Mais uma prova do total desnorte... no Governo, e no país, que era e é inacreditável...
Marido de Maria Luís, nova Ministra Finanças, contratado pela EDP, empresa em que já e ainda Ministra teve papel importante recentemente após ficar desempregado... E hoje mesmo, em virtude das notícias vindas a público, demitiu-se de imediato!
Que autoridade terá esta Sra. Ministra junto dos seus funcionários e dos demais colegas de Governo? ... A resposta a esta pergunta ser "pouca ou nenhuma" pode custar-nos, a todos, alguns milhões, ou mesmo milhares de milhões... É esse o problema: isto era uma grande comédia se não fosse uma grande tragédia!
Governo suspende briefings diários à imprensa que iniciara à dois dias... para comunicar melhor e e modo mais claro e transparente... Afinal esclarecer as questões, clarificar tudo o que fosse relevante para o país, ser transparente, não deixar correr os "rumores"... não era o objectivo? Ou será que situação política actual não é relevante?
Gaspar foi insultado e até cuspido....
A crise institucional atinge os fundamentos do regime, com a Presidência sem condições: tentou a todo custo evitar queda do governo, e ainda ontem provocou Seguro, ao dizer que fosse competente para fazer aprovar moção de censura ... Ou seja: se tiver que ir para eleições, dará depois posse a Seguro após todo o confronto? E depois da palhaçada da tomada de posse de ontem? Qual a legitimidade do Presidente? Se houvesse eleições Presidenciais hoje, que votação teria Cavaco?
E, pior... o preço, para o país, pode realmente ser demasiado pesado:
Portugal_enfrenta_segundo_resgate_com_perdao_de_divida_diz_bank_of_america , e o Saxo Bank vai na mesma linha
2011-05-06
Falar eles falam…
Afinal… Teixeira dos Santos ainda fala em público… e para dizer que não é indolor (o acordo que perdura até 2023). Catroga ex-ministro que tirou uma famosa foto com o ainda ministra, também falou (sobre o acordo, sobre “brincadeira política” e sobre o “Estado Gordo”… só do PS, c(l)aro!)…. As consequências serão graves, já sabemos… mercado imobiliário, no do crédito, no do emprego (mesmo na função pública)… Mas não trava TGV… Apesar de algumas vozes já assumirem que é preciso “mudar de vida!
Quanto às sondagens, há para todos os gostos (Eurosondagem e Intercampus dão vantagem a PSD, Católica ao PS)… Mas a tendência é a do equilíbrio entre PS e PSD, e a necessidade de coligações para haver maiorias… (curioso: Publico diz em título que sondagem Intercampus põe PSD à frente mas a da Católica dá empate… quando a diferença pontual é da mesma amplitude sendo a única diferença que numa está PSD à frente, noutra o PS…. Prova de isenção? )
PSD continua a dar tiros nos pés: em vez de associar o acordo a 12 anos de governo em 15… fica a debater se tinha razão ou não para não votar PEC e se conseguiu ou não melhorar condições do acordo, em vez de mostrar que só há acordo de todo em todo por “culpa” do PS… Estranha assessoria de comunicação…
PS continua a aproveitar fragilidade do PSD, aproveitando para focar nas questões menores, de detalhe, processuais… Prendendo ao momento atual a campanha, respondendo a cada intervenção do PSD… Prefere a guerrilha e a “cena a cena” do que a visão completa do campo de batalha… Brilhante tática que explica, em parte, a recuperação do PS… manter-se-á assim?
Quem fala e devia ser ouvido é quem dá corpo ao artigo: SER DESPEDIDO FOI A MELHOR COISA QUE ME ACONTECEU!!! E, claro, os clubes Portugueses, que renderam 33 milhões de euros…
2010-03-26
Hoje será mais uma oportunidade perdida?
Credibilidade, previsibilidade, ponderação, equilíbrio, capacidade de inovação, são atributos que se espera de um partido de poder. O PSD não os tem tido debaixo das últimas lideranças (?). Isso custa muito dinheiro ao país, em ineficiência, ineficácia, mau governo, e a nível externo... e com custos financeiros e económicos derivados da incerteza sobre a fiabilidade e responsabildiade da alternativa potencial... Nesse sentido, Aguiar Branco tem denotado, de facto, ser o mais preparado para lidar com estes tempos difíceis: "primeiro o país, depois o partido"... 90% dos militantes do PSD deverão hoje mostrar que pensam de outra forma... E, como disseram muitos militantes do PS ao eleger Sócrates: "votarei sempre no líder que tiver mais hipóteses de levar o partido ao Poder...". O PS e o PSD estão transformados em meras máquinas de distribuição de poder, em que a Política enquanto luta por ideias e ideais não têm lugar...
Aliás, o PSD não esconde estar ávido de poder... e promete não alterar a partidarização do aparelho do Estado que, em conjunto com o PS promove há quase 3 décadas... Isso é que é preocupante, porque nos custa a todos, a nível económico, a nível de produtividade e a nível de bem estar, material e imaterial...
Por isso, e para relembrar o que é a política que se assume de ideias e concepções sobre sociedade (de ambos os lados), deixamos aqui o artigo de Paul Krugman sobre a reforma do sistema de saúde nos EUA...
2009-09-25
Previsões finais... d`O Moscardo
- BE não será o terceiro maior grupo parlamentar, tendo na melhor hipótese mesmo número de mandatos de CDU e/ou CDS
- CDS+PSD entre 38 e 44%, provavelmente entre 41 e 42%, sem maioria de deputados
- PS + BE não chegam a 50% (talvez rondem os 44% a 49%) e muito provavelmente não chegando aos 116 deputados
- PS + CDS não chegam aos 116 deputados, provavelmente [o que significa que PS fica "refém" de PSD ou da esquerda para aprovar diplomas]
- PS sem número de deputados necessários para poder assegurar 116 votos com "qualquer um" dos pequenos (ou seja, das três combinações, PS+CDS-PP , PS+CDU e PS+BE, no máximo apenas uma ou duas serão capazes de permitir 115, mas provavelmente nenhuma delas)
- PS+BE ou PS+CDU e PS+CDS sem mais deputados do que PSD+CDS+CDU ou BE, ou seja: mesmo que PS mais um dos três "piquenos" tenha 116, não lhe basta que esse pequeno se abstenha em dado diploma... ou moção de censura, ou orçamento... [não se realizando esta condição, como prevejo, significa que a um governo PS nao bastaria, por exemplo perante uma moção de censura, ter a abstenção de um pequeno partido, mas sim o seu voto a favor, ou a abstençaõ de dois partidos!]
- PS menor que PSD + CDS-PP - ou seja, se PSD e CDS votarem contra uma lei ou orçamente, ou se propuserem moção de censura ao PS não bastará a abstenção de BE e CDU, precisarão de votos "a favor" desses partidos...
Algumas destas previsões, baseadas em mera análise política, em intuição e em alguma matemática eleitoral e análise histórica, contrariam alguns dados das sondagens, e da sondagem do próprio blog O Socratico que, chegados agora a 239 "votantes", com correcção de nulos, brancos e votos em "piquenos" partidos (remetendo-os a 5,4% contra os mais de 12,5% que apresentam) e com distribuição de indecisos, apresenta os seguintes resultados:
- PS - 38,24
- PSD - 30,88
- BE - 9,31
- CDU - 8,33
- CDS-PP - 7,84
Tudo em aberto, portanto...
2010-02-13
A importância do sistema de avaliação...
Não menos relevante: o PSD deveria ser (também) o partido da iniciativa privada. A iniciativa privada implica que se avalie o que se faz. Com rigor. E que daí saiam alterações de rumo, melhorias, inovações.
Ora, Manuela Ferreira Leite deixa o PSD sem rumo (que alternativas propôs? Apenas foi capaz de produzir crítica, mas sem a tornar em propostas alternativas... O PSD é hoje um partido liberal, social democrata, populista, conservador, católico-progressista ou... outra coisa qualquer..?), com um número aproximado de deputados, incapaz de capitalizar o descontentamento com o PS e o Governo Sócrates, muito longe de ser governo ou de ser percepcionada como alternativa, com menos quase 20 Presidências de câmaras, e diz... "cumpri todos os objectivos"?!?
E, se cumpriu todos os objectivos, porque é que nem sequer se recandidata a líder do PSD?!? Deveria pelo menos explicá-lo...
PS: Um dos maiores problemas do Estado e da Administração em Portugal é, precisamente, a dificuldade em ter mecanismos de avaliação individual e sistémica, incluindo a total ausência de mecanismos de avaliação das iniciativas legais... Ora com líderes assim, o PSD não parece ser capaz de aplicar a si mesmo critérios minimamente válidos de auto-avaliação... É grave!
2009-09-18
Previsão: Papão contra Papão
Tal vitória deverá ser explicada, face a sondagens de "empates técnicos" a 3 semanas das eleições, pela sua captação de votos, sobretudo ao BE e aos indecisos, nos dias anteriores a dia 27, junto de eleitores "receosos" de que MFL seja a próxima líder do governo e para ele transporte a sua "visão conservadora"... Nesse sentido, e se esta análise política (não confundir com leitura de sondagens com recolhas realizadas a 3 ou a 2 semanas das eleições, que indicam algo diferente do previsto pelo Moscardo, como dito acima), for correcta, todas as sondagens que mostrem um PS próximo de uma vitória tranquila, é negativa para o PS e positiva para o PSD, pois "elimina" o "papão" para esses eleitores e afasta-os da urna e/ou de colocarem uma cruz no no boletim ...
Aguardo pelas outras sondagens deste fim de semana, para verificar se já captam esta "migração" de BE e indecisos para PS ou se ainda não (a previsão do Moscardo é a de que tal transferência se verifique muito na última semana, se esses eleitores tiverem noção de que MFL pode mesmo ser a próxima Primeira Ministro e, nesse sentido, é natural que as sondagens recolhidas dias 11 a 16 não reflictam tal realidade).
Se o PS, se quiser "dramatizar", tem de enfatizar que para o PSD ser o partido com mais deputados (ou seja, vencer as eleições em que elegemos... os Parlamentares!), pode não implicar ser o PSD o partido com mais votos, ao contrário do que diz... MFL! O PS terá de convencer estes eleitores de centro-esquerda e de esquerda que é, por isso, muito real "o perigo" de MFL chegar ao poder, mesmo que sondagens digam o contrário...
Já MFL e o PSD terão de convencer os eleitores do centro de que há um outro "papão": o de o BE de Louçã chegar ao governo... Ou seja, a previsão do moscardo é que teremos eleições competitivas, e a decidirem-se com base em "papões" :-)
Genericamente, numa eleição "bicho papão contra bicho papão", penso que se a votação baseado em "receios" ocorrer, a previsão do Moscardo é a de que o BE NÃO será a terceira maior força parlamentar após 27 de Setembro.
Esta visão reflecte uma leitura em que PS+BE deverão rondar valores nunca inferiores a 42%, e dificilmente superiores a 48% (ou seja, estarão numa hipótese "maximal", colados a esta sondagem da UCP-CESOP, e que lhes dá 50%!).
Estes valores serão superiores aos de PSD+CDS em cerca de 2 a 8%, pois estes deverão fixar-se entre 38 e 44%, máximo 46%. Notar: se PSD e CDS concorressem em conjunto, 42 a 43% seriam suficientes para ter maioria absoluta. Separadamente, é quase impossível que 44% permitam atingir esse patamar. Já PS+BE precisariam de 44 a 45% para ser maioria absoluta, em caso de coligação pré-eleitoral, mas é natural que, concorrendo separados, nem com uma soma de 46 ou até 47% dos votos cheguem a maioria de deputados...
Por fim, PS+BE+CDU dificilmente atingirão os 60%, antes se fixando em patamares entre 50% e 58%, mas dificilmente abaixo dos 52% ou acima dos 56%... De qualquer modo, quase seguramente acima dos 115 deputados...
A previsão do Moscardo é, pois, a de que o cenário mais provável é o de dia 28 de Setembro não haver uma solução governativa óbvia... Poderá ser período muito interessante do ponto de vista político, mas não necessariamente do ponto de vista do bem do país...
2009-06-25
A Partidarite: episódio 2
Este texto foi originalmente escrito em Maio, e era o contraponto a um outro, em que se explicava como o PS colocava os seus interesses acima dos do país, em alguns casos. Este post tenta mostrar como, noutros casos, são os demais partidos a usar a mesma lógica...
Os novos desenvolvimentos - a desistência de Jorge Miranda do cargo obrigam a repor este post... sem alterações pois, infelizmente para o país, como até o Presidente reconhece, a situação mantém-se... e até piorou: agora já não temos Provedor...
1. Começo por uma declaração de interesses: Jorge Miranda foi meu professor. Não foi dos professores que me tivesse marcado a nível pessoal, mas reconheço-lhe o seu papel histórico fundamental, o seu enorme conhecimento da constituição e o amor à causa das liberdades e garantias è, de modo geral, à causa pública e à cidadania.
2. O Provedor de Justiça é uma posição importante na defesa da Justiça – o sector mais carenciado de mudanças em Portugal.
3. O Provedor de Justiça é eleito por 2/3 dos deputados da Assembleia da República, que deveriam representar o país (e relembra-se que dos cidadãos, e não dos partidos, ainda que eleitos por listas, deriva a sua única legitimidade).
4. O PS propôs o professor Jorge Miranda. A CDU (PCP) e o BE reconhecem, abertamente, a qualidade e valor de Jorge Miranda para o cargo, e disseram até os seus líderes ser a pessoa mais indicada. Um bom número de deputados ilustres do PSD reconhecem o mesmo. O resto do PSD e do CDS em momento algum colocaram em causa o mérito de Jorge Miranda, e o perfil excelente para desempenhar este cargo.
5. Fica claro que, para o país, talvez pudesse haver soluções tão boas, mas não há, parece, soluções melhores. O Professor Jorge Miranda reúne consenso em termos técnicos, humanos, de experiência, de sentido de justiça, de noção de serviço público. É uma escolha com o qual todo o país pode ficar satisfeito. Seria uma óptima escolha para o cargo. É uma opinião generalizada entre a esmagadora dos deputados e de membros dos 5 principais partidos/forças políticas.
6. Jorge Miranda, num acto de grande abertura e espírito democrático, acedeu a ir a votos, sem ter garantias de ser aprovado. Acabou por desistir perante o desenrolar dos eventos e o impasse criado
7. A SUBSTÂNCIA: em função do exposto, o parlamento deveria poupar o seu tempo e os seus recursos, e eleger por unanimidade Jorge Miranda. Era um serviço ao país: elegia-se um óptimo Provedor de Justiça e não se perdia tempo nem recursos (e deixava-se Nascimento Rodrigues sair, o que já solicitou há muitos meses!).
8. Em vez disso, a liderança do PSD disse que não podia aceitar Jorge Miranda (curiosamente um fundador do PSD! E que pela sua ideologia poderemos aproximar mais do centro-direita do que centro-esquerda) porque este cargo, “tradicionalmente”, tem sido eleito por indicação do partido líder da oposição. Ou seja, contesta a FORMA e não a substância, pensando não no país, mas no acessório, gastando tempo e paciência, custando dinheiro ao país, atrasando mudanças na justiça, criando impasses, e não se dedicando a coisas mais importantes – quando o mundo atravessa a sua pior crise do últimos 75 anos (a mais séria desde o nascimento da maioria da população, portanto!)!
9. BE e PCP decidiram que esta FORMA não era boa, e portanto, que também tinham direito a apresentar candidatos. Agora, em Junho, acabam por desistir...
10. PSD, PCP e BE, como bem disse Rui Rio na altura, andam a brincar ao arremesso de candidatos, criando custos e perdas de tempo desnecessárias ao retardar uma decisão simples, que servia o país tão bem ou melhor que as soluções que propõem – no entender deles mesmos! Em nome de quê? Não se percebe bem, mas seguramente, e no dizer dos próprios, não em nome de o país – que era quem aqui interessava!!! – ter uma solução melhor. Ou seja: PSD, BE e PCP não agem em nome do interesse do país, mas em nome de quaisquer outras coisas que, independentemente do que sejam, deveriam vir SEMPRE abaixo do interesse de Portugal.